quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A cultura da mutação...


O número de pessoas insatisfeitas com o corpo cresce a cada dia. Tenho por experiência a minha própria casa. Geralmente a minha esposa diz – o meu corpo não está legal.

Uma pesquisa constatou que jovens entre 14 a 18 anos são os que mais procuram clínicas de estéticas. O percentual cresceu mais de 700% desde 1994. Adolescentes que estão em processo de transformação já entram em mutação. O sexo feminino desta faixa etária muda nariz e seios. Fazem lipoaspiração. O sentimento que toma conta é – agora possa ser aceita. Aceita por quem? Pela sociedade. Pelo grupo de afinidade. Às vezes não é uma questão própria da pessoa. O problema é que disseram que para estar na onda é preciso de alguns reparos.

Recentemente o jornal O Globo noticiou que uma linda modelo carioca ficou mutilada por tentar fazer reparos no corpo. Aparentemente a mulher não tinha nada para mudar. Era muito bonita. Na busca do prazer corporal ela se tornou um Frankenstein. Assim muitas mulheres e homens se tornaram monstros. Um grande exemplo disso é o Rei do Pop Michael Jackson. No final da sua vida estava praticamente irreconhecível.

Por que as pessoas não aceitam o que são? Existem várias respostas para esta pergunta. Mas uma pode ser a falta de opinião e personalidade. Isto é uma questão da falta de capacidade para refletir e dialogar com o que está sendo oferecido e ditado. Não é o corpo que precisa de mudança, é o cérebro que precisa mudar. Infelizmente não há possibilidade de transplante de cérebro.

Resolvi tirar o contador de visitas...


Na modificação do blog o meu contador foi retirado.

A decisão de removê-lo foi simplesmente por uma questão de não cair na soberba. Embora a número não fosse tão grande de acessos. No momento da modificação o contador registrava cerca de quatorze mil visitas. Não é um número grande. Existem outros blogs com um número maior.

Confesso que o orgulho aflorava quando olhava o contador. Por isso, achei melhor tirá-lo. Parece uma bobeira a situação, mas é o reflexo da cultura. A nossa sociedade vive em torno dos números. O empresário que tem a maior fatura. O pastor que tem a maior igreja. A disputa para a maior entrada de dízimos.

Esta situação não é exclusiva da sociedade secular. Faz parte da comunidade de fé cristã. Não tenho a pretensão de espiritualizar nada, mas o número no contexto em que nos encontramos se tornou diabólico. Por causa dos números as pessoas perdem a ética, o senso, a dignidade e o respeito pelo próximo.

A cultura da massificação dos números pode ter um significado para alguns: fracasso, maldição, pobreza, limitação, pouca fé e a falta de determinismo. Ou seja, se você não tem muito está fora da moda.

Esta é uma triste situação que a sociedade se encontra. É uma geração de enfermos. O nome doença é “números”.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Refúgio (Uma Oração Puritana)...

Seja esta a sua oração:


Ó SENHOR,
Cujo poder é infinito e cuja sabedoria é infalível,
Que nenhum acontecimento possa me deter ou desencorajar,
nem ser obstáculo ao progresso da tua causa;
Coloca-se entre mim e toda disputa, que nenhum mal aconteça,
nenhum pecado corrompa meus dons, zelo, serviço;
Que eu possa fazer o que deve ser feito
e não qualquer outra invenção tola de minha própria vontade;
Não me permita laborar numa obra que tu não hás de abençoar,
que eu possa servir a ti sem desabono ou falta;
Deixa-me habitar no mais secreto lugar debaixo da tua sombra,
onde há segura proteção impenetrável
da seta que voa de dia,
da peste que anda na escuridão,
das altercações verbais,
da maliciosa vontade perversa,
da chaga da conversa grosseira,
das companhias traiçoeiras,
dos perigos da mocidade,
das tentações da vida adulta,
dos lamentos da velhice,
do medo da morte.
Dependo completamente de ti para apoio, conselho, consolo.
Sustenta-me por teu Espírito,
e que eu não venha a pensar que é o bastante ser preservado de cair,
mas possa sempre seguir adiante,
sempre abundando na obra que tu me deste a fazer.
Fortalece-me por teu Espírito que habita em mim
para todo propósito da minha vida cristã.

Todas os meus tesouros eu confio à sombra da segurança que está em ti —
meu nome renovado em Cristo,
meu corpo, alma, talentos, caráter,
meu sucesso, esposa, filhos, amigos, trabalho,
meu presente, meu futuro, meu fim. Toma-os, são teus, e eu sou teu, agora e sempre.


Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Extraído de: The Valley of Vision:
A Collection of Puritan Prayers & Devotions,
editado por Arthur Bennett, p. 134.

A Grande Ocupação do Pastor...


Nos termos atuais ele seria chamado – O cara. Um dos maiores pregadores da Europa. A Escócia foi sacudida pelo breve tempo de ministério de Robert Murray.

McCheyne tem impactado a minha. Sou impelido a ler os seus sermões. Leiam este sermão. E se você é um pregador do evangelho, reflita e renove a sua pregação.


A Grande Ocupação do Pastor

Robert Murray McCheyne *


Esta ocupação é descrita de duas formas: primeiro, de modo geral – pregar a Palavra; segundo, entrando em detalhes – redargüir, repreender, exortar.

1. Pregar a Palavra.
A grande obra do pastor, na qual deve depositar as forças do seu corpo e mente, é a pregação. Por fraco, passível de menosprezo, ou louco (no mesmo sentido chamaram a Paulo de louco) que possa parecer, este é o grande instrumento que Deus tem em suas mãos e para que, por ele, pecadores sejam salvos e os santos sejam feitos aptos para a glória. Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar aos que crêem. Foi para isto que nosso bendito Senhor dedicou os poucos anos de seu próprio ministério. Ó, quanta honra deu Jesus à obra da pregação ao pregar nas sinagogas, no templo ou mesmo sobre as calmas águas do mar da Galiléia! Não fez Ele a este mundo o campo de sua pregação? Esta foi a grande obra de Paulo e de todos os apóstolos. Por isso Ele deu este mandamento: "Ide por todo mundo e pregai o evangelho". Ó irmãos, esta é nossa grande obra! Boa coisa é visitar os enfermos, ensinar às crianças e vestir aos que estão nus. Bom é também atender ao ministério do diaconato, escrever ou ler livros. Porém, a principal e maior missão é pregar a Palavra. "O púlpito – como disse George Herbert – é nosso gozo e trono". É nossa torre de alerta. Dela temos de avisar ao povo. A trombeta de prata nos tem sido concedida. O inimigo nos alcançará se não pregarmos o Evangelho.

O Tema. A Palavra.

Em vão pregamos se não pregarmos a Palavra, a verdade, tal como está em Cristo Jesus.

A) Não há outro tema a nos ocupar. "Vós sois minhas testemunhas". "Este (João Batista) veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz" (João 1:7). Não podemos falar de nada, senão só do que temos visto e ouvido de Deus. Não é obra do pastor aclarar temas da sabedoria humana ou expor suas próprias idéias ou teorias, mas só falar da glória e fatos do Evangelho. Devemos falar o que está contido na Palavra de Deus.

B) Pregar a Palavra, especialmente as partes mais importantes. Se você estivesse com um moribundo e soubesse que ele tinha apenas meia hora de vida, de que lhe falaria? Explicaria alguma curiosidade da Bíblia? Falaria das exigências dos mandamentos de Deus? Não lhe falaria daquilo que é mais importante: sobre sua condição de perdido em que se acha por natureza e do seu estado de inimizade com Deus, urgindo-o a arrepender-se? Não lhe contaria a respeito do amor e da morte do Senhor Jesus Cristo? Não lhe diria do poder do Espírito Santo? São estas as coisas vitais que o homem deve receber, e sem as quais perecerá. Estes são os grandes temas da pregação. Não devemos pregar tal como fez Jesus aos discípulos de Emaús, iniciando desde Moisés e passando pelos profetas, e das coisas relativas a Ele mesmo? "Haja muito de Cristo no vosso ministério", disse Eliot. Rowland Hill costumava dizer: "Olhe que não tenhas nenhum sermão sem os três R.: A Ruína da queda; a Justiça (righteousness, em inglês) em Cristo; e a Regeneração pelo Espírito". Temos de pregar a Cristo para despertar as almas, confortá-las, e santificá-las. "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gálatas 6:14).

C) Pregar exatamente o que há na palavra de Deus. Quero sugerir humildemente para consideração de todos os ministros que é nossa obrigação pregar a Palavra de Deus na forma em que se acha nas suas páginas sagradas. Não é a Palavra a espada do Espírito? Não deve ser nossa grande obra tomá-la da sua bainha, limpá-la de todo mofo que a cobre e aplicar seu penetrante fio nas consciências dos homens? Certamente nossos antepassados no ministério costumavam pregar desta maneira. Brow de Haddington costumava pregar como se ele não houvesse lido outro livro senão a Bíblia. A verdade de Deus em sua desnuda simplicidade é o que o Espírito desejará honrar e bendizer grandemente. "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade".

2. Redargüir, repreender, exortar.
A primeira obra do Espírito sobre o coração natural é redargüi-lo do pecado. Mesmo que seja o Espírito de amor e a pomba seu símbolo, mesmo que seja comparado ao doce vento e à suave brisa, apesar de tudo, sua primeira obra é convencer os homens dos seus pecados. Se os pastores estão cheios do mesmo Espírito realizarão esta obra da mesma maneira. É o método que normalmente é usado por Deus: despertar aos homens e levá-los a desesperar de sua própria justiça antes de revelar-lhes a Cristo. Assim foi com o carcereiro de Filipos. Aconteceu o mesmo a Paulo que ficou cego por três dias. Todo fiel ministro deve esforçar-se por isto. Colocar o arado sobre o terreno e não semear entre cardos e espinhos. Os homens devem ser humilhados pela Lei para ver sua culpa e miséria. Se não for assim toda nossa pregação é como "desferindo golpes no ar" (I Coríntios 9:26). Ó, irmãos! Tem sido este o nosso ministério? Cumprimos o ministério da Palavra sensível e claramente? Eu temo que a maioria de nossas congregações tenham membros seguindo um rumo equivocado, navegando a favor da corrente, estando a ponto de entrar na eternidade não convertidos e não nascidos de novo. Estes não nos agradecerão na eternidade pelo fato de termos falado só de coisas doces a seus ouvidos carnais.

Não, talvez possam pedir-nos que falemos assim, agora, mas nos amaldiçoarão com todo ódio na eternidade. Ó, por Cristo, que cada um de nós seja achado fiel na pregação.

Exortar.

A palavra original significa consolar, falar como faz o Consolador. Esta é a segunda parte da obra do Espírito Santo, guiar a alma a Cristo para falar-lhe das boas novas. Esta é a obra mais difícil, ou a parte mais difícil do ministério cristão. João Batista fez também esta obra: "Eis o Cordeiro de Deus". Isaías disse: "Consolai-os, consolai-os". Tal foi à ordem do nosso Senhor: "Ide e pregai o evangelho a toda criatura...". As boas novas fazem formosos os pés dos que anunciam coisas boas (Romanos 10:15). O pastor tem de pregar acerca de um Deus todo poderoso, completo e livre Salvador divino.

É aqui que há um defeito na pregação de minha amada Escócia de hoje. Muitos pastores estão acostumados a mostrar Jesus diante do povo. Expõem de forma clara e bela o Evangelho, porém não urgem aos homens para que entrem no reino. Mas Deus diz: Exorta! (roga aos homens); persuade-os! Não somente mostre a porta estreita aberta, mas insta-os a que entrem por ela. Ó, sejamos mais misericordiosos para com as almas, para que possamos por nossas mãos sobre os homens e os guiemos com suave a doce contato ao Senhor Jesus.


* Parte de uma mensagem de Robert Murray McCheyne quando pregou em uma cerimônia de ordenação de um ministro evangélico - Transcrito de Mensajes Bíblicos (The Banner of Truth Trust).

Nota sobre o Autor: Robert M. McCheyne nasceu em 21/05/1813, em Edimburgo, Escócia. Foi autorizado a pregar aos 22 anos, ordenado ao pastorado da Igreja de S. Pedro, em Dundee - Escócia, aos 23 anos e morreu 6 anos mais tarde. Ele raramente pregava fora da sua terra nativa. Também não escreveu livros e era extremamente frágil de saúde. Entretanto, o impacto do “profeta de Dundee” , como era conhecido, permanece até hoje. A História registra que toda a Escócia foi sacudida por ele, e com a sua morte, ela pranteou.

Lições que Tenho Aprendido...



por Ricardo Barbosa *




Um dos riscos que pastores, educadores e pais enfrentam sempre é o de achar que os outros é que precisam aprender, nunca eles. Os pastores estão sempre pregando para os outros, fazendo apelos para os que ainda não se converteram ou não se consagraram. É difícil ver um pastor fazendo apelo para si mesmo; os pais, da mesma forma. Estão sempre preocupados em disciplinar seus filhos, mas dificilmente sujeitam-se a qualquer disciplina. Dizem que os filhos precisam aprender a obedecer, mas quase nunca obedecem a ninguém. Os professores e educadores, em sua grande maioria, fazem o mesmo.

Este é um risco contra o qual luto sempre. Minha tendência é ler a Bíblia para os outros; pregar contra os erros e pecados dos outros; orar pela transformação dos que andam por caminhos falsos. Resisto em incluir-me entre aqueles contra os quais proclamo o Evangelho de Cristo. Contudo, sei que o que conta não é o que ensino, mas o que aprendo - a pessoa sempre precede aquilo que fala. É por isso que o apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, pede a ele que se lembre, não das coisas que aprendeu, mas de quem aprendeu. Para Paulo, o mestre era a lição.

Tenho aprendido que a única possibilidade de amar e seguir amando é quando reconheço e aceito o grande e incondicional amor de Deus por mim. A certeza de ser amado, aceito e reconhecido me dá a segurança de que preciso para entrar no mundo e amar os homens, mesmo sabendo que muitos me abandonarão e rejeitarão. Dá-me também a segurança de que posso servi-los sem esperar qualquer retribuição ou forma de compensação.

Tenho aprendido que só posso perdoar quando reconheço que o meu pecado e minha enorme dívida para com Deus e para com a humanidade foram completamente perdoados e esquecidos pela graça de Jesus Cristo. Somente quando o enorme fardo que pesa sobre mim é tomado pelo Senhor posso ver-me livre para ajudar meus irmãos a carregarem seus pesados fardos e oferecer a eles o mesmo perdão que recebi de Cristo. O perdão e o amor não são virtudes minhas; são minha resposta ao que Deus fez e tem feito por mim.

Tenho aprendido a olhar mais para minhas fraquezas do que para as próprias forças e competências. Não tem sido fácil, mas hoje sei que não haverá crescimento ou transformação pessoais se eu não for capaz de reconhecer minhas próprias feridas e fraquezas. Aprendi com o apóstolo Paulo que, quando sou fraco, aí é que sou forte, e de que são as minhas fraquezas que me levam sempre de volta à oração e à dependência de Deus. São elas que me despertam todos os dias para suplicar por uma força que não tenho - para clamar a Deus, mais uma vez, por misericórdia e compaixão.

Tenho aprendido a aceitar meus limites e minha humanidade. Já cansei de tentar ser o que não sou, de querer atender a demandas e expectativas dos outros. Quero viver como um homem, lutando contra minhas ambigüidades, enfrentando meus pecados; mas também amando e celebrando a vida, os amigos, a graça, o amor, a fé. É possível que isto leve alguns a se decepcionarem comigo, mas não pretendo abrir mão do que sou e deverei ainda ser diante de Deus e dos homens.

Tenho aprendido que a oração é uma amizade com Deus. Que não se trata de um recurso utilitário através do qual adquirimos bênçãos. É um convite para uma comunhão que nos traz a segurança do amor divino e, na medida em que ela se torna mais pessoal e íntima, mais nos transforma à imagem e semelhança de Cristo.

Tenho aprendido que a amizade é uma das poucas coisas que carregamos conosco por toda a vida. Ter um amigo - alguém que nos compreenda e com quem podemos compartilhar os segredos da alma, alguém que nos aceita e ama sem querer nos mudar, mas que também não se conforma com nossos erros e pecados - é coisa rara nos dias de hoje, é uma dádiva divina que temos que guardar como um tesouro.

Tenho aprendido a amar a Igreja. Não refiro-me aqui aos seus programas ou peso institucional, mas sim ao grupo de irmãos e irmãs com quem compartilho a fé e a vida, ao corpo de Cristo. Quanto mais me envolvo com ela e conheço suas alegrias e esperanças, dores e feridas, mais reconheço o quanto preciso dela para continuar crescendo diante de Deus e dos homens.

Tenho aprendido a dar valor às coisas pequenas, aos gestos simples, aos passos tímidos e vacilantes daqueles que lutam para andar e seguir adiante, e às descobertas que trazem nova luz à fé. Como diz o salmista, não ando à procura de grandes coisas, muito pelo contrário - tenho aprendido que as grandes coisas começam com uma suave brisa e que a vida não é feita apenas de grandes acontecimentos, experiências extraordinárias ou revelações bombásticas, mas de eventos comuns e rotineiros onde, através da oração, reconhecemos a presença de Deus, que não apenas dá sentido à nossa rotina, mas também abre os nossos olhos para contemplarmos sua graça e amor.

Tenho aprendido que o amor de minha esposa e filhos, vivido e provado nas rotinas ordinárias da nossa casa, são instrumentos da providência divina que preservam minha saúde espiritual e emocional. Tenho aprendido que a vida doméstica protege-me das ilusões e seduções criadas pela propaganda e me mantém atento ao que é real e verdadeiro.

Estas são algumas lições que tenho aprendido. Que Deus continue nos abençoando.




* Ricardo Barbosa é ministro da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília.

A foto da página...

Esta foto simplesmente revela o meu sonho. Ardentemente anseio um dia realizá-lo. A foto é uma parte do campus da Universidade de Oxford, Inglaterra. É um lugar que exala o aroma do bom conhecimento.

Tempo de mudança...


A mudança do blog é o reflexo da minha vida.
Nos últimos meses a minha vida mudou. A teologia mudou (sem perder a origem). A minha igreja mudou. Postulados mudaram. Visão de mundo mudou. A leitura sobre mim mesmo mudou.
Estava e estou precisando de uma mudança. Canso muito fácil das coisas. Canso de mim mesmo. Canso da minha piedade barata. Canso da minha fé que não é capaz de mudar a mim mesmo e o que está a minha volta. Canso da rotina. Canso de ler. Canso de buscar e não encontrar. Enfim, canso da minha vida que está cansada de mim.
Estou certo que nunca deixarei de mudar. Sempre serei uma metamorfose ambulante. Digo isto pelo simples fato de que existe somente um que é imutável – Deus. Ele não muda.
Não gosto da pergunta – quem é você? Não sei. Sou um milhão de coisas. Existem mil possibilidades em mim. Isto não é esquizofrenia. Sou apenas um ser humano normal. Não confundo o irreal com o real. Embora às vezes a vontade é trazer o mundo ideal para o real. Isto sim seria um problema filosófico.Chega de viagem. Somente relatei as mudanças que eu e todos estamos a passar.