segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SENTEM O CHEIRO DE SEIS MILHÕES DE CADÁVERES? É QUE ELE CHEGOU!


Nesta segunda, Luiz Inácio Lula da Silva cede o palco para o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, falar em nome de uma nova ordem mundial. Na entrevista concedida a William Waack, no Jornal da Globo, entre outras preciosidades, o iraniano afirmou que o capitalismo já provou a sua falência moral… É mesmo? E disse que o sistema se opõe a valores fundamentais do homem — ou algo assim. Eis alguém habilitado para falar em valores humanos…

Nós já sabemos, mas é preciso reafirmar:
— Ahmandinejad é financiador e fomentador do terrorismo no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque;
— Ahmadinejad é um negador do Holocausto;
— Ahmadinejad é um dos artífices de um programa nuclear secreto;
— Ahmadinejad é o homem que promete varrer Israel do mapa;
— Ahmadinejad é o homem que responde a bala a protestos por democracia;
— Ahmadinejad é o líder de um governo que manda para a cadeia e pode mandar para a morte homossexuais só por serem homossexuais e que reprime de modo brutal minorias religiosas;
— Ahmadinejad é o homem que foi reeleito num processo flagrantemente fraudado, o que os próprios aiatolás - menos aiatolula - reconheceram;
— Ahmadinejad é um dos líderes do Irã que satanizam os EUA e os acusam de responsáveis por todos os males que há no mundo.

Pois é este senhor que o Brasil está recebendo, com as honras devidas a um chefe de estado, transformando esse encontro em mais uma evidência do que pretendem vender como a “autonomia” do Brasil e exercício de uma política externa soberana. Trata-se de um acinte e de uma afronta às noções mais comezinhas de direitos humanos.

Ora, é evidente que o Brasil ou qualquer outro país não tem de ser amigo dos amigos dos EUA e inimigos de seus inimigos. A nossa soberania para receber quem quer que seja nunca esteve em causa. NÃO É POR ELES QUE DEVEMOS DIZER “NÃO” A AHMADINEJAD, É POR NÓS MESMOS!!! Um país, de fato, não precisa concordar com todos os pontos de vista de outro para receber seu mandatário. Mas é preciso, então, qualificar a discordância.

Estou entre aqueles que consideram, por exemplo, que não se deve punir ninguém por negar o Holocausto — por mais desprezível, cretina e desinformada que considere tal posição. As tolices de um indivíduo são diferentes dos crimes do governo e do estado. Que Ahmadinejad tivesse tal posição e a expressasse em tertúlias politicamente irrelevantes, bem, já seria desprezível, mas vá lá. Não!!! Tal opinião é expressão de uma política de estado: ele financia o Hezbollah no Líbano; ele financia o Hamas nos territórios palestinos e a Jihad Islâmica. Esses grupos anunciam seu igual propósito de “varrer Israel do mapa” e atuam com esse objetivo, com foguetes, seqüestros e atentados terroristas. O propósito de ter a bomba nuclear, está claríssimo, é impor-se como líder da região. E que líder é esse? O que ele quer?

Ora, podemos divergir sobre muitos assuntos, não é? As divergências podem ser as mais azedas e as mais inconciliáveis. Mas temos de estar de acordo sobre alguns princípios básicos que são essenciais à nossa civilização.

Ahmadinejad representa o atraso mais odioso; a truculência mais desprezível; a ignorância mais bastarda. Lula certamente aproveitará a passagem do presidente do Irã por aqui para falar em defesa da paz, do entendimento, da concórdia. Como se o outro fosse um bom interlocutor para isso. É uma espécie de Chamberlain da periferia pregando prudência a um fascistóide islâmico de chanchada — o que não quer dizer que não seja perigoso.

Na entrevista concedida a William Waack, vimos um Ahmadinejad um pouco mais cuidadoso, mas a dizer, essencialmente, os mesmos absurdos. E, espertamente, afirmou que os países não precisam concordar entre si para que possam dialogar. Depende! Por que um país democrático deve dialogar com outro que financia o terrorismo, por exemplo? Ou com um líder que não hesita em tripudiar de seis milhões de cadáveres? Ou que prega abertamente a extinção de um país? Não! Ninguém precisa desse diálogo.

Diálogo que é ainda mais estúpido e detestável se nos lembramos que, para o Itamaraty, ele é parte da construção de um novo concerto internacional. Novo concerto? Qual? Aquele em que ditadores e facínoras são admitidos como vozes válidas na mesa de negociação? É essa a utopia de um governo como nunca houve nestepaiz?

Antes que me esqueça: que Ahmadinejad vá para o inferno! Ou se é democrata ou se dialoga com o terror e com o anti-semitismo mais asqueroso. Não há conciliação possível.

Fiquemos atentos ao discurso de Lula enquanto este senhor estiver no Brasil e depois. Na última vez em que esteve com Ahmadinejad, em setembro, indagado se tinha conversado com o outro sobre a negação do Holocausto, o presidente brasileiro deu uma de suas luladas: “Não sou obrigado a não gostar de alguém porque outros não gostam. Isso não prejudica a relação do Estado brasileiro com o Irã porque isso não é um clube de amigos. Isso é uma relação do Estado brasileiro com o Estado iraniano”.

Escrevi então:
O Brasil não é o único país a fazer negócios com o Irã. Ninguém exige do governo Lula que rompa relações com os iranianos porque seu presidente bandido diz sandices. Há centenas de respostas possíveis que não ofendem a memória dos mortos e a dignidade dos vivos. Formulo uma: “O Irã sabe que o Brasil lastima essa opinião, mas entendemos que o isolamento daquele país é pior para o mundo”. Pronto! E Lula poderia fazer negócios com Irã - se é que haverá algum relevante.
A sua resposta, como veio, é indecorosa e me força a perguntar: a relação entre os dois estados é assunto sério demais para levar em consideração seis milhões de mortos? Um governo delirantemente anti-semita, como é o do Irã, não constrange de modo nenhum o Brasil?
Confrontado com a questão do Holocausto, Lula evoca uma questão de gosto. Ora, deve pensar este humanista, “os judeus não gostam de Ahmadinjad. O que é que eu tenho com isso? Não sou judeu!”

Vamos ver como se comporta Lula. Ahmadinejad não mudou e continua a afirmar as mesmas asneiras e a financiar a mesma indústria da morte. Haverá o decoro mínimo, desta vez, de deixar claro que o Brasil considera suas idéias, para ser muito manso, essencialmente erradas? Minha aposta: “Não!”


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sentem-o-cheiro-de-seis-milhoes-de-cadaveres-e-que-ele-chegou/

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Altos níveis de testosterona levam à avareza, diz estudo...

EWEN CALLAWAY
da New Scientist

Se você está em busca de pechinchas, fuja dos vendedores musculosos. O mesmo hormônio responsável pela força também pode reduzir a generosidade, indica um estudo.

"Nossa conclusão é a de que a testosterona faz com que homens sejam essencialmente pães-duros", diz Karen Redwine, neuroeconomista do Whittier College, na Califórnia, que apresentou o trabalho no encontro anual da Sociedade de Neurociência em Chicago, na semana passada.

Um estudo prévio com 17 negociantes em Londres apontou que níveis matinais de testosterona são correlatos a cada ganho e perda do dia --com a quantidade maior de hormônios associada ao lucro. Mas este estudo não estabeleceu a relação de causa e efeito entre testosterona e sagacidade mercantil.

Para resolver este caso, Redwine e seu colega Paul Zak, da Universidade Claremont, na Califórnia, deu um gel contendo testosterona a 25 estudantes universitários do sexo masculino, para então testar a sua generosidade. Todos os participantes também receberam um placebo sem testosterona, alguns dias antes ou depois do gel à base de testosterona. Nem pesquisadores, tampouco os participantes sabiam quais amostras eram verdadeiras e quais eram placebos até o final do estudo.

O creme de testosterona funcionou. No dia seguinte, a potência do hormônio sexual dobrada foi levada diretamente às veias dos voluntários, proporcionalmente.

Os voluntários jogaram, então, um jogo econômico simples por intermédio de um computador. Um dos voluntários tinha US$ 10 disponíveis, enquanto o outro tinha qualquer valor que desejasse. Cada um aceitava ou rejeitava a oferta conforme achasse justo ou não --neste caso, ninguém ganhava nenhum dinheiro. Os voluntários jogaram uma rodada em ambas as situações, isto é, com e sem o gel de testosterona.

No geral, o creme de testosterona causou uma redução de 27% na generosidade das ofertas, de US$ 2,15 para US$ 1,57.

Uma variedade mais potente da testosterona, a di-hidrotestosterona (DHT) exerceu uma influência ainda mais forte no comportamento. Homens com uma amostra maior de DHT no sangue ofereceram aos parceiros a reles quantia de US$ 0,55 dos US$ 10, enquanto os homens com menor nível de DHT ofertavam US$ 3,65, em média.

Hormônio egoísta

Há duas interpretações nos resultados, diz Redwine. Por um lado, a testosterona empurra o homem a buscar uma quantidade maior de dinheiro, caso ele esteja fazendo uma oferta ou decidindo aceitá-la ou rejeitá-la.

No entanto, ao rejeitar as ofertas injustas, voluntários abastecidos pela testosterona realmente cumprem a ordem social da divisão igualitária entre partes. "Pessoas são egoístas, mas altruístas também, e não está entendido por que esse comportamento ocorre."

Um fator biológico pode ser a dinâmica entre testosterona e outro hormônio chamado oxitocina. Às vezes chamado de "química do afago", a oxitocina também influencia na generosidade. Em um estudo de 2007, a equipe de Zak descobriu que a administração de oxitocina impulsionou a generosidade no mesmo jogo em 80%.

Redwine nota que a testosterona bloqueia a ação de oxitocina no cérebro. "É possível que a criação destes machos alfa realmente iniba a oxitocina", diz ela.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u643952.shtml

Contas da Igreja Universal movimentaram R$ 1,4 bilhão...


da Folha Online


O pedido de cooperação internacional feito pelo Ministério Público de São Paulo ao governo dos EUA para investigar as contas relacionadas ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, tem como alvo a movimentação financeira de seis empresas "offshores" ligadas a cinco doleiros brasileiros que movimentaram, somente nos EUA, ao menos US$ 862 milhões, ou R$ 1,47 bilhão, ao câmbio de ontem, informa reportagem de Rubens Valente e Mario Cesar Carvalho, publicada nesta terça-feira pela Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O valor foi obtido a partir dos arquivos da CPI do Banestado e de decisão tomada em 2005 pelo juiz federal do Paraná Sergio Moro, que acolheu denúncia contra operadores da casa de câmbio Diskline.

Segundo a reportagem, a agência, que tinha sede em São Paulo e filial carioca mas hoje está desativada, é investigada por suposto envio, fora do canal do Banco Central, de US$ 1,8 milhão para uma conta da Universal nos EUA, como a Folha revelou em setembro.

A devassa pedida pelos promotores atinge toda a movimentação das seis "offshores", sediadas em paraísos fiscais, mas nem todo o dinheiro está relacionado à Universal. Há indícios de que se tratavam de "contas-ônibus", que abrigam recursos de diferentes empresas e pessoas brasileiras.

Outro lado

O advogado da Igreja Universal, Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, afirma que seu cliente nunca fez remessas ilegais de dinheiro para o exterior.

Segundo o criminalista, o Ministério Público do Estado de São Paulo está usando fatos antigos, já investigados pela Polícia Federal e arquivados por falta de provas.

Leia a reportagem completa na Folha desta terça-feira, que já está nas bancas.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u653445.shtml

Um Deus pequeno...

Fico espantado com a capacidade de alguns cristãos terem uma visão tão pobre a respeito de Deus. Estas pessoas possuem uma longa caminhada cristã, mas desconhecem os pontos principais da fé que professam.

Percebo um reducionismo na crença da igreja contemporânea. O que Deus pode fazer? A busca pelo poder de Deus é somente para a cura do câncer, do tumor, dores de cabeça e problemas dos órgãos. Quanto à pergunta – Cristo nos salva do que? A resposta é a pior possível. O imaginário cristão tem Deus como um ser fantasmagórico. Deus se preocupa somente com a alma do homem. A questão fica complicada quando a pessoa é tricotomista – corpo, alma e espírito. O que Deus irá salvar? Não acreditam na ressurreição do corpo. São hereges e não sabem disso. Suas posições teológicas sempre foram combatidas ao longo da história cristã.

Deus é pequeno, porque estas pessoas não acreditam que ele tem o poder de restaurar todas as coisas. Defendem a aniquilação do universo sem conhecer o que pensam. Na ignorância professam um Deus impessoal – Ele não se relaciona com toda a sua criação. Na mentalidade da igreja atual somente o ser humano é a coroa da criação. É praticamente impossível tirar esta fantasia da cabeça das pessoas. Para elas o resto não tem valor algum.

Defendo a posição de uma mudança da cosmovisão da igreja contemporânea. É preciso fazer novas reformulações na forma de pensar sobre Deus e sua Palavra. Se Deus é pequeno a cosmovisão será pobre e vazia.

A esperança é que Deus irrompa na escuridão da mente e revele a sua imensa grandeza.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Discurso da Alta Comissária da ONU...

Missão da Alta Comissária ao Brasil – Navi Pillay - 7 a 13 de novembro de 2009

Texto da abertura da coletiva de imprensa – Brasília – 13 de novembro de 2009

Muito obrigada a todos por terem vindo. Hoje, chego ao fim da minha primeira visita ao Brasil como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos. E esta visita foi muito completa e fascinante. Gostaria de agradecer ao Governo do Brasil, tanto por ter me convidado como por ter feito meu tempo aqui tão produtivo.

Desde que cheguei sábado passado, tive uma série de francas e abertas discussões com o Presidente, ministros, membros do judiciário e muitos outros funcionários tanto em nível federal como estadual. Ao contrário dos funcionários em muitos outros países, os brasileiros não ocultaram ou minimizar os problemas da nação. Antes de tudo gostaria ressaltar algumas das importantes conquistas do Governo.

A democracia brasileira, depois de meros 21 anos, é forte e profundamente enraizada. Existe uma vasta lista de leis, programas e instituições - a começar pela própria Constituição - que formam uma impressionante fundação de proteção de direitos humanos que está alinhada com as obrigações internacionais do País.

O governo tem tomado uma série de importantes medidas, tanto em casa como no exterior: estas incluem a criação de Secretarias especiais de direitos humanos, de políticas da mulher e de igualdade racial, e a adoção de programas ambiciosos para reduzir a pobreza, aumentar o acesso à educação, eliminar a discriminação, e lutar contra a fome.

O Brasil tem mostrado liderança em muitas áreas. Ontem assinei um Memorando de Intenções com o Ministro das Relações Exteriores, que é documento muito progressista, voltado para compartilhar - em conjunto com o meu escritório - a experiência do Brasil em matéria de direitos humanos com outros países interessados em receber essa assistência.

Outro desenvolvimento significativo esta semana foi a aprovação pelo Congresso de uma emenda constitucional muito importante, destinada a prover educação universal gratuita a crianças entre 4 e 17 anos e a aumentar os recursos para a educação. Muitos dos maiores problemas do Brasil têm suas raízes na pobreza e na discriminação, e um sistema de ensino secundário verdadeiramente universal é essencial para que haja uma significativa melhoria nessas áreas.

A conferência nacional anual dos defensores dos direitos humanos brasileira me deu a oportunidade de aprender sobre os verdadeiros desafios que eles enfrentam, e apreciar a sua coragem e dedicação. Também tive reuniões muito úteis com uma ampla gama de representantes da sociedade civil em Salvador, Rio e Brasília. Defensores dos direitos humanos, e outros membros da sociedade civil com frequência formam a consciência de uma nação, e pelo que vi, creio que este também é o caso aqui no Brasil.

O Brasil é um país enorme, e enfrenta enormes desafios. Estou totalmente consciente de que apenas arranhei a superfície, fazendo curtas visitas a apenas dois dos 26 estados do Brasil, assim como Brasília.

Uma questão que foi incrivelmente invisível foi a situação dos povos indígenas. Entre todos os funcionários estaduais e federais que encontrei, acho que não tinha uma única pessoa indígena. Isto é muito indicativo de sua continua marginalização. Houve avanços importantes em termos de legislação para proteger os direitos dos povos indígenas, mas a implementação desses direitos particularmente em nível estadual parece estar demorando demais. A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país, e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras na armadilha do trabalho forçado.

Mesmo a grande população afro-brasileira está enfrentando problemas semelhantes em termos de implementação de programas socioeconômicos e discriminação que os impede de concorrer em igualdade de condições com outros brasileiros. Além do Ministro para a Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, vi poucos afro-brasileiros em altos cargos. Isso foi particularmente notável na Bahia, onde três quartos da população são afro-brasileiros, mas dificilmente qualquer um de seus principais administradores.

Milhões de afro-brasileiros e indígenas estão atolados na pobreza e não têm acesso a serviços básicos e a oportunidades de emprego. Até que isto mude, esta situação vai prejudicar o progresso do Brasil em muitas outras frentes. Pedi a funcionários em todos os níveis de Governo a centrar-se na plena aplicação das leis, planos e políticas para combater a discriminação, inclusive através da realização de pesquisas e avaliações. Mais uma vez, as medidas fundamentais existem, mas elas não estão sendo adequadamente aplicadas.

Uma consequência extremamente preocupante disto é a violência que assola não só as favelas, mas as cidades em geral. As principais vítimas desta violência são os afro-brasileiros, e - como praticamente todos os que eu conheci reconheceram - uma das principais causas de suas mortes é o uso excessivo da força por agentes policiais, milícias, assim como bandidos e traficantes de drogas.

Há um vínculo indissolúvel entre segurança pública e direitos humanos. Congratulo-me com as novas iniciativas em nível federal e estadual que dão prioridade ao trabalho em parceria com as comunidades afetadas pela violência. O empenho político e recursos financeiros que atualmente apóiam essas iniciativas precisam ser mantidos em longo prazo. Ao mesmo tempo, medidas eficazes são urgentemente necessárias para combater as execuções extrajudiciais, tortura e tratamento cruel, desumano ou degradante.

Reconheço perfeitamente as dificuldades enfrentadas pela polícia quando ela tenta manter a lei e a ordem. Eles também têm sofrido baixas demais - incluindo os três policiais que morreram recentemente, quando seu helicóptero foi abatido. Eles também estão deixando viúvas e órfãos, e estão sendo privados de seu direito humano mais fundamental, o direito à vida.

Mas a maneira de parar com a violência não é recorrendo à violência. Em vez disso, é necessário ganhar a confiança das comunidades onde a violência está acontecendo. Isso nunca vai acontecer na frente de uma arma. Um elemento-chave para ganhar a confiança é aplicar a justiça de forma justa. O governo precisa estabelecer uma política clara de combate à impunidade. Todas as alegações de violações de direitos humanos devem ser rápida e completamente investigadas por autoridades independentes e, se houver provas suficientes, os responsáveis devem ser processados - independente de serem bandidos ou policiais.

Também estou profundamente preocupada com os altos níveis de violência dirigidos às mulheres brasileiras. Visitei um projeto de cooperação policial impressionante que lida com a violência doméstica e espero que muito mais seja feito para ajudar as mulheres a se beneficiarem das leis e projetos que existem para protegê-las.

A extraordinária taxa de homicídios nas superlotadas prisões brasileiras e as alegações de tortura generalizada e condições desumanas são alarmantes e inaceitáveis. Igualmente preocupante é o fato de a grande maioria dos presos serem afro-brasileiros.

O Brasil é o único país da América do Sul que não tomou medidas para enfrentar os abusos cometidos durante o período do regime militar. Entendo que este é um tema extremamente sensível, mas há maneiras de fazer isso evitando reabrir feridas do passado e ajudar a curá-las. A tortura, no entanto, é uma exceção. O direito internacional é inequívoco: a tortura é um crime contra a humanidade e não pode ficar impune. O fato de que a tortura ocorrida no período militar ainda não foi discutida no Brasil significa que o desincentivo para parar com a tortura que ocorre agora e que vai ocorrer no futuro não está em vigor.

Na preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas o Brasil vai investir pesadamente em infra-estrutura. Isto pode ser feito em uma maneira que pode trazer benefícios duradouros para os habitantes urbanos mais pobres e marginalizados. O dinheiro pode ser gasto em locais para esportes ou centros culturais que aumentem as opções das crianças e dos jovens pobres. Pode ser gasto em sistemas de transporte público que ajudem os moradores de favelas a irem para seus locais de trabalho muito tempo depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Esta abordagem pode aumentar a esperança e reduzir a criminalidade e a violência. O que, por sua vez, poderia ajudar a reduzir a discriminação. É uma oportunidade para transformar um círculo vicioso num círculo virtuoso. Pode custar um pouco mais no início, mas em longo prazo, esse investimento poderia pagar dividendos imensos para o país como um todo.

Muito obrigada.


Fonte: http://palavraplena.typepad.com/accosta/

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O cântico dos oprimidos...

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Em diversas manifestações esta música é cantada. Lábios se abrem sem compreender o que é santidade, amar somente a Deus e ser curado por sua graça.

A morte. Dor. Sofrimento. Miséria. Injustiça social. Guerras urbanas. Estes sentimentos e acontecimentos da contingência humana despertam a grande ânsia da alma humana pelo divino. É um tocar inesperado pelo transcendente. É o desejo de viver além das angustias que geram uma certa paralisia diante do que não se pode mudar. Por que as pessoas pedem por aquilo que desconhecem? É o eco das palavras de Santo Agostinho que perpassa o tempo e nos faz lembrar de que a alma humana só encontra descanso nos braços do grande Deus.

Quando as pessoas que sofrem aqui no Rio pedem para que Deus entre em sua vida e na sua casa, não se pode limitar somente a estas duas esferas – vida e casa. Estas pessoas desejam um Deus que entre na sua história de vida. Anseiam por um Deus que sofra com elas e que seja capaz de mudar esta realidade que se afirma com toda dureza e crueldade. Elas esperam por um Deus pessoal que faça parte do caminhar peregrinador da estrada do calvário diário que cada uma vive.

Tomo a liberdade de imaginar a linda história de Zaqueu. Neste encontro vemos o que se pode chamar de inversão. Um pecador sobe numa árvore para ver o Deus encarnado. Este homem por um momento está acima do Deus encarnado. Jesus o eleva ao mais alto padrão – reconhecimento e dignidade. A encarnação revela a posição de Cristo – servo. Não é o homem que pede para Jesus entrar na sua casa. Jesus abaixo do homem que está acima numa árvore pede para entrar na casa do pecador.

Deve-se pregar o Deus todo-poderoso. Majestoso e auto-suficiente. Mas deve-se pregar o Deus que de tal forma se rebaixa à condição humana e que deseja fazer parte do dia-a-dia das pessoas comuns. Deve-se pregar um Cristo que se sentiu fraco e, por isso, conhece e entende a fraqueza humana. A agonia das pessoas que não tem voz é a agonia do Cristo que padece por elas até hoje. O sofrimento de Cristo continua no sofrimento das mães que perdem os seus filhos por causa da violência urbana. O sofrimento de Cristo continua na dor da injustiça social quando pessoas dividem a sua moradia com ratos e fezes humanas. O sofrimento de Cristo continua quando o homem trancafiado numa sela é tratado a semelhança de um bicho imundo.

Estas pessoas sofrem e pedem para que Deus mexa com a sua estrutura. Isto não pode se limitar à estrutura espiritual. Deus precisa e quer mexer na estrutura como um todo – humana, social e universal. Este deve ser o verdadeiro clamor – Deus muda esta estrutura falida e podre que praticamente todo sistema se encontra.

Unamos o nosso clamor juntamente com aqueles que clamam, choram e gritam, porém, não são ouvidos. O Deus encarnado já está clamando juntamente com eles.

Assessora de Obama: "controlamos a mídia na campanha"



Kathleen Gilbert 06 Novembro 2009
Internacional - Estados Unidos

O comentarista político da Fox, Glenn Beck, fez seu próprio ataque contra Dunn na semana passada transmitindo cena filmada dela expressando admiração por Mao Tse Tung, o fundador da China comunista, considerado responsável pela morte de dezenas de milhões - com a ajuda de seu partido, que tomou todos os meios de comunicação chineses.No discurso de junho de 2009 para estudantes secundários, Dunn colocou Mao Tse Tung ao lado de Madre Teresa de Calcutá como "dois dos meus filósofos políticos favoritos".

WASHINGTON, D.C., EUA, 19 de outubro de 2009 (Notícias Pró-Família) - Depois do desafio bem público do governo de Obama para a rede de notícias Fox News na semana passada, a diretora de comunicações da Casa Branca Anita Dunn está de novo atraindo a atenção graças a uma recente cena filmada que a mostra revelando a própria ética jornalística da campanha de Obama - aprofundando a estonteante saga da luta de poder do governo de Obama com as elites dos meios de comunicação.

Numa conferência na República Dominicana em janeiro, Dunn - que fazia parte da equipe da campanha presidencial de Barack Obama, e é esposa do advogado pessoal de Obama Robert Bauer - debateu o "controle absoluto" que a campanha exerceu sobre a imagem de Obama nos principais meios de comunicação. A tática, diz ela, permitiu que a campanha usasse manobras que distanciaram a imagem pessoal do candidato de questionamentos da imprensa.
"Uma das razões por que fizemos tantos dos vídeos de David Plouffe não foi só para nossos apoiadores, mas também porque era um jeito de transmitirmos nossa mensagem sem ter de realmente falarmos com os jornalistas", disse Dunn, se referindo às filmagens preparadas para a imprensa feitas por David Plouffe, o diretor principal da campanha de Obama. "Tudo o que fazíamos era dar nossos vídeos à imprensa e fazê-los escrever o que Plouffe havia dito, mas não como se Plouffe estivesse fazendo uma entrevista com um repórter. Assim muitíssima coisa estava sob nosso controle, não sob o controle da imprensa", disse ela.

"Durante a eleição, muito raramente comunicávamos por meio da imprensa algo sobre o qual não tínhamos controle absoluto".

Dunn fez esses comentários numa conferência sobre a campanha de Barack Obama realizada pela Fundação Global Dominicana para a Democracia e Desenvolvimento.

De acordo com Dunn, a estratégia de imprensa da campanha era desencorajar críticas ao candidato como tal. "A realidade é que se era um vídeo de David Plouffe ou um discurso de Obama, uma imensa parte de nossa estratégia de imprensa focalizava em fazer os meios de comunicação cobrirem o que Obama estava realmente dizendo, não o motivo por que a campanha estava dizendo algo", disse ela.

Essa filmagem de Dunn acrescenta uma nova dimensão aos comentários dela feitos no começo deste mês na direitista Fox News, que ela afirmou era "mais uma facção do Partido Republicano" do que um serviço noticioso.

"Obviamente, o presidente irá para a Fox porque ele se envolve com oponentes ideológicos", Dunn disse na edição de 11 de outubro do programa Reliable Sources da CNN. "A Fox é amplamente vista como parte do Partido Republicano... e não há nada de errado nisso. Mas não vamos fingir que é uma organização noticiosa como a CNN".

A Fox News respondeu ao ataque num email para a CNN, observando que "o público normal de noticiário consegue certamente fazer a diferença entre a seção A do jornal e a página editorial, que é o que nossa programação representa".

O comentarista político da Fox, Glenn Beck, fez seu próprio ataque contra Dunn na semana passada transmitindo cena filmada dela expressando admiração por Mao Tse Tung, o fundador da China comunista, considerado responsável pela morte de dezenas de milhões - com a ajuda de seu partido, que tomou todos os meios de comunicação chineses.

No discurso de junho de 2009 para estudantes secundários, Dunn colocou Mao Tse Tung ao lado de Madre Teresa de Calcutá como "dois dos meus filósofos políticos favoritos". "Em 1947, quando Mao Tse Tung estava sendo desafiado dentro de seu próprio partido em seu plano de basicamente assumir o controle da China, Chiang Kai Shek... tinha tudo do seu lado. E as pessoas diziam: 'Como é que você conseguirá fazer isso?' E Mao Tse Tung disse: 'Lutem vocês a sua guerra, e eu lutarei a minha'", disse ela. "Você sabe o que é certo para você. Por isso, não permita que as definições dos outros definam seu conceito interno do que é certo e errado".

Alguns comentaristas, inclusive Dunn, criticaram o alvoroço posterior, dizendo que as pessoas haviam usado os comentários dela com seriedade exagerada.

Desde que o presidente Obama fez menção da Fox como "uma rede de televisão totalmente dedicada a atacar o meu governo" numa entrevista de junho com John Harwood, da CNBC, as autoridades da Casa Branca têm assumido uma postura cada vez mais agressiva contra a rede de televisão. O Chefe do Estado Maior Rahm Emanuel e o principal assessor de Obama David Axelrod adotaram medidas ofensivas a um novo nível ao estimular outros canais da imprensa a evitar a Fox.

Perguntado para comentar o que Dunn disse, o secretário de imprensa da Casa Branca Robert Gibbs divulgou uma insinuação mais sutil acerca do antagonismo do governo. "Assisti a muitas notícias nessa rede que não achei que eram verdadeiras", disse ele.

A complexa troca de palavras emerge do mal-estar que vem crescendo há muito tempo sobre o relacionamento da Casa Branca com a imprensa. Embora a guerra pública entre o governo e a Fox seja o aspecto mais dramático, os críticos dizem que uma predileção por desviar o debate em favor de atitudes sugerindo falsidades ou até mesmo desonestidade e crimes por parte dos oponentes se tornou em várias frentes parte da estratégia de comunicação do presidente e sua equipe de governo.

Um exemplo notável: no debate imenso acerca do aborto financiado pelo governo na reforma do sistema de saúde, o secretário de imprensa Gibbs sempre respondeu sugerindo que a controvérsia não tem fundamento graças à emenda Hyde, a qual impede abortos financiados pelo governo. Por sua vez, o Comitê Nacional do Direito à Vida condenou a resposta como deliberadamente enganadora - pois ignora o fato de que a emenda Hyde não tem relação com as torrentes de financiamentos criadas pela legislação de reforma da saúde.

Alguns analistas têm questionado se as posturas agressivas do governo são uma medida política infeliz.

O colunista do jornal New York Times David Carr deu a opinião de que a briga da Casa Branca com a imprensa "poderá apresentar um problema genuíno para o sr. Obama, que se esforçou muito durante a campanha para se pintar como sendo acima das rixas de superaquecidas brigas partidárias".

"Embora indubitavelmente muitos governantes tenham vontade de perseguir seus antagonistas, os casos de governos que tiveram êxito em tomar conta da imprensa e saíram vencedores são em número menor do que as poucas palavras desta sentença", Carr escreveu neste final de semana. "Até agora, o único vencedor nesta disputa mais recente parece ser a Fox News, cujos índices de audiência subiram 20 por cento neste ano".

Karl Rove, ex-chefe de estratégia política do ex-presidente George W. Bush, condenou a política truculenta estilo máfia por trás da tática da Casa Branca numa entrevista a Fox News no domingo. "O governo Obama está ficando muito arrogante e evasivo no modo como lida com as pessoas. E se você ousa se opor a eles, eles vão ser duros com você e vão cortar as suas pernas", disse Rove.

"A Casa Branca de Obama está criando sua própria versão de uma lista de inimigos na imprensa. E isso é inútil para o país e é indigno o presidente dos Estados Unidos fazer isso", continuou ele.


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Publicado com o título Autoridade da Casa Branca confessa que a campanha de Obama "controlou de forma absoluta" os meios de comunicação


Veja a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:

White House at Loggerheads with U.S. Bishops on Existence of Government-Funded Abortion in Health Bill
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/oct/09101310.html

Hiding Behind Hyde: More "Deception" and "Smokescreens" from the White House on Abortion
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/oct/09100808.html

Lawmakers Rip White House for "Orwellian" Blog Post on Health Care
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/aug/09080603.html

White House Caught Between Drudge and a Hard Place on Health Care Reform
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/aug/09080502.html


Tradução: Julio Severo
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/oct/09102002.html

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