terça-feira, 16 de março de 2010

Morre Geremias Fontes...


Pastor e político, ele governou o Estado do Rio de Janeiro e fundou o ministério S8, voltado à recuperação de dependentes químicos


O pastor Geremias de Mattos Fontes morreu nesta terça-feira, dia 2 de março, aos 79 anos de idade. O religioso, ligado à Igreja Presbiteriana do Brasil, foi um dos mais destacados líderes evangélicos brasileiros entre os anos 1960-80 e teve também uma importante trajetória política. Ex-governador do Estado do Rio de Janeiro entre 1967 e 1971 (antes da fusão com a extinta Guanabara), ele também exerceu os cargos de deputado federal e prefeito de São Gonçalo (RJ), sua cidade natal. Mas foi como fundador do Movimento S8 que Geremias tornou-se mais conhecido pela Igreja brasileira. O ministério, voltado à recuperação de dependentes químicos, surgiu quando o pastor descobriu que um de seus sete filhos, Cláudio, estava usando drogas. Após ajudar em sua reabilitação, Geremias resolveu abrir a casa da família para cultos de oração e libertação de viciados. A coisa cresceu e Tio Gere, como era conhecido pelos jovens que atendia, lançou as bases de uma grande organização cristã que recuperou milhares de pessoas do vício. Além da clínica de reabilitação, a S8 investiu em cursos profissionalizantes, oficina de artes e confecção de vestuário, música e missões. Geremias Fontes deixa viúva a também pastora Nilda Fontes, carinhosamente conhecida como Tia Nilda. O corpo do religioso foi velado na sede da prefeitura de São Gonçalo e enterrado no cemitério Parque da Paz, naquele município.


Fonte: http://cristianismohoje.com.br/ch/morre-geremias-fontes/

segunda-feira, 15 de março de 2010

Religião e alucinação...

por Ricardo Gondim

Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão. Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do, “me engana que eu gosto”.

Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.

Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram seus maridos agonizarem sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos. Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca ver a promessa se cumprir.

Se pudesse, eu diria que só nos delírios messiânicos dos falsos sacerdotes acontecem milagres aos borbotões. A regularidade da vida requer realismo. Os tetraplégicos vão ter que esperar pelos milagres da medicina - quem sabe, um dia, os experimentos com células tronco consigam regenerar os tecidos nervosos que se partiram. Crianças com Síndrome de Down merecem ser amadas sem a pressão de “terem que ser curadas”. Os amputados não devem esperar que os membros cresçam de volta, mas que a cibernética invente próteses mais eficientes.

Se pudesse, eu diria que só os oportunistas menos escrupulosos prometem riqueza em nome de Deus. Em um país que remunera o capital acima do trabalho, os torneiros mecânicos, os motoristas, os cozinheiros, as enfermeiras, os pedreiros, as professoras, vão ter dificuldade para pagar as despesas básicas da família. Mente quem reduz a religião a um processo mágico que garante ascensão social.

Se pudesse, eu diria que nem tudo tem um propósito. Denunciaria a morte de bebês na Unidade de Terapia Intensiva do hospital público como pecado; portanto, contrária à vontade de Deus. Não permitiria que os teólogos creditassem na conta da Providência o rio que virou esgoto, a floresta incendiada e as favelas que se acumulam na periferia das grandes cidades. Jamais deixaria que se tentasse explicar o acidente automobilístico causado pelo bêbado como uma “vontade permissiva de Deus”.

Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentassem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos utópicos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias.

Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando... Pode ser que uns poucos prestem atenção.

domingo, 14 de março de 2010

Zooteologia...


Sabiamente João Calvino disse que a mente do ser humano é uma fábrica de ídolos. O cenário religioso comprova esta afirmativa. Desconheço um ambiente tão criativo quanto o ambiente evangélico. A criatividade ultrapassa a linha do imaginário.

Existe uma nova corrente da teologia. Os seus inventores a criaram sem ter o conhecimento disto. A zooteologia está na moda. A poesia bíblica traduz Deus com formas humanas – braço, mão, olhos, ouvidos, boca, etc. É a tentativa de aproximar Deus para a realidade humana. Na concepção dos “teólogos” da zooteologia eles aproximaram Deus a semelhança de um animal. Portanto, temos neste imaginário a figura de Deus que é descrita assim:

a. Ele é um leão.
b. Ele é um urso.
c. Ele é uma águia.
d. Ele é um tigre.
e. Ele é uma pomba.
f. Ele é uma galinha.
g. Ele é um cachorro.

Não consigo imaginar o que leva uma pessoa a rebaixar Deus desta forma. Conseguem tirar benção e unção destes nomes. Coisas do tipo:

1. A unção da Galinha – O indivíduo é curado por um galo que é o chefe do
galinheiro e fala em línguas estranhas. E bota estranha nisso.
2. A benção do Leão – Você urra loucamente e fica de quatro.
3. A benção da Águia – A pessoa é capaz de voar e entrar no santíssimo
lugar. Além disso, emiti gritos agudos.
4. A unção do Cachorro – Você demarca o território com a sua urina.
5. A unção do Touro – Essa deve ser para quem tem chifres.
6. A unção do Bode – O indivíduo fica dando marradas para todo lado.

Isto parece mais com o símbolo das artes marciais do que com a fé cristã. Ou pode estar relacionado com uma cultura pagã. Adoração aos animais é um costume pagão. Os egípcios faziam isso constantemente, mesclando a imagem humana com a imagem animal, vide Anúbis (A associação de Anúbis com chacal provavelmente se deve ao fato de este perambular pelos cemitérios. O Anúbis era pintado de preto, por ser escura a tonalidade dos corpos embalsamados. Apesar de muitas vezes identificado como “sab”, o chacal, e não como “iwiw”, o cachorro, ainda existe muita confusão sobre qual animal Anúbis era realmente. Alguns egiptologistas se referem ao “animal de Anúbis” para indicar a espécie desconhecida que ele representava).

O culto pagão está na moda. A suposta igreja evangélica brasileira trocou a glória de Deus por imagens de animais que não refletem a sua majestade. Trocaram a verdade por fábulas. A invenção humana profanou o nome e a pessoa bendita de Deus. É uma verdadeira lástima tudo isto!

Teologia Tabajara...


Esta nossa cultura traz um conceito muito engraçado da vida. Tudo deve ser resolvido de imediato. Se o sono falta, melhor é tomar um remédio. Se a vida perde o sentido, melhor é o suicídio. Se o casamento está ruim, melhor é arrumar outra mulher. O nosso anseio é tão grande que nada pode esperar. Num contexto de dor, miséria, calamidade, desemprego e doenças o que mais pode ser esperado senão a solução para tudo.

Estrategicamente alguns indivíduos copiaram a idéia do Casseta & Planeta. A famosa frase do seu Creysson ecoa nos recônditos eclesiásticos. Os seus problemas acabaram é tudo o que as pessoas querem ouvir. São mestres que sussurram nos ouvidos palavras que os homens desejam ouvir.

As pessoas estão incapacitadas para lidar com os dramas e embates da vida. A procura de auto-ajuda aumenta justamente porque as pessoas querem alguém que tenha uma solução pronta e imediata para a sua situação. É triste saber que as pessoas são treinadas para aprender a ganhar, conquistar e vencer. Elas não sabem lidar com perdas, desordem, fracassos e insegurança. Na atualidade tudo o que for apresentando como solução contra tudo descrito acima será aceito, por mais estapafúrdia que seja a idéia. As pessoas não pensam no que é apresentando, mas visam somente a sua funcionalidade.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Bento XVI concede indulgência plenária com motivo do Ano Sacerdotal...

JERUSALÉM, Mai. 09 (ACI) .- O Papa Bento XVI concederá aos sacerdotes e fiéis a indulgência plenária com motivo do Ano Sacerdotal que convocou desde em 19 de junho de 2009 até em 19 de junho de 2010, no que se honrará de maneira especial a São João María Vianney, o famoso Padre de Ars e Patrono dos sacerdotes.

De acordo ao estabelecido no decreto dado a conhecer hoje, assinado pelo Cardeal James Francis Stafford e Mons. Gianfranco Girotti, respectivamente Penitenciário Major e Regente da Penitenciaria Apostólica, o período para lucrar as indulgências plenárias começará com a Solenidade do Sagrado Coração do Jesus, "jornada de santificação sacerdotal" quando o Papa Bento XVI celebre as Vésperas ante as relíquias do santo trazidas a Roma pelo bispo do Belley-Ars.

As modalidades para obter as indulgências são:

"Aos sacerdotes, arrependidos de coração, que rezem qualquer dia as laudes ou vésperas ante Santíssimo Sacramento exposto à adoração pública ou no sacrário e se ofereçam à celebração dos sacramentos, sobre tudo da Confissão, conceder-se-á Indulgência plenária aplicável aos irmãos no sacerdócio defuntos como sufrágio, se conforme com as disposições vigentes se confessarem sacramentalmente, comungarem e rezarem pelas intenções do Pontífice".

Do mesmo modo, o decreto precisa que "também se concede Indulgência parcial, sempre aplicável aos irmãos no sacerdócio defuntos, cada vez que rezem orações devidamente aprovadas para levar uma vida Santa e cumprir os ofícios que lhes foram confiados".

"Aos fiéis cristãos, arrependidos de coração que, na igreja ou no oratório assistam a Santa Missa e ofereçam pelos sacerdotes da Igreja orações a Jesus Cristo, Supremo e Eterno Sacerdote e qualquer obra boa cumprida lhes concede Indulgência plenária, sempre que se tenham confessado sacramentalmente e rezem pelas intenções do Papa os dias em que se abre e se enclausura o Ano sacerdotal, no dia dos 150 aniversários da morte de São João María Vianney (4 de agosto de 2009), as primeiras quintas-feiras do mês ou qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários (os bispos) dos lugares para a utilidade dos fiéis".

O decreto também assinala que "os anciões, os doentes e todos aqueles que por motivos legítimos não possam sair de casa, poderão obter a Indulgência plenária, se com ânimo afastado do pecado e o propósito de cumprir as três condições necessárias apenas lhes seja possível, nos dias indicados rezam pela santificação dos sacerdotes e oferecem a Deus por meio de Maria, Rainha dos Apóstolos, suas enfermidades e sofrimentos".

Do mesmo modo, concede-se a Indulgência parcial a todos os fiéis cada vez que rezem cinco Pais Nossos, Ave Marias e Glórias, e outra oração devidamente passada "em honra do Sagrado Coração do Jesus para que os sacerdotes se conservem em pureza e santidade de vida".


FONTE: http://paroquiaaparecida.org/site/?p=443

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

De volta ao passado...

Quase 500 anos depois da separação, intenção da Igreja Católica de atrair sacerdotes anglicanos encontra forte resistência.

por Carlos Fernandes

Pegou muito mal entre líderes da Igreja Anglicana a decisão do Vaticano de receber no catolicismo os sacerdotes e fiéis que estejam insatisfeitos com aquela confissão. A medida, anunciada em outubro pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja Católica, William Levada, foi considerada um “duro golpe” contra os anglicanos, que nos últimos anos vêm enfrentando rachas em várias partes do mundo por conta da adoção de práticas heterodoxas, como a ordenação de sacerdotes homossexuais, a sagração de mulheres ao episcopado e a celebração de casamentos entre parceiros do mesmo sexo. A decisão da Santa Sé, a ser publicada na sua próxima Constituição Apostólica Romana, permite que clérigos anglicanos convertam-se ao catolicismo “sem abandonar suas tradições”.

Segundo a cúpula católica, a novidade vem ao encontro de numerosos pedidos de grupos de religiosos e fiéis anglicanos oriundos de várias partes do mundo, “que querem entrar em plena e visível comunhão” com a Igreja Romana. É a maior iniciativa de aproximação em quase 500 anos. A separação entre as duas confissões ocorreu em 1534, quando o rei inglês Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana ao ter seu pedido de anulação de casamento e segundo matrimônio negado pelo papa Clemente VII. Nos séculos seguintes, a denominação espalhou-se pelo mundo, catapultada pelo imperialismo britânico. Hoje, tem cerca de 80 milhões de fiéis, concentrados principalmente nas nações de colonização inglesa, como Canadá, Estados Unidos e Austrália.

A novidade, longe de agradar o outro lado, tem sido repudiada, inclusive aqui no Brasil: “A provisão papal representa um problema ético de interferência em assuntos internos de outra igreja irmã”, protesta o bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Maurício Andrade. O religioso questiona o caráter unilateral da decisão e o fato de ela não se destinar a pessoas que já saíram da Comunhão Anglicana por divergências, mas sim a pastores e membros que ainda a integram. Philadelfo Oliveira, bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, diz que recebeu “com muita preocupação” a decisão do Vaticano: “Soou como proselitismo, ingerência, quase uma convocação”, protesta. A Igreja Anglicana no Brasil espera agora que o que considera uma interferência do Vaticano “não venha a se constituir em empecilho para o futuro do nosso diálogo”.


“Impacto profundo” – Ao redor do mundo, cabeças da Igreja Anglicana manifestaram repúdio à medida. O anúncio do Vaticano é entendido como um duro golpe aos esforços do arcebispo de Canterbury, Rowan Williams – que ocupa a liderança do Anglicanismo global –, de evitar a fragmentação total de sua Igreja, já dividida por polêmicas internas. Em carta enviada aos bispos e ao clero, Williams não escondeu que sentiu-se apunhalado pelas costas: “Lamento que não tenha sido possível alterar isso tudo antes. Fui informado muito tarde do anúncio do Vaticano”. Liderado pelo arcebispo nigeriano Peter Akinola, o grupo Sul Global considera, por sua vez, que a oferta pode exercer “impacto profundo” sobre o anglicanismo. Bispos conservadores ligados à corrente já exortavam seus fiéis, no domingo seguinte ao anúncio da proposta, a reformar a Comunhão Anglicana, em lugar de aceitar o convite de Bento XVI. Em circular, a entidade diz que aqueles que se opõem a gays no clero e outras reformas liberais devem “continuar firmes, prezando o legado anglicano e fomentando uma vocação comum”.

De acordo com as normas estabelecidas, os sacerdotes anglicanos que aceitarem ingressar na Igreja Católica poderão celebrar missas, casamentos e batizados, exatamente como fazem os padres do rito romano. Em contrapartida, os convertidos também terão que reconhecer a autoridade do papa e os sete sacramentos que, segundo o catolicismo romano, são instituições divinas. “Como, em geral, os ministros anglicanos são casados, a Constituição permite que, uma vez reconhecidos na Igreja Católica, eles conservem os laços conjugais em sintonia com o exercício do seu ministério”, explica o padre Elias Wolff, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Para o presidente do Movimento dos Padres Casados do Brasil, Félix Batista Filho, a medida é um avanço, mas a Igreja Católica cometeu a incoerência de esquecer do próprio clero. “Os pastores anglicanos são casados e terão seu matrimônio mantido, mas os padres precisarão manter o celibato”, critica. Ele mesmo deixou a batina há 20 anos, quando se casou. No entender da professora Maria Clara Birminger, decana do Centro de Teologia e Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, contudo, a novidade merece ser festejada. “O Vaticano tomou uma decisão muito sábia ao abrir as portas favorecendo a comunhão entre as igrejas de doutrinas cristãs”. Para ela, a resolução é uma resposta natural à evolução do movimento ecumênico, “que ganha forças no mundo”.


Fonte: http://cristianismohoje.com.br/ch/de-volta-ao-passado

A perigosa tarefa de desvendar o passado...

Arqueólogos cristãos arriscam o próprio pescoço em busca de fragmentos que comprovem a fidedignidade da Bíblia.

por Marcelo Barros

O cinema popularizou a figura de aventureiros que enfrentam todos os perigos para desvendar os enigmas do passado. Quem nunca assistiu, por exemplo, um filme do herói Indiana Jones, vivido pelo ator Harrison Ford, que arrisca o próprio pescoço em expedições pelos quatro cantos da Terra? Mas na vida real, os pesquisadores levam uma vida bem menos glamorosa, palmilhando antigas ruínas e cidades perdidas em busca de vestígios de antigas civilizações. Um trabalho duro, que passa longe dos olhos do grande público – a não ser, claro, no caso de uma descoberta espetacular. Com a arrancada da arqueologia bíblica, cada vez mais estudiosos cristãos têm se dedicado a juntar peças e documentos que comprovam a veracidade das Escrituras Sagradas. Movidos pelo interesse científico e pela paixão religiosa, pesquisadores ligados a universidades confessionais ou mesmo autônomos vasculham sítios arqueológicos, sobretudo na Terra Santa, em busca de provas de que heróis bíblicos como Davi, Sansão ou Gideão tenham existido de fato. E, a exemplo do intrépido Jones, também eles já passaram por maus bocados – com a diferença de que, no seu caso, os riscos foram reais.

O doutor Rodrigo Pereira Silva, especialista em arqueologia pela Universidade Hebraica, tem mais de dez anos de experiência em escavações ao redor do mundo. Embora não se sinta um herói, ele admite que já correu risco de morte em algumas situações. Uma delas foi em Jerusalém. “Costumava sempre passar num mercado quando voltava do sítio arqueológico de Shaar ha Golan”, lembra. “Certo dia, não me lembro por quê, segui por outro caminho. Não demorou muito e alguns amigos vieram desesperados me contar que um atentado a bomba no mercado tinha feito 50 vítimas, entre mortos e feridos.” Silva, de 38 anos, é professor de Novo Testamento no Centro Universitário Adventista (Unasp) e curador do Museu de Arqueologia Bíblia, Paulo Bork, instalado naquela instituição, no município paulista de Engenheiro Coelho.

Cada descoberta, claro, tem seu preço. Além de muito trabalho e perseverança, Rodrigo Silva, volta e meia, é envolvido numa situação de perigo. Em 2001, no auge da Intifada, o pesquisador alugou um carro com placa israelense e dirigiu-se a Nazaré, área sob administração palestina. “Errei o caminho e fui atacado com paus e pedras pelos moradores da região, que devem ter pensado que eu era judeu.” No sufoco, fez o que qualquer crente faria – pediu socorro a Deus. “A ajuda veio através de outro motorista, que acenou para que eu o seguisse. Nem sei de onde veio o sujeito, mas ele me indicou o caminho certo e fugi dali”, lembra, divertido. Há dois anos, Silva fazia escavações em Tel Dan, próximo ao Mar Mediterrâneo, quando estourou um conflito entre Israel e Líbano por causa do seqüestro de dois soldados israelenses pelo grupo radical Hizbolla. “Eu só ouvia os caças israelenses passando por cima da minha cabeça e depois o estrondo das explosões dos mísseis.” Por segurança, todos os arqueólogos foram retirados da região. Mesmo assim, Rodrigo Silva não desiste do trabalho: “O que me move é a paixão pela descoberta, pois confio no cuidado e proteção de Deus”, afirma, cheio de fé.

“Vale a pena” – “Temos descoberto tantas evidências que iluminam a parte histórica da Bíblia que isso tem tornado muitos céticos em crentes”, comemora o pesquisador Michelson Borges, citando as palavras do arqueólogo Paulo Bork, um dos mais respeitados arqueólogos bíblicos do Brasil. Bork, que dá nome ao Museu de Arqueologia Bíblica da Unasp. O estudioso hoje vive nos Estados Unidos, onde dá continuidade aos seus trabalhos. “Ele me dizia que sempre existirão aqueles que não crêem na Bíblia e a criticam. Muitos deles não vão mudar sua forma de pensar, independentemente das evidências arqueológicas”, reconhece. Segundo Borges, Bork escavou, em mais de cinco décadas de carreira, em diversos países, como Egito, Iêmen, Jordânia e Turquia, além, é claro, de Israel. Sob o patrocínio do Museu Arqueológico de Jerusalém, realizou entre 1975 e 1978 um trabalho inédito para traçar e definir a localização dos muros e portões da antiga Cidade Santa.

Outro que conhece bem os perigos do ofício de coletar peças antigas in loco é Jorge Fabbro, coordenador do curso de pós-graduação em arqueologia do Oriente Médio Antigo na Universidade de Santo Amaro (Unisa). Ele estava em Megido – local apontado pelo Apocalipse como cenário da batalha do Armagedon, que deve anteceder ao fim dos tempos – em busca de peças da época da ocupação cananita da região, por volta do século 10 a.C. Encantado com a descoberta de uma escama de bronze que provavelmente pertenceu a um guerreiro do período, nem percebeu os combates entre caças israelenses e bases militares do exército do Líbano. Apesar do risco que correu, Fabbro acha que o trabalho valeu a pena. “Os achados foram abundantes e incluem as bases de imensas colunas e os alicerces de um templo monumental do ano 3100 a.C. e muitos outros itens”, entusiasma-se.

De outra feita, caminhando pelas ruas do bairro árabe da Cidade Antiga de Jerusalém a caminho do Monte do Templo, o arqueólogo inadvertidamente já ia entrando no santuário islâmico pela porta de acesso exclusivo a muçulmanos. Ele passava distraído pelas barracas de mercadores que vendem toda sorte de produtos e quinquilharias quando foi agarrado pelo braço. “Fui puxado com grosseria por um soldado da Autoridade Palestina, muito bravo, e nem tive tempo de explicar o engano”, conta. Fabbro só teve tempo de olhar o fuzil do militar e sair rapidamente dali. “É pena que os tempos mudam mas os conflitos humanos permanecem”, comenta o estudioso.


Fonte: http://cristianismohoje.com.br/ch/a-perigosa-tarefa-de-desvendar-o-passado