sexta-feira, 21 de maio de 2010

Reflexões sobre Dietrich Bonhoeffer...

Deve haver uma reflexão de como a práxis teológica pode interferir na mudança da realidade. Se olharmos, por exemplo, as idéias do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer será possível vislumbrar o enfoque que deve ser dado à ética da responsabilidade que cabe a todo cristão.

Não existe ninguém que seja apolítico. Todo ser humano é social e ligado a um sistema. Sempre tomamos partido por algo. A ausência do cristão nos assuntos políticos demonstra a sua negligencia. Quando o cristão se omite em opinar ou até mesmo contribuir para a formação de uma sociedade, ele está contra o seu próprio chamado.

O cristão vive política na igreja, na sua casa, no seu trabalho. É impossível a existência sem autoridades, normas, sanções, mecanismos de participação, formas de decisão.

É preciso enaltecer a coragem que Bonhoeffer teve para manter um dialogo que abrisse mão dos absolutos metafísicos. A contribuição de Bonhoeffer está na sua capacidade teológica de dialogar com a filosofia e as ciências sociais.

O pensamento teológico de Bonhoeffer é a forma prática do cristão e da igreja diante do Estado que impõe a opressão e a morte. O foco da teologia e vida de Bonhoeffer é uma igreja reformada para uma sociedade transformada. No decorrer do pensamento teológico de Bonhoeffer fica nítida a preocupação que ele tinha com a sociedade e com o ser humano. E para tanto, no fazer teológico de Bonhoeffer pode-se concluir que a teologia tem as suas funções bem práticas. Segue uma classificação: 1) A teologia como instrumento da destituição do Estado que nega a sua existência; 2) A teologia como explicação da realidade; 3) A teologia como defesa da fé e como ponte até os não cristãos; 4) A teologia como crítica da vida e da proclamação da igreja; 5) A teologia como amparo para a realidade desesperadora do homem.

Na perspectiva de Bonhoeffer o ser humano aprendeu a dar conta de si mesmo em todas as questões importantes sem apelar para a hipótese de trabalho de Deus. Portanto, Bonhoeffer faz uma alta crítica acerca da apologética cristã que tenta minar a segurança “mundana”.

O sentimento de culpa é um recurso de forte sustentação e manutenção da religião cristã. Procura-se demonstrar ao mundo que atingiu a maioridade que ele não seria capaz de viver sem o tutor “Deus”. Embora já se tenha capitulado em todas as questões mundanas, restam ainda as chamadas “questões últimas” – morte, culpa – às quais apenas “Deus” pode dar uma resposta e por causa das quais ainda se necessita de Deus, da igreja e do pastor. Portanto, de certa maneira nós vivemos dessas chamadas questões últimas das pessoas. Mas o que acontecerá se um dia elas não mais existirem como questões desse tipo, ou seja, se também elas forem respondidas “sem Deus?”

Portanto, Dietrich Bonhoeffer faz a sua reflexão num mundo emancipado, em um tempo completamente destituído da religião. Ele defendia de forma apaixonada a idéia de um cristianismo sem religião.

Bonhoeffer era contra a idéia de que o ser humano era naturalmente religioso. Haja vista a situação de um mundo em que Deus foi banido. Para Bonhoeffer um cristianismo sem religião é, uma fé que se fundamenta não na insustentável e desacreditada noção da “natural religiosidade humana”, mas, ao contrário, na auto-revelação de Deus em Cristo.

Um comentário:

Lucas Porto disse...

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