Por Julio Severo
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi supostamente criado para proteger as crianças.
Por Julio Severo
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi supostamente criado para proteger as crianças.
A instituição Abraceh, da Dra. Rozangela Justino, continua promovendo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Este sistema é uma falácia e o seu perigo é mortal. Conhecido como o chamado movimento dos direitos das crianças. Ele nada mais é do que um instrumento que corrompe e destrói a família.
Muitas famílias cristãs no Brasil estão sendo cruelmente perseguidas pelo ECA e pelos conselhos tutelares unicamente porque escolheram assumir a educação escolar de seus filhos.
Cleber Andrade Nunes e sua esposa Bernadeth tiraram seus dois filhos adolescentes de uma escola pública para lhes dar aulas escolares em casa. Espantosamente, os rapazes ultrapassaram meninos de sua idade e foram aprovados para uma faculdade de direito com notas elevadas. Apesar disso, seus pais receberam a ameaça oficial: sem uma matrícula na escola, eles serão presos e perderão a guarda de seus filhos.
Ensinar os filhos em casa sempre foi um direito no Brasil, pois as constituições passadas do Brasil o garantiam. Por exemplo, a Constituição de 1946 (Artigo 166) diz: “A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola. Deve inspirar-se nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana”. Nenhum pai ou mãe era ameaçado, multado ou preso por ensinar os filhos em casa.
Contudo, legisladores socialistas insistiam em que era necessária uma nova constituição. Sob a inspiração e esforços deles, nasceu a atual Constituição Federal de 1988, que diz:
“Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola”. (Art. 208, parágrafo 3º)
Em 2001, Carlos Vilhena e sua esposa Márcia tentaram desafiar a lei que obriga a freqüência à escola lutando nos tribunais. O Sr. Vilhena era um famoso jurista que queria garantir, para si e para outras famílias, o direito de educar em casa. No entanto, o Ministro da Educação, um comunista, ordenou que seu ministério rejeitasse o pedido de Vilhena. O caso Vilhena, que recebeu cobertura nacional e internacional positiva, acabou terminando no Superior Tribunal de Justiça, onde Carlos e Márcia perderam e onde os juízes declararam: “Os filhos não são dos pais”. Não lhes sobrando escolha, os filhos dos Vilhenas foram matriculados numa escola.
A decisão contra a família Vilhena se tornou um precedente perigoso, prejudicando iniciativas legais adicionais para legalizar a educação escolar em casa de novo no Brasil.
Mesmo assim, muitas famílias brasileiras continuam dando aulas escolares em casa e entrando no movimento.
Josué Bueno, ex-pastor batista, ficou conhecendo a educação escolar em casa (ou homeschooling) em seus anos de juventude nos Estados Unidos. Retornando ao Brasil, ele estudou num seminário batista, se tornou pastor e, logo que se casou, buscou viver uma vida de família centrada na Bíblia, onde a educação em casa era fundamental.
Nos EUA, Bueno havia visto famílias livremente educando seus filhos. Assim, ele deu a mesma oportunidade a seus filhos, que nunca foram para a escola desde seu nascimento. Mas sua tentativa de viver a mesma liberdade e princípios cristãos lhe custou um preço elevado. Ele recorda: “Por causa de falsas acusações, que nunca foram provadas, promotores nos ordenaram enviar nossos filhos para a escola. Eles também discordaram de nosso modo de disciplinar nossos filhos”.
As acusações foram feitas em 2005 ao Conselho Tutelar, que é responsável pela implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Eles receberam intimação para comparecer diante de juízes e outras autoridades, por causa da educação escolar em cada e da disciplina física. Então o Sr. Bueno e sua família toda receberam ordens de se submeterem a tratamento psicológico e matricular os filhos numa escola. Depois de algum tempo em tal tratamento, sob grande pressão (principalmente sua esposa grávida) e não vendo nenhuma escapatória, eles fugiram para o Paraguai — exclusivamente para dar a seus filhos uma criação cristã.
O Sr. Bueno diz: “Fala-se muito em respeitar a diversidade, mas nossa maneira diferente de ser não foi respeitada. Tenho certeza que se meus filhos homens fossem homossexuais e minhas filhas lésbicas eles teriam a proteção do Estado de forma esmagadora.”.
Foi um grande sofrimento deixar o Brasil, mas sofrimentos maiores os forçaram a tal dura escolha. No entanto, o sofrimento deles não terminou. O governo brasileiro os descobriu e enviou um oficial de justiça para lhes dar uma intimação para voltarem ao Brasil, continuar o tratamento psicológico estatal e matricular os filhos numa escola.
Diferente da família Bueno, Cleber e Bernadeth Nunes não haviam educado seus filhos desde seu nascimento. Ele havia conhecido a educação escolar em casa em sua visita aos Estados Unidos. Depois de muita oração e consideração, houve a decisão e hoje ele diz: “Dois anos atrás minha esposa e eu decidimos tirar nossos dois filhos da escola pública e assumir a responsabilidade pela educação deles. Eu administrava um pequeno negócio e na época tive de reduzi-lo porque ambos de nós educamos em casa”. Seu motivo, conforme ele revelou numa entrevista a BandNews, é porque “não concordamos com o sistema educacional”.
O programa da BandNews, que foi transmitido em 28 de fevereiro de 2008, comentou que Bernardeth deixou seu curso universitário de arquitetura para se dedicar à educação de seus filhos. Quando a jornalista Adriana Spinelli entrevistou os rapazes, Davi respondeu: “Gostamos muito desse método porque somos livres para estudar o que queremos”.
Em sua jornada de educação em casa, o primeiro esforço da família Nunes foi “descolarizar” seus filhos, isto é, eliminar deles as influências negativas da educação pública.
Depois de apenas dois anos, os resultados foram dignos. Sob a acusação de negligência educacional pelo Conselho Tutelar, o Sr. Nunes tentou provar que não havia nenhuma negligência. Por isso, os rapazes fizeram testes de avaliação para entrar numa faculdade de direito. Davi, 14, foi aprovado em quinto lugar. Seu irmão Jonatas, 13, ficou no 13º lugar. A posição deles era excelente, mas o Conselho Tutelar, que vinha perseguindo-os desde 2007, não se mostrou comovido.
Apesar das excelentes notas de seus filhos, a família Nunes está sob a ameaça oficial de perder a guarda de seus filhos e irem para cadeia. Eles têm uma menina de 9 meses chamada Ana. Dois amáveis advogados voluntários estão lutando para defender a família Nunes contra o poder estatal oposto à educação em casa.
O problema deles começou quando alguém os denunciou ao Conselho Tutelar. Como todas as famílias no Brasil que educam em casa, as famílias Nunes e Bueno davam educação escolar em casa às escondidas. Quando oculta de forma adequada, não há perigos, mas muitas vezes um parente, um vizinho ou um indivíduo desconhecido intervém para delatar ao Conselho Tutelar, que tem lidado com todos os casos de educação em casa no Brasil.
Esse Conselho foi criado para implementar na sociedade brasileira o Estatuto da Criança e do Adolescente, que por sua vez foi criado para atender às demandas da Convenção dos Direitos da Criança da ONU. Como signatário desse documento da ONU, o governo brasileiro foi obrigado a refleti-lo nas leis nacionais. Nenhum líder cristão no Brasil conseguiu ver seus perigos, mas hoje os pais cristãos e envolvidos na educação em casa estão sofrendo suas conseqüências.
Um pastor evangélico me disse que ao disciplinar seu menino de 10 anos, o garoto ameaçou denunciar a ele e sua esposa ao Conselho Tutelar. Quando perguntado onde ele havia aprendido isso, o menino respondeu, “na escola”.
Mais e mais pais evangélicos e católicos no Brasil me contam a mesma história triste. Outras experiências semelhantes mostram que as famílias evangélicas estão sendo muito atingidas pela legislação da ONU imposta no Brasil.
O Conselho Tutelar e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que alegam defender as crianças e seu bem-estar, são conhecidos por sua omissão nos debates sobre a questão do aborto e por não protegerem as crianças em risco de serem adotadas por homossexuais. Mas não mostram omissão alguma no caso de famílias que educam em casa.
A família Bueno poderá ser deportada para o Brasil e, quanto à família Nunes, Cleber diz: “Fomos condenados a pagar uma multa de 12 salários mínimos e a matricular os meninos na escola imediatamente. Ameaçaram que perderíamos a guarda de nossos filhos. Podem até nos mandar para a cadeia se continuarmos a desobedecer”.
A família Nunes, que está lutando contra um radical sistema anti-escolha, poderia considerar fugir para o Paraguai. Contudo, mesmo no Paraguai, a família Bueno não está livre dos tentáculos do Conselho Tutelar.
"No estudo desta noite nosso pastor trará a mensagem intitulada ‘o que é o inferno’. Venha mais cedo e assista o ensaio do coral...”
“Teremos sorvetada na igreja próximo sábado, as irmãs que forem doar leite cheguem mais cedo...”
“Para aquelas irmãs que têm filhos e não sabem o berçário fica no segundo andar...”
“Após a feijoada do próximo sábado teremos um período de meditação...”
“Os adolescentes apresentarão no dia 1º uma peça de Shakespeare. Venha assistir esta tragédia...”
“A irmã Laura agradece a todos os muitos irmãos que contribuíram para que finalmente ela engravidasse. Foi muito difícil, foi uma luta. Sem suas orações…”
“A irmã Zilda estará distribuindo Bíblias na favela na próxima terça. O diabo que se cuide...”
“Precisamos orar intensamente pelo problema de saúde da irmã Cândida. Não tem Cristo que resolva...”
“Os irmãos e irmãs que não sabem ler devem devolver os boletins da igreja no final do culto, assim que já tiverem...”
Que não haja preguiça de ler este e os outros artigos que foram postados. Apesar de serem um pouco extensos, o conteúdo é imprescindível para a compreensão da América Latina. Sugiro a leitura do blog da Graça Salgueiro. Na atualidade, ela é a pessoa mais informada sobre a política da América Latina. Quem não lê Graça Salgueiro está por fora dos fatos. Leiam o artigo!
Que democracia é essa que o senador Arthur Virgílio defende? Desde quando um cidadão brasileiro, seja ele civil ou militar, não pode manifestar sua opinião sobre as decisões que o governo vem tomando? Será que o imposto que o General Heleno paga é inferior ao que pagam os demais brasileiros? Será que em um país onde juízes se manifestam até mesmo sobre assuntos que posteriormente irão julgar, colocando-se aprioristicamente a favor desta ou daquela parte, um general de exército, que não advoga ideologia alguma, é obrigado a calar-se diante dos desmandos de um governo para o qual a democracia está apenas no discurso? Será que o ilustre senador (que se autoproclama "oposicionista") não percebe que o Comandante Militar da Amazônia, sabendo dos gravíssimos problemas existentes naquela região, tem não apenas o direito, mas também o dever de alertar a sociedade? Ou será que o senador, no conforto de seu gabinete, conhece mais os problemas da Amazônia do que o general que a comanda? E se os conhece, por que não alerta, ele próprio, a sociedade - já que é Senador exatamente pelo Amazonas -, ao invés de ficar quietinho enquanto se espolia, às escâncaras, a região mais rica do planeta? Como se justifica o seu silêncio?
Não é de hoje que essa questão de demarcação de terras indígenas vem preocupando os brasileiros de bom senso. Que há interesses escusos por trás dessas demarcações, não há a menor dúvida. Ninguém, em sã consciência, iria destinar uma extensão tão vasta para índios (sem falar nos quilombolas), e de forma contínua, propiciando até mesmo a formação de uma futura "nação" independente, se não enxergasse nisso uma vantagem pessoal. Principalmente em um governo que se tornou campeão em corrupção e maracutaias.
Um problema como esse, se surgido em países de pequena extensão territorial, como a Suíça ou a Áustria, certamente já teria posto em rebuliço a sociedade inteira. Mas no Brasil, onde o que acontece em Xapuri dificilmente é conhecido por quem reside em Passo Fundo, ele assume proporções mínimas porque o povo simplesmente não consegue dimensionar a sua gravidade.
O importante não é dar tratamento "democrático" para índio. O importante é tratar igualmente os brasileiros, sejam eles índios, brancos, negros, pardos, homens ou mulheres. Mas a partir do momento em que um único brasileiro é impedido de adentrar terras indígenas, como se estivesse entrando em um país estrangeiro, então é claro que estamos diante de uma grave violação constitucional ao direito de ir e vir. Daqui a pouco vão exigir passaporte para que um brasileiro transite por uma área indígena, o que é um rematado absurdo.
Segundo noticiado na imprensa, o Brasil possui cerca de 300 mil ONGs, sendo um terço delas na Amazônia. A maioria dessas ONGs é de origem estrangeira, com claros interesses na riqueza daquela região, onde abundam minérios valiosíssimos, madeiras de lei, vegetação exuberante (inclusive de plantas medicinais), águas limpas e copiosas, animais exóticos, tudo isso sendo alvo da cobiça internacional. Não é à toa que volta e meia alguém é flagrado no comércio internacional de jacarés, cobras, aranhas, insetos raros, pássaros, madeiras e outras preciosidades daquela área.
Se mesmo sem a tal demarcação o Brasil já é (e sempre foi) fortemente surrupiado de seus tesouros na Amazônia, de onde escorrem milhões de toras de madeira e outras matérias-primas para empresas estrangeiras, sob as barbas complacentes do governo, imaginem então a possibilidade de que isso seja feito em uma área tão grande onde nenhum brasileiro pode entrar porque se trata de uma reserva "democraticamente" destinada a índios?
Também chama a atenção a flagrante contradição de nossos ideólogos: ao mesmo tempo em que defendem a manutenção da cultura indígena, clamam pela "inclusão" dos índios na sociedade, sustentando que eles também têm direito ao ensino universitário, a contas bancárias, a serviços de telefonia e outros benefícios típicos da civilização, por questão de "justiça social" e de observância de "princípios igualitários". Ora, de duas uma: ou se mantêm os índios exatamente como são, para "preservar" sua cultura, ou então se lhes dêem todas as vantagens da vida em civilização. Só o paradoxo do discurso já deixa margem para que se imagine que tais demarcações nada têm de filantrópico ou democrático, constituindo, ao contrário, mais uma das maracutaias a que o brasileiro, infelizmente, parece já ter-se acostumado.
O fato é que o General Heleno é, sem a menor sombra de dúvida, o oficial da ativa mais abalizado para escancarar aos brasileiros os gravíssimos problemas que ocorrem na Amazônia, já que é ele quem comanda aquela região e a conhece melhor do que ninguém. E mais: não se pode apontar um único interesse do general em sua fala que não seja o de defender o Brasil para os brasileiros, sem distinção alguma. Sem ideologias.
Os brasileiros devem se sentir orgulhosos com a fala do General, que, é bom dizer, já recebeu uma avalanche de manifestações de apoio às suas palavras. Enquanto os ideólogos que nutrem o governo com teorias esquerdopatas que acabam dividindo o Brasil em várias "nações" - de índios, de negros, de quilombolas, de homossexuais, de homens, de mulheres, de proprietários, de não-proprietários, de ricos e de pobres -, o General se volta, ao contrário, para uma única Nação, formada por todos os brasileiros, independentemente de qualquer traço que os distinga. Isso nada mais é do que a democracia em sua inteireza.
É preciso lembrar, ademais, que nos termos do art. 142 da Constituição Federal, "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". Destarte, quando a soberania da pátria está em perigo, quando os poderes constitucionais entram em conflito e quando se percebe a supremacia do caos sobre a ordem, todo militar, seja ele um general ou não, tem o dever de cumprir sua missão. E uma delas é de, inicialmente, alertar a sociedade, exatamente como fez o General Heleno.
O Senador Arthur Virgílio precisa rever os seus conceitos de democracia. Ela certamente não guarda relação alguma com o que o termo verdadeiramente significa.
* A autora é Juíza do Trabalho em Brasília.
Por Olavo de Carvalho
Que haja nisso uma inversão psicótica da ordem das causas é algo que nem de longe rebrilha no horizonte da (in)consciência revolucionária, tão embevecida na contemplação estática das suas próprias lindezas que até a claridade máxima do óbvio se torna a seus olhos treva densa e impenetrável.
Mais cômica ainda, ou tragicômica, torna-se essa inversão quando, à maneira iluminista, o futuro esperado é descrito como o triunfo da racionalidade científica sobre o obscurantismo das crenças bárbaras. Pois a concepção futurocêntrica da História, virando de cabeça para baixo a hierarquia do necessário e do contingente já traz em seu bojo a destruição completa da lógica, do método científico e de toda possibilidade de compreensão racional da realidade. Não foi à toa que Paul Ilie, no seu magistral estudo The Age of Minerva (2 vols., University of Pennsylvania Press, 1995), caracterizou o estilo mental do Século das Luzes como "razão anti-racional".
Não espanta que, mais de 200 anos depois de ter desencadeado a maior e mais duradoura epidemia de revoluções, tiranias e genocídios já registrada desde o início dos tempos, a vaidade iluminista ainda continue a se pavonear de campeã da liberdade e dos direitos humanos, como se fosse lícito a uma filosofia reconhecer-se a si mesma tão somente pelos ideais declarados na sua propaganda e não pelo desenrolar inevitável e previsibilíssimo da realização efetiva das suas premissas.
O ideal de uma sociedade regida pela "razão científica" é o cerne mesmo da proposta iluminista, e a ele deve-se o nascimento das duas tiranias mais sangrentas que o mundo já conheceu, uma fundada na biologia evolucionária, outra na ciência marxista da história e da economia. O mais recente e meticuloso estudo comparativo desses dois regimes, The Dictators: Hitler's Germany, Stalin's Russia, de Richard Overy (New York, W. W. Norton, 2004, especialmente pp. 637 ss.), destaca como primeira e essencial similitude entre eles o "culto da ciência". Auschwitz e o Gulag são a utopia iluminista materializada.
E não me venham com aquela idiotice de que o iluminismo não gerou só ditaduras totalitárias, mas também a democracia americana. De um lado, o iluminismo britânico que influenciou a independência americana nada teve da rebelião voltaireana e enciclopedista contra a religião e as tradições (ver Gertrude Himmelfarb, The Roads to Modernity: The British, French and American Enlightenments, New York, Vintage Books, 2004).
De outro, mesmo essa versão suavizada do discurso iluminista não foi subscrita no todo pelos founding fathers, os quais a modificaram e cristianizaram em tal medida que praticamente não há na declaração da independência, na Constituição americana ou nas constituições dos Estados uma só afirmativa ou dispositivo legal cuja inspiração bíblica não esteja abundantemente documentada.
Nenhum argumento racional foi jamais apresentado contra a massa de provas reunida por Benjamin F. Morris nas mil e tantas páginas de The Christian Life and Character of the Civil Institutions of the United States em 1864. Tudo o que o partido iluminista pôde fazer, para tentar impor como puro constitucionalismo americano uma versão caricatural, "francesa", do Estado leigo compreendido como Estado ateísta militante, foi dar sumiço a esse livro e depois entrar em pânico quando da sua reedição em 2007 pela "american vision".
Segunda-feira eu assisti junto com a dona Marques um excelente filme “Quebrando a Banca”. Vale a pena. O filme é de uma genialidade extraordinária. Outro filme que é dificílimo de encontrar, mas eu encontrei é “Em Busca do Cálice Sagrado” (Monty Python). Esse é o melhor. É muito raro encontrar um humor britânico semelhante ao Monty Python.
Infelizmente não encontro o filme “A Culpa é do Fidel”. Quero muito assisti-lo.

Recomendo o blog do meu grande amigo Junior Portella – www.mudandoorumodaprosa.blogspot.com. Qualquer elogio irá me condenar – é meu amigo. Um blog com conteúdo e idéias pertinentes. Ele é um cara de profundo conhecimento. Confira!

Por Alan Rodrigues
“O governo federal tem que entender que o que existe em Rondônia é guerrilha mesmo, e não é força de expressão”, acusa o deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO). O parlamentar, que logo depois da denúncia de ISTOÉ solicitou a presença de uma comissão externa do Congresso para apurar os fatos, até hoje não obteve respostas a seu pedido. Mendes denuncia que, enquanto o governo silencia, as ações do grupo recrudescem. “Os guerrilheiros estão impedindo que os agentes do Instituto de Defesa Animal de Rondônia (Idaron) vacinem o gado contra a febre aftosa”, diz. “Isso é um absurdo que pode colocar em risco mais de 11 milhões de cabeças de gado e acabar com 100 mil proprietários de terra”, critica Sebastião Conti, presidente da Associação dos Fazendeiros de Rondônia.


um ‘K’, um ‘G’ e um ‘B’. “
– John McCain
Recentemente foi publicado na The New Criterion um ensaio de Anthony Daniels, no qual ele resume o conceito de “homem-massa”, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset, como sendo aquele homem “que vai de uma distração a outra distração, que é presa de modismos absurdos, que nunca pensa em profundidade...”. Na primeira década do século XXI isso soa até familiar demais. Em 2008, vivemos numa sociedade dominada por “homens-massa”, engolida pela psicologia de massa, pela mídia de massa, pela escola de massa e pela ignorância em massa que atualmente nos circunda e avulta.
O grande público de hoje não é capaz de distinguir o importante do trivial. O que precisa ser reconhecido, e um dia será, é a distinção bastante real entre princípios elevados e aquilo que é vulgar, entre coragem moral e conformismo apenas desculpável, entre pensadores e embusteiros. E é a isto que tudo se resume. As massas cresceram fracas e indolentes. Elas não querem admitir a realidade porque nisso poderia haver uma cláusula de responsabilidade. Sendo esta a consideração principal, a negação de eventos-chave completa-se melhor através de uma maré enchente de trivialidades – a cápsula de escape da realidade do homem comum. Uma vez que você está perdido no Grande Oceano do Lixo Intelectual, serve qualquer meia-verdade, à qual você se agarra, mesmo que essa seja um bote furado e cheio de ratos.
Se tivéssemos sido treinados para pensar em termos hierárquicos em vez de em termos igualitários, se entendêssemos a base de nossa própria existência, nossa atenção crítica estaria instintivamente voltada para determinados assuntos, para aqueles que tocassem em nosso futuro político e econômico. Então, saberíamos que certas escolhas de estilos de vida são perniciosas à sociedade como um todo, que moedas fiduciárias (papéis-moeda) não duram para sempre, que ser brando na punição estraga a “criança”, que se você deseja a paz deve estar preparado para a guerra. Todavia, fica mais e mais evidente que o homem-massa de hoje perdeu seus instintos, perdeu de vista o que é importante e que julga tudo a partir de suposições falsas, feitas a partir de um ponto de vista igualmente falso.
Houve um tempo em que tínhamos uma civilização. Tínhamos padrões. Tínhamos noções de objetividade. Nós tínhamos uma cultura que não era vulgar. Nós olhávamos para os grandes homens do passado tal como olhávamos para a nossa posteridade. A arte era bela e tinha sentido. A política evoluía para longe da tirania. A economia dizia respeito à liberdade e responsabilidade. O que temos hoje? Temos Britney Spears e Jerry Springer. Nossos padrões erodiram-se seriamente. A subjetividade declarou, cinicamente, que a objetividade não existe. Tudo aquilo que continha princípios elevados, aquilo que não é vulgar, foi negligenciado.
Mas mais importante, e ainda mais desastroso, é que a emergência do “homem-massa” tem algo a ver com a emergência do totalitarismo (que ceifou as vidas de aproximadamente 100 milhões de pessoas no século XX). E é seguro afirmar que o totalitarismo ceifará ainda mais vidas no futuro. Mas as pessoas não querem acordar. Elas não querem reconhecer que o totalitarismo é real e avança. Ele cresce no solo da cultura de massa; leva à destruição e ao assassínio em massa, pois todo o conceito totalitário baseia-se em mentiras sustentadas pelo crime e dirigidas pela politização das frustrações e invejas pessoais. Alguma atrocidade faz parte da história quando um país invade outro, ou quando um comandante de cavalaria ou um chefe indígena cometem uma atrocidade. Os homens têm feito coisas terríveis uns aos outros ao longo dos tempos. Mas transformar o terror e o assassinato num sistema significa um novo tipo de regime.
O homem-massa não consegue ver os males do totalitarismo; ele não vê a inclinação de Hitler; ele não vê as letras”K-G-B” por detrás de Putin; ele nega o Holocausto; ele não se importa se o Irã construirá armas nucleares; ele acha que Rússia e China nunca começarão uma guerra global. O espírito filistino do homem-massa é encontrado em sua prontidão para acreditar na propaganda totalitária. É uma propaganda que inculpa a futura vítima.
O totalitarismo se ergue porque o homem-massa é suscetível e é fundamentalmente um ignorante, apesar de notavelmente “bem-informado”. A inércia do homem-massa aceita o que é ditado pela burocracia. Ele não tem nenhuma “grande idéia” ou “fé” para resguardá-lo da acomodação e transigência convenientes, ou da participação no genocídio. O oportunismo sem questionamentos do homem-massa permite-lhe exemplificar aquela mesma “banalidade do mal” à qual se referiu Hannah Arendt, em seu livro Eichmann em Jerusalém. Afinal de contas, o homem-massa sob Hitler, sob Stalin, se defenderia dizendo que estava apenas fazendo o seu trabalho. Ele estava apenas obedecendo a ordens.
O homem-massa é inócuo ou sinistro? Ele faz o que faz de propósito ou precisa de um planejador maligno, tal como Hitler? O que significaria dizer que o extermínio em massa de judeus na época de Hitler foi um fenômeno sociológico que nada teve a ver com a intencionalidade? Dito de outro modo, o que significa dizer que o Holocausto foi alguma coisa outra que não uma conspiração contra vítimas específicas? O que significa dizer que o aviltamento sistemático de um povo foi em virtude de “um processo histórico”?
Eu não acredito que o resultado, de um lado, seja possível sem a intenção do outro lado. Não há nada diabólico a menos que seja intencional. E tudo que é intencional é individual. Hitler era um indivíduo. Seus companheiros de crime eram indivíduos. Cada um foi responsável por suas ações individuais. Não serve como desculpa declarar-se apenas um dente da engrenagem maior. Cada um obteve alguma satisfação particular na perseguição, pilhagem e matança de judeus. Imaginar que pessoas assim não podem existir, apenas porque a sua imaginação é muito limitada, é esquecer aquilo que a história já provou.
Se irromper outra guerra genocida, quais nações serão vitimadas? Quais nações estão sendo vilipendiadas atualmente? Duas nações, especificamente: (1) a dos judeus e (2) a dos americanos. A falha em não compreender a significância desse aviltamento e a falha em não reconhecer suas origens, é, de fato, uma falha triste e sombria.
Como Bernard Chazelle chamou a atenção recentemente em seu ensaio intitulado Anti-Americanism: a Clinical Study [Antiamericanismo: um estudo clínico], não há um antifrancesismo, um antipolonismo ou um antiespanholismo. E por que não há? Porque “o antiamericanismo está isolado: é um testamento vivo...”. Bem, não tão sozinho assim. É preciso lembrar o anti-semitismo, sendo ainda necessário juntá-lo ao Holocausto.
O aviltamento de um povo inteiro é algo similar a amaciar uma carne. A tarefa do aviltamento a deixa pronta para o forno.
Foi Paul Johnson, o historiador inglês, quem escreveu: “O antiamericanismo é a doença predominante entre os intelectuais de hoje”. O que ele deveria ter dito, mas falhou em esclarecer, é que os “intelectuais” de hoje são fraudes; eles são homens-massa, exatamente como aqueles a quem Ortega y Gasset se referia em seu livro A Rebelião das Massas. O fingimento de erudição e o fingimento de pensar apenas encobrem a baixeza e torpeza de alguém que, nas palavras de Anthony Daniels, “não reconhecerá aqueles que lhe são superiores”.
O homem-massa adquire idéias do mesmo modo que os ratos adquirem pulgas infestadas de peste bubônica. Ele é infectado por elas. E é perfeitamente possível que alguém dissemine a infecção intencionalmente. Pondere a seguinte sutileza: quando um estrategista americano pensa a respeito de mísseis nucleares, ele pensa em termos de dissuasão. Quando um estrategista russo pensa a respeito de mísseis nucleares, pensa em aniquilar os inimigos. Estrategistas nucleares americanos, de Herman Kahn a Vincent Pry, estavam especialmente preocupados com a dissuasão. Já os estrategistas russos, de Sokolovskiy a Sidorenko, estavam principalmente preocupados com a aniquilação do inimigo. A diferença de conceitos é importante – apesar de ser facilmente negligenciada ou nem sequer percebida.
O ódio é o ingrediente, e fazer com que os americanos odeiem-se entre si têm sido um truque especial. Talvez o homem-massa, ao odiar aquilo que tem grandeza, incline-se a odiar o seu próprio país, se a grandeza deste for suficiente. Nesse caso, um inimigo ardiloso não precisaria levantar nem um dedo sequer – ainda que a União Soviética tenha movidos céus e terras para espalhar, de 1950 a 1991, o ódio antiamericano. Uma das técnicas de propaganda mais eficazes envolvia plantar histórias falsas nos jornais ocidentais. Tais eram as “medidas ativas” de Moscou. No que diz respeito a essa técnica, o recente desertor da SVR [KGB], Sergei Tretyakov, confidenciou ao autor Pete Earley: “Nós dizíamos [após o colapso da União Soviética]: ‘Ok, agora nós somos amigos. Vamos parar de fazer isso’. E a SVR [KGB] fechou o Diretório A [Medidas Ativas]. Mas o Diretório A submeteu-se apenas a uma mudança de nome. E isso foi tudo. Ele tornou-se o Departamento MA [Medidas de Apoio], e as mesmíssimas pessoas que o dirigiam sob a KGB, continuaram a fazê-lo para a SVR”.
O homem-massa é uma criatura facilmente manipulável. Ele é presa fácil dos adversários, dos vendedores de óleo de cobra e de charlatães de todo naipe. Por favor, permitam-me dizer-lhes, caras massas: vocês têm sido o alvo especial de uma variedade superior de propaganda. Vocês foram alvejados. Vocês foram tapeados. Os fornos estão sendo aquecidos neste exato momento.
Por Matthew Cullinan Hoffman
SÃO PAULO, 15 de abril de 2008 (LifeSiteNews.com) — O governo brasileiro começou a proibir o acesso a sites condenados por violação dos “direitos humanos”, inclusive sites que são considerados “homofóbicos”. O governo está também exigindo que os serviços de hospedagem divulguem as identidades de usuários que postam materiais ofensivos.
A empresa Google recebeu, conforme informou a imprensa, convocação judicial com um dossiê de 150 páginas documentando material “homofóbico” em seu serviço Orkut, um sistema de rede de comunicação social popular no Brasil.
O procurador federal Sérgio Suiama propôs um sistema de compartilhamento de informações para o Google que dará ao governo acesso a informações que identifiquem os usuários que fazem postagens que violam suas restrições.
“Com esse acordo, que já foi aceito no Brasil pelos provedores IG, Terra, Click 21 e AOL, a empresa Google se comprometeria, sob ordem judicial, a fornecer dados que ajudarão a descobrir aqueles que são culpados de crimes”, Suiama declarou em notícia postada no SaferNet, site do governo brasileiro.
Contudo, o governo não está aguardando para agir. Depois de anos de avisos ao Google, Yahoo, Microsoft e outras empresas para que removam materiais ofensivos de seus sistemas, um tribunal estadual ordenou que os provedores de Internet proibissem o acesso a um blog hospedado no WordPress.com que descumpriu as leis de expressão do governo.
A ordem, que foi expedida recentemente pela 31ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, exigirá que os provedores de Internet do Brasil impeçam o acesso a um blog que foi julgado como violador de “direitos humanos”. O nome e o endereço do site, assim como o crime cometido, não estão sendo revelados ao público.
Os provedores de Internet no Brasil, porém, estão dizendo ao governo que eles não têm condições de bloquear um único blog do WordPress. Por isso, eles serão forçados a bloquear o WordPress por inteiro. No processo, eles eliminarão o acesso ao segundo maior sistema de blogs do mundo, o qual inclui milhares de blogs brasileiros.
“É uma decisão arbitrária”, disse o jornalista e blogueiro Paulo Cezar Prado em entrevista ao jornal O Globo. “Não acredito que a Justiça vá fazer algo tão absurdo como tirar um monte de gente do ar por causa de um blog só”. Os blogueiros do WordPress estão protestando e criaram um blog especial para se opor à medida.
O governo também anunciou recentemente um veredicto contra o Google de 10 mil reais como indenização a uma mulher que foi chamada de “vigarista” por outros usuários do Orkut.
O blogueiro pró-família Julio Severo, cujo blog foi temporariamente bloqueado no ano passado pelo Google depois que ele foi acusado de “homofobia” (veja notícia em inglês em http://www.lifesitenews.com/ldn/2007/jul/07073011.html), diz que ele está preocupado com o futuro do seu blog bem como sua própria segurança. Ele comparou as ações do governo brasileiro ao nazismo.
“Creio que o governo Lula está usando alguns exemplos extremos para controlar a influência crescente dos blogs e outros serviços em que as pessoas expressam livremente suas opiniões”, Severo declarou para LifeSiteNews.com.
* Fonte: http://www.juliosevero.blogspot.com/
Os teólogos da libertação sofreram tanto para divulgarem o novo plano messiânico. Qual foi o resultado? Nenhum. O povo para qual a teologia foi canalizada a rejeitou. Uma frustração toma conta desses teólogos. Não iria dar certo, eles começaram errado. Primeiro, deturparam o ensino e a teologia. A Teologia da Libertação é uma deturpação da Teologia Reformada. Quem quiser se aprofundar leia um clássico: MCKIM, Donald K. Grandes Temas da Tradição Reformada. São Paulo. Pendão Real, 1998. Segundo, interpretaram as Escrituras pela lente de Karl Marx. Tentaram substituir Cristo pela Teologia da Libertação.

Igrejas cristãs condenam e Vigilância examinará poção contra a dengue da Universal
O Globo
RIO - A Vigilância Sanitária do município do Rio decidiu recolher uma amostra do suposto óleo sagrado que ajudaria na cura da dengue e que está sendo distribuído durante os cultos de domingo na Catedral Mundial da Fé da Igreja Universal do Reino de Deus , em Del Castilho. Além do óleo, ofertado em copinhos, panfletos divulgados pelo publicitário Antonio Pedro Tabet no site Kibeloco e reproduzidos no GLOBO nesta terça-feira convidam os fiéis para o culto e dizem que eles receberão "um cálice com óleo santo, para que todos sejam livres desta epidemia".
Mais uma criança morre vítima da dengue
A distribuição do óleo que promete livrar os fiéis da epidemia de dengue foi condenada por outras denominações cristãs. Líderes de igrejas evangélicas e da Igreja Católica reconhecem o poder da fé, mas afirmam que orientam seus fiéis a combater o mosquito transmissor da dengue com ações de eliminação dos criadouros.
Recebi um e-mail do Rev. Ronaldo Lidório e tomei a liberdade de publicá-lo. É um testemunho comovente de fé. Um jovem africano é tocado pela graça irresistível de Cristo. O Ronaldo escreveu uma obra notável sobre a tribo Konkombas. Quando li o livro fui impactado pela obra que Deus realizou na tribo. Vale a pena ler.
PS: Em vermelho segue o testemunho.
Queridos,
A conversão de Makanda, filho de Mebá, do clã Sanbol dos Konkomba de Gana é um daqueles fatos que marcam nossas vidas.
Revisando o livro Konkombas para uma reedição em breve, tive o privilégio de consultar alguns dos primeiros convertidos entre os Konkomba-Bimonkeln a fim de preparar um capítulo dedicado especificamente a testemunhos pessoais. Fiquei admirado e alegre ao receber relatos tão intensos de pessoas como Mebá, Labuer, Kidiik e Makanda. É a história contada pela ótica de quem a experimentou.
Makanda é um rapaz brilhante e sincero. Após sua conversão foi rapidamente apontado como presbítero pela igreja ainda germinante e pouco a pouco passou a cooperar com o trabalho de saúde que Rossana iniciava. Hoje é um dos mais respeitados líderes Konkombas da região e está à frente da clínica em Koni. A época de sua conversão é setembro de 1995, que ele aqui aponta como "a época do inhame puná, um ano após a grande chuva". A "luz" a que ele se refere no seu testemunho são os primeiros raios da manhã que, na cultura Konkomba, significa esperança, ou seja, um novo dia em que algo bom pode acontecer.
Vale a pena ler seu relato que transmite alegria e aquece a alma.
Ronaldo e Rossana
“Antes de sermos cristãos nós adorávamos um fetiche chamado babasu que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii, mas eu estava à procura de algo novo.
Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção, pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.
Certo dia viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício. Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo havia sido aceito.
Neste dia o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito, e conseqüentemente o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção da morte e prosperidade.
Quando retornei a Koni continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como o chamávamos.
Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e certos dias, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, porquê não se manifesta como fazem os espíritos? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus? Não parecia ser algo para nós.
Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar de forma errada nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardadores de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras.
Certo dia o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria, pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Porquê estariam ali? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço, mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçados e nós ríamos muito.
Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas ao fim eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes.
Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos? Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte.
Certo dia alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo, pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas acho que ninguém jamais conversou com o vice-chfe sobre isto. Mas eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que, se Uwumbor realmente nos criou talvez não esteja tão longe.
Certo dia eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas naquele dia ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Porque não fugiu? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.
Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato que passei a crer em Deus, mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.
‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,
e eu procurava por caminhos de salvação.
Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.
Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado era que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui à procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram é a Jesus.
Este artigo é de um grande amigo. Considero o autor uma pessoa erudita e de profundo conhecimento. Ele compõe o trio dos meus conselheiros. O texto é uma reação diante da lastimável realidade.
Pr. Elio Portella Júnior
Enquanto uma grande multidão de cariocas se previne como pode da ação do mosquito, uma pequena multidão de cariocas padece, ou já padeceu dos sintomas provocados pelo vírus. Por ora, a tal dengue alcançou pouco mais de 50 mil pessoas, mas já vitimou toda a cidade. E, seja passando repelente ou tomando soro, todos nós somos forçados a pensar onde falhamos e como pudemos nos tornar reféns de um inseto.
A realidade é que, enquanto faz suas vítimas, a dengue também ensina algumas lições. Como imaginar que todo o seu esforço para eliminar de sua casa os possíveis criadouros do Aedes Aegypti pode valer muito pouco se seus vizinhos não fizerem o mesmo? Implacavelmente, a dengue nos faz precisar dos outros. A verdade é esta: eu preciso de você tanto quanto você precisa de mim e qualquer desequilíbrio nesta mútua dependência punirá ambos.
Esta curiosa situação não deixa calar a questão: o que não nos faz pensar que a vida, e não somente a dengue, também nos impõe esta realidade? Nós nos precisamos. Não nos criamos sós, não aprendemos sós, e não vencemos e perdemos sós. Vivemos em busca de gente com quem possamos compartilhar lágrimas e sorrisos e horrorizamo-nos só de pensar na idéia de passarmos nossos últimos dias privados da companhia daqueles de quem não ousamos viver longe. E mais: ao denunciar nossa fragilidade física, essa famigerada doença nos ensina quanto precisamos de Deus. Que tolice a nossa pensarmos que somos auto-suficientes, quando um mero mosquito é capaz de nos deixar às moscas!
Tsuli Narimatsu
Jornalista da Portas Abertas
Com o fim do recesso parlamentar por conta das festas de fim de ano e do Carnaval, o Congresso Nacional começa a retomar os trabalhos que ficaram parados. Isso inclui o trâmite de votação do PLC 122/06, que está novamente prestes a ser apreciado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado.
Faz parte da estratégia usada pelos senadores (e também por deputados e vereadores) a falta de transparência na agenda dos trabalhos legislativos – o que impede que o povo conheça com antecedência o que está para ser votado, e portanto, não consiga se mobilizar em tempo.
No dia 19/03/2008, o PLC 122/06 quase chegou a ser votado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. Mas a relatora Fátima Cleide (PT-RS) – que é uma das principais defensoras da aprovação da lei de homofobia tal como está – resolveu tirá-lo da pauta, provavelmente pela falta de quórum para a sua aprovação.
Corre à boca pequena que existiria um acordo para que um senador pedisse novamente vistas do processo, ou seja, um prazo maior para avaliação.
Ocorre que essa é uma ferramenta geralmente usada para ganhar tempo. Na prática, por causa da falta de transparência na agenda, o relator espera o dia mais apropriado, ou seja, que tenha mais senadores favoráveis ao projeto, para colocá-lo em votação.
Desse modo, diversas leis que interferem diretamente na vida dos cidadãos são aprovadas. E foi exatamente assim que o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados, em uma sessão esvaziada, quando a bancada evangélica estava ausente.
Muitos deputados à época não criam na aprovação de uma lei tão absurda que fere a liberdade de pregação da Bíblia Sagrada (leia mais), entre outros pontos. Mas o projeto chegou ao Senado e, se aprovado, dali seguirá direto para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já se manifestou ser a favor.
É por esses motivos que conclamamos todos os cidadãos a se engajarem em uma ampla mobilização para exigir a participação maciça dos 36 senadores que integram a Comissão de Direitos Humanos nas reuniões que vão definir o futuro do projeto no Senado. Só assim poderemos garantir que manobras de última hora não sejam usadas por ativistas defensores do projeto.
Lembre-se: nossa liberdade religiosa, de interpretação e pregação – não apenas de trechos bíblicos como também do Alcorão e da Torá – podem sofrer um “cala boca”.
Num artigo publicado semanas atrás ( Engenharia da confusão), expliquei que muitas incoerências aparentes da política oficial não são incoerências: são a aplicação de técnicas consagradas de estimulação contraditória, planejadas para induzir o público a um estado de estupor, de passividade atônita, de obediência robótica.
Não digo que haja sempre nisso premeditação maquiavélica. O emprego dessas técnicas é tão antigo e disseminado no movimento revolucionário, e tão bem amoldado aos hábitos do pensamento dialético, que em muitos líderes e ativistas elas se tornam uma rotina banal. O discurso duplo jorra das suas bocas, a conduta desnorteante flui das suas pessoas com a naturalidade de um bocejo, de um suspiro, de um pum.
Reduzem as Forças Armadas à míngua e alardeiam planos ambiciosos de defesa regional.
Cortejam o apoio dos militares ao mesmo tempo que fomentam campanhas de ódio contra eles e engordam terroristas com indenizações milionárias.
Pavoneiam-se de uma grandiosa “política de segurança pública” e dão ajuda a organizações subversivas aliadas a quadrilhas de narcotraficantes, seqüestradores e assassinos.
Arrotam anti-imperialismo e entregam fatias inteiras do território nacional à administração estrangeira.
Asseguram que o Foro de São Paulo é um inofensivo clube de debates, enquanto seu líder máximo se gaba das vitórias políticas continentais dessa organização.
Em nenhum desses desempenhos tentam sequer camuflar a incongruência. Ostentam-na cinicamente, inibindo nos aparvalhados espectadores não só a coragem de denunciá-la, mas o desejo de percebê-la. Habituando-se a reprimir a própria consciência, o povo se perverte junto com seus governantes e acaba por atribuir a eles uma importância e uma autoridade infinitamente superiores a seus méritos reais.
Um contraste especialmente perturbador – tão contundente que o próprio Hitler o adotou no seu repertório de histrionismos – é a coexistência forçada do risível com o solene, da conduta grotesca com a exigência de consideração e respeito.
Ostentam amor xenófobo à língua pátria enquanto louvam o presidente que a destrói implacavelmente a cada novo discurso.
Dão apoio oficial ao deboche anticristão, e ao mesmo tempo querem ser tratados como pessoas digníssimas e santas, dando a entender que são mais respeitáveis que Jesus Cristo – pretensão demencial que o próprio sr. presidente ilustra em atos ao declarar-se homem sem pecado no instante mesmo em que comete sacrilégio com a cara mais bisonha do mundo.
Uma vez elevados a essas alturas celestes ao lado do seu chefe, um governador se esfrega em público na esposa de um ministro, enquanto outro ministro beija um cantor na boca, como se não lhe bastasse já ter desfilado de collant transparente num baile gay , encarnando triunfalmente aquilo que entende como cultura nacional.
São esses mesmos os que seguida se reunem para decidir, como anciãos veneráveis, os destinos do povo. E o povo, reverente, acata seus mandamentos.
O rei da fábula desfilava nu porque não sabia que estava sem roupa. Nossos reizinhos despem-se de propósito, pelo prazer sádico de forçar a multidão a prosternar-se ante a solenidade do ridículo, ante a majestade do desprezível.
A cada vez que repetem a performance , rebaixam e atrofiam na população não só o senso moral, mas o respeito por si própria e a capacidade de discernimento. Aviltam e estupidificam a nação inteira, e tiram proveito da ruína geral das consciências para aumentar o poder e a riqueza do seu partido, do seu grupo, da sua corja.
Só uma coisa pode libertar-nos da hipnose, da escravidão mental abjeta que esses bandidos impuseram ao país: recusar-lhes toda manifestação de respeito, mesmo casual e discreta, mesmo puramente formal e hipócrita. Conceder-lhes, no máximo, a obediência externa que as leis impõem e a força garante. Respeitá-los, nunca. Se querem deleitar-se na baixeza, na mentira e no crime, que o façam. Mas não precisamos ajudá-los a fingir que são muito louváveis por isso.
1. Não existe um homem natural nem uma mulher natural. O ente humano nasce sexualmente neutro. A sociedade é que constrói os papéis masculinos ou femininos. “Gêneros” são papéis socialmente construídos.
2. Não é a natureza, mas a sociedade que impõe à mulher e ao homem certos comportamentos e certas normas diferentes. Assim, se desde pequena a mulher brinca de boneca e casinha, isso não se deve a um instinto materno (que para as feministas de gênero não existe), mas simplesmente a uma convenção social. Se as mulheres casam-se com homens, e não com outras mulheres, isso não se deve a uma lei da natureza, mas uma construção da sociedade. Se os homens sentem-se na obrigação de trabalhar fora de casa para sustentar a família, enquanto as mulheres sentem necessidade de ficar junto aos filhos, nada disso é natural. São meros papéis, desempenhados por tradição, mas que poderiam perfeitamente ser trocados.
3. Tais idéias, que são meras construções sociais, servem para justificar o domínio da mulher pelo homem. Assim, a mulher, ingenuamente, “acredita” que seu lugar mais importante é o lar, que nasceu para se mãe, que deve sacrificar-se pelos filhos, que deve ser fiel ao marido... Tais “construções sociais” não têm fundamento, dizem as feministas. Assim, é preciso “desconstruir” tais idéias, conscientizando a mulher de que ela está sendo enganada e explorada.
4. Uma vez liberta de tais “construções sociais”, a mulher vê-se livre para construir a si mesma: pode livremente optar por ser lésbica, por não ser mãe ou por matar o filho concebido (ou, como se diz, “interromper a gravidez”). Tudo passa a ser permitido.
O marxismo: origem da ideologia de gênero
A ideologia de gênero, que causou enorme discussão na IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim, 1995), tem sua origem em Frederick Engels , amigo inseparável de Karl Marx. Em seu livro “A origem da família, da propriedade e do Estado” (1884), Engels dizia:
“O primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, unidos em matrimônio monógamo, e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino”.
Segundo a doutrina marxista, não há conciliação possível entre as classes. Operários e patrões são necessariamente inimigos. Os operários não devem buscar melhorias para sua classe. Devem fazer uma revolução, que terá por fim acabar com as classes. Marx pregava uma tomada do poder pelo proletariado. Depois de algum tempo, o Estado iria desaparecer, não haveria mais classes sociais e tudo seria comum. Seria instaurado o comunismo.
Seguindo a mesma linha, o feminismo atual, com bases no marxismo, não deseja simplesmente melhorias para as mulheres. Deseja eliminar as “classes sexuais”. Diz a feminista radical Shulamith Firestone, em seu livro “The Dialectic of Sex” (A dialética do sexo):
“... assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada (as mulheres) faça uma revolução e se apodere do controle da reprodução, que se restaure à mulher a propriedade sobre seus próprios corpos, como também o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias como todas as instituições sociais de nascimento e cuidado de crianças. E assim como a meta final da revolução socialista era não só acabar com o privilégio da classe econômica, mas com a própria distinção entre classes econômicas, a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente — à diferença do primeiro movimento feminista — não simplesmente acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente”.
As feministas de gênero, fiéis à visão marxista, dizem que toda desigualdade é injusta. Que o trabalho exercido pelo homem seja diferente do exercido pela mulher é simplesmente uma injustiça institucionalizada. É preciso acabar com ela. A respeito da mulher que opta por ficar em seu lar cuidando dos filhos, diz a feminista Christina Hoff Sommers:
“Pensamos que nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar a nenhuma mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela”.
(Até aqui o resumo do documento da Conferência Episcopal Peruana)
Redefinição de família
O feminismo de gênero é inimigo frontal da família, lugar em que os papéis de cada sexo são “socialmente construídos”. Para abolir a família, é mais eficiente conservar seu nome e mudar o seu sentido. Família poderia significar não apenas a união perpétua entre um homem e uma mulher com seus filhos (como nós a conhecemos), mas também, por exemplo, a união de duas lésbicas e mais uma criança gerada por inseminação artificial; ou então dois homossexuais e um filho “adotivo”.
A recém-aprovada Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como “Lei Maria da Penha”, redefine família como “a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa” (art. 5°, II). E acrescenta: “As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual” (art. 5°, parágrafo único). Essa lei, sancionada com o objetivo de coibir a violência contra a mulher, pretende ser o cumprimento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que o Brasil assinou em 1981 e ratificou em 1984. O texto da Convenção nada fala em favor do aborto ou do homossexualismo. Mas o Comitê internacional estabelecido para acompanhar o cumprimento da Convenção tem defendido abertamente tais idéias. Curioso é o texto em que o Comitê critica a Bielo-Rússia (também chamada Belarus) pela reintrodução do “Dia das Mães” e do “Prêmio das Mães”:
“Preocupa o Comitê a contínua prevalência dos estereótipos do papel de cada sexo e a reintrodução de símbolos como o ‘Dia das Mães’ e o ‘Prêmio das Mães’, que é visto como um encorajamento aos papéis tradicionais das mulheres. Preocupa também se a introdução da educação dos direitos humanos e de gênero, em oposição a tal estereotipação, está sendo efetivamente implementada.”
Como se vê, a educação sob perspectiva de gênero é indicada pelo Comitê como remédio para a falta cometida pela Bielo-Rússia, de instituir um dia para valorizar a maternidade da mulher, que é apenas um “papel tradicional” a ser eliminado.
Homofobia
Se nada há de natural na complementação homem-mulher, os que criticam o homossexualismo devem ser punidos como “homofóbicos”. Pelo Projeto de Lei 5003-B, de 2001, aprovado pela Câmara em 23/11/2006, a prática de atos de homossexualidade deixa de ser vício e passa a ser direito humano. Essa proposição, que vai agora à apreciação pelo Senado, cria várias condutas consideradas crimes de “homofobia”. A punição para o reitor de um seminário que não admitir o ingresso de um aluno homossexual está prevista para 3 a 5 anos de reclusão (art. 5°). Aquele que ousar proibir ou impedir a prática de um ato obsceno (“manifestação de afetividade”) praticado em público por homossexuais receberá idêntica sanção penal (art. 7°). Interessante é como a palavra “gênero” aparece tantas vezes na proposta legislativa. Já em seu artigo 1°, ela diz que pretende definir “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.
É preocupante que a “perspectiva de gênero” esteja presente entre os propósitos do segundo governo Lula. À promoção do homossexualismo é dedicado um caderno de 14 páginas: “Lula presidente: construindo um Brasil sem homofobia: Programa Setorial Cidadania GLBT 2007 / 2010” . Sem o menor escrúpulo, o presidente se compromete a aprovar a “união civil entre pessoas do mesmo sexo, estendendo aos casais homossexuais os mesmos direitos que os casais heterossexuais possuem. Inclusive o reconhecimento e proteção de suas famílias, garantindo o direito à adoção” (p. 13).
A doutrina cristã sobre a sexualidade
Homens e mulheres são diferentes, mas não são inimigos natos. Ao contrário, são mutuamente complementares. Um precisa do outro e completa-se no outro. Porém, pela ideologia de gênero, esta visão cristã que vê em cada sexo uma vocação e missão específica é taxada de visão “sexista”. O “sexismo” e a “homofobia” são dois inimigos a serem combatidos por essa ideologia. Como se percebe, quem tem coragem para defender a doutrina cristã deve estar pronto para ser perseguido.
Se há um brasileiro insuspeito de simpatias para com qualquer político, sou eu. Já escrevi o diabo contra todos eles, sempre da maneira mais descortês que me ocorresse no momento. Se falhei e dei a impressão de crítica construtiva – de reprimenda fraterna, como diz a Igreja – juro que não foi essa a minha intenção. Jamais quis corrigir nenhum deles: o que eu queria mesmo era mandá-los todos de volta para suas atividades particulares, se alguma tivessem.
Mas uma coisa tenho de reconhecer: o senador Gerson Camata (PMDB-ES), que pediu uma CPI sobre a ligação entre o Foro de São Paulo, as Farc e aquelas entidades comedoras de dinheiro conhecidas pelo nome pomposo de "movimentos sociais", é digno do meu maior respeito e consideração. Foi o primeiro político brasileiro a cumprir um dever que era de todos, e do qual todos fugiram ao longo de duas décadas e meia, uns por preguiça e covardia, outros porque lucravam com a omissão.
Não creio, porém, que a iniciativa do senador prospere – principalmente agora, quando a volta da guerrilha, subitamente revelada por uma reportagem da IstoÉ, arrisca tornar patente a imensidão de um concurso de crimes que a todo o establishment esquerdista interessa ocultar.
Nunca ouvi uma mentira mais sonsa, mais ridícula, mais desprezível, do que aquela história de o dossiê anti-tucano ter sido obra de um tucano infiltrado no PT. Mas não vou me meter nesse assunto, pois já não posso, sem ser acusado de "compadrio", defender nenhum jornalista acossado pela máquina petista de cortar cabeças. Eles, os mocinhos da fita, os bondosos, os humanitários, os gostosões, podem repartir entre seus amigos os cargos mais altos na profissão, as verbas mais polpudas nas universidades e instituições oficiais de cultura, os postos mais saborosos do alto funcionalismo público, como se a mídia, o Estado e o país inteiro fossem seu feudo comunitário.
Mas eu, se insinuo mesmo levemente que o outro lado tem seus direitos, que não há mal nenhum em que a minoria das minorias dê sua opinião com alguma liberdade, torno-me instantaneamente um corporativista maquiavélico.
Por isso, mesmo sabendo que tudo o que Reinaldo Azevedo tem escrito na Veja é verdade e que o ódio que tantos despejam sobre ele é prova de que têm muito a esconder, nada direi em favor dele. Nem direi que sua última crônica naquela revista, malgrado uma referência simpática a Voltaire que eu jamais subscreveria, é leitura indispensável a todos os brasileiros pensantes, membros de uma raça em extinção. Não direi, pensando bem, coisa nenhuma.
Se dezoito brutamontes cercarem o Reinaldo na rua para esmigalhar sua ossatura a pauladas, ficarei bem quietinho, para que ninguém saia espalhando que sou um mafioso empenhado em defender interesses sórdidos da camarilha direitista que, segundo o senhor presidente da República, governa este país há quinhentos anos.
Pouco a pouco, sutilmente, imperceptivelmente, nossos compatriotas vão se acostumando à idéia de que "ouvir o outro lado" é extremismo de direita. Eu mesmo já começo a meditar os benefícios da surdez, só comparáveis aos de um subserviente mutismo.

Ontem foi a comemoração dos 40 anos da morte do grande pastor Martin Luther King Jr. que recebeu homenagem depois de morto.
Muitos não acreditavam naquele pastor batista. Inúmeras pessoas disseram para ele desistir. Quantos não disseram que ele não poderia mudar o mundo ou a própria denominação batista norte-americana. O seu discurso iniciava-se com a seguinte frase: “Eu tenho um sonho”. Isso fez toda a diferença. Ele ganhou a confiança de muitos.
A Folha está denunciando crimes que a China tem cometido. Isso é novo para o jornal. Será que o jornalismo da Folha irá mudar? Duvido. Vou esperar pra ver até onde isso vai dar.

O Jornal o Globo entrevistou um psicólogo que saiu pelas ruas de São Paulo para conferir a opinião da população sobre o caso da pequena Isabella. A resposta do povo foi uníssima – sentimos a dor daquela mãe. Todas pessoas choraram sobre o caso.
Não entendo a falta de coerência que atinge o cristão empregador. Uma experiência que poderia ser edificante passa a ser traumática. Trabalhar para um cristão pode ser a pior experiência de vida.

Nós somos chamados para ser parte da nova criação de Deus, chamados para ser agentes desta nova criação aqui e agora. Nós somos chamados para modelar e apresentar esta nova criação com sinfonias e na vida familiar, com justiça social e com poesia, na santidade e no serviço aos pobres, na política e na pintura.
Quando você vê a aurora raiando, você pensa na escuridão de uma forma diferente. "Pecado" não é simplesmente a quebra de uma lei. É a perda de uma oportunidade. Tendo ouvido os ecos de uma voz, nós somos chamados para vir e nos encontrarmos com o Orador. Nós somos convidados para ser transformados pela própria voz, a Palavra do Evangelho, a palavra que declara que o mal foi julgado, que o mundo foi ajustado, que terra e céus uniram-se para sempre, e que a nova criação começou. Nós somos chamados para nos tornar, nós mesmos, pessoas que podem falar e viver e pintar e cantar esta palavra de forma que aqueles que ouviram seus ecos possam vir e dar uma mão no projeto maior. Esta é a oportunidade que coloca-se em nossa frente, como dom e possibilidade. A santidade cristão não é (como as pessoas freqüentemente imaginam) uma questão de negar alguma coisa boa. Ela é sobre crescer e agarrar alguma coisa muito melhor.
Feitos para espiritualidade, nós chafurdamos na introspecção. Feitos para alegria, procuramos por prazer. Feitos para justiça, clamamos por vingança. Feitos para relacionamentos, insistimos no nosso jeito. Feitos para beleza, nos satisfazemos com sentimentos. Mas a nova criação já começou. O sol começou a levantar. Cristãos são chamados para deixar para trás, no túmulo de Jesus Cristo, tudo aquilo que pertence a corruptibilidade e incompletude do mundo atual. É hora, no poder do Espírito, de tomar nossa devida função, nosso papel plenamente humano, como agentes, arautos e guardiões do novo dia que se levanta. Isto, simplesmente, é o que significa ser cristão, seguir Jesus neste novo mundo, o novo mundo de Deus, que ele inaugurou ante nós.
[com essas palavras, o Bispo Wright termina seu livro. É uma boa leitura, altamente recomendável para cristãos e não-cristãos].

Está na moda na academia de teologia uma posição teológica mais aberta, ela se chama “Nova perspectiva”.
O autor Wright faz uma abordagem crítica sobre a justificação pela fé. Para ele, Agostinho, Lutero e Calvino não entenderam a teologia de Paulo.
Na visão de Wright, Paulo não pensou nesta possibilidade. A salvação para Wright não pode estar ligada pela fé na compreensão da justificação. Ele entende que isso não é uma questão cultural e teológica do judaísmo.
Embora ele tenha este método altamente crítico, ele tem algumas sacadas que são interessantíssimas. Irei postar dois textos que são alguns recortes do seu livro que não tem em português, ele se chama “Simply Christian” ou “Simplesmente Cristão”.
O grande teólogo reformado John Piper, este que admiro muito, fez uma excelente obra que se chama “The Future of Justification: A Response to N.T. Wright” ou “O Futuro da Justificação: Uma Resposta para N.T. Wright”. O livro do Piper ainda não tem em português, mas você pode baixá-lo no site do Piper. Sem dúvida é uma resposta acima da média. Piper trabalha muito bem com a dinâmica da justificação.
Precisamos dar uma atenção para isso, alguns seminários já aderiram esta linha. Cabe a nós uma resposta.
por George M. Bowman
Aqueles que estão no Ministério logo descobrem que podem conseguir grandes e amigáveis respostas as suas pregações, quando tentam agradar aos homens e mulheres de suas congregações. A. W. Tozer disse: "Nós que testemunhamos e proclamamos o Evangelho, não podemos pensar de nós mesmos como relações públicas enviados para estabelecer a boa vontade entre Cristo e o mundo".
O número de pregadores, evangelistas, e missionários que falam prioritariamente para agradar as pessoas tem aumentado diariamente. Esta prática, no entanto, está cheia de perigos.
O perigo vem quando este esforço de agradar a homens e mulheres os leva a fazerem uma escolha errada: amando "a aprovação dos homens ao invés da aprovação de Deus" (Jo 12:43). E quando fazem esta escolha errada, correm o risco de desagradarem a Deus.
Em meu julgamento, isto acontece porque eles acreditam que, fazendo assim, irão conseguir encher suas Igrejas mais rápido. Mas, norteando-se pelo que suas audiências desejam ouvir, eles serão obrigados a fazer mudanças que certamente hão de devastar seus ministérios.
A Bíblia sempre adverte os ministros com relação a agradar a homens, e os perigos que envolvem os que assim fazem. Você pode prevenir ou vencer estes problemas em seu ministério, identificando e evitando estes perigos. .
Esteja alerta em não estabelecer objetivos errados
1. Buscando respeito - Freqüentemente o desejo do pastor de ganhar o respeito e a amizade do povo de sua Igreja ou comunidade é o começo de um ministério que pode desagradar a Deus. Tendo estabelecido estes objetivos, ele terá que diluir a sã doutrina que sustenta a verdade bíblica em equilíbrio.
Por exemplo, para agradar aos incrédulos, ele terá que ter em consideração o que eles gostam e o que não gostam. Isto é perigoso porque a Bíblia diz que eles amam o pecado e odeiam a justiça. Eles não têm interesse em um Deus que os chamará a prestar contas do que têm feito com a vida que Ele Lhes deu.
A fim de ganhar o respeito deles e sua amizade, o pastor terá que apelar à razão humana, emoções e experiência. Isto significa que ele terá de dar um " bypass" na autoridade da Bíblia. O pecador deseja um Deus que ele possa manipular e com o qual possa sentir-se confortável. A fim de agradá-los, o pastor não poderá pregar sobre o infinito, imutável e santo Deus da Bíblia.
Esta é a razão por que muitas Igrejas e missões cujas doutrinas são centradas no homem têm mudado o conceito bíblico de Deus num deus limitado, mutável e imperfeito. Deus, dizem eles, está caminhando para uma maturação ou em processo de crescimento da mesma forma como os homens estão. Esta visão, logicamente, leva a condenar a doutrina do pecado original, a necessidade de expiação, justiça imputada e a credibilidade de Deus e Sua Palavra.
Em seu livro Batalha dos Deuses, Dr. Robert A. Morey transcreve Alan Gomes, instrutor de teologia histórica do Talbot Schoolof Theology, quando diz que estes falsos conceitos têm penetrado em grupos como Jovens Com uma Missão. Diz Morey, "Gomes cuidadosamente documenta que líderes da JOCUM, tais como Roy Elseth e Gordon Olson ensinam que Deus pode pecar, que não conhece o futuro, não está operando Seu plano no mundo, que Ele não guarda a Sua Palavra e nem cumpre as Suas promessas" (pp. 13-14).
É evidente, que os crentes modernos são como muitos descrentes. Não estão dispostos a ficar para ouvir sermões sobre todo o conselho de Deus. O seu estilo de vida superficial os faz sentirem-se desconfortáveis diante do ensino que expõe seus deslizes e hipocrisias, além de mostrar suas tagarelices como tão malignas como fornicação e assassinato. Eles não podem tolerar um Evangelho que ordena a crentes, salvos pela Graça, a negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e a seguirem a Cristo por um caminho estreito.
Para ganhar o respeito e a amizade deles, o pastor tem que adocicar a doutrina do Evangelho de Cristo. Ele tem que transformá-lo num evangelho centrado no homem de "milagres, curas e riquezas" do "poder do pensamento positivo" e da "mente que domina a matéria".
2. Buscando decisões fáceis - Um pastor irá tentar procurar agradar homens e mulheres, quando pensa que seu poder de persuasão pode produzir um regular crescimento de novos convertidos. Isto é como usurpar a ação divina que envia o Seu Espírito para operar, por meio de um avivamento, o aumento expressivo dos crentes através de genuínas conversões a Cristo. Se um pastor não pode esperar pelo tempo de Deus em matéria de avivamento, e deseja obter muitas "decisões fáceis para Cristo", ele terá que apresentar conversões a Cristo através de processos espúrios, que não requerem nada mais que uma mera decisão, sem contemplar as verdadeiras implicações do que significa seguir a Jesus.
Assim, se ele quer estas decisões fáceis, não poderá enfatizar todas as verdades do Evangelho bíblico. Não terá coragem de dizer que Deus chama crentes para sofrer, que fé sem verdadeiro arrependimento não é fé, que um pecador não poderá ser salvo a menos que confesse Jesus Cristo como seu Senhor, que fé sem obediência é uma fé fingida. Você não encontrará "decisionismo" entre pessoas que sabem que Deus ordena a todos os crentes a "seguirem a santificação sem a qual ninguém verá ao Senhor" (Heb. 12: l4).
O pastor que desejar conversões fáceis terá que fazer o Evangelho atrativo para o homem natural, algo que ele possa gostar neste mundo. Muitos que professam sua fé em Jesus Cristo hoje não mostram nenhuma mudança na sua maneira de viver, porque pregadores, evangelistas e missionários, querem diluir a mensagem a fim de alcançar resultados. Ávidos por registrarem uma estatística de muitas decisões por Cristo, eles têm-se afastado do que requer a Palavra de Deus.
3. Buscando grandes audiências - Um dos maiores problemas do Cristianismo hoje é o grande número de pessoas não convertidas figurando como membros de Igreja. Se um pastor busca o aumento do número de membros de sua Igreja como seu alvo principal, ele terá que utilizar algumas das técnicas de promooção que os grandes centros de entretenimentos usam, a fim de atrair pessoas. Alguns fazem disputas de Escolas Dominicais entre Igrejas. Outros oferecem prêmios para que as pessoas venham aos cultos. Eu ouvi de uma Igreja que escondia notas de dez dólares debaixo do assento do ônibus da Igreja, a fim de atrair as crianças e estimulá-las a virem à Igreja. Usam ainda jantares especiais, shows modernos, e outras formas de entretenimento. Eu não encontro esse tipo de "esperteza" no Novo Testamento. As pessoas que acorriam às reuniões da Igreja primitiva, não esperavam outra coisa exceto perseguição. Crer em Cristo, no tempo apostólico equivalia a assinar sua própria sentença de morte.
Com a diluição da sã doutrina, e a acomodação do Evangelho ao que as pessoas querem, não é de admirar que muitas Igrejas estejam cheias de crentes não salvos.
4. Buscando fugir da controvérsia - Os ministros tentam agradar a homens, procurando fugir da controvérsia. Numa conversa que eu tive com um líder batista canadense, ele descreveu um pastor amigo como um "causador de problemas". Quando eu pedi que me explicasse como um homem de Deus podia ser classificado como um causador de problemas, ele disse.. "ele sempre trás à tona questões de controvérsia".
Como alguém pode pregar o Evangelho e evitar questões de controvérsia? Há um grande conflito entre Deus e os homens, entre a verdade e o erro, entre o bem e o mal. Se um pastor deseja evitar toda controvérsia, ele precisa jogar fora sua Bíblia e dar ao povo uma dieta de sermões adocicados, designados a agradar ao homem natural.
"Eu prego um evangelho positivo!" disse um pastor e "procuro ficar longe de assuntos polêmicos".
Quando perguntado que assuntos polêmicos ele evitava, então respondeu: soberania de Deus, eleição incondicional, expiação limitada e aquelas doutrinas que fazem diferença entre as denominações.
Um ministro evangélico disse que, para evitar controvérsia, ele estava disposto a aceitar em sua Igreja pessoas batizadas e doutrinadas na Igreja Católica Romana.
Cuidado para não perder a aceitação do Senhor
Alguns pastores vêem o agradar aos homens como o aspecto mais importante de seus ministérios. Um pastor costumava ir constantemente aos membros de sua igreja, para perguntar o que eles estavam achando de sua pregação. Ele estava tão ansioso em agradar as pessoas, que ele queria saber se eles estavam gostando de seus sermões. Quando alguém, com sinceridade mostrava falhas na sua pregação, ele não podia suportar. Então resignado, deixava o local do culto sem sequer dar uma palavra de despedida aos membros. Há muita imaturidade emocional entre aqueles que fazem do agradar a homens e mulheres a prioridade em seus ministérios:
1. Critério exclusivo - Eu duvido que essa espécie de pregador seja aceito diante de Deus. Paulo disse que tinha por muita pouca coisa o ser julgado em seu ministério pelos homens. "O único que me examina" disse ele, "é o Senhor" (l Cor. 4. 4). Devemos usar como meio de avaliação do ministério e conduta dos homens somente a Palavra de Deus. De outra forma como saberemos que um pastor tem a aprovação de Deus quanto ao seu ministério? Não é da aprovação dos homens que o pastor necessita, mas sim da aprovação de Deus.
2. Trabalhando em vão - Aqueles que fazem como seu alvo principal agradar a homens enveredam pelo caminho de fazer com que seus cultos agradem a todos. As pessoas acorrem para as suas reuniões a fim de serem entretidas pelo humor dos púlpitos e estórias engraçadas. Eles vêm porque esperam ver diversão, apresentações dramáticas, ventríloquos, celebridades, heróis esportistas, personalidades da televisão e as últimas novidades da música "gospel".
A congregação do pastor que guia seu ministério por tais métodos de entretenimento pode vê-los como ministros poderosos e populares. Porém, tendo assumido esta posição de tentar agradar as pessoas, eles estarão inevitavelmente na condição de não aceitos por Deus.
O primeiro objetivo deles deveria ser agradar a Deus, manifestando a Sua glória. E a não ser que Deus os aceite com o servos, todo o seu trabalho terá sido em vão. Tudo que eles fazem, como orações, estudo bíblico, preparação de sermões, pregação, visitação, testemunho e aconselhamento, será vazio da presença, do poder e da bênção do Senhor.
Fico pensando quantos pastores e ministros têm sempre na mente que terão que prestar contas diante do trono de Cristo? Quantos deles estão realmente apercebidos do alto nível de responsabilidade que têm, não diante dos homens, mas diante de Deus? Quantos se sentiriam confortáveis com a declaração que o apóstolo faz: "E por isso que também nos esforçamos quer presentes, quer ausentes, para lhe ser agradáveis. Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (2 Cor. 5:9-10).
3. Consciência de Deus - Quando um pastor tenta agradar a homens, ele pode deixar de ter consciência de Deus. É muito fácil num ministério popular, procurando agradar as pessoas, alcançar tal sucesso quer resulte num esquecimento da onipresença de Deus. A não ser que um pastor esteja acuradamente cônscio da presença de Deus e O coloca sempre em primeiro lugar em todos os aspectos do seu ministério e vida, ele acabará adotando um estilo fútil de raciocínio e procedimento.
Por exemplo, ele poderá pensar que é mais importante obter direção da parte dos homens que ele está tentando agradar do que da parte de Deus e Sua Palavra. Eu não mencionaria isto se não tivesse visto e ouvido ministros colocarem a opinião de homens à frente da Palavra de Deus. Como é diferente esse tipo de raciocínio dos apóstolos!
Confrontados por homens que tentaram forçá-los a fazer sua vontade no ministério, os apóstolos não pensaram, "qual é a melhor coisa a fazer então?" ou "quais serão as conseqüências se nos opusermos à vontade deles? "Ao contrário, eles responderam e disseram-lhes: "Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus" (At. 4:19). Pouco depois, quando foram ordenados pelos mesmos homens e autoridades a pararem de pregar, eles de novo os enfrentaram: "importa antes obedecer a Deus que aos homens" (At. 5:29).
4. Os testes de Deus - Quando alguém estabelece um ministério que desagrada a Deus por tentar agradar a homens, certamente ele se esqueceu que Deus testa seus servos. Não há parte em nosso ministério ou vida onde possamos deixar de lado os interesses de Deus e escaparmos impunes. Deus testa as razões que o Seu povo dá em fazerem o que estão fazendo. Especialmente isso é verdade para aqueles que estão no ministério de Sua Igreja. Paulo, o apóstolo, disse que ele e seus companheiros apóstolos firmaram o propósito de falar aos homens e mulheres, não para lhes agradar, mas para agradar a Deus. E a razão que ele dá é que ele sabia que Deus estava constantemente checando suas motivações.
"Nós falamos" dizia ele, "não como quem agrada a homens, mas a Deus que examina nossos corações" (1 Ts. 2:4).
5. Abandonados por Deus - Curvando-se aos gostos e desprazeres dos homens; pode um pastor tornar-se um abandonado de Deus. Se ele se esforça por agradar a homens e mulheres do mundo; por exemplo; ele pode achar-se, ele mesmo, tão amigo e identificado com eles que chega a ser um com eles. O homem de Deus não pode ter esse tipo, de mistura com as pessoas do mundo, porque a separação do mundo é a marca do verdadeiro ministro de Cristo. "Não sabeis" pergunta Tiago, "que a amizade com o mundo se constitui em inimizade contra Deus?" (Tg. 4:4).
Cuidado para não esquecer que você está numa posição de confiança
Buscando popularidade com as pessoas, pode o pastor esquecer-se que Deus lhe confiou um grande tesouro, o Seu Evangelho da Graça. Em seu ministério apostólico, Paulo nunca se esqueceu de seu senso pessoal de mordomia. Ele repreendeu aqueles cristãos que procuravam seus líderes de acordo com sua popularidade. As pessoas deveriam julgar um ministro, ele disse, pela sua consciência de despenseiro, que vê como sua principal responsabilidade o ser fiel a Deus e Sua Palavra. (I Cor. 4:1-2) Ele também disse que Deus foi condescendente com os homens em permitir que fossem ministros. "Nós fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar Ele o Evangelho... " (1 Ts. 2:4).
1. Hipocrisia e falta de sinceridade - Os ministros de Deus deveriam ser como Moisés que "permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Heb. 11:27). Seus olhos da fé deveriam estar sobre o invisível, o reino espiritual de Deus, não no reino deste mundo. Quando eles rejeitam esta forma de visão espiritual e começam a olhar para o que é aprazível ao homem, eles caem no mal contra o qual Paulo os adverte na sua carta aos Efésios.
Após falar sobre obediência aos pais e mestres, ele diz que tal obediência deve ser prestada "Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração à vontade de Deus" (Ef. 6:6). Isto também se aplica ao ministro. Um pastor não deveria buscar o olhar de aprovação do povo a quem serve. Isto é tentar fazer seu trabalho "servindo a vista, como para agradar a homens".
Sua motivação nunca deveria ser o "ser visto" ou o "agradar a homens". Como servo de Cristo, ele deveria buscar com sinceridade fazer "de coração à vontade de Deus".
2. Edificação e Lucro - As epístolas do Novo Testamento têm muito que ensinar sobre a construção do caráter. Os apóstolos fazem do cultivo do caráter interior do homem ou a construção do caráter cristão a coisa mais importante, e é nisso que eles gastam a maior parte de suas pregações e escritos. As únicas razões legítimas e permitidas por eles para agradar aos homens eram a salvação de pecadores, o cultivo da alma e o desenvolvimento da personalidade de Cristo neles. Quando um pastor busca agradar a homens por qualquer outro propósito, ele trai sua confiança e falha em alimentar e guardar o rebanho de Deus.
"Portanto cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para a edificação” (Rom. 15:2).
Em seu trabalho evangelístico, os apóstolos também procuraram agradar aos homens para que os mesmos fossem beneficiados e, se possível até se convertessem a Cristo. Em outras palavras no intento de lhes fazer o bem é que se pode compreender essa atitude deles. Eles não faziam nada para alimentar os desejos mundanos dos incrédulos. Ao contrário, os apóstolos procuraram o proveito de todas as pessoas, sem prejuízo de quem quer que fosse, quer judeus, pagãos ou cristãos. Paulo explica isto desta maneira:
"Assim como também eu procurei em tudo ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos para que sejam salvos" (1 Cor. 10:33). Mais tarde ele escreve, "Há muito pensais que nos estamos desculpando convosco. Falamos em Cristo perante Deus, e tudo, ó amados, para vossa edificação " (2 Co: 12:19).
Cuidado para não perder o senso bíblico dos valores
Os ministros do Novo Testamento sentiam que, se eles tentassem agradar a homens, eles não poderiam mais ser considerados servos de Cristo. Um pastor não pode esperar a sustentação divina em seu ministério, se ele não estiver mais qualificado como servo do Senhor Jesus Cristo. Como Esaú, ele trocou uma grande herança por um ganho temporário. Ele vendeu o dia por causa de uma hora.
1. Cristo, o Modelo - Tão logo um pastor começa a agradar às pessoas, ele perde sua ligação com o ministério de Cristo. Ele esquece que o Filho de Deus é o modelo para o seu ministério e falha em seguir o Seu exemplo. Mateus diz que mesmo os inimigos de Cristo, embora falassem com sarcasmo, sabiam que Ele não procurava agradar a homens, mas ensinava as verdades de Deus, arcando com as conseqüências.
"E enviaram-Ihe discípulos juntamente com os herodianos para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com, quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens " (Mat. 22:16).
2. Perder a Visão - Quando um pastor desagrada a Deus por tentar agradar a homens, ele pode se esquecer de que não pertence a si mesmo, pois foi comprado com preço. Pregando um Evangelho voltado para resultados e centrado no homem, pode ser levado para longe de Deus e Sua Verdade Eterna, e pode ainda diminuir sua percepção do valor de sua própria redenção. Como o homem que falha em acrescentar elementos do caráter cristão à sua fé, ele irá perder tanto sua visão escatológica como histórica.
Tal homem, diz Pedro, “... é cego, vendo só o que está perto (isto é cegueira escatológica), esquecido da purificação dos seus pecados de outrora (isto é cegueira histórica) " (2 Pedro 1:9).
3. Comparação de Valores - Agradar aos homens constantemente pode alterar a habilidade de um ministro de fazer de um modo correto uma comparação de valores. Paulo apresenta a redenção como uma grande razão para que nós a apresentemos diante dos homens.
"Por preço fostes comprados; não s vos torneis escravos dos homens " (1 Cor. 7:23).
4. Alterando a Mensagem - Satisfazendo o interesse dos homens e mulheres, muitos ministros tem mudado a mensagem que Cristo lhes ordenou que pregassem. Receosos de receberem a desaprovação dos incrédulos e cristãos mundanos, eles dizem, com efeito, "Nós não nos atrevemos a dizer nada que lhes desagrade".
Que diferença dos apóstolos! Diante do mais alto tribunal de Jerusalém, enfrentando a ameaça de punição e mesmo a morte, eles confrontaram seus opositores com coragem e disseram, "Pois não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido" (At.4:20).
O artigo “O Assalto da Alta Crítica Contra as Escrituras” e este são de uma profunda compreensão bíblica, histórica e teológica. Vale a pena ler.
por D. Downham
Hoje em dia, a questão da correta administração da disciplina eclesiástica é urgente e desconcertante. O que nos pode ajudar a definir nossa posição é levar em consideração opiniões dos séculos XVI e XVII.
A Necessidade da Disciplina
Os Reformadores, tanto os do continente europeu como os da Inglaterra, eram unânimes neste assunto. Calvino diz: “Assim como a doutrina de Cristo é a vida da Igreja, também a disciplina é semelhante aos nervos da Igreja, porque dela depende a coesão dos membros do corpo, estando cada um no seu próprio lugar”. A disciplina é “um tipo de rédea para conter e domar os que lutam contra a doutrina de Cristo... um tipo de aguilhão para acordar os indiferentes”. A prática de Calvino em Genebra seguia com seu ensino. Durante seu primeiro ministério na cidade, ele se recusou a ministrar a Ceia do Senhor por causa das maldades da cidade. Cidadãos libertinos reagiram contra seu zelo inflexível, dando o nome de Calvino a seus cachorros, e ele foi expulso da cidade por três anos. Ao retornar, Calvino estabeleceu um tribunal da Igreja, composto de seis pastores da cidade e de doze presbíteros de suas congregações, que se reuniam cada quinta-feira para disciplinar “todo tipo de malfeitor, sem acepção de pessoas”.
A influência de Calvino sobre os Reformadores britânicos era muito grande no assunto da disciplina. O Livro de Disciplina de Knox, Os Livros de Oração e Artigos de Crammer, e mais tarde, os Cânones Eclesiásticos de 1603 mostram que nossos homens piedosos concordavam com os irmãos do continente que a confissão auricular e a penitência deviam ser substituídos por uma forma mais geral de disciplina. Esta disciplina era para eles uma marca verdadeira da Igreja, junto com a pregação da palavra e a administração dos sacramentos.
Na Inglaterra, porém, os desejos dos Reformadores foram em grande parte frustrados. O relacionamento entre Igreja e Estado, herança do passado, foi o motivo principal desta frustração. Segundo o direito comum, somente tribunais cívis podiam impor penalidades aos excomungados. (Hoje em dia, “é duvidoso até que ponto um tribunal eclesiástico possa pronunciar uma sentença sobre um leigo em algum caso”. Boultbee, The Thirty-nine Articles, p. 278). Isto significava que a Igreja Estabelecida, embora clara em seus princípios, estava, desde os seus primórdios, muito limitada em sua ação.
Os Puritanos na época Elisabetana eram homens devotos, ligados à Igreja, que exigiam um sistema de disciplina que devia funcionar com base na paróquia. Por isso, eles eram às vezes chamados de “Disciplinadores”. Somente a disciplina, eles afirmavam, pode preservar a vida da igreja da perdição que é causada por desordens na congregação. Mais tarde, Baxter, testificou de seu trabalho em Kidderminster: “O exercício da disciplina eclesiástica foi um grande auxílio para o bem do povo: porque eu senti plenamente que sem ela eu não podia ter guardado o povo religioso de separações e divisões”. Evidentemente, o instinto disciplinador era sadio. Mas o desejo de ter disciplina não era apenas baseado na idéia de utilidade; o que mais perturbava estes homens era o fato de que estava sendo negligenciado um elemento essencial do padrão do Novo Testamento a respeito da ordem nas congregações.
Os Objetivos da Disciplina
Para os Puritanos havia três objetivos:
1. Glorificar a Deus pela obediência à sua Palavra. Deus falou e prescreveu disciplina; portanto, eles têm que obedecer. Como sempre, os Puritanos tinham mais preocupação com a obediência do que com as conseqüências da obediência.
2. Garantir a pureza da fé e do modo de viver da Igreja. Se não houvesse disciplina, esta pureza estaria perdida. Como Thomas Goodwin diz, falando sobre Apocalipse 2 e 3, “Cristo chama as igrejas para que imitem o princípio padrão dado a elas, e naquilo em que elas se desviaram, Ele as reconduz ao que receberam e aprenderam com os apóstolos, no começo, contendo uma regra imutável da qual não se podem desviar. Agora, se elas não tinham a liberdade de se desviarem dos ensinos apostólicos, muito menos nós: Apocalipse 3:3 diz: “Lembra-te... do que tens recebido...e guardao, e arrepende-te”. Aquelas epístolas às sete igrejas tratam igualmente de disciplina e de assuntos de doutrina; porque o erro principal que Ele sempre acha neles é o relaxamento da disciplina pelo qual elas toleravam que pessoas ensinassem ou praticassem coisas erradas”. Baxter acusou em seu livro “Reformed Pastor” (“O Pastor Aprovado”) seus có-ministros de colocarem sobre suas próprias cabeças a culpa da blasfêmia, embriaguez, fornicação e outros crimes porque eles estavam negligentes no uso desta ordenança que Deus tinha dado “para a cura de pecadores”. (Não há de se admirar que seus colegas queriam que ele publicasse o livro em latim!).
Disciplina era também preciso para proteger os membros mais fracos da congregação contra influências nocivas; porque “má companhia é muito infecciosa. Homens perversos cobrem o caminho com lama, como o crocodilo, para que vocês caiam, e, quando estiverem caídos, eles suguem, por assim dizer, seu sangue” (Swinnock). Por isso, por amor do bebê em Cristo, o perverso tem que ser expelido da congregação.
3. Corrigir e recuperar o membro que está errando. Este assunto será tratado, depois, com pormenores.
Casos para Ação Disciplinar
Pessoas culpadas de pecados escandalosos como fornicação ou roubo, ou de heresia tinham que ser censuradas e excomungadas imediatamente, a não ser que eles mostrassem sinais definitivos de arrependimento. Dentro do sistema que os Puritanos desenvolveram durante a época de Cromwell e que os “Não-conformistas” retiveram após “A Restauração”, delinqüências menores eram também censuradas. Aqui se seguem alguns exemplos relevantes para o século XX:
1. A falta aos cultos públicos era considerada o primeiro sinal exterior de relaxamento espiritual. O membro da igreja devia estar presente em todas as atividades. Os que iam de vez em quando eram imediatamente suspeitos. Em caso de ausência permanente e persistente, outro membro da igreja era nomeado para olhar os movimentos do faltoso e tentar levá-lo de volta.
2. A escolha de companhia de pessoas de fora da comunidade cristã era considerada caso de censura, especialmente quando a companhia era alguém do outro sexo e resultava num casamento com um descrente. “Oh! Que tristeza. Que mágoa, que perplexidade, que paixão sagrada essa abominação trouxe ao bom coração de Esdras!”, exclamou Brooks. “Se você é um homem de santidade, você tem que procurar mais a porção da graça na sua esposa do que uma porção de ouro: você tem que ir atrás de justiça mais do que atrás de riquezas; cuidar mais da piedade do que do dinheiro; cuidar mais da herança dela nos céus do que da herança que ela tem na terra; olhar mais o seu novo nascimento do que o seu berço numa família de classe alta... Você acha que o Deus que proibiu o uso do boi e do jumento, sob o mesmo jugo, para lavrarem a terra haveria de consentir estarem os fiéis ligados em comunhão com os que são reconhecidamente ímpios?”. Um batista esteve suspenso, se não excomungado, da sua igreja por 36 anos por tal erro. Alguns pastores puritanos encontraram um recurso contra casamentos mistos assumindo o papel de casamenteiros!
3. Além disso, o cristão puritano podia ser admoestado por causa de seu vestuário. Uma das muitas razões por que Deus “visitou” Londres com a Praga e o Grande Fogo, segundo Brooks, era esta: “Havia uma conformidade grande demais com os costumes do mundo por parte de muitos mestres do evangelho em Londres”. Comentando Ezequiel 23:15, ele diz: “Os que tomam emprestados os costumes dos egípcios, que eles recebam seus tumores e manchas. Certamente, os que temem ao Senhor só (devem usar aquela roupa que eles queiram usar, primeiro, na hora de morrer, segundo, na hora de comparecer perante o Ancião de Dias, terceiro, na hora de estar perante a poltrona de julgamento”. Sem dúvida, uma das razões por que o rei Carlos II achava que o presbiterianismo “não era a religião de um cavalheiro” era que os presbiterianos consideravam o traje real extravagante, indigno de um monarca!
“Quase qualquer falta à qual a fraca natureza humana está sujeita”, escreveu G.R. Cragg, “era considerada um pretexto adequado para admoestar um membro e exortá-lo a comportar-se de um modo mais digno. Paixões fortes, calúnia ou insulto, raiva (“sem provocação”), um espírito irritadiço e contencioso, insubordinação, tomar dinheiro emprestado e não devolvê-lo, tratamento duro contra outros membros, vaidade — estas e outras coisas eram consideradas motivos justos para disciplinar'.
Modos de Disciplinar
A disciplina era igualmente preventiva e corretiva. A Disciplina preventiva era exercida, primeiro no exame cuidadoso de adultos que queriam entrar na igreja. “Em muitas congregações, ser recebido como membro não acontecia logo nem era coisa automática”, escreveu Cragg. “Em geral isto demorava, e uma investigação cuidadosa de cada caso era a regra”. Os candidatos tinham que demonstrar sinais de regeneração tinham que ter vontade de publicamente professar o que Deus lhes fez, e tinham de estar dispostos para prestar completa obediência a Cristo e a seus mandamentos. Às vezes eles eram solicitados a subscrever uma forma de aliança. Citemos uma que foi redigida por Oliver Heywood: “Eu consinto também em ser membro desta igreja da qual o Sr. O. Heywood é o mestre e superintendente, e em submeter-me a seu ensino, à sua orientação ministerial e supervisão conforme a Palavra de Deus, em manter comunhão com esta igreja na pública adoração de Deus, e em submeter-me à admoestação fraternal de outros membros, para que sejamos edificados em conhecimento e santidade”.
Na Escócia, após a fase da disciplina preventiva vinha a de “proteger as mesas” (literalmente: “cercar as mesas”). Isto era feito através de um “sermão de ação” (ou de sermões), pregado antes da administração do sacramento, avisando aqueles que viviam conscientemente em pecado que eles não se aproximassem da Mesa do Senhor. O Livro de Orações contém uma admoestação em linguagem forte com a mesma finalidade. Era para ser lido para os que queriam participar da Santa Ceia: “Se um de vocês blasfemar de Deus, obstruir ou caluniar a sua Palavra, adulterar, ou se estiver com malícia, ou com inveja, ou se estiver cometendo qualquer outro crime grave, arrependa-se de seus pecados, ou então, não venha para a Santa Mesa. A menos que, depois de tomar o Santo Sacramento, o diabo entre em seu coração, como ele entrou em Judas, e o encha de todas as iniqüidades, e o conduza à destruição tanto de seu corpo como de sua alma”. John Owen disse: “Tome cuidado para que estas coisas sagradas sejam administradas apenas àqueles que são dignos, conforme a regra do evangelho. Aqueles que impõem aos pastores a administração promíscua destas divinas ordenanças ou impõem que os selos sejam aplicados em todos sem discriminação, anulam a metade do ofício e dever ministeriais”.
As fases da disciplina corretiva estão expostas na Confissão de Westminster XXX, 4. O pecador tem que ser admoestado, numa conversa particular, ou, se for preciso, publicamente. Se ele não ligar para isto, deve ser suspenso da Mesa do Senhor. Isto se chamava, às vezes, “a excomunhão menor”. A fase final é a excomunhão completa da congregação. Este passo solene não pode ser feito apressadamente ou sem motivo, porque, come Owen escreve, “a grande regra de cada comunidade eclesiástica deve ser que as pessoas observem e façam tudo o que Cristo, o Senhor ordenou, e que ninguém possa ser expulso da comunidade senão por motivo justo de desobediência deliberada a Seus mandamentos. E por isso excluir da comunidade da igreja, com base em motivos leves e triviais,.... é contrário à luz natural e à própria lógica das coisas”. Somente quando não houver mais dúvida alguma sobre a culpa do pecador e tudo ter sido feito para persuadílo a fim de ele endireitar seus caminhos, é que deve ser cortado da vida da igreja.
Falando das conseqüências da excomunhão completa, Goodwin escreve: “O próprio efeito interior que acompanha esta ordenança é a aflição interior e angústia da consciência por parte de Satanás, a qual é a maior punição de todas as aflições... É isto que nós notamos no caso do homem em Corinto. Sobre a excomunhão dele foi dito que ele foi entregue a Satanás em nome do Senhor Jesus (1 Coríntios 5:4). Ele foi expulso pela ordem de Cristo, assinada por Ele no céu, e publicada na terra, em seu nome”. Mais comentário sobre a solenidade do ato seria supérfluo. Uma frase muito usada no século XVII a respeito da sentença sobre pecadores diz que ela foi proferida “com lamentação e dolorosa preocupação”.
Baxter recomendava um período de três dias de oração anterior à excomunhão; durante estes dias a congregação tinha de reunir-se e orar intensamente pelo impenitente. Porções das Escrituras como Levítico 17 e 1 Coríntios 5 seriam lidas e comentadas. Após uma declaração detalhada dos pecados do transgressor e dos meios em vão usados para corrigi-lo, declarava-se: “ele não é mais membro desta congregação a partir de agora, mas tem que ser expulso para o mundo e não pode mais ter parte conosco nos santos mistérios do Senhor, nem na comunhão conosco, e nem gozar dos privilégios da Casa de Deus; — que o Senhor tenha compaixão da alma dele” (Cragg). A congregação era admoestada a tratá-lo como “um gentio e publicano” até que fosse recebido de novo, e orar pela alma dele durante esse período. Às vezes esse ato era acompanhado de um jejum congregacional.
O espírito do ato da excomunhão tinha que ser correto; os extremos de descuido, por um lado, e de dureza legalista e censuradora, por outro lado, tinham que ser evitados igualmente. Quando líderes puritanos tratavam deste assunto, eles mencionavam muitas vezes as lágrimas de Paulo. Pastores e seus rebanhos eram lembrados de que Paulo tinha admoestado os efésios “noite e dia... com lágrimas”, e de que ele escreveu aos coríntios “no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração... com muitas lágrimas”, (Atos 20:19, 31; 2 Coríntios 2:4). Um século antes, Calvino havia comentado que a disciplina exercida pela igreja tem “como objetivo a cura da doença e não a destruição do pecador”, e que “a vara que se usa para castigar tem que ser uma vara paternal”. Owen toca no mesmo assunto: “A natureza e a finalidade deste julgamento ou sentença tem que ser corretiva, e não vingativa; deve servir para curar, e não para destruir”. Baxter concorda, dizendo: — Deve-se usar de prudência no procedimento, senão, produziremos u ma coisa má em vez de uma coisa boa...temos de agir com humildade, mesmo agindo com severidade; temos de deixar claro que não estamos agindo por má vontade, nem por arrogância, nem por vingança, mas por causa de um dever necessário, que não podemos negligenciar “conscientemente”. A tentação de tiranizar é real mas tem que ser resistida. Owen dá princípios que podem pôr à prova os motivos da disciplina:
1. A excomunhão não é permitida quando houver dúvida.
2. Todos os preconceitos, toda a parcialidade, todas as provocações, toda a pressa e precipitação na administração da disciplina têm que ser evitados cuidadosamente, pois quem julga é o Senhor.
3. Em tudo isso deve haver uma lembrança constante de que nós também estamos na carne e sujeitos à tentação. Isto pode conter e amedrontar aquele ardor e confiança que alguns são aptos a manifestarem em tais casos.
A disciplina tem o propósito de corrigir o pecador e, por isso, nada deve ser feito num espírito que coloca obstáculos desnecessários no caminho de sua reintegração eventual.
A Reintegração do Pecador
Os puritanos eram cautelosos a respeito de pessoas excomungadas e não as aceitavam novamente com base em uma só profissão de arrependimento. Eles estavam lembrados de que o Senhor ressuscitado submeteu Pedro, o apóstolo errante, a um interrogatório cruzado, minucioso, antes de aceitá-lo novamente em seu favor (João 21:15 sggs.), e levavam em consideração a distinção entre a “tristeza segundo Deus, que produz arrependimento para a salvação” e a “tristeza do mundo”, que “produz morte” (2 Coríntios 7:10). As características da verdade e sinceridade na confissão de arrependimento, procuradas pelos puritanos, foram formuladas por Brooks da seguinte maneira:
1. O verdadeiro arrependimento é livre e voluntário, não forçado, nem exigido com má vontade, como as confissões de pecado de Faraó e Saul.
2. A verdadeira confissão de arrependimento é total e completa. O contraste está na confissão de Judas, que reconheceu sua traição de sangue inocente, mas não sua cobiça.
3. A verdadeira confissão de arrependimento é sincera e provém dos efeitos da graça sobre a alma.
4. A verdadeira confissão de arrependimento é clara, e não confusa. Nela, os pecadores confessam seus pecados em todos os detalhes, como Davi confessou seus pecados pessoais de adultério e culpa de sangue.
5. Quem está verdadeiramente arrependido confessa as circunstâncias agravantes de seu lapso.
6. Quem está verdadeiramente arrependido está triste e vem perante Deus como os servos de Benadade, com as cordas à roda da cabeça. “As lágrimas de arrependimento são embaixadores inegáveis”.
7. A verdadeira confissão de arrependimento está sempre misturada com fé, embora nem sempre com fé firme.
8. O verdadeiro arrependimento é acompanhado de uma reforma de vida. A confissão era para ser feita somente perante Deus, mas senão tivesse estes sinais da “tristeza segundo Deus”, o pedido de reintegração tinha que ser suspeitado. O modo de restabelecimento variava de uma para outra congregação, mas em geral era simples, consistindo principalmente em louvor e oração para que o membro reintegrado pudesse, daí em diante, ser preservado no Caminho. Às vezes isto era acompanhado da imposição de mãos. Em algumas congregações, esperava-se que a pessoa que se arrependeu e foi integrada, expressasse sua tristeza sobre seus pecados públicos e privados na presença da igreja, e pedisse perdão, publicamente, àqueles a quem maltratou.
O “Poder das Chaves”
O assunto da autoridade exercida na disciplina foi amplamente discutido no século XVI! A posição puritana era que o poder de excomungar e reintegrar estava na Palavra, e conseqüentemente na Igreja, desde que a Igreja aplicasse a Palavra corretamente por intermédio de seus representantes devidamente autorizados. “Esta excomunhão”, diz Owen, “é um ato da autoridade eclesiástica exercido em o nome do Senhor Jesus Cristo; e, como tal, ele é um ato dos oficiais da Igreja... porque não há outra autoridade na Igreja, propriamente dita, além daquela que está com os oficiais da Igreja... E há duas razões que provam que o poder de excomungar, em termos de exercício de autoridade, está com os presbíteros da Igreja:
1. Porque os apóstolos, em virtude do poder de seu ofício em cada Igreja, tomaram parte na excomunhão autorizada, como é claro no caso de 1 Coríntios 5; e não há poder de ofício que tem permanecido, senão o poder que está com os presbíteros da Igreja.
2. Trata-se de um ato de governo; mas todo governo, propriamente dito, está somente nas mãos de governantes. Podemos acrescentar a isto que cuidar da preservação da Igreja em sua pureza, da defesa de sua honra, da edificação de seus membros, da correção e salvação dos pecadores, é um cargo especialmente entregue a eles”. Porém, para se proteger contra um equívoco, Owen se apressa a acrescentar que a excomunhão é apenas um ato dos presbíteros “na questão do poder”; porque a execução desta sentença é entregue... ao corpo da Igreja. Na medida em que os membros da igreja cooperaram e praticam, a excomunhão é executada; porque são eles que retiram do seu meio a pessoa excomungada; doutra forma, a sentença é inútil ou inválida. A punição tem que ser imposta “pela maioria” (2 Coríntios 2:6); são eles que também devem reintegrar a pessoa rejeitada. Por esta razão, uma excomunhão sem o consentimento da Igreja é uma mera nulidade”. Esta citação reflete o fato de que o pastor puritano estava consciente de que ele tinha recebido poder do próprio grande Cabeça da Igreja, para governar e exercer disciplina. Hoje em dia, esta consciência se perdeu em grandes proporções, e prevalece uma visão pobre do ministério cristão. Esta é sem dúvida uma das razões por que a disciplina eclesiástica caiu em descrédito.
Algumas Conclusões Práticas
É claro que tanto os reformadores como os puritanos consideravam a disciplina como uma das marcas da Igreja bem regulada. Calvino repudiava com ênfase a atitude dos que eram contra a disciplina, quando disse: — “Todos os que desejam que a disciplina seja abolida, ou que impedem sua restauração, seja por descuido seja de propósito, certamente têm como objetivo a completa devastação da Igreja”. Se isto é correto, sendo a disciplina uma das marcas que distingue a verdadeira Igreja da falsa, certas práticas do século XX precisam ser investigadas seriamente, por exemplo, batizar sem distinção, convites irrestritos para a Mesa do Senhor, o segundo casamento de pessoas divorciadas sem investigar suas situações, e receber candidatos a membros da igreja sem examiná-los. E o que dizer das boasvindas cordiais muitas vezes dadas a membros de uma igreja vizinha, que vivem em pecado? E o que dizer dos que não freqüentam os cultos, mas que sempre tiveram seus nomes no rol eleitoral (ou no rol da comunhão) por anos a fio, só para assegurar as recompensas “post-mortem?” Será que nós, por nosso descuido, estamos contribuindo para a completa devastação da Igreja? Se nós temos uma convicção sobre este assunto, estamos dispostos a fazer esforços positivos para emendar nossos caminhos e levar de volta a ordenança da disciplina para seu próprio lugar?
Deixe Baxter encerrar:
“Se os ministros fossem escrupulosos fazendo este dever inteiramente, negando-se a si mesmos, eles poderiam ter algum resultado e esperar uma bênção sobre seu trabalho. Mas se recuamos diante de tudo o que for perigoso ou ingrato em nosso trabalho, e nos livramos de tudo o que for custoso ou incômodo, nós não podemos esperar que tal uso carnal dos meios produz a alguma coisa eficaz. Não podemos esperar que o evangelho avance e seja glorificado, se fazemos nosso dever de modo tão falho e defeituoso”.
Que Deus nos ajude a perceber bem o sentido destas palavras.
Fonte: Revista Os Puritanos.
por Allan A. Mac Rae
Há poucos anos, numa grande universidade, compareci a uma reunião em que um teólogo mundialmente famoso proferiu um discurso. O eminente orador apresentou uma filosofia de vida inteiramente diferente daquela sustentada pelos cristãos conservadores. Sua personalidade brilhante, sua mente cintilante e suas frases bem imaginadas produziram um impacto tremendo em sua grande audiência de estudantes universitários. Naquela noite ele se dirigiu a um pequeno grupo composto, na sua maioria, de professores de teologia e mestres bíblicos, de uma grande área, muitos dos quais tinham vindo de uma distância considerável para ouvi-lo descrever o que ele chamou de “o renascimento do liberalismo na Alemanha”. Depois da conferência da noite, gastou ele aproximadamente uma hora respondendo a perguntas a respeito dos movimentos atuais, e expressou-se livremente sobre vários assuntos. Nunca me esquecerei de sua resposta a uma das perguntas. Ele disse: “Os senhores nunca podem imaginar a terrível angústia e miséria que sofri, tendo vindo do lar de um pastor alemão muito ortodoxo, quando aprendi, como um estudante na universidade, que eu não podia aceitar, por muito tempo, a Bíblia como digna de confiança e livre de erro".
Compreendendo a influência mundial, exercida por este proeminente teólogo, e observando a angústia real que ele expressou, como relembrou os seus dias de estudante, pensei em muitos outros indivíduos que tiveram a mesma experiência. A Alta Crítica convenceu-os de que a Bíblia não é verdadeira. Homens que podiam ter sido grandes evangelistas, grandes líderes no trabalho cristão, grandes poderes para Deus, saíram a desperdiçar a vida, demolindo a verdade cristã e desviando outros do ensino da Palavra de Deus, porque eles mesmos foram convencidos pelo assalto da Alta Crítica sobre as Escrituras.
Não faz muito tempo que quase cada uma de nossas grandes denominações norte-americanas requeria que seus ministros declarassem a fé na integridade absoluta da Palavra de Deus. Não faz muito tempo que o Evangelho, conforme as Escrituras, era pregado em quase cada canto da América do Norte. Não faz muito tempo que a grande maioria dos púlpitos, nos países protestantes da Europa, eram ocupados por homens crentes na Bíblia. Não faz muito tempo que as atividades missionárias, em todas as partes do mundo, eram manejadas quase que inteiramente por aqueles que aceitavam a Bíblia como a divina e infalível regra de fé e prática, os quais não tinham outra ambição, senão a de trazer indivíduos ao conhecimento pessoal do Cristo que é descrito na Palavra de Deus.
A Grande Mudança no Ensino Teológico
Hoje em dia a situação está muito mudada. Ainda que antes se contasse com a grande maioria do clero, no momento é apenas uma minoria, comparativamente pequena, os que demonstram uma plena confiança na Bíblia inspirada. Eles ainda podem ser encontrados em cada nação, mas a liderança e controle das velhas denominações, dos movimentos missionários estabelecidos há muito tempo, e das famosas instituições de ensino teológico têm passado, em grande proporção, às mãos daqueles que atentam para o pensamento e imaginação humanos, no sentido de conseguirem levar indivíduos ao conhecimento de Cristo.
O que tem produzido esta grande mudança? Naturalmente há muitos fatores envolvidos. Desde que o homem foi criado, Satanás tem estado sempre se esforçando ativamente para desencaminhar os homens. Desde que o homem caiu, a luxúria da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida o têm incitado a desviar-se das veredas dos desígnios de Deus. Estes fatores sempre têm estado conosco: Todos eles fazem parte da tremenda mudança que o século passado viu, mas o novo e maior fator tem sido o assalto da Alta Crítica contra as Escrituras.
Até 1878, esse assalto restringiu-se quase que exclusivamente às salas de aula e aos livros acadêmicos. Então Julius Wellhausen escreveu seu “Prolegômena à História de Israel”, em que habilmente apresentou um ponto de vista particular entre os muitos que haviam sido avançados pelos eruditos da Alta Crítica, durante o século anterior. O livro teve um enorme impacto e as idéias que haviam sido anteriormente ensinadas por uns poucos eruditos, foram amplamente disseminadas através do mundo protestante. Nos anos mais recentes, elas se têm propagado no mundo dos eruditos judeus e católicos romanos e parece que agora estão firmemente estabelecidas nesses centros.
A característica essencial da teoria de Wellhausen é a pretensão de que os cinco primeiros livros da Bíblia, em vez de serem originalmente escritos como unidades, substancialmente, na forma como os temos hoje, vieram à existência através de um processo de entrelaçamento e de fontes combinadas, que antecipadamente haviam circulado separadamente.
Muitos Documentos - Um Livro
Segundo essa teoria, o documento chamado “J” (Jeovista) foi escrito muitos séculos depois dos eventos que descreve. Um século ou dois mais tarde, outro documento, mais ou menos paralelo ao documento “J”, foi escrito. Depois de circular separadamente por algum tempo, alguém os reuniu, inserindo várias porções do documento mais novo “Ë” (Eloista) no documento “J”, em lugares apropriados. Muitos séculos passaram e então o documento “D” (Deuteronômico) foi composto, pretendendo conter o discurso da despedida de Moisés. Eventualmente este último foi inserido na parte final do documento combinado “JE”. Aproximadamente no tempo do exílio, um grupo de sacerdotes compôs ainda outro documento, o chamado documento “P” (“Priestly”- Sacerdotal), muito paralelo à matéria já coberta pelos documentos “J” e Ë”. Eventualmente esse foi cortado em grandes e pequenas seções, entre as quais seções similares de outros documentos foram introduzidas. Como resultado, diz-se que o Pentateuco, como conhecemos atualmente, está composto de partes entrelaçadas desses documentos, de modo que lemos freqüentemente uma seção de cada documento, seguida por uma seção de outro; depois talvez um versículo ou dois do primeiro; então dois ou três versículos do segundo; em seguida, talvez, a metade de um versículo do primeiro novamente; logo uma porção do terceiro; depois mais do segundo, e assim por diante, num arranjo complicado de uma obra de retalhos. De acordo com muitos críticos, o mosaico literário assim produzido inclui não somente os livros que conhecemos hoje, como Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, mas também o livro de Josué.
Tal é a teoria que é sustentada e propagada hoje em dia, praticamente da mesma forma como quando foi apresentada, aproximadamente uns cem anos atrás. No tempo que se interpõe, não se descobriram novos fatos em seu favor e muitas das bases teóricas sobre as quais originalmente se promoveu, na atualidade têm elas sido quase que completamente abandonadas. A teoria, entretanto, continua sendo apresentada como uma história de fato e está sendo até ensinada nas escolas secundárias de alguns estados americanos.
Visto que este é o caso, é importante que cada assistente na igreja e cada estudante da Bíblia conheça exatamente quais os fatos a respeito desta teoria, que tem sido diferentemente chamada de “A Teoria da Fonte”, “A Teoria Multidocumentária” ou “A Teoria de Graf-Wellhausen”.
Wellhausen declarou que os documentos “J”, “E”, “D” e “P” não nos dão nenhum conhecimento verdadeiro do pretendido tempo dos eventos descritos, mas apresentam meramente as crenças dos tempos, quando os documentos particulares foram escritos. Na página 320 do seu livro, ele disse: “Abraão... é algo dificultoso par interpretar. Isto não significa que, em tal conexão como esta, podemos considerá-lo como um personagem histórico; podia, com mais probabilidade, ser considerado como uma criação livre de arte inconsciente. Talvez seja ele a figura mais jovem no grupo e provavelmente foi num período comparativamente posterior, que ele tenha sido colocado antes de seu filho Isaque”.
Quatro anos depois de haver aparecido o livro de Wellhausen, este pediu para ser exonerado de seu cargo de professor do Departamento Teológico da Universidade de Greifswald e transferido para um outro posto no departamento de línguas antigas em outra universidade. Como razão para este pedido, apontou o fato de que de um professor de teologia se esperava preparar homens para os púlpitos da Igreja Evangélica, e declarou que, não importava com quantas forças ele procurava conter-se, achou que seu ensino resultava, não em preparar homens para ocupar esses púlpitos, mas antes em incapacitá-los para fazê-lo. Os seguidores de Wellhausen têm, por quase um século, treinado ministros em seminários teológicos em todo o mundo. Quão diferente seria a condição religiosa do mundo, se os sucessores de Wellhausen tivessem mostrado a mesma honestidade e franqueza de seu grande líder.
A ascensão da Alta Crítica foi parte de um movimento divulgado que começou, não pelo estudo da Bíblia, mas pelo estudo das grandes obras da antigüidade clássica. O seu primeiro protagonista proeminente foi Friedrich August Wolf, que, na sua “Prolegômena a Homero” (1795), apresentou a idéia de que a Ilíada e a Odisséia tinham sido formadas por uma combinação de várias fontes diferentes. O famoso poeta alemão, Goethe, foi, a princípio, grandemente atraído pela idéias de Wolf.
Entretanto, conforme Goethe relia a Ilíada e a Odisséia, cada vez mais se convencia de que a sua grandeza não podia ser explicada como o resultado de uma mera colcha de retalhos, e eventualmente publicou uma retratação do apoio que havia antecipadamente dado às teorias de Wolf. As idéias de Wolf foram elaboradas mais pormenorizadamente por Lachmann, que as estendeu à famosa Épica Alemã, a Nibelungenlied. Mullenhoff, um aluno de Lachmann, aplicou o mesmo método ao anglo-saxão Beowulf. Durante o século dezenove, tais métodos foram comumente aplicados aos escritos mais antigos ou medievais. Não era senão natural estendê-los à Bíblia.
Livros que apresentam as teorias documentárias de várias porções do Velho Testamento, freqüentemente contem afirmações como esta: “Devemos aplicar à Bíblia os mesmos princípios de estudo literário, que aplicamos a outros livros”.
O em que os autores desses livros falharam foi em perceber que, no estudo literário não bíblico, esses métodos da Alta Crítica estão sendo atualmente abandonados, quase que por completo. Assim, na introdução à sua tradução da Odisséia, que foi publicada primeiramente em 1946 e foi reimpressa muitas vezes, desde aquela data, E.V. Rieu diz: “A Ilíada e a Odisséia de Homero tem proporcionado, de vez em quanto, um campo de batalha de primeira classe para os eruditos. No século dezenove especialmente, críticos alemães chegaram ao extremo de demonstrar não somente que as duas obras não são só o produto de uma inteligência única, senão que cada uma é uma peça de remendo intrincado e muito mal costurada. Nesse processo, Homero desapareceu.
“Ele já foi firmemente restabelecido sobre o seu trono e seus leitores podem sentir-se seguros de que estão nas mãos de um só homem, como o fazem quando se voltam para o livro ‘As You Like It’, depois de ler, por exemplo, um King John”.
Como estas observações indicam, há atualmente muitos eruditos que sustentam firmemente a unidade integral da Ilíada e da Odisséia. Outros negam esta posição, mas estão eles mesmos muito mais próximos dela do que das opiniões de Lachmann, as quais tendem a repelir com desprezo. O professor Albert Guerard, da Universidade de Stanford, disse: “Para reduzir-se Homero a um mito ou a um simples comitê seria necessário um ácido muito mais forte do que o que a escola Wolfiana tem sido capaz de fornecer”. Continua ele: “Um livro é uma obra mestra, não um acidente”. E adverte mais adiante: “Nenhum processo de acréscimo poderia explicar a grande unidade do tema, desenvolvimento, caráter, espírito e estilo que achamos em Homero. Podíamos igualmente imaginar que o Panteão resulta do acaso de conglomeração de cabanas rústicas no curso dos séculos”. E’ difícil ver, diante de tais fatos, como alguém poderia sentir-se, de modo muito diferente, a respeito do livro de Gênesis.
No começo do século presente, um grupo de eruditos da Universidade de Londres atacou vigorosamente as teorias divisíveis. O professor R.W. Chambers, por exemplo, indicou a improbabilidade inerente das teorias divisionistas do épico Beowulf, e disse: “Não se deve presumir, sem evidência, que essas canções perdidas dos tempos pagãos fossem de tal caráter, que um épico pudesse ser produzido por ajustá-las apenas umas às outras. Meia dúzia de motocicletas não podem ser combinadas para fabricar um Rolls-Royce”.
A Alta Crítica se torna Anticientífica
Mesmo uma rápida comparação de discussão de Shakespeare, escrita há quarenta anos atrás, com as da atualidade, é suficiente para indicar a grande diferença de atitude nos círculos literários. Um dos dois críticos sempre se apegam aos métodos antigos, todavia a maior parte dos escritores atuais reconhece que mesmo Shakespeare podia escrever linhas pobres, e que é bastante anticientífico selecionar umas poucas coisas boas e então atribuir o restante a vários escritores imaginários. A Alta Crítica está completamente morta, exceto quando ela considera a Bíblia. Aqui é mantida tenazmente.
A aplicação contínua desses métodos à Bíblia, não obstante o seu quase completo abandono em outros campos de estudo literário, é ainda mais estranho, visto que o material comprobatório encontra-se mais à mão do que nunca. Este é o resultado das investigações da arqueologia. Durante os cem anos passados, um novo mundo completo se levantou do pó, através da obra de escavadores no Egito, Mesopotâmia, Palestina e em outras partes do Oriente Próximo. Ponto após ponto, onde afirmações bíblicas têm sido consideradas pelos críticos como sendo puramente imaginários objetos materiais ou escritos enterrados por muito tempo têm vindo à luz, os quais concordam exatamente com as declarações bíblicas, como são estabelecidas, e não concordam com a história reconstruída pela Alta Crítica. Alguns defensores do método de Wellhausen fecham os olhos resolutamente a estes assuntos e sustentam que muito do conteúdo bíblico representa acontecimentos míticos ou produtos da imaginação humana. Muitos, entretanto, procuram ajustar-se às descobertas arqueológicas. Entre aqueles teóricos das fontes documentárias que aceitam a evidência arqueológica nos pontos particulares, onde claramente ela se aplica, e aqueles que procuram eliminá-las, desenvolvem-se graves tensões. Observem-se, por exemplo, argumentos fortes que se tem desenvolvido entre as escolas de Albright, Bright e Wright, e a de Alt. North e Von Rad. A arqueologia tem apresentado a evidência que pode exterminar as teorias documentárias, se aplicada apropriadamente; porém muitos recusam aplicá-la.
Em anos recentes, tem existido uma reação muito considerável entre eruditos liberais contra alguns dos extremos da escola de Wellhausen, maiormente da parte de homens que tem trabalhado na arqueologia do Velho Testamento. Como eles tem descoberto ponto após ponto, nos quais a evidência da arqueologia na Palestina, ou em qualquer outra parte, se conforma com as declarações da Bíblia e não se ajusta com a Bíblia como construída pela Alta Crítica, esses homens têm propendido a considerar, mais e mais, seções do Velho Testamento como representando fatos históricos. Todavia, a maior parte deles ainda mantém os pontos essenciais do sistema de Wellhausen. Podem eles afirmar que as idéias de Wellhausen, de história e religião, foram incorretas, embora declarem ainda que os livros do Pentateuco não foram escritos por Moisés ou por qualquer autor individual, porém representam uma produção mista, formada pelo entrelaçamento de documentos contraditórios, que vieram à existência através de um longo período de tempo.
Na Escandinávia, há um grupo de eruditos, conhecido como a Escola de Uppsala, que ataca a total teoria de Wellhausen, mas por si mesmo apresenta uma opinião que é, talvez, até mais contrária para a verdade cristã. De acordo com as opiniões de Engnell e da Escola de Uppsala, muito pouco, talvez quase nada do Pentateuco foi escrito antes do tempo do exílio, e tudo veio à existência por meio de seções que se desenvolveram gradualmente, procedentes de idéias puramente humanas, através de transmissão oral.
Expoentes da Alta Crítica sabem pouco a respeito dela
Uma propaganda astuta tem convencido grande número de nossas classes educadas, que a Alta Crítica é verdadeira, porém muitas dessas pessoas atualmente conhecem pouco a respeito dela.
Um graduado do Seminário Teológico da Fé recebeu recentemente o pastorado de uma grande igreja independente em uma pequena cidade. Logo ele soube que o pastor de uma igreja vizinha, pertencente a uma de nossas grandes denominações, estava insistindo que a Alta Crítica é verdadeira, e que a nossa crença na inspiração plenária da Palavra de Deus é, portanto, absurda. Desafiou ele o homem para um debate e o homem o aceitou. O debate realizou-se em uma escola secundária. Apenas tinham eles começado, quando se tornou evidente que o ministro que estava defendendo a Alta Crítica não conhecia praticamente nada a respeito das opiniões reais de Wellhausen. Foi necessário que o debatente contra as opiniões de Wellhausen explicasse claramente de que assunto se tratava, a fim de mostrar os seus erros.
Não nos é suficiente dizer hoje que a Alta Crítica está errada. Devemos conhecer as evidências. Devemos conhecer a situação. Com o progresso da arqueologia e com a atitude mudada em relação ao estudo literário, é mais fácil do que nunca, sobre uma base científica objetiva mostrarmos que a Alta Crítica está errada. Mas a Alta Crítica está sendo amplamente ensinada, mais do que nunca, e encontrando expressão nos novos credos que estão sendo adotados por grandes denominações e destruindo a fé em estudantes para o ministério em todo o mundo. Em minha opinião, não há uma necessidade maior para o mundo cristão atualmente, do que a de que os crentes em Cristo devem conhecer os fatos acerca da Alta Crítica e estar preparados para trazer estes fatos à atenção daqueles que estão sendo desencaminhados em nossas escolas, nas escolas dominicais da maioria de nossas denominações e até em nossas escolas secundárias, onde o ensino da Alta Crítica, como um suposto fato estabelecido, está sendo mais e mais introduzido.
Por mais de quarenta anos, tenho estado examinando vários aspectos das teorias documentárias. Durante os dois anos passados, eu me dediquei intensivamente ao estudo do assunto. Num trabalho de vinte e sete minutos, sobretudo o que se pode fazer é acentuar a sua importância. Desejo, contudo, sumarizar alguns dos resultados de minha investigação. Ordenei-os sob títulos específicos e gostaria de os ler para vós, como seguem:
1. Temos centenas de cópias manuscritas dos primeiros cinco livros da Bíblia, e todas elas os apresentam na forma em que os temos hoje. Nem mesmo uma cópia antiga de “J”, “E”, “D” ou “P , como uma unidade separada e contínua, jamais foi achada.
2. Nenhum documento que nos veio dos tempos antigos contém qualquer menção desses documentos como tendo jamais existido. Não existe referência antiga a registro de qualquer documento semelhante ou a tal processo de combiná-los como a teoria o pretende. Não há evidência de que qualquer processo semelhante realmente tenha ocorrido.
3. A teoria é talvez a única sobrevivente de um método de estudo literário do século dezenove, que, aliás, tem sido quase que completamente rejeitada, exceto no campo da crítica bíblica. Há um século atrás era uma prática comum desenvolverem-se teorias desse tipo, com respeito à quase todo documento antigo ou medieval. A maior parte de tais teorias tem sido atualmente abandonadas e são consideradas como meras curiosidades literárias. E’ somente no campo do estudo bíblico, que esta atitude do século dezenove tem sido conservada.
4. Durante o século dezenove, vários eruditos alemães apresentaram teorias muito diferentes a respeito da origem dos cinco primeiros livros da Bíblia. Nenhuma dessas teorias conseguiu ascendência completa antes de 1878, quando uma teoria particular, surpreendentemente diversa da maioria das opiniões sustentadas, foi promovida por Julius Wellhausen. Essa nova teoria foi publicada em todo o mundo de língua inglesa por S.R. Driver e outros seguidores de Wellhausen. Embora tenha passado aproximadamente um século, no curso do qual nenhuma nova evidência em favor da teoria tenha sido descoberta, ela está sendo hoje amplamente ensinada, quase da mesma forma em que foi então apresentada.
5. Uma grande parte do motivo para a aceitação da teoria multidocumentária, promovida pelo professor Wellhausen, em 1878, foi o fato de que ele a baseou sobre sua hábil apresentação de uma idéia particular do desenvolvimento da religião israelita. Essa idéia, entretanto, atualmente tem sido quase que universalmente rejeitada. Poucos eruditos sustentam hoje a teoria do desenvolvimento religioso hebreu, que seja mesmo aproximadamente similar àquele sobre o qual Wellhausen baseou a sua idéia das fontes do Pentateuco e ainda o método de Wellhausen de dividir essas pretensas fontes e sua opinião a respeito da ordem da composição delas (embora baseadas sobre uma teoria de desenvolvimento não mais sustentada), estão ainda sendo apresentados como fato estabelecido.
6. Uma característica essencial da teoria, como foi ensinada pelo professor Wellhausen, era a sua pretensão de que os vários documentos, - todos escritos de acordo com a teoria, muito depois do tempo dos patriarcas - apresentam somente os padrões e idéias de vários períodos, em que se pretende que foram escritos e não nos dizem nada a respeito do tempo dos patriarcas. À luz das descobertas arqueológicas, reconhece-se atualmente que esta atitude já não é mais sustentável. Portanto, a maioria das recentes apresentações da teoria afirma que uma grande parte do material, em cada um dos documentos, foi transmitida oralmente, durante muitos séculos, antes de ser incorporada em forma escrita, e que mesmo o mais recente dos documentos contém muito material que é realmente primitivo. Assim uma base importante da idéia de Wellhausen foi realmente abandonada pelos seus atuais promotores.
7. Seus protagonistas afirmam que a teoria pode ser demonstrada pela indicação de diferença de estilo entre os documentos. Entretanto, essas alegadas diferenças no estilo se estabelecem, principalmente, pelo fato de que certas partes do Pentateuco são estatísticas ou enumerativas, enquanto outras partes têm mais de um estilo narrativo corrente, e a maior parte do Livro de Deuteronômio consiste de exortação. Não há razão por que o mesmo escritor não pudesse usar nenhum desses três estilos, dependendo da natureza do assunto em particular. Desse modo, temos um estilo enumerativo em Gênesis um, onde a formação do universo material é apresentada em estágios definidos. Para o assunto de Gênesis dois, que descreve mais minuciosamente a criação do homem e a formação de um ambiente próprio para a sua vida, o estilo narrativo é mais apropriado. Em mensagem de advertência e admoestação, o estilo de exortação é natural. Exemplos similares do uso de estilos, pelo menos tão diferentes como esses, podem ser encontrados em quase todas as obras de qualquer grande escritor prolífico da atualidade.
8. Diz-se freqüentemente que os nomes dados a dois desses documentos são baseados sobre a alegação de que o chamado documento “J” usa o nome “JHWH” (SENHOR na versão King James), para a Deidade, enquanto que o chamado documento “E” se diz que emprega o nome Elohim (Deus na RJV). Todavia cada uma dessas pretensas fontes realmente usa ambos os nomes divinos no Pentateuco e em todas as fontes alegadas o nome JHWH é em grande parte mais comum do que o nome Elohim. Em explicações os defensores da teoria afirmam que, segundo os documentos E e P, o nome JHWH não foi revelado antes dos primeiros capítulos do Êxodo. A teoria é, desse modo, não que cada documento preferisse um certo nome, mas que cada documento tinha uma teoria diferente, quanto ao tempo, quando o nome foi introduzido primeiramente, e evitou-o deliberadamente antes daquele ponto da narração. Visto que se pretende que todos os documentos foram escritos muitos séculos depois do tempo do Êxodo, um procedimento tal como a teoria assume seria artificial e um tanto improvável que tenha ocorrido assim. Ademais, a sua base em declarações bíblicas é extremamente fraca. Além disso, o uso de nome diversos, em diferentes conexões, não é de todo inusitado e pode ser facilmente explicado sobre outras bases que não a da origem de uma colcha de retalhos.
9. A declaração de que há duplicação constante de material nas várias fontes pretendidas é grosseiramente exagerada. Algumas dessas chamadas duplicatas são realmente eventos diferentes um tanto similares, porém, na realidade, nada mais são do que aquilo que freqüentemente ocorre na vida ordinária, como se pode demonstrar muito facilmente. Em outros casos, uma alegada repetição é meramente um sumário dado no princípio ou no fim de um relato, uma recapitulação proveitosa, ou expediente literário para fazer uma narração mais vívida. Muitas das alegadas repetições ou duplicações, se examinadas sem preconceito, podem mostrar-se como tendo um propósito natural no relato.
10. Muitas das contradições pretendidas, entre as chamadas fontes, desaparecem por meio de um exame cuidadoso. Assim é alegado que os documentos J e P mostram Rebeca influenciada por diferentes motivos ao sugerir a partida de Jacó, de Canaã, sendo o motivo, num caso, permiti-lo escapar da ira de seu irmão e, em outro, induzi-lo a procurar uma esposa conforme os desejos de seus pais. Realmente não há qualquer contradição em supor-se que Rebeca foi influenciada por ambos os motivos e que, em proceder com os dois homens a quem ela desejava influenciar, usasse, em cada caso, o argumento que ela sabia fosse para cada um deles um apelo, mais do que um outro que fosse capaz de contrariá-los.
11. Estes fatos indicam a existência de razões lógicas para o fenômeno no Pentateuco, todos eles consistentes com a idéia de uma autoria unificada, e não requerendo a adoção de uma teoria sem base, que é uma sobrevivência do século dezenove e que é totalmente incompatível com os métodos atuais de estudos literários.
12. A maioria dominante de pessoas que aceitam a Teoria Multidocumentária, incluindo-se muitos daqueles que a ensinam, procedem assim, devido à confiança nos homens pelos quais ela é promovida, mais do que sobre a base de uma investigação completa. Os interesses da verdade exigem que os fatos sejam examinados objetivamente e sem preconceito. Quando isto é feito, torna-se claro que a teoria necessita de evidência real e base lógica e sólida.
Nestas declarações, sumarizei brevemente uma parte dos resultados de muitos anos de estudo das teorias documentárias. O assunto completo pode impressionar a muitos de vocês como sendo seco e desinteressante. Todavia, não hesito em predizer que os filhos de muitos de vocês perderão a fé cristã, por causa da apresentação insidiosa dessas teorias. Alguns deles perderão todo o interesse em assuntos cristãos sob uma orientação liberal. Estes são os mais ditosos. Outros, totalmente incapazes de escapar de uma educação cristã sob tal orientação, gastarão o restante de suas vidas promovendo a infidelidade doutrinária e desviando a muitos da Palavra de Deus.
É muito difícil resistir à propaganda constante, que pretende mostrar como a Bíblia veio à existência como um resultado do entrelaçamento de vários escritos humanos, por um processo puramente humano. Muitos que hoje estejam demolindo a fé cristã e insistindo em revolução, em vez de regeneração, estariam apresentando a Palavra de Deus, se não tivessem sido influenciados pelos ensinos da Alta Crítica.
Pode ser que você não esteja interessado neste assunto hoje, mas tempo virá, quando você me dará a destra para podermos ajudar a alguns, talvez o seu próprio filho, que esteja em perigo de perder a fé, devido à incapacidade dele de responder, agora, aos argumentos propostos pela Alta Crítica.
Eu espero que cada um de vocês obtenha pelo menos duas cópias de meu pequeno trabalho escrito, que contém estes doze pontos, e o guarde, onde possa achá-lo facilmente. As declarações mostram a linha de resposta à teoria de Wellhausen. E’ impossível, num trabalho desta extensão, apresentar evidência suficiente. Quando você encontrar um ponto particular sendo discutido, faça o favor de me informar. Tenho evidência abundante para todos esses pontos e ficarei contente em fazê-la útil para você. Não sei de maior necessidade no serviço cristão hoje do que ajudar aqueles cuja fé está sendo arruinada pelo ensino divulgado das teorias da Alta Crítica.
Este post é dedicado para aqueles que não souberam compreender o post anterior. E também para aqueles que me enviaram e-mails com várias perguntas e críticas. Espero que a resposta seja satisfatória.
Leitores,
Concordo que a dificuldade seja muito maior do que a nossa visão limitada possa alcançar.
Porém, não creio que Deus seja louco ou confuso. Quando Deus chama alguém Ele prepara as condições, mesmo que o chamado venha a passar por lutas – Deus irá prover. Aqueles que vem para o seminário na loucura de que Deus irá arcar com a sua insanidade põe Deus a prova. Não penso que este seja o caminho.
Um outro fator, é que alguns tentam comparar-se a mim – Eu não posso ser medido pela régua que você mede a si mesmo. Cada um tem a sua realidade e deve se definir.
Entendo que muitos passam por labutas intermináveis e compadeço-me das dificuldades. Espero que vocês leitores tenham encontrado ajuda e solução.
Para ficar bem claro, eu não fiz o diagnóstico do pastor que sai do Seminário do Sul, muito pelo contrário, eu nem citei o nome do Seminário do Sul. O meu contato não é somente com o Seminário do Sul, tenho inúmeros conhecidos que cursam outros seminários, eu mesmo fiz outro seminário. A minha abordagem abrange todos os seminários do Brasil.
Se existe a necessidade de um mentor é preciso correr atrás. Olhe e veja quem pode te ajudar.
Fizeram-me várias perguntas e graças a Deus eu não tenho todas as repostas.
Reitero que cada pessoa tem a sua realidade de vida diferente. A minha crítica é para aqueles que desfrutam de um privilégio que muitos gostariam de ter – o seminário pago pela igreja – mas vivem na ociosidade.
Tomo a minha própria experiência como exemplo. Eu passei por muitas e muitas dificuldades e ainda passo, mas elas não me levaram ao chão. Trabalhei os três anos do seminário, mas nem por isso deixei de estudar. Quantas madrugadas em claro ou quantas vezes eu acordei as cinco da manhã para estudar. O problema reside na nossa falta de objetivo, coragem e determinação.

Hoje em dia a demanda é grande e infelizmente existem pastores que são tragados por suas ovelhas, pois não sabem nada. Muitos seminaristas chegam para estudar teologia totalmente vazios e o diagnóstico segue mais ou menos assim:
- Recém convertidos sem uma sólida vida cristã e uma maturidade eclesiológica;
- Muitos não leram a Bíblia toda;
- Muitos não lêem a Bíblia durante o curso;
- Desprezam a vida piedosa;
- Imaturidade com assuntos administrativos da igreja;
- A ausência de uma vida exemplar;
- Alguns são semi-analfabetos;
- Outros possuem uma péssima escrita;
- Possuem grandes dificuldades para relacionamentos;
- São insubordinados;
- Renunciaram os pilares do cristianismo;
- Não sabem conduzir uma assembléia (não sabem regra parlamentar);
- Não se resolveram emocionante, espiritualmente e teologicamente;
- Continuam com a mesma vida depravada;
- Não sabem viver a ética do ministério pastoral;
- Pensam que ser pastor é quando se está na igreja e vivem os quatro anos na licenciosidade;
- Improdutivos;
- Muitos não são qualificados para serem pastores;
- Infelizmente alguns não viveram uma experiência de conversão;
- São péssimos filhos, maridos e servos de Cristo;
- Indisciplinados;
- Desorganizados;
- Desequilibrados;
- O pior é que muitos não sabem pontuar os benefícios da justificação por / em Cristo.
Estes serão os pastores que irão pastoreá-los. É esse tipo de pastor que você deseja ser? E você ovelha, é este tipo de pastor que você deseja para conduzi-lo?
Não convide qualquer um para pastorear a Igreja de Cristo. Seja criterioso na avaliação.