sábado, 28 de junho de 2008

É totalmente ilógico...

Faz parte do sistema governamental trabalhar com o ilógico. Quase tudo que está sendo implantado no Brasil não faz sentido.

Hoje li uma notícia no Jornal O Globo que me deixou perplexo. Não deveria me sentir mais assim. A notícia era sobre uma adolescente indígena que foi morta pela tia. O crime ocorreu devido a uma crise de ciúmes. A adolescente de 16 anos foi levada para um hospital em Brasília – UnB. Uma morte brutal. A tia introjetou um objeto de 40 cm no órgão genital da sobrinha. O crime exige uma prisão de longos anos. Mas adivinhe? As autoridades e a Funai foram acionadas e a resposta foi simples – “A tia não pode ser presa”. O simples argumento “imbecil”, é o fato dela ser índia. Totalmente incoerente o sistema. Vejamos alguns pontos:

1) Não existe justiça verdadeira no Brasil;

2) A justiça e a ética que estão na Constituição e no Código Civil, não são fragmentados. Não visam exclusivamente uma parte da sociedade;

3) Não existe outra nação (indígena) dentro de uma nação;

4) As tribos indígenas utilizam todos os sistemas e recursos do “homem branco”, mas a aplicação da lei não serve?

5) As tribos indígenas são altamente avançadas na tecnologia, mas o governo acha que eles ainda vivem na era das pedras – sem ética, normas e leis.

6) Não pode existir numa nação um número de pessoas que vivem a parte de um código de ética que visa a sua aplicabilidade em todo território brasileiro.

Existem duas coisas que o povo brasileiro deve ir contra com todas as forças:

1) O Universalismo Progressivo – O Universalismo Progressivo seria o caminho advogado por aqueles que, partidários de forte ideologia ou crenças, procuram progressivamente universalizar o pensamento comum dos cidadãos. Essa busca pela universalização superaria até considerações éticas; os valores devem ser impostos; os métodos a serem aplicados seriam aqueles que funcionam.

Nessa categoria, do universalismo progressivo, na realidade, se incluiriam o comunismo, o islamismo, os movimentos étnicos e tribais geradores de genocídios.

A suposta “harmonia” gerada vem à custa da liberdade de consciência e da liberdade individual. As pessoas são reduzidas a meras peças de um jogo de xadrez no qual se busca a supremacia pela aniquilação do contraditório.

2) O Relativismo Multicultural – Se apresenta como sendo um caminho muito atraente. Parte da observação correta da existência de muitas culturas e especifica uma tolerância abrangente e eclética. Todos devem demonstrar tolerância às expressões da multiculturalidade, ou seja, aos valores e práticas específicas das diversas culturas, em suas áreas de manifestação, presença e influência.

O forçado “respeito cultural” e a tolerância multicultural que gera a tão solicitada harmonia, para que possamos conviver com as diferenças, vem ao custo, mais uma vez, da dignidade do ser humano. Ela acolhe situações e ações que, por serem “culturais” devem permanecer ocorrendo, mesmo quando são inequivocamente condenáveis e erradas. Um exemplo disso seria a aceitação acrítica da mutilação genital feminina (a Anistia Internacional apresenta uma lista de 28 países africanos onde ela é normalmente praticada). Sendo que essas “manifestações culturais” não devem ser questionadas, como, por vezes, devem até ser “protegidas”. Ou seja, mesmo as pessoas de “outra cultura” que não possuem tais práticas, em prol da harmonia, devem se empenhar em defender a “liberdade” de quem as praticam. Tal harmonia sacrifica a ética inerente à própria humanidade.

Muitas coisas estão acontecendo no Brasil para acabar com o conceito de absoluto. Sorrateiramente as mentes das pessoas recebem estas sementes que irão dar frutos que destruirão vidas, famílias e uma nação. O povo brasileiro precisa acordar e tomar uma atitude. Não estou sugerindo placas de igrejas na frente do Planalto. Não é uma luta eclesiástica. Antes de sermos de tal igreja, somos cidadãos brasileiros e como tais, então, devemos lutar em prol da nossa nação. Sem propaganda de igreja. Mas através de uma fé engajada e transformadora, então, os valores do reino serão implantados. Assim o Pai será glorificado.

Esta é a verdade nua e crua...

Nas origens do morticínio...

por Olavo de Carvalho

Qual a maior causa de violência, morticínio, opressão e tirania que já se conheceu ao longo de toda a História humana?

Se fizermos essa pergunta ao cidadão comum, as respostas mais freqüentes apontarão o desejo de riquezas, a paixão nacionalista, o expansionismo imperialista, o fanatismo religioso ou ideológico, os preconceitos de raça, etc.

Todas essas causas mataram pessoas e oprimiram povos, mas não o fizeram sempre.

1) Desejar riquezas não é o mesmo que extorqui-las à força; na maior parte dos casos esse desejo não só se realiza por meios inofensivos, mas ele precisa da paz e da ordem jurídica para alcançar suas metas. Não pode ser pura coincidência que os países mais ricos e prósperos sejam os menos agressivos e os mais democráticos. Também não pode ser mero acaso que jamais tenha havido uma guerra entre duas democracias capitalistas.

2) Todos os povos têm alguma paixão nacionalista, mas só um número pequeno dentre eles agride seus vizinhos em nome dela. Na maior parte dos casos, o nacionalismo exprime-se por meios culturais perfeitamente incruentos, isto quando não é apenas uma reação passiva de autodefesa psicológica contra ameaças de fora.

3) O fanatismo religioso, especialmente islâmico, é bastante demonizado pela mídia, mas, se somarmos o número de vítimas que ele fez desde o início do século, veremos que é irrisório em comparação com as mortes causadas pelas ideologias anti-religiosas. Na modernidade, o fanatismo religioso pode ser causa de conflitos, mas não de genocídio. Apontá-lo como tal é um chavão midiático sem nenhuma base na realidade. Mesmo as guerras de religião que sacudiram o Ocidente e o Oriente, desde a Antigüidade até o fim da Idade Média, não produziram um número de vítimas que se comparasse aos das guerras e revoluções modernas sem causa religiosa.

4) O racismo, por fim, parece uma resposta adequada, por estar entre as causas da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto .

Mas por que, entre tantos racismos que existem no mundo, um único chegou a desencadear uma catástrofe dessas proporções, enquanto os outros produziram somente efeitos locais bem mais modestos, isto quanto não se limitaram a cristalizar-se num estado permanente de hostilidade incruenta entre grupos raciais, tomando a forma da discriminação, do preconceito etc.? Em vez de confundir a parte com o todo, explicando a barbárie nazista pelo “racismo”, é preciso perguntar justamente o que o racismo alemão tinha de diferente dos outros racismos, para que chegasse a produzir resultados tão descomunais.

5) A expansão imperialista causou guerras, revoluções e repressões, mas muitas vezes – a maior parte delas – conseguiu realizar-se por meios comerciais e culturais inofensivos, não raro levando a paz e a ordem a regiões conturbadas.

Cada uma dessas respostas resvala na verdade, mas não chega sequer a tocá-la. Cada um dos fatores apontados pode produzir violência, morticínio, opressão e tirania, mas não o faz sempre ou necessariamente, não o faz por um movimento autônomo, pela mera exteriorização da sua dialética interna, e sobretudo não o faz sem a intervenção de um outro fator, geralmente não mencionado na lista dos demônios populares.

Esse fator não só investe os outros de uma força mortífera que eles não têm por si próprios, mas ele por si mesmo, agindo sozinho e com pouca ou nenhuma ajuda deles, pode produzir e tem produzido os mesmos efeitos letais que produziu ao fundir-se com eles.

A maior causa de violência, morticínio, opressão e tirania é a crença de que é possível inventar um futuro melhor para toda a humanidade ou para uma parte significativa dela e realizá-lo através do poder político.

Sem somar-se a essa crença, nenhuma das causas antes mencionadas teria um milésimo do seu potencial mortífero. Sem a promessa utópica, não atrairia multidões de militantes. Sem a concentração do poder político, não teria meios de ação. Poder concentrado em torno de uma promessa de futuro: eis a fórmula infalível do genocídio.

A fragmentação do Brasil...

Excelente texto. Leiam com atenção!

por Heitor De Paola


“A tarefa dos comunistas é explorar todas as contradições; e onde não existirem, criá-las”.

VLADIMIR ILITCH LENIN

Está em curso acelerado o processo de fragmentação de nosso País, não apenas em termos territoriais mas, também, e não menos importante, na área jurídica. Enquanto a situação na Amazônia, particularmente a Reserva Raposa/Serra do Sol, assume caráter quase onipresente, perde-se de vista outros desenvolvimentos que visam, através de leis, decretos e portarias esdrúxulas, outras formas de fragmentação: criar conflitos raciais, culturais, sexuais, étnicos e classistas. No entanto, os conflitos territoriais - mais evidentes - e os jurídicos se interpenetram, formando dois flancos do mesmo ataque à liberdade, à propriedade e à nacionalidade. Não se divide um povo somente pelo fracionamento territorial – este, pelo contrário, pode até uni-lo, como recentemente na questão amazônica – mas criando paralelamente conflitos inexistentes ou exacerbando os latentes. Entre os últimos cite-se a existência de óbvios preconceitos, como os raciais e sexuais, que não obstante muito raramente se configuraram no passado como discriminação; e as diferenças de interesse de classe. Exacerbá-los até o paroxismo discriminatório uns, e à luta de classes os outros, é o objetivo de certas medidas legais e extralegais que comentarei a seguir.

A fragmentação territorial vem sendo levada a cabo por três vertentes principais: 1- os movimentos ditos sociais que têm por finalidade invadir propriedades alheias, entre os quais desponta soberano o MST, mas incluem-se outros como o MAB (dos atingidos por barragens) e os urbanos (sem teto e instalação de favelas) que, dos grandes centros, já se espalharam como uma epidemia para o restante do País; 2- a política indigenista que já transformou nossas fronteiras numa verdadeira peneira desde o Mato Grosso até o Amapá; e 3- a revolução quilombola.

A evidência de que são movimentos articulados vem da proposta apresentada pela Corrente Articulação do PT e pelo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e aprovada pelo VII Congresso do MST em 1990: “O campo e a cidade são duas faces de uma dominação capitalista única que devem ser enfrentadas de forma revolucionária”. Esta articulação se estende aos movimentos pela emancipação das áreas indígenas e das áreas de quilombos, que atingem tanto o campo como as cidades. Estão previstas 127 demarcações de terras indígenas até 2010, e só em 2008 mais 29. As áreas quilombolas já em estudo para demarcação atingem o incrível número de 3.524 das quais 1.140 já estão em curso (os assentamentos de quilombos foram suspensos para melhor exame, porém serão “discutidos” com os quilombolas).

A FRAGMENTAÇÃO JURÍDICA

“Jamais o nosso país foi governado por tanta legislação infra-legal! (...) em nosso país já não vige a lei, mas o decreto, a portaria, a instrução normativa, o aviso. Vivemos em uma democracia roída pelos cupins, ou melhor, vivemos em uma proto-ditadura!”

KLAUBER CRISTOFEN PIRES

O que vem ocorrendo entre nós é a aplicação ao pé da letra do Direito Alternativo cujo princípio básico é: “Toda desigualdade (incluindo nos planos metafísico e religioso) é uma injustiça, toda autoridade um perigo, a liberdade absoluta é um bem supremo”. Cria-se, desta forma, um preceito infra-legal: o de legitimidade em oposição ao de legalidade. Como bem expressou o Presidente Lula à Folha de São Paulo, 26/05/1994: “Coisa justa vale mais que lei... Entre a lei e a coisa justa e legítima, eu sempre disse que o justo e o legítimo é muito mais importante”. Pode ser risível a intromissão de Sua Excelência como se fosse um jurisconsulto pontificando sobre o assunto, mas o fato é que é assim que as coisas têm sido “neste país”! E cada vez se aprofunda mais!

É esta alternatividade do direito que cria, por “legítimas” embora ilegais, as cotas raciais e os direitos das minorias “alternativas” e impõe às maiorias “opressoras” obrigações absurdas como ter que aceitar conviver em pé de igualdade com todas as extravagâncias e perversões sexuais. Simultaneamente, legalizam-se também, por “legítimas”, as várias formas de fragmentação territorial: as invasões urbanas e rurais, a instalação de quilombos, os direitos das “nações” indígenas à autonomia – e, muito em breve, as declarações de independência. Ora, se é legítimo, dane-se a Constituição que prevê a integridade territorial do País e as leis que valem para os demais. Espertamente os mentores da governança global e aspirantes a membros do futuro governo mundial, valem-se de documentos alienígenas, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que determina o “Direito de autodeterminação dos povos indígenas e tribais, incluindo fazer suas próprias leis, regulamentos, convenções, etc. e proíbe operações militares nas reservas em quaisquer circunstâncias”.

No caso das invasões de qualquer origem vem ocorrendo a seguinte seqüência: invasão → criação de novas normas legais por decreto ou medida administrativa ou medida provisória que a legitima → cria-se “jurisprudência” e novos direitos → novas invasões → seguem-se pressões sobre o STF para legalizá-las e sobre o Congresso para criar novas leis ou Emendas Constitucionais. Chega-se, assim, a uma ruptura da ordem jurídica vigente criando-se uma nova ordem: do Estado de Direito passa-se ao Estado Democrático de Direito, que já impera e está bem definido por Klauber Pires; invertem-se os valores jurídicos: “já não vige a lei, mas o decreto, a portaria, a instrução normativa, o aviso”, todos criados por pressão democrática legítima.

É evidente que com todos estes atos tenta-se atingir algo mais: o cerne do direito de propriedade privada. Qualquer um versado em dialética marxista percebe neste desenvolvimento as três leis da dialética aplicadas ao direito: a da oposição entre os contrários (nova ordem revolucionária contra velha ordem jurídica que impera há milênios); a transformação da qualidade pelo acúmulo quantitativo (acumulam-se as “legitimações” até que se transformem em novas leis e direitos); e a da negação da negação, pois a nova é a negação da velha mas traz em seu bojo a negação de si mesma na medida em que cria um ciclo interminável, que é a própria natureza da revolução. Estamos vivendo sim uma proto-ditadura, mas que tem sobrenome conhecido: comunista!

Engodo racial...

por Jorge Luiz Baptista Ribeiro

Quando dá “branco” na mente das pessoas a situação geralmente fica “preta”
(provérbio japonês)

Parece que todo mundo se rendeu ao engodo racial do senador Barak Obama. Entretanto, quando até críticos mordazes do candidato democrata às eleições presidenciais americanas passam recibo sobre a negritude de Obama, sou levado a manifestar minha perplexidade.

Assumindo o risco de ser politicamente incorreto, eu gostaria de observar que Obama não é negro coisa nenhuma. O fato de ter ascendentes de etnia negra, ou seja, ser “afro-descendente”, como preferem os que professam a Novilíngua no Brasil, não deveria conferir ao senador o status de negro. Obama é tão negro quanto branco, a começar pela cor da pele. É um mulato na melhor acepção da palavra, meio branco meio preto. Posicionar-se como possível “primeiro presidente negro dos EUA” não passa de jogada de marketing para atrair votos dos afro-descendentes americanos e a simpatia dos anti-americanos terceiro-mundistas.

A propósito, muito antes da discussão sobre a cor do possível futuro presidente dos EUA, uma coisa que sempre me intrigou é por que um mulato geralmente tem a tendência a se dizer “negro”. Sem entrar no mérito antropológico ou biológico, eu, que considero ultrapassado o conceito de “raça”, admito que, para um sujeito se declarar negro, ele deva ter a pele da cor da de Pelé para mais escura. Apenas uma referência pessoal, subjetiva, sem importância. Mas, às vezes, parece que os mulatos têm orgulho da negritude e vergonha da brancura, rejeitando a priori a possibilidade de se identificarem como brancos. Outra questão curiosa é por que no Brasil os afro-descendentes fazem questão que se diga “negro” e não “preto”? Nos EUA, ocorre exatamente o oposto: ofensivo é chamar alguém de niger; só se pode dizer black. Acho que nem Freud explica essas maluquices.

Pretos mesmo seriam, por exemplo, aqueles corredores quenianos que chegam a parecer azuis sob a luz do sol. Talvez, no mundo globalizado do século XXI, ainda haja negros com razoável pureza étnica apenas em determinadas populações da África. Nas Américas, Europa e Oriente Médio, a miscigenação já se encarregou de “poluir” os genes negros com os dos brancos e vice-versa. E também com os dos amarelos, estes sim, que deviam reclamar de discriminação, na medida em que não são nem lembrados quando o assunto é racismo.

E por falar em amarelos, abrindo mais um parêntesis, a “indústria” do racismo é muito similar à do indigenismo. Serve à manipulação do ativismo político esquerdista e aos vigaristas sempre de plantão. Eu desafio: apresentem-me um índio sequer que prefira continuar comendo macacos abatidos a flechadas do que comer uma boa picanha comprada no açougue; ou que prefira sua ferramenta de pedra polida a um facão de aço inoxidável para cortar o mato. Maldade do homem “branco” (incluindo-se aí toda a população “civilizada” de amarelos, negros, mulatos, cafusos e caboclos) seria deixar a minoritária população indígena na miséria e insalubridade, à margem do progresso agrícola, industrial, da medicina, das telecomunicações etc. Índio gosta mesmo é de caminhonete 4 x 4, carabina automática, água encanada, luz elétrica, TV, calça jeans, futebol, cachaça e - por que não? - dinheiro no bolso! Exatamente como qualquer um, independentemente da origem étnica.

Não faz muito tempo, no Brasil, um estudo genético sobre celebridades apontou que a ginasta dita “negra”, Daiane dos Santos, na verdade, é o melhor exemplo de miscigenação no Brasil: de fenótipo aparentemente “mulato”, ela tem aproximadamente 1/3 de genes europeus, 1/3 africanos e 1/3 índios. E que o sambista Neguinho da Beija Flor é genotipicamente mais branco (europeu) que negro (africano), muito embora seu fenótipo seja basicamente negro.

Portanto, às favas com essa história de “primeiro presidente negro”. Este posicionamento apenas reforça a tese de que Obama não passa de uma fraude. Quem, explícita ou tacitamente, aceita rótulos raciais para obter vantagens eleitorais só pode mesmo ser um vigarista (o que não causa espanto, em se tratando da pior espécie surgida no orbe terráqueo: o político profissional ativista...).

Alegria...

Alguns colegas diante do caos teológico que tristemente viram durante quase quatro anos me disseram – “Cara, a confessionalidade e a teologia reformada são a saída para tudo isso”. Muitos devoram teologia reformada. E o melhor de tudo, não somente teologia reformada. Esta linha teológica abre o horizonte do ser humano para o conhecimento. Então, alguns lêem política, filosofia, história, poesia, arte, música (todo tipo), são ligados à cultura e sabem mais sobre os teólogos liberais do que os próprios liberais da turma.

Existe gente boa na turma...

Infelizmente tive uma notícia ruim. Soube através de um professor mais próximo de mim, que o boato entre os professores é que a turma do centenário é a pior turma do seminário. Quando transmiti a notícia para alguns colegas, eles também ficaram chateados. O pior é que tem gente que não merece este rótulo. Tem pessoas formidáveis na minha turma. Colegas que irão despontar na denominação e na vida acadêmica. Mas sempre existem aqueles que não querem nada com nada. E por causa destes a turma ficou toda queimada. Lamentável.

Tenho colegas que ralam pra caramba. Passam noites sem dormir para ganhar o pão de cada dia, mas estão lá, entregam os trabalhos, as provas, tiram notas boas e o melhor de tudo – não falam besteiras durante as aulas. Isso sem dúvida incomoda alguns professores. Certos professores faltam chorar quando determinado aluno pede para falar. Mas repito, existe gente boa na turma. Não acho justo a turma do centenário receber este título.

Quero parabenizar os campeões da turma. Aqueles que lutaram contra tudo e todos – inclusive contra os professores liberais. E conseguiram se destacar. Por causa destes a turma merece o título – “Heróis do Centenário”.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Não crescem de jeito nenhum...

Certa vez conversava com uma pessoa que estava indignada. Ela não conseguia entender a razão de cristãos que passam a vida inteira na igreja e não crescem. Então, lembrei de uma frase bem chula, mas com um aprendizado – “Algumas pessoas crescem, mas crescem igual o rabo do cavalo. Crescem para baixo”.

Não agüento mais...

Já foram três dias sem internet. O mundo das informações andou milhares de quilômetros. Enquanto eu fiquei na inércia da vida rotineira.

Crente dodói...

Existem alguns cristãos que são insuportáveis. Vivem chorando e resmungando por tudo. Se alguém olha torto, ele chora. Se ninguém fala com ele, ele diz que ninguém o ama. Se alguém fala asperamente, ele fica depressivo.

O conforto para tais pessoas deveria ser uma boneca ou uma peteca. Tudo ele fica triste. A imaturidade é inerente a certos tipos de crentes. A provisão é de que nunca deixarão de dizer – “fez dodói”.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Diante das Pesquisas com Células-Tronco Embrionárias

por Israel Belo de Azevedo *

A Bíblia celebra a Deus como criador do universo e também do ser humano. Diz um poeta:

Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe.
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.
Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção.
Meus ossos não estavam escondidos de ti
quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião [substância ainda informe -- ARA);
todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro
antes de qualquer deles existir.
(Salmo 139.13-16 – NVI)

O poeta celebra a vida, mostrando o mistério da criação do ser humano, que, segundo os biólogos, está escrito num código de 3,1 bilhões de letras do código do DNA. Por isto, quando o genoma humano, no início do século 20, foi seqüenciado, o então presidente dos EUA (Bill Clinton), exclamou:
-- Hoje estamos aprendendo a linguagem com a qual Deus criou a vida. Ficamos ainda admirados pela complexidade, pela beleza e pela maravilha da dádiva mais divina e mais sagrada de Deus.

Ao seu lado na hora do anúncio na Casa Branca norte-americana, em 26 de junho de 2000, estava, entre outros, o coordenador da área pública do projeto mapeador, Francis Collins, que mais tarde escreveu, certo de estar vendo "alguma coisa sobre como Deus trabalha": "a experiência de mapear a seqüência do genoma humano e descobrir o mais notável de todos os textos, foi ao mesmo tempo, uma realização científica excepcionalmente bela e um momento de veneração". (COLLINS, Francis. A linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007, p. 146 e 10-11).

DE VOLTA A GALILEU GALILEI?

Na esteira dessa grande descoberta, as pesquisas continuam e há muito que ainda não se sabe. A mais combativa pesquisadora brasileira no campo das células-tronco, Mayana Zatz, reconheceu: "O corpo humano (...) guarda um mistério que ainda não foi decifrado. Como se sabe, depois da fecundação, a célula se divide em duas, de duas em quatro, de quatro em oito e assim sucessivamente até atingir a fase de algumas centenas de células com o poder de diferenciar-se em qualquer tecido. No entanto, em determinado momento, elas recebem uma ordem e umas se diferenciam em fígado, outras em ossos, sangue ou músculo, por exemplo. Daí em diante, todas as suas descendentes, de acordo com essa mesma ordem, continuarão diferenciadas: a célula do fígado só vai dar origem a células do fígado; a do sangue, só a células do sangue. Não descobrimos, ainda, como funciona essa ordem que a célula recebe para diferenciar-se nos diferentes tecidos". 1 (ZATZ, Mayana. Entrevista a Drauzio Varella. Disponível em e também em )

Então, para apenas saberem mais, condição humana essencial, ou para melhorarem a vida de homens e mulheres, os biocientistas continuam pesquisando. A cada descoberta, novas perguntas surgem, tanto de ordem exclusivamente científica quanto de ordem moral. Não há mais certezas, por exemplo, quanto ao início da vida, ao ponto em que se pode dizer: aqui a vida começou. A resposta não pode ser dada apenas pela ciência nem apenas pela religião.

O debate contemporâneo se assemelha a outro mais antigo, em torno do lugar do planeta terra na constelação universal. Durante milênios o ser humano acreditou que a terra era o centro do universo. Os conhecimentos religioso e científico eram coincidentes neste ponto.

Quando o cientista-filósofo Galileu Galileu (1564-1642), seguindo Nicolaus Copernicus, (1473-1543) do século anterior, garantiu que o planeta se movia, foi obrigado a se retratar pelas autoridades da Igreja Católica Romana, que entendiam que a Bíblia afirmava que a terra era o centro do universo.

Entre os textos usados para justificar a idéia geocêntrica (que mantém a terra como o centro do universo), estavam dois:

"O Senhor reina!
Vestiu-se de majestade;
de majestade vestiu-se o Senhor
e armou-se de poder!
O mundo está firme
e não se abalará".
(Salmo 93.1; cf. Salmo 104.5-6 -- "Firmaste a terra sobre os seus fundamentos para que jamais se abale; com as torrentes do abismo a cobriste, como se fossem uma veste; as águas subiram acima dos montes").

"O sol se levanta
e o sol se põe
e depressa volta ao lugar
de onde se levanta"
(Eclesiastes 1.5)

Estamos diante de poemas. Alguém, que hoje toma a Bíblia como a Palavra de Deus, é capaz de empregar esses textos como prova para uma descrição científica do mundo? Já na época de Galileo era bem difundida a obra de Agostinho (354-430), de um milênio antes, de que não devemos cunhar doutrinas a partir de textos poéticos. Assim mesmo, Galileu foi mantido em prisão domiciliar pelo resto de sua vida, para evitar que continuasse pesquisando. Só em 1992, quatro séculos depois, o papa João Paulo II admitiu que a terra não está imóvel e pediu desculpas pelas atitudes contra Galileu.

A condenação católico-romana ao cientista Galileu tipifica uma tensão entre a visão religiosa e a visão científica do mundo. Quando Ian Wilmut clonou uma ovelha (Dolly), ele e todos os que trabalham com este método de reprodução foram acusados de estarem brincando de Deus. Wilmut escreveu um longo artigo em que perguntava se a sociedade iria permitir a clonagem de seres humanos, que era uma técnica possível.

A REVOLUÇÃO GENÉTICA

A propósito, a clonagem de seres vivos era uma possibilidade esperada para o ano 2050. No entanto, aconteceu na Escócia em 1996. A realidade superou a imaginação. Em 1932, Aldous Huxley concebeu, no romance “Admirável Mundo Novo”, um mundo em que 96 gêmeos idênticos trabalhavam em 96 máquinas idênticas. Mais recentemente, outro autor (Patrick Dixon) sugeriu que a revolução genética possibilitará que pessoas vendam células de seu corpo para a produção de centenas de clones para os pais do futuro.

Um clone é uma cópia idêntica de outro ser, feita a partir da manipulação do código genético (DNA) de uma célula qualquer de um animal. O clone é geneticamente igual ao ser que lhe deu origem. A clonagem permite que os cientistas introduzam modificações genéticas eficientes em animais e em seres humanos, incluindo a substituição de órgãos. Por isto, há quem fale na implantação de chips (memórias de computador) no cérebro humano para corrigir doenças como o mal de Alzheimer e mesmo distúrbios mentais.

A clonagem foi sugerida pelo cientista alemão Hans Spemann, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1935. Ao realizar experiências com embriões, ele notou que cada divisão de células contém a mesma informação em cada divisão. Então, propôs transportar o núcleo de uma célula para um óvulo. A técnica foi desenvolvida a partir daí, mas os resultados nunca foram satisfatórios.

Em 1981, dois cientistas informaram ter produzido três clones de um rato, ao transplantaram o núcleo do embrião para um óvulo. A notícia foi muito divulgada nas revistas científicas, mas ficaram dúvidas sobre a validade do experimento. Pouco depois (1984), um cientista dinamarquês conseguiu clonar uma ovelha a partir de células de embrião.

Desde então, os cientistas têm melhorado a técnica com o objetivo de ajudar casais com dificuldades para de ter filhos. O procedimento só é possível quando o casal é capaz de produzir pelo menos um embrião conjunto.

Até o dia 5 de março de 1997, os cientistas achavam que células adultas não poderiam ser usadas na tecnologia da clonagem. Foi quando uma equipe de cientistas escoceses (liderados por Ian Wilmut) anunciou a clonagem de uma ovelha adulta (“Dolly”) por meio da transferência de uma célula cultivada. Wilmut declarou, à época, que no futuro isto poderia ser aplicado ao ser humano.

Na realidade, Dolly nasceu em julho de 1996. A ovelha foi gerada em laboratório. Tudo foi duplicado, desde as marcas nas patas à cor dos olhos. Os cientistas retiraram o núcleo (onde está o código genético) de uma célula da mama de uma ovelha-mãe. Depois, tomaram um óvulo (célula reprodutora feminina ) de uma outra ovelha e tiraram seu núcleo. A seguir, juntaram o núcleo da célula da primeira ovelha com o óvulo sem núcleo da célula da segunda ovelha.

A operação seguinte foi lançar uma descarga elétrica sobre o óvulo para que ele aceitasse o núcleo da célula da ovelha a ser formada. Imediatamente o óvulo começou a se dividir normalmente para formar um feto, como se tivesse sido fecundado por um espermatozóide (a célula masculina). O ser em gestação seguiu as instruções do DNA da célula da mama e passou a se reproduzir como uma cópia idêntica da ovelha que cedeu a primeira célula.

Por fim, os cientistas introduziram o óvulo no útero de uma terceira ovelha. Foi nela que se completou a gestação.

O experimento provocou reações em todo o mundo, desde a opinião pública em geral até organizações e líderes políticos. A maioria considerou moralmente inaceitável clonar animais e seres humanos. O próprio cientista Wilmut manifestou-se contra sua aplicação em humanos.

Prevaleceu o sentimento expresso pela Academia Nacional de Ciências da Austrália (Australian National Academy of Science), que sugeriu que a clonagem reprodutiva`para produzir fetos humanos é antiética e insegura, devendo ser proibida. No entanto, células humanas derivadas de técnicas de clonagem, de linhagem de células embrionárias ou células germinativas primordiais, não devem ser proibidos, para uso atividades de pesquisas aprovadas em biologia celular e do desenvolvimento". Declaração da Australian National Academy of Science, em 1999.

DE QUE SE TRATA?

A revolução genética provoca horror, até que alguém próximo de nós (na família ou no círculo de conhecidos) sofra de alguma doença degenerativa. Não deve ele se submeter a um tratamento, mesmo que experimental, desenvolvido a partir do conhecimento adquirido por meio de pesquisas com células-tronco, que podem "substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência" ou ser aplicadas "em tecidos lesionados ou doentes"? (Cf. Mayana Zatz, respondendo a perguntas de leitores. Disponível em ).

No Brasil, especialmente na Unidade de Medula Óssea do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina (USP) de Ribeirão Preto, por exemplo, tem havido avanços no tratamento de enfermidades como esclerose múltipla, diabetes e doenças reumáticas. A técnica é a do autotransplante de células-tronco, através da qual "o paciente recebe um hormônio que leva as células-tronco adultas a se desgrudarem da medula e irem para o sangue. Depois, o sangue é coletado, submetido a uma cultura sérica [em soro] e congelado em nitrogênio líquido. A pessoa, então, é submetida à quimioterapia e imunoterapia, que causam a destruição de seu sistema imunológico, reconstruído posteriormente pelo transplante do material coletado e congelado". (Cf. entrevista do médico Júlio Voltarelli. Disponível em ).

O uso de células-tronco adultas, extraídas de diversos tecidos humanos (como medula óssea, sangue, intestino, fígado, cordão umbilical, placenta, etc) não tem provocado discussão.

O DESTINO DOS EMBRIÕES CONGELADOS

O problema está no emprego de embriões humanos, encontrados nas clínicas de reprodução assistida ou produzidos através da clonagem para fins terapêuticos. A células-tronco embrionárias são preferidas por serem capazes de se diferenciarem em todos os 216 tipos de tecidos que constituem o corpo humano, enquanto as retiradas de tecidos adultos podem dar origem a um número bem menor de tecidos. Estima-se que haja no Brasil 30.000 embriões congelados.Esses embriões surgiram a partir de procedimentos de reprodução assistida, método empregado para superar a infertilidade conjugal. A equipe retira diversos óvulos da mulher para serem fecundados por espermatozóides do seu marido fora do seu habitat natural -- a trompa de falópio. O número de óvulos sempre será maior que os possivelmente utilizáveis, em função das perdas naturais no processo e para evitar que a mulher seja submetida a novos processos de retirada de óvulos. Dos embriões, que surgem deste processo, dois ou três, considerados bons, serão transferidos para o útero; os demais serão congelados, para uso posterior ou para descarte. (Cf. BARROSO, Luís Roberto. Ação Direta de Inconstitucionalidade Nº 3.510; pedido de ingresso como Amicus Curiae formulado por Movitae – Movimento em Prol da Vida em Defesa das Pesquisas com células-tronco embrionárias.)

O Conselho Federal de Medicina descreve o processo de reprodução assistida em três fases: primeiro, estimula-se quimicamente a ovulação e, então, colhe-se número indeterminado de óvulos; em segundo lugar, estes óvulos são postos em contato com espermatozóides, são fertilizados e se desenvolvem in vitro até alcançarem oito células; por fim, são selecionados os pré-embriões ou embriões que serão transferidos para o útero, devendo os demais ser congelados. (CFM, Processo Consulta n.º 1698/96. Citado por BARROSO, Luiz Roberto, op. cit.

O que fazer com os embriões que não foram transportados para o útero da mulher e que foram congelados?)

Depois de uma longa discussão no Parlamento brasileiro, (Para uma análise das atitudes dos congressistas brasileiros, há o estudo de DINIZ, Débora. A Medicina Reprodutiva no Brasil. Disponível em ), o presidente Lula sancionou a Lei da Biossegurança (Lei Nº 11.105, de 24 de março de 2005. que, no Artigo 5º, permite "para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições:

I – sejam embriões inviáveis; ou
II – sejam embriões congelados há três anos ou mais."

A mesma Lei exige também que para o uso desses embriões "é necessário o consentimento dos genitores". Além disso, as "instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa". Por fim, é proibida "a comercialização" de embriões. (Lei disponível em )

Em outras palavras, só poderão ser pesquisados "os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados". (Cf. Mayana Zatz, respondendo a perguntas de leitores. Disponível em )

No mesmo ano (2005), o então Procurador Geral da República, Cláudio Fonteles, propôs no Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 3510 (ADI 3510) contra o art. 5° da Lei de Biossegurança, (Disponível em ) por entender que ela permite a destruição de embriões humanos, que significa, ao seu ver, a eliminação da vida humana., que “acontece na, e a partir da, fecundação”. Argumenta Fontelles: "Na fecundação -- união do espermatozóide com o óvulo -- e a partir da fecundação, a célula autônoma -- zigoto -- que assim surge, por movimento de dinamismo próprio, independente de qualquer interferência da mãe ou do pai, realiza sua própria constituição, bipartindo-se, quadripartindo-se, no segundo dia, no terceiro dia e assim por diante. É, portanto, primeiramente embrião, depois feto, bebê, criança, jovem, adulto, velho. A vida humana é dinamismo essencial". (FONTELES, Cláudio. Artigo-resposta na Folha de São Paulo, de 1/3/2008. Disponível também em

Em meio ao debate, veio à tona a notícia de uma mulher brasileira que ficou grávida a partir de um embrião congelado havia mais de cinco ou seis anos.

No Supremo, a relatoria do processo coube ao ministro Carlos Ayres Britto, que promoveu (em 20 de abril de 2007) uma inédita audiência pública, da qual participaram cientistas e religiosos de diferentes matizes.

Em março de 2008, foi realizada a primeira sessão do julgamento da ADI. Um dos ministros pediu vistas e o julgamento foi interrompido. Em seu voto, Ayres Brito manifestou-se pela constitucionalidade da Lei de Biossegurança, por não ver "qualquer ofensa à dignidade humana na utilização de pré-embriões inviáveis ou congelados há mais de três anos nas pesquisas de células-tronco, que não teriam outro destino que não o descarte". O ministro argumentou: mesmo que não fique demonstra "a distinção entre a condição do pré-embrião (massa indiferenciada de células da qual um ser humano pode ou não emergir) e do embrião propriamente dito (unidade biológica detentora de vida humana individualizada)" deve-se preferir o "princípio utilitarista, segundo o qual deve ser buscado o resultado de maior alcance com o mínimo de sacrifício possível". Assim, "o aproveitamento, nas pesquisas científicas com células-tronco, dos embriões gerados no procedimento de reprodução humana assistida é infinitamente mais útil e nobre do que o descarte vão dos mesmos. A improbabilidade da utilização desses pré-embriões (absoluta no caso dos inviáveis e altamente previsível na hipótese dos congelados há mais de três anos) na geração de novos seres humanos também afasta a alegação de violação ao direito à vida". (Cf. Íntegra do voto do ministro Carlos Ayres Britto disponível em ).

O que está em jogo é se um embrião é já um ser humano. Se é, deve ser preservado. Se não é, pode ser usado em pesquisa, descartado, destruído.

É equivocado atribuir apenas à religião das pessoas as suas posições sobre o assunto. Quando o ministro Carlos Britto, para preparar o seu voto, convocou uma audiência pública, ouviram-se vozes discordantes à liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias vindas do meio científico. Há objeções éticas, mas também científicas.

Entre os cientistas, portanto, não há consenso.

O DIFÍCIL CONSENSO

No campo contrário à liberação das pesquisas, uma voz veemente é a da biofísica Alice Teixeira Ferreira, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e que considera um absurdo "investir tanto dinheiro em aventuras como a clonagem terapêutica", motivadas tão somente por interesses financeiros. Para a professora, a utilização de células de embriões humanos provenientes se constitui num transplante em que há "grande possibilidade de rejeição, visto que à medida que estas células se diferenciam para substituir as lesadas (ou que desapareceram), num tecido degenerado, começam a expressar as proteínas responsáveis pela rejeição". (O texto ("desmascarando as mentiras apregoadas sobre as células-tronco embrionárias e a clonagem `terapêutica') de Alice Teixeira Ferreira foi encaminhado ao Senado brasileiro, quando a discussão da Lei de Biosseguranca, em 2004. Está disponível em ).

A posição dessa cientista paulistana, citada por vários outros críticos da Lei de Biosseguranca, é firme: "O zigoto (unicelular) já é um ser humano, já possui em seu código genético todas as informações sobre o futuro ser, desde características físicas (sexo, cor dos olhos, pele e cabelos ) até aptidões (dom para música, para pintura, por exemplo)". A vida humana começa na concepção. "Não se trata, portanto, de um dogma religioso, mas da aceitação de um fato cientificamente comprovado. (...) O ser humano, desde o ovo até o adulto, passa por diversas fases do desenvolvimento (ontogenia), mas em todas elas trata-se do mesmo indivíduo que, continuamente, se auto-constrói e se auto-organiza". (Comentário disponível em < op="pagina&chaveid="236a050">) Decorre daí seu apelo: "a batalha pela vida é também de todos nós, seja de credo religioso for. Direito à esperança de cura e à liberdade de pesquisa, sim, com ética ou seja respeitando os valores morais e não fazendo de seres humanos indefesos objeto de pesquisa. Ao obscurantismo utilitarista, não". (Excerto de uma entrevista de Alice Teixeira Ferreira, disponível em ).

Do lado favorável à liberação das pesquisas, a líder é Mayana Zatz, 55, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP). Eis uma de suas declarações: "Quando nós falamos de embriões, muita gente acha que nos referimos a fetos, com perninhas e bracinhos. Mas nos referimos a montinhos de células menores que a cabeça de um alfinete, a embriões que têm um potencial de vida baixíssimo. O mesmo aconteceu quando se pensou em fazer transplantes de órgãos. Também houve uma revolta na sociedade, mas hoje muitas vidas são salvas". Para ela, "um embrião se forma, se desenvolve e um dia vai produzir células germinativas que vão originar um novo ser. (...) Para um embrião congelado, que não tem qualidade para formar uma vida, o ciclo acabou. Mas se, a partir deste embrião, forem extraídas células-tronco que podem curar, por exemplo, uma criança acometida por uma doença letal, estaremos mantendo o ciclo da vida". (ZATZ, Mayana. Entrevista disponível em ) Seguindo a mesma trilha, o também geneticista Oliver Smithies, Prêmio Nobel de Medicina, pondera. "Na verdade, estamos falando de preservar a vida do embrião --embrião que não seria usado para mais nada--, permitindo a ele ajudar a vida de outras pessoas". (SMITHIES, Oliver. Entrevista disponível em ).

Que pensar, então? Como um cristão que se deixa pautar pela Bíblia Sagrada deve decidir?

A posição da Igreja Católica está bem explicitada num documento oficial da Sé romana: "O respeito pela dignidade do ser humano exclui qualquer forma de manipulação experimental ou exploração do embrião humano". (Carta dos Direitos da Família, do Vaticano. Disponível em ) O cardeal emérito do Rio de Janeiro, Eugenio Araujo Sales, conclui, então: "A prática de se manter em vida embriões humanos, in vivo ou in vitro, para fins experimentais ou comerciais, é absolutamente contrária à dignidade humana". (SALES, Eugenio. "O valor da vida". O Globo, 29.3.2008.)

PONTOS A PONDERAR

  1. O QUE ESTÁ EM JOGO?

De que estamos falando?

Nos Estados Unidos, onde o presidente Bush proibiu o financiamento público de pesquisas com células-tronco embrionárias, e no Brasil, em que a Lei de Biossegurança permite este financiamento, que está em curso nos centros de pesquisa, tem predominado diferentes respostas.

No caso brasileiro, os contrários a tal pesquisa entendem que o que está em jogo é a resposta à seguinte pergunta: quando começa a vida. Foi isto que o então procurador Cláudio Fonteles pediu. (HAIDAR, Rodrigo, e PINHEIRO, Aline. Supremo decide destino de embriões congelados. Disponível em ).

Os favoráveis à liberação, nos termos da Lei de Biossegurança, entendem que a questão é outra, nas palavras do advogado Luís Roberto Barroso: "Nós não estamos falando em vida. Nós estamos falando de embriões congelados que não serão implantados no útero materno e, portanto, não se tornarão vida. (...) A pergunta correta a ser respondida pelo Supremo é: “O que fazer com os embriões que já existem e estão congelados há mais de três anos?”. É melhor deixá-los perenemente congelados até o momento do descarte ou é melhor destiná-los à pesquisa científica, permitindo que eles tenham o fim digno de contribuir para a ciência, para a diminuição do sofrimento de muitas pessoas e para salvar vidas?". (Cf. HAIDAR, Rodrigo, PINHEIRO, Aline. Supremo decide destino de embriões congelados. Disponível em )

  1. PRECISAMOS CONHECER, PARA DEBATER.

Diante de tantas vozes, fica claro que o desafio ético das pesquisas no campo das biociências é profundo, especialmente quando envolve embriões.

A decisão não deve ficar restrito aos cientistas. O ataque de alguns deles aos "religiosos" em geral (pessoal com fé em Deus, na verdade) é anticientífico. Eles não podem ter tanta certeza assim. Como lembra Francis Collins, "por sua própria natureza", os cientistas "têm fome de explorar o desconhecido. Seu senso moral, geralmente, não é nem mais nem menos desenvolvido do que o de outros grupos, e eles não conseguem evitar sua aflição diante de um conflito de interesses que pode fazer com que fiquem indignados com os limites estabelecidos por quem não é da comunidade científica". COLLINS, Francis. A linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007, p. 274.

Por outro lado, uma ética baseada em absolutos, como é a religião cristã, tem uma contribuição inevitável e deve participar das decisões. "Precisamos, desesperadamente, que ambas as vozes estejam nesse debate, e que não estejam gritando uma contra a outra". (COLLINS, Francis. A linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007, p. 275.)

É louvável a atitude da hierarquia católico-romana em se posicionar, concordemos ou não com ela. Os evangélicos nos temos mantido à margem destes temas, que têm reflexos imensos sobre a vida quotidiana e sobre a forma de olhar o mundo, mundo que dizemos que o Evangelho transforma.

Precisamos estudar o assunto, para opinar e decidir, mesmo que, num determinado o dilema, esteja longe de nós, porque não está.

Precisamos compreender do que se trata.

Precisamos discutir. Para debater, precisamos conhecer.

A opinião é livre, desde que formulada a partir de estudo sério.

Quando comecei a estudar o assunto, incluí uma pergunta em meu site (www.prazerdapalavra.com.br): "O ministro Carlos Britto (STF) sustenta que um embrião in vitro AINDA não é uma pessoa".

Os resultados foram os seguintes até o dia 2 de maio de 2008: 49% discordaram do ministro e se disseram contrários à liberação de pesquisas com células-tronco; 30% concordaram e se mostraram favoráveis à pesquisa com células-tronco embrionárias. O percentual dos que não tinham opinião, mas estudavam o assunto foi de 20%.

Postei a mesma enquete no site do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (www.seminariodosul.com.br), com resultados similares, mas com um percentual maior de favoráveis (38%): os contrários à liberação das pesquisas foram 43% dos participantes; 18% ainda não tinham opinião.

  1. AINDA NÃO ESTAMOS NO ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

O seqüenciamento do genoma humano provocou euforia no mundo. As notícias nos meios de divulgação alardearam possibilidades que ainda não se tornaram reais. Apesar dos exageros, progressos têm sido feitos, mas o caminho de uma descoberta num laboratório a um leito de hospital é longo, sinuoso e caro. Liberar pesquisas com células-tronco embrionárias não quer dizer que, pouco depois, as doenças degenerativas vão recuar.

Além do mais, há outros tipos de células, como as adultas e como as encontras em cordões umbilicais, entre outras. Caso o Brasil altere a Lei de Biossegurança, proibindo a pesquisa com embriões, a ciência não vai acabar. Estamos diante de uma questão importante, mas não é uma questão de vida ou morte.

Ao mesmo tempo, as possibilidades não podem ser negadas. O que está em questão é se o benefício (uso terapêutico) compensa o prejuízo (destruição de embriões descartados).

Temos que ouvir a Dra. Alice Teixeira Ferreira, que adverte: "A euforia já acabou, pois se constatou que o genoma humano foi uma ideologia que custou 5 bilhões de dólares e não resultou lucro imediato para a industria farmacêutica que mais investiu neste “avanço tecnológico”. Os que esperavam “brincar de Deus” melhorando a Sua obra estão desapontados. Foi só ilusão porque o determinismo biológico ou genético não existe. O dogma um gene-uma proteína não é verdade. (...) Terapia gênica só para doenças com alteração em um gene, no caso de ser multigênicas não é solução. Por outro lado não se consegue dirigir onde o vetor (um vírus) vai se inserir no genoma e como sempre é acompanhado de um promotor, corre-se o risco deste se localizar junto de um oncogene (gene promotor de tumor)". (Cf. FERREIRA, Alice Teixeira. Entrevista disponível em ).

Ao mesmo tempo, temos que escutar Mayana Zatz: "As pessoas que se manifestam contra a manipulação desses embriões (conjuntos de oito células) costumam perguntar: por que é tão importante a realização dessas pesquisas? Por que não utilizar somente as células-tronco adultas? A resposta é simples: somente as células-tronco embrionárias têm o potencial para formar todos os tecidos do nosso corpo, 216 ao todo. (...) As células-tronco de cordão umbilical (...) conseguem formar músculo, osso, cartilagem e gordura. Mas elas não conseguem formar células nervosas funcionais que são fundamentais para recuperar pacientes afetados por doenças neuromusculares, doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson ou pessoas com medula lesionada, que se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas. (...) O maior objetivo dessas pesquisas é justamente (...) a regeneração de tecidos e, no futuro, de órgãos em degeneração, não funcionais ou que foram destruídos em um acidente. (Cf. ZATZ, Mayana. Resposta a um consulente, disponível em ).

  1. ABORTO É OUTRA COISA

A liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias não tem relação com o aborto.

A legislação brasileira admite o aborto apenas em dois casos (risco de vida para a mãe e gravidez decorrente de estupro). A hierarquia da Igreja Católica Romana é contrária a qualquer tipo de aborto. O próprio então procurador Cláudio Fonteles não vê legitimidade nas comparações. (HAIDAR, Rodrigo, e PINHEIRO, Aline. Supremo decide destino de embriões congelados. Disponível em ) Dizer que a liberação de pesquisas com células embrionárias é um passo para a ampla liberação do aborto é uma mistificação.

Como explica Mayana Zatz, "no aborto provocado, a vida de um feto é interrompida dentro do útero da mãe. No caso de embriões congelados, produzidos por reprodução assistida, o embrião é feito em um tubo de ensaio nas clínicas de fertilização". (ZATZ, Mayana. Células-tronco: em busca do tempo perdido! Disponível em ).

  1. NEM TUDO O QUE PODE SER FEITO DEVE SER FEITO

Como têm demonstrado filósofos da ciência, como Ian Barbour, (Cf. AZEVEDO, Israel Belo de. No princípio, Deus. Rio de Janeiro: MK, 2007.) a ciência, especialmente na sua aplicação, a tecnologia, tende a pensar que o que pode ser feito deve ser feito. O fato de células-tronco poderem ser usadas não quer dizer que devam ser usadas. Cabe à sociedade dizer o que pode e o que não pode.

Como anotou Francis Fukuyama, "a ciência não pode estabelecer por sim mesma os fins a que serve. A ciência pode descobrir vacinas e curas para doenças, mas pode também criar agentes infecciosos". Como sabemos, "muitos médicos nazistas que injetaram agentes infecciosos em vítimas de campos de concentração ou torturaram prisioneiros congelando-os ou queimando-os até que morressem foram, de fato, cientistas legítimos que colheram dados reais que potencialmente podiam ter uma boa aplicação". (FUKUYAMA, Francis. Nosso futuro pós-humano. Rio de Janeiro: Rocco, 2003, p. 193.)

De fato, "não temos de aceitar nenhum destes mundos futuros sob uma falsa bandeira de liberdade, seja ela a dos direitos reprodutivos ilimitados ou a da investigação científica livre de qualquer restrição. Não temos de nos ver como escravos de um progresso tecnológico inevitável quando esse progresse não serve a fins humanos. A verdadeira liberdade significa a liberdades das comunidades políticas de proteger os valores que reputam mais caros, e é essa liberdade que precisamos exercitar no tocante à revolução tecnológica hoje". (FUKUYAMA, Francis. Nosso futuro pós-humano. Rio de Janeiro: Rocco, 2003, p.225.)

Por esta razão, "os países devem regular politicamente o desenvolvimento e o uso da tecnologia, criando instituições que discriminem entre aqueles avanços tecnológicos que promo vem o florescimento humanos e aqueles que representam uma ameaça à dignidade e ao bem-estar humano. Essas instituições reguladoras devem primeiro ser autorizadas a impor essas discriminações num nível nacional e, por fim, estender seu alcance internacionalmente". (FUKUYAMA, Francis. Nosso futuro pós-humano. Rio de Janeiro: Rocco, 2003, p. 190.).

  1. NÃO PRECISAMOS RECUSAR A CIÊNCIA

Devemos nos alegrar com a ciência e devemos ter medo da ciência.

Esse medo, no entanto, não deve ser a priori, mas em função de seu eventual comportamento. A recusa, não à ciência, mas a esta ou aquela aplicação, deve ser fruto de exame cuidadoso.

Quando, em função da fé, há uma recusa à ciência, a conseqüência é dramática. Perde a ciência, ao perder um interlocutor, e perde a igreja, especialmente porque os jovens podem acabar, como adverte Francis Collins, "concluindo que simplesmente não podem acreditar em um Deus que lhes pede para rejeitar o que a ciência lhes ensinou, de forma tão atraente, acerca do mundo natural". (COLLINS, Francis. A linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007, p. 184.)

Penso nos jovens. De um deles, que não conheço, recebi a seguinte indagação: Utilizar células-tronco embrionárias "seria interromper a vida ou não?" Sua razão era clara: "Para mim, este assunto ainda possui um aspecto singular: sou graduando do quarto período (tenho 20 anos de idade) de Biomedicina e sou também um cristão; trabalho atualmente em um laboratório de pesquisas com células-tronco adultas. Com a liberação do projeto, estaria fortemente inclinado a trabalhar com as células-tronco embrionárias. Pela Bíblia, eu poderia ser considerado um assassino? e minha salvação estaria em prejuízo? pois a Bíblia diz que os assassinos não herdarão o Reino dos Céus".

O assunto não é algo distante, mesmo para mim, que milito por outros campos.

  1. PRECISAMOS REVISAR NOSSOS PRESSUPOSTOS, PARA FICARMOS FIÉIS AOS NOSSOS PRINCÍPIOS

Religião à parte, diante de novas possibilidades, especialmente aquelas cujos benefícios anunciados parecem evidentes, tendemos ou a nos entusiasmar acriticamente ou a rejeitar tudo que tenha a cara de mudança.

Quem tem um filho ou filha com mais de 30 anos provavelmente preparou-lhe um quarto unissex porque não era possível saber se seria menina ou menino. Era comum o médico levantar o recém-nascido e exclamar: "É menino!" ou "É menina!" Hoje, a chegada do bebê é mais tranqüila, porque já se sabe seu sexo muitos meses antes. Ninguém mais diz que o uso do ultrassom para ver o sexo da criança no ventre da mãe é "brincar de Deus".

Também com relação às pesquisas científicas, precisamos de firmeza com flexibilidade.

As pessoas de fé precisam tomar o cuidado de não usarem sua fé numa maneira que Deus jamais intentou, (COLLINS, Francis. A linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007, p. 274.) como fez o catolicismo no caso de Galileu Galilei.

Fazemos o mesmo sempre que usamos textos da Bíblia para apoiar visões que não estavam no horizonte do autor divino e/ou do autor humano. Assim, por exemplo, é um equívoco usar a narrativa da criação como uma narrativa científica. O propósito é exaltar o Criador, não descrever o processo que empregou para criar o universo, a terra e o ser humano.

O mesmo propósito exaltativo está presente no salmo 139.

"Meus ossos não estavam escondidos de ti
quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião [substância ainda informe -- ARA);
todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro
antes de qualquer deles existir".
(Salmo 139.15-16 -- NVI)

Não estamos diante de uma descrição do processo de gestação: estamos diante do Criador. Aleluia.

  1. SOMOS LIVRES PARA PENSAR

Fomos feitos com liberdade para pensar, o que inclui pesquisar, opinar, decidir.
Viver é decidir.

Há processos decisórios bem definidos na Bíblia, a despeito do tempo decorrido entre nossas culturas. Cabe-nos tomar estes princípios e aplicá-los sob formas de normas, que são temporais. As normas são temporais, mas derivados de princípios eternos.

No entanto, há processos decisórios sobre os quais nada temos senão princípios gerais. Este é o caso das pesquisas genéticas em geral e das pesquisas com células-tronco em particular. Certamente, outras ainda decisões demandarão nossas reflexões.

No presente caso, estamos diante de um tema sobre o qual a Bíblia não legisla especificamente, mas nela estão os valores que nos devem guiar até hoje. Gostaria de sugerir alguns destes princípios:

8.1. O homem é à imagem-semelhança de Deus (Gênesis 1.26-27).

O ser humano é uma unidade, pensada, para fins de compreensão, como corpo-mente ou como corpo-mente-espírito. Essa unidade decorre da imagem-semelhança com Deus. O atributo em que mais realizamos esta imagem-semelhança é a liberdade. Esta liberdade nos torna competentes para decidir. (Sobre a doutrina batista da competência individual, ver AZEVEDO, Israel Belo de. A celebração do indivíduo. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2004.)

8.2. Ao homem cabe dominar a terra (Gênesis 1.28).

A terra foi dada ao homem em seu estado bruto, para ser sujeitada. Esta sujeição inclui o aperfeiçoamento da terra, com ações de cuidado, que a considerem como criação de Deus. Não se deve confundir sujeição com uso da terra à exaustão (como o demonstra o instituto do sábado -- Êxodo 20.9-11 -- e do jubileu -- Levítico 25.10-17). Este mandato inclui todas as dimensões da realização humana, incluindo cultura, arte, ciência e tecnologia, através dos quais os homens devem buscar o bem do próximo, nunca a sua exploração (Levítico 25.18).

8.3. O homem deve preservar a vida.

O cuidado da vida, de todo tipo de vida, é um princípio que é apresentado de forma negativa ("não matarás" -- Êxodo 20.13) e de forma positiva ("Afaste do coração a ansiedade e acabe com o sofrimento do seu corpo, pois a juventude e o vigor são passageiros" -- Eclesiastes 11.1), como demonstrado pelas inúmeras intervenções de Deus para curar pessoas, especialmente por parte de Jesus. Quando doamos sangue ou um órgão nosso (ou de alguém morto de nossa família), estamos preservando a vida.

  1. PRECISAMOS DEFINIR O QUE É UM SER HUMANO

Com o surgimento das tecnologias de transpantes de órgãos, eclodiu uma pergunta: quando a vida acaba e, então, um órgão pode ser retirado de um corpo, doado e transplantado em outro corpo. O consenso é claro. Todos, até mesmo no campo religioso (com algumas exceções de grupos que ainda não aceitam a transfusão de sangue, a partir de uma leitura atomizada de alguns versículos da Bíblia), aceitam que o fim da vida se dá quando o cérebro pára de funcionar.

A Bíblia não estabelece quando a vida termina, como não explicita quando ela começa.

Assim, não temos como derivar da Biblia uma orientação segura (no sentido de não questionável), uma vez que o assunto não é tratado expressamente por ela.

Precisamos, então, derivar princípios, mas, até neste caso, precisamos definir: o que é um ser humano? Que há vida num embrião, há, mas esta, penso, não é a pergunta, que deve ser: o que é um ser humano? Se um embrião já é um ser humano, deve ser preservado; se AINDA não é, pode ser usado para, eventualmente, salvar (ou melhorar a qualidade de) vida. Para mim, esta preliminar define o resto.

Os que são contrários à pesquisa com células-tronco embrionárias entendem, como é mais comum, que a fecundação se dá na fertilização, que é quando o espermatozóide entra no óvulo. Nesta linha, o teólogo batista norte-americano John MacArthur se posiciona: "Sou contra porque o que se tem de fazer em todo o processo é criar vida e, depois, destruí-la. Trata-se, na verdade, de uma fertilização externa de um óvulo para criar uma vida e, depois, destruí-la para virar material genético. Assim, creio que um óvulo fertilizado constitui vida, estamos diante da vida. Estamos destruindo a vida. Esta é, essencialamente, a mesma argumentação que temos feito contra o aborto. Não temos o direito de matar. Não temos o direito de tirar a vida. E é precisamente isto que está em jogo. (...) Você não pode ir ao laboratório e criar uma vida para o propósito de destruí-la, na intenção de salvar a vida de alguém. (...) Isto é contra Deus. (Resposta disponível em .)

Os que são a favor sugerem que "a vida começa quando o embrião `gruda' dentro do útero. Ali, quando houve a nidação, o `grude', digamos assim, do embrião no útero, começou a vida. Agora, quando isso ainda não ocorreu, não há vida. (...) Quando se dá a fecundação? É quando há o embrião, ou fecundação é quando há nidação? Eu entendo que fecundação é a nidação". (Cf. Esta é a opinião do medico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução assistida. Entrevista disponível em ).

O teólogo norte-americano Ted Peters lembra que devemos "ter em mente ainda que, nos processos sexuais naturais, somente uma fração de óvulos são fertilizadas por apenas uma fração de esperma. Dos zigotos resultantes, a maioria sai naturalmente do corpo da mãe antes da implantação". Peters, então, pergunta: "Se esta parcimônia natural já está em ação nas células germinativas, podemos nos sentir livres da pressão moral por tratar cada célula embrionária pluripotente como um embrião, como uma pessoa individual em potencial?" Sua conclusão é clara: "Se não se pode demonstrar conclusivamente que a dignidade humana individual é violada na fonte das células-tronco, então parece-me que o argumento do benefício deve ser decisivo em oferecer um encorajamento ético para a realidade de tais pesquisas". (PETERS, Ted. Question: is There a Potential Baby in Every Body Cell? Disponível em ).

O advogado brasileiro Luís Roberto Barroso, na sua argumentação junto ao Supremo Tribunal Federal, informa que "a extração das células-tronco ocorre (i) antes do início da formação do sistema nervoso, quando o embrião é apenas um conjunto de células não diferenciadas; (ii) antes da nidação, i.e., da fixação do embrião no útero; (iii) antes de qualquer viabilidade de vida extra-uterina". Por isto, ele defende que "o embrião resultante da fertilização in vitro, conservado em laboratório: a) não é uma pessoa, haja vista não ter nascido; b) não é tampouco um nascituro, em razão de não haver sido transferido para o útero materno". Assim, "embrião resultante de fertilização in vitro, sem haver sido transferido para o útero materno, não é nem pessoa nem nascituro", embora seja uma expectativa potencial de vida. (BARROSO, Luís Roberto Barroso. Ação Direta de Inconstitucionalidade Nº 3.510; pedido de ingresso como Amicus Curiae formulado por Movitae – Movimento em Prol da Vida em Defesa das Pesquisas com células-tronco embrionárias.)

  1. CONTINUAMOS LIVRES

Cada um de nós deve agir segundo a sua consciência, também no que toca às pesquisas com células-tronco, adultas ou embrionárias.

Cheio de temor, escolho que, nos casos de reprodução assistida, de onde são usadas as células-tronco embrionárias, a vida começa na fertilização, mas a pessoa surge no momento em que o embrião gruda no útero, momento chamado de nidação.

Cheio de tremor, escolho que os embriões congelados, e que não serão transferidos para o útero, podem ser usados para fins de pesquisas, que possam resultar em benefício para outras vidas ameaçadas.

Cheio de temor e tremor, espero que a Lei de Biossegurança, que é bastante responsável, seja respeitada por todos os profissionais envolvidos neste campo de pesquisa, com seus trabalhos sendo acompanhados por comitês de ética e não por grupos de amigos.

Cheio de fé, reafirmo meu louvor pelo Senhor da criação e do cuidado.


Eu te saúdo, Senhor,

por causa do teu amor

revelado na complexidade

com que me trouxeste à realidade.


Eu te saúdo, Senhor,

pelos meus 3,1 milhões do código

que alguém sabiamente contou

e pelos mistérios que ainda sou.


O Senhor viu a minha forma.

quando eu estava escondido

no bom ventre todo protegido

e ainda não tinha forma.


É por isto que posso entender melhor

porque enviaste Teu Filho Salvador

para ver toda a maravilha que projetaste

de volta ao belo ser que imaginaste.



* Pastor da Igreja Batista Itacuruçá, RJ. Reitor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.


terça-feira, 24 de junho de 2008

Spurgeon era um piadista...

Spurgeon escreveu algo muito interessante. Ao refletir sobre os teólogos que duvidavam sobre a existência do diabo, ele disse o seguinte: “Fico admirado com o comportamento de alguns filhos. Como pode um filho não crer na existência do seu pai?”

Ilhado...

A pior sensação que uma pessoa pode ter dentre tantas, é o sentimento do distanciamento de outros seres. Assim foi a minha terça-feira. Fiquei o dia inteiro sem internet. É um sentimento horrível. Não poder postar. Não ter contato com as notícias. Não poder se comunicar com outras pessoas. Não desejo isso pra ninguém.

Infelizmente o serviço da Velox tem deixado a desejar. A qualidade do serviço caiu muito.

sábado, 21 de junho de 2008

A falta de oposição gera estagnação...

Criação...

Tenho desenvolvido uma série de sermões sobre a criação. O púlpito da igreja na qual trabalho será voltado para este tema. Será numa perspectiva sobre o valor da criação e a responsabilidade do cristão com a criação. Tema este que faz parte de um dos capítulos da minha monografia. Lendo sobre o assunto, encontrei uma belíssima citação do Schaeffer que diz:

“Quando nós tivermos aprendido a visão cristã da natureza, então poderá haver uma ecologia verdadeira; a beleza fluirá, a liberdade psicológica virá, e o mundo parará de ser transformado em um deserto. Porque é correto, baseado num sistema cristão completo – que é forte o bastante para resistir a tudo porque é verdadeiro – quando eu encaro o ranúnculo, eu digo: Criatura companheira, criatura companheira, eu não pisarei em você. Somos ambos criaturas”.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Burro... Burro... Burro...


Torcedores da Argentina pedem para o Dunga ficar.

Estas palavras não são minhas. Simplesmente faço ecoar o som do Mineirão. Mais de cinqüenta mil torcedores exclamando – “Burro... Burro... Burro”. Até que não tem tanto exagero nisso. Sabe quem quer o Dunga na Seleção? É só olhar a foto acima. Ontem não faltou vontade. Ontem faltou talento. E aí não há solução.











Inventaram a Civilização dos Nhambiquaras de AR-15 na Mão...

Excelente artigo. Leiam! O autor descreve muito bem o descaso de um estado falido.

por Reinaldo Azevedo

Só uma questão: a Constituição também prevê que as Forças Armadas atuem em defesa da lei e da ordem. Falta regulamentar o dispositivo, o que cabe aos políticos. Adiante: a juíza concedeu umA liminar. A tendência é que o governo atribua a decisão de retirar os soldados do morro à Justiça e saia de fininho, sem recorrer.

Sabem o que vai acontecer? Retomaremos a modorrenta rotina das mortes “lá entre eles”. O morro volta ao domínio do Comando Vermelho, que, talvez, decida retaliar a turma dos Amigos dos Amigos — se é que esta história não está torta, já que o CV era o principal interessado na saída do Exército...

Daqui a pouco, os nossos soldados voltam à paz dos quartéis, ali, esperando uma guerra, feito Giovanni Drogo à espera dos invasores, no excelente O Deserto dos Tártaros, romance de Dino Buzzati, que lhes recomendo vivamente — há um filme, com Giuliano Gemma no papel de Giovanni; até que é bem-feito, mas é preciso eliminar da memória o ator de western-espaguete... Leiam o livro. Coisa de umas três ou quatro horas. E um ganho imenso.

Sim, queridos. Logo, logo, tudo se acalma. Aí os traficantes do CV brigam com os do ADA; ou esses dois grupos com os do TC (Terceiro Comando) etc e tal. Volta e meia, a polícia fará uma incursão, matará uns “10 pretos de tão pobres ou 10 pobres de tão pretos”, e descerá em seguida. Os chefes do narcotráfico reporão os soldados que tombaram — já que a fila é imensa, e a “carne preta é a mais barata do mercado”. Depois de algum tempo, nova incursão, mais alguns presuntos, e tudo estará na mais absoluta normalidade. Alguns bacanas do asfalto continuarão a fumar a sua maconha, a cheirar o seu pó e a reclamar do estado autoritário... De vez em quando, policiais serão assassinados e buscarão se vingar.

E os Drogos continuarão no quartéis, esperando a aposentadoria chegar.

Não se verá mais ministro subindo o morro. Não se verá mais deputado em favela. Não se verá mais Defensoria Pública atuando, como fez, exigindo a saída do Exército. Policiais pretos matarão bandidos pretos, e bandidos pretos matarão policiais pretos, todos muito pobres. Crianças pretas serão vapor barato do tráfico, amparadas, em seu “direito de ter uma cultura própria”, por ONGs pacifistas de brancos, que não querem polícia no morro, não; que não querem Exército no morro, não.

Nós fundamos a cultura da morte!
Nós fundamos a civilização do tráfico!
Nós fundamos os “novos índios” de AR-15 na mão!
Nós fundamos a civilização dos nhambiquaras do pó!
Nós fundamos a civilização dos caiapós do cânhamo!

Daqui a pouco, ninguém mais fala deles. Ficarão lá, submetidos aos chefes do estado paralelo, que exercerão seu domínio com ainda mais condições, já que Lula, o Grande Babaolirixá, lhes deu algumas obras do PAC. Aí, então, os chefes do CV, do ADA, do TC poderão impor o terror, mas com luz elétrica e água encanada. Porque também no inferno pode evoluir.

País vergonhoso!
País de uma elite governante miserável nos Três Poderes!
País de faroleiros que sufocam e matam o povo com seu amor vagabundo!

Sim, voltaremos à paz dos cemitérios clandestinos e dos mortos sem sepultura.

Mas sem o Exército.
A defensoria vai respirar aliviada.
A justiça vai respirar aliviada.
As Forças Armadas vão respirar aliviadas.

E os Companheiros dos Companheiros, a mais perigosa das organizações criminosas do país, vão respirar aliviados.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Questão de sobrevivência...

Olavo de Carvalho - Visão Judaica

Arnold Toynbee dizia que as civilizações perecem estranguladas pela dupla pressão de um "proletariado externo" e de um "proletariado interno". Não sei se como teoria histórica isso vale alguma coisa, mas Toynbee não foi somente um filósofo da História: foi também e principalmente um colaborador dos círculos globalistas interessados em criar um governo mundial. Se o esquema de A Study of History não serve para explicar o que se passou ao longo dos milênios, vem servindo muito bem como guia para o empreendimento de destruição sistemática das soberanias nacionais – de todas as soberanias nacionais, mas especialmente daquelas duas que mais podem oferecer obstáculo às pretensões globalistas: a dos EUA e a de Israel.

Enquanto as demais nações cedem alegremente o controle de seus assuntos internos mais importantes para organismos internacionais aos quais a sua população não tem o menor acesso, aquelas duas continuam exercendo o direito tradicional de tomar suas próprias decisões. Faltando o proletariado externo e interno que possa destruí-las, o poder globalista se apressa em fornecer artificialmente essa dupla carga explosiva, de um lado financiando a rede mundial de ONGs com a função de gritar dia e noite slogans anti-americanos e anti-israelenses, de outro fomentando a imigração legal e ilegal em termos "multiculturais" que não podem ter como resultado senão a dissolução dos sensos de identidade das nações hospedeiras, mais dia menos dia.

Os motivos para a resistência americana são bem claros: os EUA criaram a maior, a mais estável, a mais próspera e a mais duradoura democracia que o mundo já conheceu, e o fizeram sem nenhuma ajuda de organismos internacionais, os quais, ao contrário, dependem da contribuição americana em quase tudo. E os EUA têm uma Constituição que não permite ao seu presidente ceder um milímetro cúbico da soberania nacional a quem quer que seja – Constituição que não é só um documento jurídico, mas a fonte viva do senso de orientação dos americanos em inumeráveis situações da vida.

Israel, porém, tem muito mais que isso: tem cinco milênios de História, tem a consciência da sua missão no mundo e tem a lembrança de sofrimentos horríveis que jamais teriam podido lhe ser impostos se não fosse a sua condição de povo nômade, obrigado a lutar pela vida "in partibus infidelium".

Embora muitos judeus hoje em dia, sobretudo nos círculos intelectuais elegantes, sejam idiotas o bastante para ignorá-lo ou cínicos o bastante para fingir que o ignoram, o fato é que a defesa da soberania territorial de Israel é uma questão de sobrevivência não só para os seus habitantes, mas para todos os judeus espalhados pelo mundo. E, junto com a soberania territorial, vêm todas as demais formas de soberania: militar, jurídica, diplomática, etc. Qualquer concessão que Israel faça às pressões do globalismo, por mínima que seja, coloca em risco o futuro do povo judeu inteiro. Principalmente quando essas pressões, exercidas por meio de um arremedo de "proletariado externo" regiamente subsidiado por banqueiros internacionais, alegam agir em defesa de um "proletariado interno" que por sua vez é uma farsa no sentido mais pleno da palavra. Os únicos “palestinos” que algum dia existiram são os próprios judeus. Todos os outros são uma fabricação grotesca inspirada na fórmula de Toynbee.

CSS...

Educação escolar em casa no Congresso Nacional...

por Julio Severo


No dia 5 de junho de 2008 o Dep. Henrique Afonso apresentou no Plenário do Congresso Nacional o
PL-3518/2008, um dos projetos mais ousados no Parlamento do Brasil. Ousado não porque traga a existência algo que nunca existiu, mas porque, em meio ao mar de estatismo voraz, tenta devolver às famílias mais poder de decisão sobre uma das áreas mais importantes da vida: a educação dos filhos.

Se o assunto é defender a vida e a família, o Dep. Afonso não tem medo de encarar os desafios. E ele sabe o que é ser perseguido por causa desses valores.

Mesmo vindo de uma base de vida política radicalmente comprometida com a ideologia comunista e socialista, hoje Afonso procura se orientar pela justiça de Deus, que está acima das ideologias humanas. Ele tem sido autor de iniciativas pró-vida notáveis, inclusive um projeto de lei para proteger crianças índias ameaçadas de morte por costumes tribais de bruxaria e pela apatia governamental.

Por causa dessas posições éticas, ele está sob ameaça de ser expulso do PT — que eu considero muito mais bênção e privilégio do que permanecer num partido que possui ligações infames com Fidel Castro, Hugo Chavez e as Farc, o maior grupo terrorista narcotraficante do continente americano.

Na questão da educação em casa, ele e o Dep. Miguel Martini viram que as leis atuais não dão verdadeira liberdade às famílias educadoras, deixando-as vulneráveis a desnecessárias hostilidades de órgãos estatais. Os dois deputados têm um currículo parlamentar exemplar de defesa da vida e família. Assim, é natural sua união para defender a educação escolar em casa.

A família existe muito antes do Estado, e durante milênios sempre cumpriu suas funções essenciais de continuidade e educação das próximas gerações. Depois, o Estado surgiu para ajudar e complementar as responsabilidades da família. Hoje, o Estado com sua força colossal e autoritária procura não mais complementar, mas substituir totalmente a família em suas funções.

Embora não tenha ainda o poder de dominar a área da procriação para controlar a continuidade das gerações seguintes, o Estado já usurpou a educação, impondo sobre as famílias um mero papel de complementadoras dos objetivos estatais na doutrinação das crianças.

Essa inversão de papéis, onde o Estado complementador se tornou o Estado proprietário, ocorreu sem que muitas famílias percebessem.

Em países como os Estados Unidos, Austrália e muitos outros, onde os pais acordaram em tempo, as famílias conseguiram garantir, mediante legislação apropriada, a proteção de seus direitos. Com tal liberdade, muitas das famílias podem optar pela educação escolar em casa, também conhecida como homeschooling. Até mesmo em Portugal os pais têm a liberdade de educar os filhos em casa.

No Brasil, as constituições do passado, de acordo com o Dr. Rodrigo Pedroso, reconheciam que os pais têm o direito de escolher educar seus filhos em casa. Contudo, a Constituição de 1988, elaborada por muitos esquerdistas totalitários, instituiu um controle estatal maior sobre a educação, eliminando o reconhecimento da educação escolar em casa e efetivamente removendo as famílias do centro da educação das crianças.

Quando as famílias despertaram, já era tarde demais. Depois desse erro, onde se permitiu que ativistas de esquerda literalmente impusessem o papel do Estado como proprietário exclusivo da educação escolar, restou às famílias apenas o papel secundário de auxiliar o Estado em sua metas educacionais. Mesmo assim, algumas famílias, apesar das ameaças legais, continuaram educando seus filhos em casa.

Na intenção de proteger essas famílias, houve tentativas na década de 1990 de abrir novamente espaço legal para a educação em casa através de projetos de lei na Câmara dos Deputados, porém especialistas técnicos do próprio Congresso Nacional deram parecer que tais projetos são desnecessários pelo fato de que, no entendimento deles, a Constituição já garante aos pais a opção de educação dos filhos em casa.

O documento “Homeschooling no Brasil”, publicado pela Câmara dos Deputados em janeiro de 2001, diz:

Segundo o Relator, Deputado Carlos Lupi, não existe qualquer impedimento constitucional ao ensino em casa. Afinal, sob as condições de cumprimento das normas gerais da educação nacional e da autorização e avaliação de qualidade pelo poder público, o ensino é livre à iniciativa privada (além de ser dever do poder público), não havendo por que torná-lo monopólio do sistema escolar. Demais, argumenta o Relator em seu parecer (cópia anexa) que, consoante o art. 64 da Lei nº 5.692/71, à época vigente, os conselhos estaduais de educação podiam “autorizar experiências pedagógicas, com regimes diversos dos prescritos na presente lei, assegurando a validade dos estudos realizados” e que a nova LDB em tramitação (PL nº 1258-C/88) admitia expressamente a "matrícula em qualquer série do ensino fundamental e médio independentemente de escolarização anterior". Assim, o voto foi pela rejeição por ser desnecessária uma nova lei.

A opinião oficial desse documento da Câmara dos Deputados foi que a Constituição já assegura aos pais o direito de escolher a educação escolar em casa. Na prática, porém, a Constituição e principalmente o ECA são utilizados para perseguir famílias evangélicas que escolheram assumir completamente a educação de seus filhos.

Portanto, a fim de solucionar esse conflito e assegurar que essas famílias sejam protegidas de abusos da implacável máquina estatal ao assumirem seus direitos naturais, o Dep. Henrique Afonso (evangélico) e o Dep. Miguel Martini (católico) se uniram e introduziram na Câmara dos Deputados o PL-3518/2008. Esse projeto de lei é necessário a fim de garantir a integridade dessas famílias, livrando-as de agressões de instituições estatais.

Evangélicos e católicos estão assim unidos, por meio desse projeto, na defesa do direito da família de exercer suas funções e responsabilidades sem perseguição estatal.

Enquanto alguns deputados ocupam seu tempo e nosso dinheiro criando projetos a favor da sodomia ou do aborto, Afonso e Martini mostraram interesse real no bem-estar da família. E esse interesse é muito oportuno, tão oportuno quanto o discurso de 26 de janeiro de 2004 feito no Plenário do Congresso Nacional, onde o então Dep. Elimar Damasceno declarou:

Infelizmente, no Brasil ensinar os filhos em casa, em substituição à freqüência escolar, é atividade contrária à lei, pois o Ministério da Educação não reconhece tal prática. Contudo, o Estado não pode ficar acima da família. Os pais devem decidir qual o modelo de ensino que desejam para seus filhos. É chegada a hora de o Parlamento brasileiro discutir sobre a escola em casa, e dar a oportunidade de os pais escolherem que tipo de educação desejam para seus filhos.

Com o PL-3518/2008, Dep. Henrique Afonso e Dep. Miguel Martini conseguiram trazer a discussão para o Congresso Nacional. Agora, católicos e evangélicos precisam se unir para que a educação escolar em casa seja legalmente reconhecida e protegida no Brasil.

Fonte: www.juliosevero.blogspot.com

O que ensinam às nossas crianças...

Artigo excelente do jornalista Ali Kamel, publicado no O Globo de 18/09/2007, sobre a conhecida cartilha anticapitalista de Mário Schimidt, "Nova História Crítica", para alunos da 8ª série.

por Ali Kamel

Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático "Nova História Crítica, 8ª série" distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.

Sobre o que é hoje o capitalismo: "Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários."

Sobre o ideal marxista: "Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores. "

Sobre Mao Tse-tung: "Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."

Sobre a Revolução Cultural Chinesa: "Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes 'politicamente esclerosados'. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: 'Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.' As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo."

Sobre a Revolução Cubana e o paredão: "A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular."

Sobre as primeiras medidas de Fidel: "O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%." Essas medidas eram justificadas assim: "Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde."

Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: "Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?"

Sobre os motivos da derrocada da URSS: "É claro que a população soviética não estava passando forme. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?"

Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?

Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.

Cristão à moda antiga...

Não tenho dificuldade nenhuma de dizer que sou cristão à moda antiga. Algumas coisas contemporâneas são capazes de me dar náuseas. Se me chamam de dogmático, fundamentalista e radical por crer que ainda existe pecado e Deus o condena, não tenho problema com isso. Principalmente num ambiente onde a fé é utilizada para fazer propaganda a coisa piora. Imagine um local que serve para o preparo de um futuro pastor, este individuo tem a dilaceração da fé cristã e o desafio de entender a Bíblia como um mito – o que esperar dele? Nada menos que abraçar todos os movimentos que contradizem a Sagrada Escrituras. O desafio vem através de um professor que sublinarmente incentiva os alunos a abraçarem a causa do homossexualismo. Na visão interpretativa dele o Cristianismo deve lutar contra a homofobia. Os futuros pastores serão os futuros líderes das passeatas pró-homossexualismo. Um cristão à moda antiga, no meu caso, consegue se escandalizar ainda com isso. Mas na “casa de profetas” isso já se tornou uma bandeira.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Blefe retórico...

Olavo de Carvalho

O editorial da Folha de S. Paulo de sexta-feira passada pontifica: “Ao reconhecer a validade da Lei de Biossegurança, STF impediu que uma ética privada, a religiosa, fosse imposta a todos. A declaração pelo STF (...) significa antes de mais nada a vitória da lógica e da razão prática sobre especulações de inspiração religiosa.”

Em três linhas, quatro mentiras.

De um lado, reduzir às dimensões de uma “ética privada” princípios do judaísmo e do cristianismo longamente incorporados às bases mesmas da civilização ocidental é falsificar dois milênios de História. E é dar como realidade presente e universalmente aprovada o mero projeto, acalentado por pseudo-intelectuais ativistas, de um Estado ateu fundado na autoridade absoluta da “ciência”.

A idéia, muito em moda no ottocento graças a vulgarizadores como Ludwig Büchner e Ernest Haeckel, a uma literatura naturalista de pretensões “científicas” (Zola, o nosso Aluízio de Azevedo) e ao anticlericalismo visceral de alguns movimentos revolucionários nacionalistas (Itália, México), foi desmoralizada logo nas primeiras décadas do século seguinte com a entrada em cena de gigantes do pensamento científico e filosófico como Albert Einstein, Max Planck, Werner Heisenberg, Alfred North Whitehead, Edmund Husserl e Karl Jaspers, entre outros. Toda a cultura superior do século XX é uma violenta condenação às pretensões do cientificismo oitocentista. Cinqüenta anos atrás este já parecia morto e enterrado para sempre. Só teve uma grotesca reencarnação nas últimas décadas graças ao surgimento de uma geração de “formadores de opinião”, saídos das fileiras da ciência acadêmica mas prodigiosamente incultos, os quais, ignorando tudo dos debates de cem anos atrás, voltam aos mesmos argumentos já mil vezes desmoralizados, com aquela inocência presunçosa de quem nem de longe percebe o vexame. Imagino, já não digo os editorialistas da Folha, mas seus mentores Richard Dawkins ou Daniel Dennett lendo “A Crise das Ciências Européias” de Husserl ou “Processo e Realidade” de Whitehead. Não entenderiam uma só linha. Dar por pressuposto que as idéias desses idiotas se impuseram universalmente e que já vivemos num Estado determindo por elas é um blefe retórico que só se explica por aquela arrogância pueril de quem não sabe o que faz.

De outro lado, não há lógica nem razão prática na dupla estupidez subscrita pelo STF, de que embriões in vitro são inviáveis e de que as curas miraculosas a surgir da pesquisa com células-tronco embrionárias são promessas viáveis. Todo primeiranista de Medicina sabe que a primeira dessas afirmativas é falsa, e em favor da segunda não há até o momento nenhuma prova, por mais mínima que seja -- há apenas a exploração cínica das esperanças de milhões de doentes e seus familiares, esperanças que serão esquecidas e jogadas na lata do lixo assim que a jurisprudência agora firmada alcance o seu único objetivo: liberar o aborto contra a vontade maciça do povo brasileiro, por via de um artifício judicial e contornando o debate parlamentar.

Se não fosse por uns quantos votos contrários que salvam um pedacinho da sua honra, o STF, com essa simples sentença, teria abdicado definitivamente das últimas aparências de instituição respeitável para inscrever-se no rol das entidades militantes empenhadas em implantar no Brasil a Nova Ordem tecnocrático-ateística, cuja receita vem pronta dos organismos internacionais.

Quanto à Folha, seu editorialista poderia ao menos abster-se de usar uma expressão clássica de Kant cujo sentido desconhece. Pois, para o filósofo de Koenigsberg, a razão prática fundamenta-se no reconhecimento da universalidade da lei moral – aquela mesma lei que o jornal, do alto da sua imensurável inépcia, rotula de “ética privada”. Um princípio elementar da vida intelectual é não atribuir a termos consagrados um sentido invertido sem explicar as razões de fazê-lo, supondo-se que alguma exista, o que evidentemente não é o caso quando o autor da coisa usa o termo só para parecer culto e nem tem consciência da inversão. Não deixa de ser significativo do presente estado de coisas que lições de ética nos venham na linguagem simiesca de um pequeno vigarista intelectual.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Amazônia verde sob a ameaça branca...

por Sergio Kapustan

Controlar a "invasão branca" de ONGs, principalmente estrangeiras, assegurar o controle da água e explorar ricas jazidas de minérios – grande parte em reservas indígenas e praticamente inacessíveis devido a legislação em vigor – e povoar as zonas de fronteira, para garantir a integridade do território nacional sem agredir o meio ambiente.

Esses foram os principais temas debatidos no seminário "A realidade da Amazônia – Soberania ameaçada, farsa?', realizado ontem (10/06), no clube Espéria. Segundo os participantes, o evento foi considerado um marco por mobilizar e entusiasmar setores da sociedade civil organizada em defesa da Amazônia e da soberania brasileira.

De acordo com o general Luiz Gonzaga S. Lessa, ex-comandante militar da região, de 5 milhões de quilômetros quadrados espalhados em nove estados, organizações e governos estrangeiros fazem campanha internacional aberta para retirar a Amazônia do controle brasileiro.

A população indígena é de cerca de 350 mil índios. As terras indígenas representam 12% do território brasileiro. Para ele, a política da Funai (Fundação Nacional do Índio) isolou os índios. "Há um imenso vazio demográfico que precisa ser explorado, mas não a todo custo", afirmou o militar, ao abrir o evento.

Em sua explanação, Lessa divulgou um estudo da ONG Contas Abertas, com base no Sistema Integrado de Administração Financeiras (Siafi), que mostra o vertiginoso aumento de organizações não-governamentais, entre 2001 a 2006, atuando dentro do País.

De 22 mil, em 2002, elas pularam para cerca de 260 mil em 2006. Em 2007, o número subiu para 276 mil e 100 mil trabalham na Amazônia. A população indígena é estimada em 350 mil índios, ou seja, há 3,5 índios para cada ONG . "Há uma verdadeira invasão branca na Amazônia sem ninguém dar um tiro sequer. Trata-se de um neo colonialismo que estamos aceitando voluntariamente", denunciou o general.

Riqueza natural
– Ao defender a soberania nacional, Lessa afirmou que o Brasil detém hoje 20% da água doce da superfície do planeta e 80% dela encontra-se na bacia amazônica. "Fala-se que a próxima guerra mundial será pelo controle da água. Veja a sua importância estratégica mundial", chamou a atenção.

O general falou também sobre a polêmica em torno da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, na divisa do Brasil com a Venezuela, que possui 12 vezes o tamanho da cidade de São Paulo e inúmeras riquezas, como o urânio, abundante e inexplorado. "Roraima, que tem sua superfície ocupada por reservas indígenas em quase 50%, representa o grande embate internacional contra o Brasil", afirmou.

Políticas públicas
– Em sua fala, o líder dos índios macuxis, Jonas de Souza Marcolino, da Raposa Serra do Sol, responsabilizou a Funai, entidades religiosas e ONGs de isolarem os povos indígenas.

"Muitas ONGs têm influência negativa sobre a massa indígena", contou o índio, sob forte aplauso. "O que ocorre em Roraima é uma destruição de nossos valores nacionais. O estado expulsa os brasileiros e deixa lá os estrangeiros".

Zona de Fronteira
– Terceiro orador a falar, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) afirmou que a demarcação de reservas em zona fronteiriça representa um risco à segurança nacional.

Durante o seminário, foram citados três focos de guerrilha das FARC, na divisa do Brasil com a Colômbia, e sua aliança com o narcotráfico. "A edificação de vilas e cidades é uma forma racional de ocupação de nossas fronteiras, que estão abandonadas", afirmou.

Lição imprópria
– Último palestrante, o professor Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e articulista do Diário do Comércio, disse que a comunidade internacional, principalmente européia, não tem o direito de cobrar o Brasil. Segundo Rosenfield, a Europa conservou só 0,3% de suas florestas nativas. "Querem nos ensinar a lição, quando eles é que devem aprender".

O prefeito de Paracaima (RO) e líder da Associação de Arrozeiros da reserva Raposo Serra do Sol, Paulo César Quartiero, que chegou a ser preso pela Polícia Federal, acusado de porte ilegal de explosivos e formação de quadrilha, também defendeu a soberania. "Está na hora de termos um plano de desenvolvimento da Amazônia que dê oportunidades a todos e proteja nossa fronteiras", afirmou.

Simples Comentários...

Segue abaixo alguns comentários que eu fiz sobre um artigo do Ed René Kivitz. Em vermelho estão trechos do seu artigo, logo em seguida em azul os meus comentários. A crítica é feita sobre um artigo que tem o seguinte tema: “O Deus bailarino”.

Quem acredita num mundo onde cada ser e cada relação é singular não consegue se submeter a esquemas, não confia em métodos nem se impressiona com estatísticas.

Comentário: A singularidade do ser não interfere na aplicação dos métodos. Ora, a vida humana está repleta de métodos. Ignorar as estatísticas é chover no molhado. As estatísticas que são feitas na área da política, do futebol, da economia, da violência, do desemprego, etc. Estão para comprovar que é possível ter um balanço geral das coisas. Até mesmo a sua igreja trabalha com métodos e estatística. Entendo que a minha confiança não deve estar pautada em métodos, como se eles fossem a solução, mas eles revelam um alvo a ser atingido.

Antigamente, acreditava-se que o mundo era uma estrutura hierarquizada, sempre do mais complexo ou poderoso para o mais simples ou fraco, sendo que Deus ocupava o topo da pirâmide.

Comentário: Será que não se crê mais num mundo hierárquico? O que dizer dos animais? Os astros? Os anjos? Deus é o principio. Existe alguém maior do que tudo e todos que não seja Deus? Se o próprio Deus deixou o topo em que posição Ele está? No mesmo nível que o nosso? Isso se aplica a mitologia. Para este discurso, penso que a sanidade pede para abrir mão de tudo. Se não entendo um sistema em que existem posições superiores a minha, então, posso afirmar que sou “deus”. Este é um principio básico de categorias.

O autor do artigo deveria tomar uma postura mais condizente com a sua fala – rompe com tudo – isso fica mais bonito. Mas entra um problema. O autor mencionou que cada ser é singular, concordo, mas para ele o ser é imprevisível, por isso métodos e estatísticas não funcionam. Engraçado, o autor foi totalmente previsível quando questionado sobre a sua posição teológica num congresso de teologia. Eu já sabia a resposta, e para minha confirmação ele respondeu exatamente o previsível – negou tudo. Puramente por covardia de se posicionar. A questão foi sobre o Teísmo Aberto tão defendido por ele e seus compadres. Um outro fator engraçado, é que o autor prega a partir de uma hierarquia – Deus. Principalmente quando prega sobre o Reino de Deus.

Quem acredita numa realidade estruturada a partir de autoridade e poder acha que a fé em Deus resolve tudo; afinal de contas, “agindo Deus, quem impedirá?”. Basta orar com fé e esperar a cura, a prosperidade, a volta do marido, a libertação do filho, enfim, a solução de qualquer problema. Deus manda, o resto obedece.

Comentário: Qual é o problema com a soberania de Deus? Será mesmo que você deixou de crer que Deus governa o universo? Será que você deixou de acreditar nos frutos da oração? Deus não converge mais todas as coisas para o bem daqueles que o amam e os quais Ele ama? O seu deboche com as Escrituras não condiz com o que você prega. Os seus sermões são piedosos. O púlpito é diferente do que você pensa? Penso que fica mais bonito você abraçar de uma vez por todas a teologia liberal.

A sua maneira de pintar Deus é totalmente impessoal. Se Deus não ouve e não responde oração, como entender a sua pessoalidade? Não há pessoalidade. Se ele não age em nosso favor, como entender sua paternidade? Acabou. Não há mais esperança. Pra que chorar, se não existe um Deus que chora comigo e é capaz de mudar a situação? De fato, o seu teísmo aberto tem a solução pra tudo – o homem manda no futuro e pode resolver tudo – pra que Deus se o homem é mais do que Ele. Lamento pelas pessoas que estão sendo ludibriadas por suas mensagens. Deixa o ministério. Seja coerente. Seja ético. Domingo após domingo você terá pessoas no culto dilaceradas, e a esperança dessas pessoas é que Deus pode transformar o mal e bem. É isso mesmo que você quer fazer – tirar a esperança dessas pessoas? E a situação de José no Egito? A minha esperança está solidificada na ressurreição de Cristo. Por isso eu oro. Se isso não for verdade a melhor coisa a ser feita é dar um tiro na boca e morrer.

Na mecânica quântica, os movimentos não são tão previsíveis quanto na mecânica newtoniana. Então, o mundo já não é uma hierarquia nem uma máquina, mas um organismo vivo.

Comentário: De fato, o mundo é um organismo vivo. Deve ficar registrado que este termo foi cunhado pelo filósofo Schopenhauer. O assunto foi muito bem desenvolvido por ele. Não tem nada haver com Mecânica Quântica.

Será mesmo que a Mecânica Quântica rompeu completamente com a mecânica (teoria) newtoniana? Não sou nenhum perito em física, mas tive um grande mestre formado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Instituição que adquiriu o seu doutorado. O meu pequeno comentário foi pautado nos seus materiais. Foi um grande professor. A sua formação é a seguinte: Licenciatura em Física - Unitau. Mestrado na área de Física Atômica e Molecular no ITA em São José dos Campos. Doutorado na área de Inteligência Artificial (Redes Neurais) aplicada a estruturas atômicas, também no ITA.

A Mecânica é a parte da física que estuda o movimento. Isaac Newton foi o primeiro a apresentar uma teoria que realmente explicava os movimentos. No seu trabalho intitulado “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”. O sucesso da Mecânica Newtoniana foi imediato e duradouro. Reinou por mais de 200 anos.

Houve, é verdade, a necessidade de alguns aperfeiçoamentos, os quais foram feitos. No entanto, a base da Mecânica de Newton permaneceu inalterada até o começo do século XX, quando surgiram duas novas mecânicas, a Mecânica Relativística (Albert Einstein) e a Mecânica Quântica (Planck). Elas surgiram por um motivo simples – explicar certos fatos que a Mecânica Newtoniana não conseguia explicar. Bom, isso já fica bem claro que elas, inclusive a quântica, tinham a intenção de explicar a realidade dos movimentos. Algo bem previsível. O autor do artigo errou. É complicado utilizar a Mecânica Quântica como aferidor dos padrões humanos. A sua área é estudar os fenômenos atômicos e nucleares. E se o autor quer utilizar a Mecânica Quântica, ele terá que fragmentar a realidade. Fragmentar o ser. Isso acabaria com o conceito de integralidade do ser. Existe sim uma certa hierarquia na Mecânica Quântica – Vetor e Espaços Vetoriais. Você pode trabalhar com a questão do Equilíbrio Estático e Equilíbrio Dinâmico. Sempre haverá uma ação que resultará numa reação. Os fenômenos comprovam a tese. Para finalizar e corrigir a sua visão da Mecânica Quântica – A teoria quântica fornece descrições exatas para muitos fenômenos previamente inexplicados. A mecânica quântica recebe esse nome por prever um fenômeno bastante conhecido dos físicos: a quantização. Entendo que o autor precisa rever seus conceitos físicos.

(...) Escolhe o caminho da intimidade com o outro; encanta-se com o mistério do sagrado; maravilha-se com a diversidade; presta atenção no jovem em conflito; ouve os dramas do homem que não pára em emprego; fica em silêncio diante da dor e se ajoelha para orar antes de dar um passo sequer em qualquer direção.

Comentário: A religião do autor deveria ser o Zen Budismo – contemplação da vida.

Não entendi o que Ed René quis dizer com “orar”. Para uma pessoa que destruiu a soberania, o sentido da oração e a pessoalidade de Deus, não vejo significado da oração na vida do autor. Recordo-me de Spurgeon que dizia que toda pessoa que se ajoelha para orar acredita na soberania de Deus. Que contraditório isso na vida do Ed René. Você não precisa orar. O homem é o que pensa. Se a sua teologia é o Teísmo Aberto, então, você manda e desmanda no seu futuro. Você mexe e desmexe no seu futuro. Você não precisa de Deus para caminhar ou pedir uma direção qualquer. Se não há hierarquia, não há propósito de “consultar” Deus.

O autor precisa antes de escrever se resolver teologicamente. Não vou comentar mais sobre este ponto. Não vale a pena!

Esses não se dão muito bem com o Deus-general, ou o Deus-relojoeiro. Curtem mais o Deus-bailarino.

Comentário: O termo “Deus Relojoeiro” não há hífen, é a idéia de que Deus deu corda no mundo e ficou indiferente para com ele. Creio que você não pensa dessa forma. Ou então, o conceito de um projetista que criou algo inexplicável. De fato, existem muitas coisas que não tem explicação, e aí reside o mistério da vida. Ponto que o autor gosta de salientar. Mas existem coisas que são explicáveis. Este conceito do poeta inglês William Paley foi há muito tempo banido da historia. A tentativa de fazer este resgate é nula.

A idéia de um Deus Bailarino é inovadora (hehehe). O autor tem uma teologia tão “boa” (brincadeira) que pode desenvolver uma “Teologia da Coreografia”. Tem que tomar muito cuidado. Daqui a pouco vão dizer que Deus é... Deixa pra lá.

Crentes que dormem...

Esta foi à abordagem do Russell Shedd na capela do STBSB. Sem dúvida foi algo assustador. A possibilidade do cristão de estar entre os mortos. Aqueles que jazem em delitos e pecados. Dominados pelo espírito de Satanás. A sua exposição foi em Efésios 5.8-21. As suas aplicações sobre uma vida cheia do Espírito Santo foi inovadora. Tanto é que ele sempre dizia – será que isso é doutrina batista?

A proposta do encontro tinha o seguinte tema: “Lidando com a falta de compromisso na igreja”. Para o Shedd, a única maneira de motivar o cristão é lembrá-lo da sua situação desesperadora do pecado e a sua residência entre os mortos. O que eu mais gostei foi as “pauladas” que ele deu nos liberais de plantão.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Postagem...

Diante de tantas lutas e a correria da vida, fiquei uma semana sem postar. A normalidade voltou e continuarei nas postagens.

A Triunfante Providência de Deus...

O post abaixo é de um grande homem. Tenho a oportunidade de trabalhar com ele no ministério. Além da erudição, é um homem piedoso.

por Judiclay Silva Santos

Por que coisas boas acontecem com pessoas más? Por que coisas más acontecem com pessoas boas?

A doutrina da providência divina nos mostra que Deus é soberano e que ele está no controle absoluto de todas as coisas. As provações pelas quais passamos são inevitáveis, variadas, passageiras, mas também pedagógicas. Todas elas são trabalhadas por Deus para o nosso em final. O trono de Deus é a sala de controle do universo. O Senhor reina! Aleluia!

A vida de José é um poderoso exemplo do triunfo da providência de Deus. Alvo da inveja e do ódio de seus irmãos foi vendido como escravo para Egito. O interessante é que da noite para o dia, ele sofreu uma reviravolta. Ele era um adolescente amado por seu pai, o patriarca Jacó. Ele tinha um lar. Mas agora era mais um entre os milhares de escravos que viviam no Egito. Sem honra, sem dignidade, sem direitos. No entanto, pelos desígnios de Deus ele foi servir na casa de Potifar, oficial do Egito. Quanto tudo parecia ser favorável, ele foi acusado de assedio sexual e injustamente mantido preso por um crime que não cometeu. Durante treze longos e amargurados anos ele sofreu injustiças até que viu Deus transformando suas tragédias em triunfo – de escravo a governador do Egito. Sete anos depois ele recebe a abençoa seu pai e toda a sua família. Ao perdoar seus irmãos, José disse: “Vós, na verdade, intentaste o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” [Gn 50.20]. Ou seja, Deus é soberano.

O poeta inglês Willian Cowper, disse: “Feliz é o homem que vê Deus envolvido em tudo de bom e de mau que acontece da vida” (ele sabia muito bem sobre isso – acréscimo pessoal). Talvez muitos não encontrem dificuldade para ver Deus nas coisas boas que acontecem, mas tenho certeza que a maioria das pessoas tem uma enorme dificuldade em ver Deus nos acontecimentos ruins. A doutrina da providência corrige essa falha. Certa vez Jesus disse a Pedro: “Você não compreende agora o que eu estou lhe fazendo; mas tarde, porém, entenderá” [Jo 13.7]. Há perguntas para as quais permanecemos sem respostas. Mas uma coisa é certa, as pressões da vida são as mãos do Oleiro nos moldando a fim de que seus maravilhosos propósitos se realizem em nós e através de nós.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

1968, o embuste que não terminou...

por Olavo de Carvalho

Se a celebração das seis décadas de existência do Estado de Israel vem consistindo essencialmente em culpá-lo por todo o mal que lhe fazem e em desejar com fervor a sua morte próxima, a dos 40 anos das rebeliões estudantis de 1968 não tem feito outra coisa senão tomar como realidade, a priori e sem o mínimo exame crítico, a auto-interpretação lisonjeira que seus líderes fizeram desse movimento na época da sua eclosão.

Uma das poucas vozes dissonantes foi Nicolas Sarkozy, que em discurso recente afirmou:

O Maio de 68 impôs o relativismo moral e intelectual a todos nós. Impôs a idéia de que não existia mais qualquer diferença entre bom e mau, verdade e falsidade, beleza e feiúra. Sua herança introduziu o cinismo na sociedade e na política, ajudando a enfraquecer a moralidade do capitalismo, a preparar o terreno para o inescrupuloso capitalismo das regalias e das proteções para executivos velhacos.”

Reagindo com indignação a essas palavras, o ativista-historiador Tariq Ali – ele mesmo um dos agitadores de 1968 – exclama: “Não me venha com essa, Sarkozy!”. E, imaginando brandir contra o presidente francês argumentos irrespondíveis, pergunta: “Então, nós é que somos responsáveis pela crise do subprime , pelos políticos corruptos, pela desregulamentação, pela ditadura do livre mercado, pela cultura infestada por um oportunismo descarado, pela Enron, pela Conrad Black, entre outras coisas?”

Mas a resposta a essa pergunta é, incontornavelmente, “sim”. O movimento de 1968, que na verdade começou em Harvard em 1967, marcou a conversão mundial da esquerda aos cânones da “revolução cultural” preconizada por Georg Lukács, Antonio Gramsci e os frankfurtianos. A ambição da militância, daí por diante, já não era tomar o poder, nem muito menos implantar o socialismo. Estas metas eram adiadas para depois de conquistado o objetivo primordial: destruir a civilização do Ocidente, corroer até à extinção completa as bases culturais e morais sobre as quais tinha se erigido o capitalismo. Ora, o que é o mais bem sucedido sistema econômico, quando amputado de seus fundamentos civilizacionais e reduzido à pura mecânica das leis de mercado? É um mundo de riqueza sem alma, um inferno dourado. Os revolucionários de 1968 produziram esse efeito por três vias e em três fronts:

(1) Espalhados na mídia e nas instituições de cultura, empreenderam a agressão direta, pertinaz e brutal a todos os valores e símbolos mais veneráveis da civilização e a demolição deliberada do sistema de ensino, onde as aulas de grego e latim foram substituídas por seminários de sexo anal.

(2) Infiltrados no meio empresarial como técnicos e consultores, persuadiram os capitalistas a “modernizar-se”, mandando às favas as exigências da moral tradicional e passando a agir segundo o modelo deformado do argentário sem escrúpulos. A caricatura marxista do empresariado tornou-se realidade, não raro encarnada pelos próprios homens de 1968, cuja posadíssima conversão à livre-empresa vinha acompanhada de uma ênfase cínica na eficiência amoral do sistema, propaganda irônica que só fazia ressaltar, de maneira implícita mas por isto mesmo ainda mais contundente, a superioridade moral do socialismo injustamente derrotado pelo mundo mau.

(3) Atuando como líderes e porta-vozes de movimentos sociais, condenavam os efeitos de suas próprias ações como se elas não fossem obra deles e sim de uma abstração hedionda, “o capitalismo”, e simultaneamente exploravam a nostalgia do universo cultural destruído, cooptando de volta os velhos valores e símbolos civilizacionais, até mesmo os religiosos, esvaziando-os de seu sentido originário e reduzindo-os a slogans da propaganda anticapitalista.

Com essa tripla operação, adquiriram o simulacro terrivelmente convincente de autoridade que até hoje aufere lucros morais de seus próprios crimes, debitando-os na conta da burguesia sonsa que se deixa intoxicar pelo seu discurso.

O nome é Angela Maria Slongo...

por Diogo Mainardi

“O Palácio do Planalto contratou a mulher de Olivério Medina, representante das Farc no Brasil.
Enquanto uma fatia do estado brasileiro prendia um criminoso internacional, uma outra fatia o protegia, oferecendo à sua mulher um salário de apaniguada”

A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado às Farc.

Em 29 de dezembro de 2006, Angela Maria Slongo foi nomeada pelo ministro da Pesca, Altemir Gregolin, para o cargo de oficial de gabinete II, com um salário de DAS 102.2. Angela Maria Slongo é mulher de Francisco Antonio Cadena Collazos, também conhecido como Olivério Medina, ou Padre Medina, ou Camilo López, ou El Cura Camilo. Quando Angela Maria Slongo foi nomeada pelo Palácio do Planalto — sim, o Ministério da Pesca é ligado diretamente ao gabinete do presidente da República —, Olivério Medina estava preso em Brasília, a pedido da Colômbia, seu país de origem, onde era acusado de atos terroristas e assassinatos.

Pausa. Respire fundo. É melhor repetir o que acabei de dizer. Pode ser que alguém tenha passado batido. É o seguinte: enquanto uma fatia do estado brasileiro cumpria a lei, prendendo um criminoso internacional, uma outra fatia — mais especificamente, Lula e seus ministros — o protegia, oferecendo à sua mulher um salário de apaniguada, a fim de que ela pudesse permanecer perto dele, numa chácara em Brasília, à espera do julgamento do STF, que iria decidir sobre sua extradição. Ele só saiu da prisão domiciliar no fim de março de 2007. Angela Maria Slongo até hoje continua aparelhada no Ministério da Pesca, recebendo seu salário de apaniguada, que acumula com o salário pago pelo governo do Paraná. VEJA pediu esclarecimentos sobre a escolha de seu nome para o cargo de confiança. O Ministério da Pesca informou que ela apenas mandou um currículo e foi selecionada por critérios profissionais. Simples? Simples.

Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da “cúpula do governo” brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era “trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes”. O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaína por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo “Acácio”, identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico.

Um relatório oficial da Abin acusou Olivério Medina de ter oferecido dinheiro das Farc à campanha eleitoral de candidatos petistas. Quando VEJA fez uma reportagem sobre o assunto, um monte de gente chiou. Para os agentes da Abin, os membros do PT que receberiam o dinheiro eram aqueles das correntes mais esquerdistas do partido, como a do ministro da Pesca, que contratou a mulher de Olivério Medina. Sempre que alguém morre no Brasil por um crime relacionado ao tráfico de drogas, pode-se dizer que há um dedo das Farc. O grupo terrorista está perdendo terreno na floresta colombiana. Mas chegou ao poder nos morros brasileiros e na Esplanada dos Ministérios.

Fonte: Revista Veja

Divulgação: www.juliosevero.com

Palavras de Calvino um mês antes de ir ao encontro do Senhor...

Em 28 de abril de 1564, um mês antes de morrer, tendo os ministros de Genebra à sua volta, Calvino despede-se; a certa altura ele afirma: a respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu a graça de escrever. Fiz isso do modo mais fiel possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei fielmente diante de mim o que julguei ser a glória de Deus [...].

João Calvino, Calvin: Textes Choisis par Charles Gagnebin, p. 42-43.

O sigilo eterno não serve ao Estado de Direito...

por Antônio Araújo de Medeiros*

O ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu ontem, no Rio, o julgamento de torturadores que atuaram no regime militar brasileiro (1964-1985). Segundo ele, a tortura não pode sequer ser considerada crime político:
”- Eles (torturadores) têm que ser julgados, receber uma pena. Depois, podem ser anistiados. Não podem é continuar escondidos por aí. A tortura não pode ser considerada crime político. Acho que a lei não precisa ser modificada porque prevê anistia política. Não é necessário mudar a legislação para que esse crime seja punido, pois ele não respeitava nem a ilegalidade do Estado vigente daquela época no Brasil - afirmou o ministro durante assinatura de portaria que cria o Memorial da Anistia Política na sede da União Nacional dos Estudantes” (jornal ‘O Globo’).

As funestas declarações de Tarso Genro - militante socialista revolucionário, como ele próprio se intitula - não me causam estranheza, pois estão apoiadas na gênese ideológica do partido em que milita. Refletem, com clareza, a tendenciosidade de revolucionários comunistas que aparelham ou aparelharam recentemente o Estado brasileiro, ocupando postos chaves no governo Lula, na busca resoluta por uma ditadura socialista não alcançada pelas armas fratricidas. Aí estão ex-guerrilheiros, ex-terroristas, ex-seqüestradores e ex-assaltantes, todos ocupantes de diversos escalões do Executivo, dando curso ao que chamam de “determinismo histórico”, ou seja, comunismo no poder, por qualquer meio, mais cedo ou mais tarde. Adornam, astutos, as suas extensas folhas corridas com a balela de que, tão -somente, combatiam uma ditadura militar.

A ausência de perplexidade, entretanto, não invalida a minha preocupação com a gravidade do momento.

Não bastassem a corrupção endêmica, o caos político, a falência da moral e da ética, as iminentes agressões à soberania nacional, o descaso com a saúde e segurança públicas, a libertinagem dos “movimentos sociais”, e tudo o mais que corrói a sociedade brasileira, aparecem agora, numa evidente orquestração, agentes do Ministério Público Federal, ajuizando ação pública contra a União e contra dois militares reformados (Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel), que comandaram o DOI de São Paulo/SP. Na ação, os procuradores pedem três coisas: que Ustra e Maciel sejam obrigados a reembolsar a União pelas indenizações a ex-presos políticos que passaram pelo DOI-CODI; uma declaração das Forças Armadas de que os dois comandaram um centro de tortura, homicídios e prisões ilegais; e que a União revele nomes e circunstâncias das prisões de (segundo eles) todos os mais de sete mil que passaram pelo local. Não tenho dúvida de que a esses se arrolarão outros nomes de soldados, cabos, sargentos e oficiais que também integraram órgãos de segurança.

Aos preclaros procuradores do MPF, no mínimo, sobra tempo para isso, se não estariam prevaricando, por interesse ou má fé, aos deveres de seu cargo, que deveriam levá-los, com o mesmo zelo e gana no interesse da sociedade, à apuração de responsabilidade de todas as mazelas mostradas acima.

Os desvios da iniqüidade estão cada vez mais nítidos no Brasil.

O ministro da Justiça, não faz muito tempo, mandou prender um fazendeiro que defendeu suas terras contra invasores refratários à lei. Agora quer ver presos esses militares que no passado defenderam o Brasil contra foras-da-lei. Sem se preocupar com a ridicularia de seus atos e palavras, embevece os engajados na sua luta, distorcendo o espírito das leis a que deveria, acima de tudo, respeitar. Tarso Genro é um dos beneficiados pela Lei da Anistia, sem nunca ter sido julgado ou condenado pelo Estado que ele reputa ilegal. Como é que agora exige que os dois militares sejam julgados e apenados para depois serem anistiados? Surrealista contra-senso.

Não é, pois, de se estranhar a intempestividade desses jovens procuradores diante de tanto mau exemplo. Beira o burlesco a explicação que deram ao pleitear que os militares paguem indenização aos que supostamente foram torturados. Para eles, não é justo que o Estado pague por esses crimes hipotéticos. Cinicamente, encontram nisso um mote para justificar a indústria das indenizações que tanto escandalizam a opinião pública por beneficiar ex-criminosos políticos e aproveitadores de ocasião.

Às Forças Armadas - eterno alvo de todo esse revanchismo - pretendem condenar com a humilhação de declararem que geriam centros de tortura, homicídios e prisões ilegais. A sociedade, por certo, poderá interpretar o sistemático e discutível silêncio de seus comandantes militares como um tácito reconhecimento dessa ignomínia.

Entendo que a hierarquia e a disciplina são o apanágio das organizações de farda, principalmente dos que as comandam. Não me cabem agora ingerências em seus assuntos, nem ensinar-lhes que são instituições do Estado brasileiro e não de governos, sejam eles quais forem.

Julgo, entretanto, que o momento impõe que as Forças Armadas rompam com o mutismo e o imobilismo ante tantas agressões a si, a seus integrantes e à sua missão constitucional. Urge uma resposta firme e um posicionamento claro, pois é isso que delas exige a sociedade que lhes tem emprestado tanta confiança e apreço. Não cabe a nenhum militar manifestar, isoladamente, a sua opinião. Isso é dever das Forças, por intermédio de seus comandantes, de modo uníssono e insofismável.

Os militares, hoje massacrados na sua honra e que não estão escondidos por aí, ontem estavam de armas na mão, obedecendo às ordens dos chefes da época, na permanente e inabalável certeza de que defendiam a lei e o Brasil. Não podem, por isso, ser abandonados à própria sorte ou deserdados em sua crença. O sagrado princípio de missão não se aceita que seja abastardado por nenhuma conjuntura política ou, muito menos, por tibieza.

O Estado de Direito, tem razão o trêfego ministro, não admite nem o eterno sigilo, quanto mais o silêncio.


* Brasília/DF, General-de-Exército R/1

Sou louco por ti...


Ser corintiano é viver acima das adversidades.