sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Desejo e Expectativa...

A arte de construir relacionamentos saudáveis deve ser destaca. O que tenho percebido na prática e no modo de vida das pessoas que estão ao meu redor é, que a grande dificuldade para estabelecer relacionamentos reside na incompreensão da criatividade e do jogo de cintura para manter as teias da amizade, do casamento ou de qualquer outro tipo de relacionamento.

É intrínseco ao ser humano o surgimento do desejo. Cada pessoa é uma caixa de desejo. Via de regra, os relacionamentos estão pautados nesta base – desejo. É o desejo da namorada pelo namorado. O esposo que deseja a esposa. O carro que se torna objeto de desejo. Para as mulheres que estão no período da gestação tem o desejo por uma comida específica. Assim é construído o relacionamento. O outro se torna um objeto de desejo ou pior é, quando o outro se torna o meio para o qual os meus desejos serão satisfeitos.

A expectativa é justamente o dever que o outro tem de cumprir para que tudo o que desejo seja realizado. Quando o relacionamento chega neste nível patológico é bem possível que haja uma destruição da união. O que acontece neste relacionamento é a imensa expectativa que é construída de que alguém fará tudo o quanto for possível para que as minhas demandas sejam supridas. Onde está a abnegação? Onde está a renúncia? Para a pessoa que confunde ou mistura desejo com expectativa estas perguntas não existem.

O relacionamento não pode ser uma lista de deveres. O meu cônjuge ou amigo não tem a obrigação de realizar todos os meus desejos. Não se constrói uma relação baseada na seguinte expectativa – ele ou ela terá que corresponder o meu anseio. Uma relação assim é doentia. Enquanto o foco não mudar a relação não vai parar de afundar. Algumas pessoas desenvolvem relacionamentos visando unicamente à expectativa do cumprimento do desejo.

Portanto, o cuidado deve ser redobrado. Em alguma medida todos cometem esta transferência. Certo é que em algum momento você esperou que alguém fizesse o seu capricho de criança mimada. Muito mais do que esperar a pessoa certa que irá preencher as suas expectativas é você que deve se tornar à pessoa certa. Relacionamento é uma troca. Não existe mão única.

Redescobrindo o sentido da vida...

Escrito por Olavo de Carvalho

Freud assegurava que, reduzido à privação extrema, o ser humano perderia sua casca de espiritualidade e poria à mostra sua verdadeira natureza, comportando-se como um bicho. Victor Emil Frankl, psiquiatra, judeu e austríaco como Freud, não acreditava nisso, mas não teve de inventar uma resposta ao colega: encontrou-a pronta no campo de concentração de Theresienstadt durante a II Guerra Mundial. Ali, reduzidos a condições de miséria e pavor que no conforto do seu gabinete vienense o pai da psicanálise nem teria podido imaginar, homens e mulheres habitualmente medíocres elevavam-se à dimensão de santos e heróis, mostrando-se capazes de extremos de generosidade e auto-sacrifício sem a esperança de outra recompensa senão a convicção de fazer o que era certo. A privação despia-os da máscara de egoísmo biológico de que os revestira uma moda cultural leviana, e trazia à tona a verdadeira natureza do ser humano: a capacidade de autotranscendência, o poder inesgotável de ir além do círculo de seus interesses vitais em busca de um sentido, de uma justificação moral da existência.

Uma recente viagem a Filadélfia, onde a Universidade da Pennsylvania comemorava com um ciclo de conferências o centenário de nascimento do criador da Logoterapia, trouxe-me a lembrança animadora de que na história das idéias tudo se dá como na vida dos indivíduos: mesmo a extrema indigência espiritual consolidada por séculos de idéias deprimentes não impede que, de repente, a consciência do sentido da vida ressurja com uma força e um brilho que pareciam perdidos para sempre. A evolução do pensamento moderno, de Maquiavel ao desconstrucionismo, é marcada pela presença crescente do fenômeno que denomino "paralaxe cognitiva": o hiato entre o eixo da experiência pessoal e o da construção teórica. Cada novo "maître à penser" esmera-se em criar teorias cada vez mais sofisticadas que sua própria vida de todos os dias desmente de maneira flagrante. A "análise existencial" de Frankl, a contrapelo do "existencialismo" de Heidegger e Sartre que é uma apoteose da paralaxe, recupera o dom de raciocinar desde a experiência direta, que ao longo da modernidade foi renegada pelos filósofos e só encontrou refúgio entre os poetas e romancistas.

O que Frankl descobriu em Thesienstadt foi que além do desejo de prazer e da vontade de poder existe no homem uma força motivadora ainda mais intensa, a "vontade de sentido": a alma humana pode suportar tudo, exceto a falta de um significado para a vida. Ao contrário, dizia Frankl, "se você tem um porquê , então pode suportar todos os comos ". A privação de sentido origina um tipo de neurose que Freud e Adler não haviam identificado, e que é a forma de sofrimento psíquico mais disseminada no mundo de hoje: a neurose noogênica , isto é, de causa espiritual, marcada pelo sentimento de absurdo e vacuidade. A análise existencial é a redescoberta da lógica por trás do absurdo, a reconquista do estatuto espiritual humano que torna a vida digna de ser vivida. A logoterapia é a técnica psicoterápica que faz da análise existencial uma ferramenta prática para a cura das neuroses noogênicas.

Uma pesquisa da Biblioteca do Congresso mostrou que "Man's Search for Meaning", a mistura de autobiografia, análise filosófica e tratado psicoterápico em que Frankl expõe as conclusões da sua experiência no campo de concentração, é um dos dez livros que mais influenciaram o povo americano. Se, a despeito disso, a obra de Frankl ainda não alcançou o lugar merecido nas atenções do establishment acadêmico, é simplesmente porque este é o templo da paralaxe cognitiva.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sogros: uma bênção de Deus...

Escrito por Gary Chapman


Para o bem ou para o mal, nossos pais e sogros fazem parte de nossa vida de maneira íntima e indissociável. Mas, seja no caso de recém-casados ou de cônjuges que estão juntos há muito tempo, de que forma pais e sogros devem fazer parte de nossa vida? A verdade é que precisamos uns dos outros. A liberdade e o respeito mútuos devem ser os princípios norteadores para os pais e seus filhos casados.


Mas que diretrizes a Bíblia dá para os relacionamentos entre cônjuges e seus sogros? Como o casal deve reagir às idéias, sugestões e necessidades dos pais? O que podemos fazer quando vemos os pais destruindo a unidade conjugal? Se for genuína nossa disposição de seguir os padrões bíblicos em nossos relacionamentos com os sogros, dois princípios devem ser mantidos em equilíbrio: uma nova devoção e a honra contínua.

"Deixar" os pais
Em Gênesis 2:24, lemos: "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne". O casamento envolve uma mudança de fidelidade. Antes do casamento, a devoção da pessoa é aos pais, mas, depois, muda para o cônjuge. Isso é o que os psicólogos chamam de "cortar os laços psicológicos".

Maravilhosa sabedoria
Por outro lado, as sugestões dos pais devem receber a devida consideração. Nossos pais são mais velhos e, talvez, mais sábios. Ao mesmo tempo, não podemos colocar sugestões dos nossos pais acima dos desejos do nosso cônjuge.

Honra aos pais
Honrar aos pais é regra do nascimento até a morte. Honrar foi o mandamento original e permanece para sempre. Infelizmente, nem todos os pais levam vidas respeitáveis. Seus atos talvez não sejam dignos, mas por terem sido feitos à imagem de Deus, são dignos de honra. Você pode respeitá-los pela sua humanidade e por sua condição de pais, mesmo quando não puder respeitar suas ações. É sempre certo honrar seus pais e os de seu cônjuge. "Deixar" os pais por ocasião do casamento não elimina a responsabilidade de dar honra a eles.

Com quem passamos os feriados?
As situações mais difíceis geralmente acontecem nas épocas de feriados. A mãe da esposa quer que o casal passe com ela a véspera do Natal. A mãe do marido deseja que o filho e a nora jantem com ela no dia de Natal. Isso pode ser possível se morarem na mesma cidade, mas, quando moram a muitos quilômetros de distância, passa a ser impossível. A solução deve se basear no princípio da igualdade. Isso pode significar Natal com os pais do marido em um ano e com os pais da esposa no seguinte.

Se eu pudesse fazer mais algumas sugestões práticas, gostaria de aconselhar você a aceitar seus sogros como são. Não ache que cabe a você mudá-los. Se não forem cristãos, deve certamente orar por eles e buscar oportunidades para apresentar-lhes Cristo, mas não tente ajustá-los ao seu molde. Você espera que eles lhe dêem independência para construir seu casamento. Ofereça a eles o mesmo.


Fonte: www.mundocristao.com.br/garychapman

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A vitória dos pelegos...

por Lucia Hippolito

O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.

Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.

Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.

O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.

O PT lançava e elegia candidatos, mas não “dançava conforme a música”. Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.

Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.

Tudo muito chique, conforme o figurino.

E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloísa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.

Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.

Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT?

Os sindicalistas.

Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado.

Cavando benefícios para os seus.

Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.

É o triunfo da pelegada.


Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito

sábado, 22 de agosto de 2009

Referente ao sermão da postagem abaixo...

O Caminho do Evangelho

BENDITO SENHOR JESUS,
Nenhuma mente humana poderia conceber ou inventar o evangelho.
Agindo em eterna graça, tu és tanto seu mensageiro como sua mensagem,
vindo à terra por compaixão infinita,
vivendo para ser insultado, injuriado, morto,
a fim de que eu pudesse ser redimido, resgatado, liberto.
Bendito sejas tu, ó Pai,
por providenciar este caminho,
Graças a ti eternamente, ó Cordeiro de Deus,
por abrir este caminho,
Louvor perpétuo a ti, ó Santo Espírito,
por aplicar este caminho ao meu coração.
Gloriosa Trindade, imprime o evangelho em minh’alma,
até que sua virtude alcance todas as minhas faculdades;
Que ele seja ouvido, reconhecido, professado, sentido.
Ensina-me a dar guarida a esta poderosa benção;
Ajuda-me a abandonar os pecados que mais estimo,
submeter coração e vida a seu comando,
ter nele minha vontade,
controlando minhas afeições,
moldando meu entendimento;
seguindo à risca as regras da verdadeira religião,
não me apartando delas sob hipótese alguma,
ainda que obtendo qualquer vantagem
para escapar do mal, da inconveniência, e do perigo.
Leva-me à cruz para buscar a glória de sua infâmia;
Livra-me de congratular-me pela suposta justiça de minhas próprias ações.
Ó gracioso redentor,
Tenho negligenciado a ti por tanto tempo,
freqüentemente te crucifiquei,
crucifiquei a ti diversas vezes por minha impenitência,
em aberta desonra.
Agradeço pela paciência que usaste para comigo durante tanto tempo,
e pela graça que agora me faz disposto a ser teu.
Ó, une-me a ti com laços inseparáveis,
que nada meu me separe de ti jamais, meu Senhor, meu Salvador.


Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Extraído de: The Valley of Vision:
A Collection of Puritan Prayers & Devotions,
editado por Arthur Bennett, p.35.

Qual é a sua Dependência?

João 5:24


“Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida” (NVI)


Alguns preferem a independência. O brado de D. Pedro I ecoa até hoje nos lábios de muitos cristãos – “Independência ou Morte!”. Declaradamente muitos assumiram a independência de Deus.

O verbo depender é bem sugestivo. Depender do que? Esta é a pergunta crucial que deve ser feita. Do que você depende? Onde está a ancora da sua vida? O que mantêm você firme?

Se você abrir as páginas dos jornais constatará o aumento da dependência das drogas, do álcool, do sexo, dos variados vícios. Não há possibilidade para o ser humano viver sem que dependa de algo. A vida é feita de teias que são capazes de sustentar as demandas da vida.

A moda da sociedade que está em crise é depender dos terapeutas. Os consultórios estão abarrotados de gente. Para aqueles que sofrem de insônia, o remédio é a solução. Na atual crise global os bancos tem sido a grande dependência dos endividados. A dificuldade está no que você depende. O lugar que você cria raízes pode levá-lo a uma situação pior do que você já está.

O que significa depender? É estar sujeito, ser dominado, permanecer ligado. João deixa claro que a vida vem pela morte, a vida eterna para quem é de Deus passa pela morte do Filho de Deus. Como se apropriar dessa dádiva de Deus? A resposta de João é: Crendo. João usa o verbo crer 98 vezes. Para João o substantivo fé não é comparável ao poder do verbo crer. O verbo requer uma ação. A partir destes significados desejo estabelecer alguns critérios que as Sagradas Escrituras ensinam sobre uma vida eternamente dependente de Deus.

A sua dependência deve ser...

1) A Palavra de Cristo – “[...] Quem ouve a minha palavra [...]”

Exatamente aqui surge a primeira barreira para muitos. Ouvir a palavra de Deus é meditar, refletir, examinar e aplicar. As pessoas não gastam ou investem tempo neste exercício. É muito mais fácil receber algo pronto. Esta geração sucateou o valor imensurável das Escrituras.

A decadência espiritual inicia-se com a falta de leitura da Bíblia. Não há possibilidade de lutar desarmado. É contra todas as leis humanas e físicas correr com fome. É um contra-senso caminhar no deserto e não sentir sede.

Implicação: A igreja, neste momento, precisa de homens e mulheres que sejam ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar negligentes e displicentes. Não encherá uma igreja que virou as costas para o seu Espírito.

Aplicação: Novamente a pergunta surge – do que você depende? A igreja suspira por pessoas que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, pessoas que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais pessoas estarão livres das compulsões que controlam os mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto. Mas isto somente acontece quando a Palavra de Deus é valorizada.

A minha interpretação da Palavra de Deus está na vida de Jesus Cristo. Partindo do pressuposto do Evangelho de João, a Palavra de Deus é Cristo. Leiamos atentamente o que diz João 5:39 – “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito [...]”. O que Jesus quer dizer com isto? Todo o Pentateuco e os Profetas falam a respeito dele. Portanto, estudar de Gênesis a Apocalipse é ter um encontro marcante com Jesus Cristo. Sabe qual é a razão de você desconhecer o poder e a glória de Cristo? A falta de leitura, estudo e meditação na Palavra de Deus. Percebam o que diz Colossenses 3:16 – “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo [...]”. Se entendemos que a palavra de Cristo é o conjunto de palavras proferidas por Jesus Cristo ao longo de sua vida, como registradas nos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), temos que admitir que nos falta um conhecimento adequado destas palavras. Não é isto que o texto diz. No entanto, devemos reconhecer a nossa ignorância e nos aplicar ao conhecimento da palavra de Cristo. Idealmente, teríamos que tê-las memorizadas, o que não encontro eco no estilo de nossas vidas determinado pela sociedade em que vivemos. Como isto não é possível, precisamos pelo menos saber onde encontrar os textos de que precisamos. Sobretudo, precisamos ler as palavras de Cristo. Precisamos meditar nas palavras de Cristo. Se nós lermos a palavra de Cristo, a palavra de Cristo habitará em nossos corações.

Destaque do evangelho: João refere-se a Jesus 14 vezes como “a Palavra” (o Verbo). Os gregos faziam uma distinção entre a palavra falada, a língua e a escrita com a palavra que ficava com a pessoa. A partir disso, Cristo é a Palavra que fica no ser humano. Não é o homem que possui a Palavra, mas é a Palavra, Cristo, que possui o homem. Há poder na Palavra de Deus. A Palavra quase tem existência própria quando vemos que “a palavra do Senhor veio” sobre este ou aquele profeta.

E o que faz a Palavra de Cristo em nós?

1. É a palavra de Cristo que nos gera de novo, isto é, faz-nos nascer de novo, faz-nos redimidos, lava-nos, faz-nos ter a mente d´Ele.

A Palavra de Cristo – A sua Palavra traz vida eterna (cf. 6:63, 68) e purificação [15:3], ou julgamento [12:47]. Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz [8:47].

Ouvir a palavra de Jesus é idêntico a ouvir a palavra de Deus. Mas o que significa “ouvir”? Ouvir, neste contexto, como acontece com freqüência em outras passagens, inclui crença e obediência. A crença é declarada, e seu objeto é aquele que enviou Jesus. Então, a fé colocada no Filho é colocada no Pai que o enviou. Portanto, aquele que crê e ouve dessa forma tem a vida eterna e não será condenado. O crente não vai ao julgamento final, mas deixa a corte divina já absolvido. Esta é uma afirmação contundente do evangelho de João.

Os benefícios da palavra de Cristo são inesgotáveis: 1) Uma qualidade de vida melhor; 2) Relacionamentos saudáveis; 3) Esperança para o futuro; 4) Sabedoria para lidar com questões complicadas; 5) Luz para os momentos da escuridão da alma. Enfim, a lista é imensa.

Exortação: Esse tipo de vida cristã é extremamente necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Homens livres pelo poder do evangelho que servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, a partir de uma visão de mundo transformada pela luz do evangelho.

A sua dependência deve ser...

2) A fé que provêm de Cristo – “[...] crê naquele que me enviou [...]”

Algo precisa ficar claro aqui – a nossa fé não é fruto da nossa justiça ou de obras. Este é um grande alento para corações desesperados como o nosso. Não podemos ter fé em nossa fé. A sua fé deve ser no Cristo da fé. É Jesus que compartilha com você a fé que ele tem no Pai. Isso acontece com o derramar do Espírito Santo em nossos corações. No ato da conversão imediatamente somos selados pelo Espírito de Deus e no mesmo instante a fé é depositada no coração. Mediante a isto, o cristão vive pela fé. A sua fé é alicerçada no autor e consumador da fé (cf. Hebreus 12:2). No instante em que creio eu me sinto completamente preenchido e tomado pelo objeto de minha fé. O que me interessa não é mais “eu com minha fé”, mas aquele em que eu creio. Quando eu penso nele e olho para ele, então sinto que tudo vai melhorar. O alento é justamente a nossa incapacidade de ter fé e mesmo assim sermos portadores de uma fé que tudo pode. Este poder não pertence a nós. Não nasce em nós. Não provém de nós. Não é a nossa oração que é poderosa. Tudo provêm de Cristo. Ele é poderoso para responder a nossa oração. Tamanha é à força desta fé que o apóstolo João diz – “O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” [I João 5:4].

Nós, em nosso esplendor e nossa miséria, não estamos mais sós. Deus vem ao nosso encontro e ele vem a nós como nosso Senhor e nosso Mestre. Nos bons e nos maus dias, em nosso desregramento ou nossa honestidade, vivemos, agimos e sofremos nessa posição de reencontro. Esta é a ligação da fé. Eu não estou só. Deus vem ao meu encontro. Em todas as circunstancias, eu estou com ele. Esse é o alento.

Este encontro com Deus é o encontro com a Palavra da graça que Deus pronunciou em Jesus Cristo. A fé fala de Deus Pai. Ela afirma esse Deus que é Uno em si, que realizou sua vontade de amor, seu amor gratuito e incondicional pelo homem, por todos os homens, conforme a sua graça.

Portanto, confessar o Pai e o Filho é dizer que Deus é o Deus da graça. Isso implica em que nós não podemos provocar a comunhão com ele: nós não a criamos e não criaremos jamais. João diz a respeito do Filho, Jesus Cristo, que ele “dá a vida a quem ele quer” [v.21]. É ele, em sua bondade totalmente gratuita, em sua liberdade soberana, que desejou ser o Deus do homem, nosso Deus. Quando Deus diz: minha graça está sobre vós – eis a Palavra de Deus, o conceito central de todo o pensamento cristão. A Palavra de Deus é a Palavra de sua graça. Isto gera fé em nosso coração.

Implicação: O maior obstáculo à fé é simplesmente essa eterna presunção e também essa angústia que subsistem no coração. As pessoas não amam viver pela graça. Há sempre em você alguma coisa que se insurge violentamente contra a graça. Muitos não amam receber a graça, você amaria, no máximo, atribuí-la a você mesmo. A vida humana é feita desse vai-e-vem entre o orgulho e o desespero, que apenas a fé pode eliminar. Se formos libertos é graças a uma ação que não depende de nós.

A fé não é uma opinião que se poderia trocar por uma outra. Aquele que crê apenas durante um tempo não sabe o que é a fé, pois crer supõe uma relação definitivamente estável. Estar na fé: trata-se de Deus e do que ele fez por nós de uma vez por todas. Isso não evita, por certo, que ocorram enfraquecimentos da fé. Aquele que acreditou uma vez crê para sempre.

Uma outra questão é: devemos nos agarrar totalmente a Palavra de Deus. A fé não concerne a um setor particular da vida denominado religioso, ela se aplica à existência em sua totalidade, a exterior como a interior, a corporal como a espiritual, as zonas sombrias como as claras.

A sua dependência deve ser...

3) A vida eterna que Cristo garante – “[...] tem a vida eterna e não será condenado [...]”

Como o Filho garante a vida? Através da sua Palavra, porque toda palavra que ele pronuncia tem autoridade. Portanto, ouvir atentamente a palavra e obedece-la é reconhecer a autoridade de Jesus Cristo e glorificar o Pai que o enviou. Esta Palavra é toda a mensagem do Filho ao mundo.

Implicação: A oferta da salvação implica julgamento daquele que rejeita a oferta. É impossível separar as duas coisas. Assim, de um ponto de vista, Jesus não veio para julgar ninguém, mas trazer a salvação, e quem crê é salvo.

Nós possuímos responsabilidade. Não podemos fugir da responsabilidade por nossos atos, e uma parte do motivo da vinda de Jesus foi nos fazer assumir essa responsabilidade – em outras palavras, nos trazer julgamento.

A pessoa que vive da palavra de Cristo, que é o próprio Cristo, recebe a garantia de não entrar em juízo. Quem crê não precisa esperar até o último dia para ouvir o veredito favorável do juiz. Ele já foi pronunciado. Quem crê também não precisa esperar até o último dia para experimentar a essência da ressurreição. Aqui e agora já passou da morte para a vida.

Exemplo do poder da Palavra de Cristo: O incidente do paralítico no tanque de Betesda é um sinal desta verdade. Assim como recebeu a cura física através da palavra poderosa de Cristo, é por esta palavra que qualquer pessoa recebe a vida no plano espiritual. A palavra de Cristo tem um poder vivificante.

A idéia do texto é em primeiro lugar levantar aos que estavam mortos no pecado, dando-lhes uma nova vida e, sem seguida, levantar os mortos dos sepulcros. Neste sentido, anelamos para que a sua voz chegue aos corações que estão mortos em pecados, para que possam fazer as obras do arrependimento, e prepararem-se para o dia solene.

Cristo levanta os mortos e concede vida. Esse é um de seus grandes e singulares poderes. Por isso, o texto diz: o filho salva, o filho julga, o filho condena, o filho concede vida a quem quiser, o filho tem a verdade, o filho tem o poder. O que este evangelho diz é que não existe diferença de autoridade, poder, glória, honra e louvor entre o Pai e o Filho. Ambos são dignos de honra, reconhecimento e glória.

Existimos aqui na terra, em estado de contradição entre a cruz e a ressurreição. Rodeados pela decadência, ainda assim esperamos a perfeição. Por isso, precisamos crer e depender do poder da ressurreição de Cristo que restaurará o nosso estado. Por vivermos da Palavra de Cristo e por estarmos alicerçados na fé salvadora a morte não tem poder sobre nós. Nada pode nos assustar. Já estamos com Cristo unidos pelo seu Espírito que habita em nós. Já triunfamos com Cristo. Na eternidade já comemos do banquete que o Pai ofereceu para os seus filhos. Não ser condenado por Deus é ser justificado pela fé em Cristo. Podemos afirmar a nossa condição de justos na justiça de Cristo. Tudo isso nos garante a herança do Pai. Tudo o que pertence ao Filho, Jesus Cristo, pertence a nós também. Somos co-herdeiros com Cristo.

Que a sua oração seja: “E agora, ó Deus, concede-me a graça de aproveitar as riquezas de tudo o que a ressurreição de Jesus significa”.

Destaques e Aplicações Finais:

Destaques

Deixar de honrar o Pai é deixar de honrar o Filho. O mesmo acontece de modo inverso.

Crer está intrinsecamente ligado ao Evangelho.

É em Jesus que Deus vem ao nosso encontro. Quando dizemos: creio em Deus, significa concretamente: creio no Senhor Jesus Cristo.

Aplicações Finais

Aquele que crê na Palavra de Deus deve se agarrar nela apesar de tudo àquilo que se opõe a essa Palavra.

A fé é a confiança que permite que nos mantenhamos nele, nas suas promessas e nos seus mandamentos. Manter-se em Deus é abandonar a si mesmo e viver da certeza da sua promessa.

“Eu creio” significa “tenho confiança”. Não é mais em mim mesmo que devo ter confiança. Não necessito mais de me justificar, de me desculpar, de me salvar, de preservar a mim mesmo. Esse esforço terrível do homem para se manter a si mesmo e para se atribuir uma razão a si mesmo, esse esforço se torna um esforço sem sentido. Eu creio, não em mim, mas em Deus.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Soneto de Tortura e Desencanto...

Escrito por Ângelo Monteiro

Não sei que angústia me incomoda o peito
que não posso estar firme nem parado.
Com o pensamento sempre desvairado,
falta-me calma até quando me deito.

A noite vago as ruas, odeio o leito,
não durmo, não descanso, não me enfado,
não fujo, não me mato, e o rosto irado
até de rir perdeu a forma e o jeito.

Por isso não te admire, amiga minha,
que ternura hoje em dia me careça
na voz, que tantas vezes te acarinha.

Mas é que sofro de sentir diverso:
e onde repousarei minha cabeça,
se a dor humana não couber num verso?

Explicando política às crianças...

por Rubem Alves

Meninos, meninas, vou lhes contar como tudo começou, do jeito como me ensinaram. Há muitos milênios atrás ( um milênio são mil anos! ), antes mesmo que a roda tivesse sido inventada, a vida era uma pancadaria generalizada, pauladas, pedradas, furadas ( eram feitas com paus pontudos; ainda não haviam descoberto um jeito de fazer flechas com pedras lascadas), cada um por si, cada um contra todos. Um famoso pensador chamado Hobbes disse que era um estado de “guerra de todos contra todos”. Não havia leis. As leis servem para proibir aquilo que não pode ser feito. Assim, cada um fazia o que queria. Roubar não era crime porque não havia uma lei que dissesse “é proibido roubar”. Matar não era crime porque não havia uma lei que dissesse “ é proibido matar”. E não havia pessoas encarregadas de fazer cumprir a lei: juizes, polícia. É para isso que a polícia existe: para impedir que a lei seja quebrada e para proteger os cidadãos comuns. Quem tivesse o porrete maior era o que mandava. Houve até um famoso presidente dos Estados Unidos que explicou o seu jeito de governar: “Falar manso e ter um porrete grande nas mãos...” Os jeitos primitivos continuam ainda em vigor.

É fácil entender. Imaginem uma coisa doida: um jogo de futebol em que não haja regras e nem haja um juiz que apite as faltas. Tudo é permitido. Tapas, murros, rasteiras, xingamentos, levar a bola com a mão, mudar de time no meio do jogo. Ao final de cada jogo o número de mortos e feridos é grande. Os amantes de futebol queriam continuar a jogar futebol, mas sem medo da violência. Eles se reuniram e disseram: “Não é possível continuar assim. Vamos fazer regras para o futebol. E vamos ter, no campo, um homem que faça com que as regras sejam cumpridas.” E assim fizeram. E o futebol se transformou num jogo civilizado ( às vezes...)

Pois os homens daqueles tempos chegaram à mesma conclusão. Não valia a pena continuar a viver daquele jeito. Eles se reuniram numa grande assembléia e chegaram a um acordo: “Só há uma solução. É preciso que cada um deixe de fazer o que lhe dá na telha. Precisamos leis. Mas, para ter leis, precisamos de um homem que faça as leis. E não só isso: um homem que tenha o poder para punir todos aqueles que quebram a lei.

Os homens, assim, abriram mão das suas pequenas vontades individuais para poderem viver uns com os outros em paz. E para que houvesse um homem que fizesse as leis e punisse os criminosos eles escolheram um que seria o seu Rei, ele e os seus descendentes. O Rei teria que ser aquela pessoa que reinaria para a paz dos homens comuns, os seus súditos. O Rei teria de ser uma pessoa que, ao mesmo tempo, combinasse sabedoria e força. Sabedoria para fazer as coisas certas. E força para que punisse os malfeitores. Em toda situação há sempre os malfeitores, aqueles que quebram as leis. Também no futebol há os malfeitores. No futebol os malfeitores são aqueles que quebram as regras, aqueles que, pensando que o juiz está distraído, dão rasteiras e tentam fazer gols com a mão. Se o juiz ficar desatento e não apitar as faltas a partida de futebol vira pancadaria.

Mas esses homens que elegeram o Rei eram ruins em psicologia. É sempre assim: em período de eleição todos os candidatos se apresentam como honestos, puros, pessoas que só desejam o bem do povo. Mas o povo não conhece psicologia. Acredita naquilo que lhes é dito. Não sabem que essas falas dos candidatos são como a isca no anzol do pescador. O seu objetivo é apenas “fisgar” o voto do povo. E esses puros, uma vez no poder, passam por horríveis transformações. Belos, transformam-se em Feras. Aconteceu assim com os Reis, tão bonitos, tão honestos, antes de terem a coroa na cabeça e a espada na mão. Mas uma vez no poder transformaram-se em Tiranos. Tiranos são aqueles que, esquecidos do povo, impõem a sua vontade sobre ele. Assim os Reis esqueceram-se do povo e passaram a pensar só neles mesmos. Se eles eram aqueles que fazem as leis, e se eles eram aqueles que tinham a espada na mão, não havia ninguém que os punisse. Eles cometiam suas maldades protegidos pela impunidade. Tendo poder para fazer as leis, eles as fizeram só em seu benefício, leis que obrigavam o povo a pagar impostos pesados. Imposto é um dinheiro que o povo tem de pagar ao governo para administrar o país. Tudo estaria bem se o dinheiro dos impostos fosse usado para o bem do povo. Mas não foi isso que fizeram. Usaram o dinheiro do povo para si mesmos. Construíram palácios com jardins, gramados e piscinas, deram banquetes, não só eles mas todos os membros da corte que assim se locupletaram. Todos ficaram ricos. O povo ficou mais pobre, mais sofrido. Aprendam isso: as pessoas mais cheias de boas intenções, quando têm o poder e o dinheiro na mão, esquecem-se delas. Ficam deslumbradas com o poder e passam a pensar só nelas mesmas. O poder e o dinheiro corrompem.

Foi assim durante muitos séculos. Até que o povo perdeu as esperanças. Os reis, que haviam sido objetos da sua admiração, tornaram-se objetos do seu desprezo. Seu perfume se transformou em fedor. Não, os Reis jamais pensariam no bem do povo. Aí o povo pensou: “Não fomos nós que escolhemos o Rei? Se ele está no trono é só porque nós queremos! Ele não está no trono pela vontade dos deuses! Se fomos nós os que o colocamos no trono, temos o direito de tirá-lo de lá”. O povo então se enfureceu, saiu às ruas, pegou em armas, fez revoluções e tirou o Rei do trono. Esse direito do povo, de tirar os Tiranos do poder, pela força, até foi louvado pela mais humilde e a mais santa das mulheres, Maria, mãe de Jesus. Cantando o amor de Deus ela disse que ele “derrubou dos seus tronos os poderosos e exaltou os humildes.” ( Lucas 1:52).

Mas esse direito de tirar os reis dos tronos transformou-se em crueldade. Na Revolução Francesa o rei e a rainha foram guilhotinados. Na Rússia os revolucionários fuzilaram toda a família real, inclusive as crianças.

Voltou-se então ao estado original: não havia quem ditasse leis e as fizesse cumprir, para a paz do povo. Havia o perigo de que se estabelecesse a condição primitiva de “guerra de todos contra todos”. Há de haver quem faça as leis e garanta o seu cumprimento. Mas o povo havia aprendido uma lição: poder por toda a vida, como o que era dado aos reis, só produz tirania e corrupção. É muito perigoso dar poder absoluto a uma pessoa só.

Por que o jogo de futebol é possível? Jogadores, bola – tudo bem. Mas não basta. Há de haver regras. E como se estabelecem regras? As pessoas interessadas se ajuntam e fazem um “contrato”. “Contrato” é um documento que estabelece as regras, com o acordo de todos. Esse contrato contém as regras do jogo que todos devem obedecer. Todas as relações entre os seres humanos são reguladas por contratos. O casamento é um contrato, a compra de uma casa é um contrato, a matricula de um aluno numa escola se faz por meio de um contrato. Quando um povo inteiro quer estabelecer as regras de sua convivência, esse contrato tem o nome de “Constituição”. O Brasil tem uma “Constituição”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Não existe barreira para o Evangelho...

Sempre gostei de Rap e Hip Hop. No cenário cristão é difícil achar alguém que faça Rap com qualidade.
Um novo movimento que une a teologia com a cultura. É muito maneiro.
Segue abaixo um vídeo de Rap com uma excelente letra. Confiram!


video

A Aceitação das Tentações...

Pela tentação de Jesus Cristo, a tentação de Adão chegou ao fim.

Jesus Cristo carregou nossa carne, ele sofreu nossa tentação e obteve o triunfo. Assim, todos nós carregamos hoje a carne que venceu Satanás em Jesus Cristo.

Daqui por diante não somos mais nós que caímos em tentação, mas toda tentação que agora tiver lugar é a tentação de Jesus Cristo em seus membros, em sua comunidade. Não somos nós os tentados, mas Jesus Cristo é tentado em nós.

Examinemos o seguinte trecho Sagrado: “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” [Hebreus 2:18]. Aqui não se fala apenas da ajuda que só pode ser prestada por aquele que conheceu a angústia e os sofrimentos dos outros de experiência própria, mas o verdadeiro sentido é que, em minhas tentações, de fato somente sua tentação é o meu socorro. Ter parte em sua tentação é o único auxilio em minha tentação. Em sua tentação está meu socorro, pois só nela há vitória e superação.

A glória de redimir pecadores, sem destruir Satanás...

O universo existe principalmente para proclamar a riqueza da glória da misericórdia de Deus para o louvor de seus filhos redimidos de toda tribo, língua e nação.

Sem pecado e sem lei para nos condenar, acusar e oprimir, Satanás é um inimigo derrotado. Ele está desarmado. Cristo triunfou sobre ele, sem aniquilá-lo, mas permitindo que ele viva e veja milhões de santos que encontram perdão para seus pecados e lhe viraram as costas porque a glória da graça de Cristo é maior.

Jesus é a misericórdia de Deus encarnada e visível.

Glória a Deus...

Prende-se a Cristo e serás livre.
Sofra por Cristo e sentirás prazer.
Chore por Cristo e poderás sorrir.
Conheça a Cristo e conhecerás a si mesmo.
Ah! Morra por Cristo e viverás para sempre com Ele.

domingo, 9 de agosto de 2009

Timóteo nos ensina a fazer a diferença...

Este artigo será publicado no Jornal Batista da Convenção Batista Brasileira. Este é o período em que os batistas denominam mês da Juventude Batista. O artigo sairá no terceiro domingo.




Timóteo nos ensina a fazer a diferença...


A sensação que tenho ao ler a carta de Paulo a Timóteo é que estou sentado aos pés do apóstolo. A carta é viva e atual. O conselho de Paulo perpassou gerações. Ele é capaz de tocar nesta geração que deixou de mergulhar nos seus ensinamentos.

Inserido numa cultura depravada, opressora, sedutora, egoísta e que banalizava a fé cristã, Timóteo se deparou com a seguinte questão: Vale a pena viver o Evangelho? Será que as paixões que sinto não estão contrapondo a fé na qual fui ensinado desde a tenra idade?

Neste conjunto de fatos e realidades, eu sinto alguma ansiedade em relação ao futuro da liderança da Igreja Evangélica. Esta preocupação surge a partir dos valores que regem a vida dos jovens. Qual o grande desafio, então, para a juventude do terceiro milênio? Estamos “ativistas” ao invés de sermos dinâmicos. Estamos na onda, ao invés de estarmos sobre ela. Fomos envolvidos pela sociedade, ao invés de envolvê-la com o Evangelho. A perda da identidade cristã em busca do ser e do ter tem feito inúmeras vítimas espirituais. Esta leitura possibilita um diagnóstico da igreja evangélica brasileira a partir da nossa juventude comprometida com outros valores e princípios que não são eternos, mas passageiros e decepcionantes.

Surge uma pergunta inevitável: Onde estão os “Timóteos” da nascente geração e do novo milênio? Isto é, onde estão os jovens que resistirão às pressões da cultura dominante. Quem permanecerá firme em seu comprometimento com a autoridade da Escritura? Quem usará sua vida deliberadamente servindo ao Evangelho? Onde estão essas pessoas? Os grupos de jovens que existem nas igrejas estão desenvolvendo e nutrindo os valores do Reino de Deus?

Um olhar cuidadoso e meticuloso fará com que o jovem perceba que a sociedade está enferma. Uma pesquisa recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) elaborada em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República indicou que 33 mil jovens entre 12 e 18 anos devem ser assassinados no Brasil de 2006 até 2012. Será que isto não mexe com você? Caro jovem cristão, você está inserido nesta pesquisa. Os seus braços ficarão cruzados quando você e tantos outros correm o risco da morte? Tudo isso porque esta sociedade está submersa na escuridão.

Esta geração possui uma fonte de riqueza muito grande em relação à capacidade de atingir multidões. Vão pelas avenidas e fazem protestos, lutam por direitos dos estudantes.

Ser um jovem cristão não é fácil. Tudo é lançado pronto: a comida, o estilo de roupa, o corte de cabelo, os adereços das mulheres. Infelizmente, a juventude prioriza o recurso do “não-esforço”. Para que pensar se existe alguém que pode fazer isso? Para que mudar a realidade?

Por isso, vale destacar alguns jovens que fizeram a diferença. Por exemplo, Charles Haddon Spurgeon, que aos 17 anos foi ordenado pastor. Antes de completar 20 anos ele foi convidado para assumir o pastorado da igreja de New Park Street, em Londres. A igreja estava em decadência espiritual, moral e social. Contava com somente 200 membros quando possuía um santuário com capacidade para 1.200. Em menos de um ano o templo não comportava as pessoas. Deus operou um despertamento espiritual e usou a vida do jovem Spurgeon.

David Brainerd era um jovem fraco, magro, depressivo e turbeculoso. Ele se converteu aos 21 anos. Ele exerceu a obra de Deus numa tribo indígena. Passou fome, perigos, escassez de conforto e sofreu a solidão. Deus, porém, realizou por seu intermédio o maior avivamento em tribos indígenas na história dos Estados Unidos. Ele morreu com apenas 29 anos de idade. Ele glorificou a Deus até o último momento da sua vida. Ele fez a diferença.

Nós, cristãos, temos o hábito de lamentar a deterioração dos padrões do mundo com um farisaico ar de grande desalento. Criticamos a sua violência, desonestidade, imoralidade, desrespeito para com a vida humana e sua ganância materialista. “O mundo está se afundando cada vez mais”, dizemos, com um encolher de ombros. Mas de quem é a culpa? Quem é responsável por isso? Se a sociedade se decompõe e seus padrões declinam a tal ponto que ela acaba se tornando como uma noite escura ou um peixe malcheiroso, é um contra-senso culpá-la. Pois isto é exatamente o que acontece quando homens e mulheres “caídos” são deixados entregues à própria sorte e quando o egoísmo humano não é questionado. A pergunta a ser feita é: “Onde está a Juventude Cristã? Por que os jovens cristãos não estão transformando a sociedade?”. Portanto, se a escuridão e a decomposição existem, a falha é nossa e temos que assumir a culpa.

Você pode ser muito jovem, tímido e fraco. Como Timóteo era. Você pode viver em um ambiente hostil. Timóteo também vivia. Mas, como Timóteo, você possui todos os recursos que precisa. As Escrituras inspiradas por Deus podem guiar, equipar e inspirar você. Então permaneça firme: “Fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2.1).

Como a OMS distorceu dados da mortalidade materna para avançar a agenda do aborto...

Comentário de Elizabeth Walsh

WASHINGTON, DC, 6 de julho de 2009 (Notícias Pró-Família) — Num relatório anual recentemente divulgado sobre a condição da saúde mundial, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresenta estatísticas que enganosamente parecem colocar a mortalidade materna em pé de igualdade com outras doenças assassinas mundiais como a malaria e o HIV/AIDS. Essa nova abordagem contradiz outros relatórios da OMS em que a mortalidade materna nem mesmo chega entre as dez principais doenças que mais matam no mundo, ficando na posição de certo modo mais baixa do que as fatalidades de acidentes de carro.

A confusão surge primeiro na segunda tabela do relatório, que fornece dados sobre a mortalidade devido a causas maternas, o HIV/AIDS, a malaria, a tuberculose, as doenças cardiovasculares, o câncer e os ferimentos. Todas essas causas de morte, exceto a mortalidade materna, estão entre as dez principais causas de morte mundial. Mas a mesma tabela de estatísticas mostra a mortalidade materna, como se fosse comparável aos outros.

Ainda mais confusa para o leitor casual é que as estatísticas na tabela de mortalidade materna realmente parecem ser uma causa maior do que as outras. A tabela mostra que a mortalidade materna tem um “índice de mortalidade” de 400 enquanto as doenças do coração, consideradas a causa número um de mortes no mundo inteiro, têm um índice de mortalidade de 301. Embora a própria OMS diga que a mortalidade materna mate 536.000 por ano e as doenças do coração matem 7,2 milhões, essa aparente paridade é alcançada quando os números de mortalidade materna são mostrados como um número variável de nascimentos vivos totais enquanto os outros são mostrados como um número variável da população total — uma mistura de maçãs e laranjas.

Os críticos acusam que o relatório é parte de uma contínua campanha das agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e da OMS de exagerar a incidência real da mortalidade materna com o propósito de promover o aborto.

Um boletim da OMS de 2005 admitiu que relativamente poucos países fornecem dados confiáveis e completos sobre a mortalidade ou causa de morte. Aliás, dos 46 países africanos, que supostamente representam cerca de 50% das mortes maternas, só um país tinha dados completos disponíveis. Ainda assim, a OMS rotineiramente declara que cerca de meio milhão de mulheres morrem anualmente de “causas maternas” nos países em desenvolvimento, independente do fato de que os dados disponíveis dos países em desenvolvimento sobre esse assunto são inconfiáveis, com “margens de incerteza elevada”. A Divisão de População da ONU, o escritório oficial da ONU que lida com estatísticas, se recusa a usar o número de 500.000 precisamente porque não dá para confirmá-lo.

A ONU e suas agências firmemente propõem o aborto e a contracepção, sob o eufemismo de “planejamento familiar”, como o melhor jeito de resolver o problema exagerado da mortalidade materna. A declaração conjunta de 1999 disponibilizada pelo Banco Mundial, FNUAP, UNICEF e OMS reiterou a importância de reduzir a mortalidade materna por meio de “três áreas chaves para ação”: “capacitar as mulheres a fazer escolhas em suas vidas reprodutivas”, melhorar o “acesso para e qualidade de serviços de saúde materna” e “garantir acesso para informações e serviços de planejamento familiar”.

A conferência “Mulheres Dão a Luz” de 2007 patrocinada pela ONU também defendeu o que a Dra. Susan Yoshihara denominou de mentalidade “aborto primeiro” para melhorar a saúde materna. Isso subestima métodos comprovados de reduzir a mortalidade materna associada ao parto por meio do acesso a enfermeiras de parto especializadas e assistência obstétrica de emergência.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Quem pode mais?


Uma leitura cuidadosa e meticulosa proporcionará o diagnóstico da sociedade.

Estamos na era da competição. Acontece diariamente de forma oculta ou revelada uma olimpíada. O ser humano vive com a idéia de superar obstáculos. A questão agora é que o obstáculo se tornou o seu próximo. Nesta competição não há ética, moral, respeito e amor.

Este o nome da cultura atual – quem pode mais. O individuo tem que superar o outro na área profissional. A mulher enfeita-se mais do que a outra para ter o destaque. É a disputa no ambiente acadêmico para ver quem tem mais diplomas. Enfim, uma série de exemplos poderiam fazer parte desta lista. No entanto, a averiguação não é feita para um outro campo social – Quem pode mais na área da iniqüidade?

As pessoas vivem, respiram e aspiram à maldade. Se um homem diz que saiu com uma mulher, o outro precisa dizer que saiu com duas. No contexto do trafico é pior. O traficante mata uma pessoa e o dono do outro morro comete um chacina para mostrar o seu nível de poder. Um usuário de drogas cheira uma carreira de cocaína e o seu parceiro cheiro três para demonstrar que ele é bom da parada. Existe uma competição que se trava no estádio da maldade. É a proliferação e a superação dos atos mais cruéis, nefastos, desumanos e maquiavélicos que o ser humano cria e recria.

A corrupção corre a solta na sociedade avançada. Ela tomou poder sobre nós até mais do que seria de se esperar pela natureza humana. Na verdade, em seus pecados os homens superaram todos os limites inimagináveis. Envolveram-se desta maneira na morte e na corrupção, passaram a caminhar gradualmente de mal a pior, não se detendo em nenhum grau de malícia, mas, como se estivessem dominados por um insaciável apetite, continuamente inventando novos tipos de pecados. Todavia, o homem dedica-se na tentativa de porfiar e superar o outro em malícia. Neste sentido a competição pode ser vista de outra maneira.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobre o livro de Orações Puritanas...

O livro infelizmente não está disponível no mercado editorial brasileiro.
Existe a possibilidade de ser publicado, mas não tem data.

A cultura da mutação...


O número de pessoas insatisfeitas com o corpo cresce a cada dia. Tenho por experiência a minha própria casa. Geralmente a minha esposa diz – o meu corpo não está legal.

Uma pesquisa constatou que jovens entre 14 a 18 anos são os que mais procuram clínicas de estéticas. O percentual cresceu mais de 700% desde 1994. Adolescentes que estão em processo de transformação já entram em mutação. O sexo feminino desta faixa etária muda nariz e seios. Fazem lipoaspiração. O sentimento que toma conta é – agora possa ser aceita. Aceita por quem? Pela sociedade. Pelo grupo de afinidade. Às vezes não é uma questão própria da pessoa. O problema é que disseram que para estar na onda é preciso de alguns reparos.

Recentemente o jornal O Globo noticiou que uma linda modelo carioca ficou mutilada por tentar fazer reparos no corpo. Aparentemente a mulher não tinha nada para mudar. Era muito bonita. Na busca do prazer corporal ela se tornou um Frankenstein. Assim muitas mulheres e homens se tornaram monstros. Um grande exemplo disso é o Rei do Pop Michael Jackson. No final da sua vida estava praticamente irreconhecível.

Por que as pessoas não aceitam o que são? Existem várias respostas para esta pergunta. Mas uma pode ser a falta de opinião e personalidade. Isto é uma questão da falta de capacidade para refletir e dialogar com o que está sendo oferecido e ditado. Não é o corpo que precisa de mudança, é o cérebro que precisa mudar. Infelizmente não há possibilidade de transplante de cérebro.

Resolvi tirar o contador de visitas...


Na modificação do blog o meu contador foi retirado.

A decisão de removê-lo foi simplesmente por uma questão de não cair na soberba. Embora a número não fosse tão grande de acessos. No momento da modificação o contador registrava cerca de quatorze mil visitas. Não é um número grande. Existem outros blogs com um número maior.

Confesso que o orgulho aflorava quando olhava o contador. Por isso, achei melhor tirá-lo. Parece uma bobeira a situação, mas é o reflexo da cultura. A nossa sociedade vive em torno dos números. O empresário que tem a maior fatura. O pastor que tem a maior igreja. A disputa para a maior entrada de dízimos.

Esta situação não é exclusiva da sociedade secular. Faz parte da comunidade de fé cristã. Não tenho a pretensão de espiritualizar nada, mas o número no contexto em que nos encontramos se tornou diabólico. Por causa dos números as pessoas perdem a ética, o senso, a dignidade e o respeito pelo próximo.

A cultura da massificação dos números pode ter um significado para alguns: fracasso, maldição, pobreza, limitação, pouca fé e a falta de determinismo. Ou seja, se você não tem muito está fora da moda.

Esta é uma triste situação que a sociedade se encontra. É uma geração de enfermos. O nome doença é “números”.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Refúgio (Uma Oração Puritana)...

Seja esta a sua oração:


Ó SENHOR,
Cujo poder é infinito e cuja sabedoria é infalível,
Que nenhum acontecimento possa me deter ou desencorajar,
nem ser obstáculo ao progresso da tua causa;
Coloca-se entre mim e toda disputa, que nenhum mal aconteça,
nenhum pecado corrompa meus dons, zelo, serviço;
Que eu possa fazer o que deve ser feito
e não qualquer outra invenção tola de minha própria vontade;
Não me permita laborar numa obra que tu não hás de abençoar,
que eu possa servir a ti sem desabono ou falta;
Deixa-me habitar no mais secreto lugar debaixo da tua sombra,
onde há segura proteção impenetrável
da seta que voa de dia,
da peste que anda na escuridão,
das altercações verbais,
da maliciosa vontade perversa,
da chaga da conversa grosseira,
das companhias traiçoeiras,
dos perigos da mocidade,
das tentações da vida adulta,
dos lamentos da velhice,
do medo da morte.
Dependo completamente de ti para apoio, conselho, consolo.
Sustenta-me por teu Espírito,
e que eu não venha a pensar que é o bastante ser preservado de cair,
mas possa sempre seguir adiante,
sempre abundando na obra que tu me deste a fazer.
Fortalece-me por teu Espírito que habita em mim
para todo propósito da minha vida cristã.

Todas os meus tesouros eu confio à sombra da segurança que está em ti —
meu nome renovado em Cristo,
meu corpo, alma, talentos, caráter,
meu sucesso, esposa, filhos, amigos, trabalho,
meu presente, meu futuro, meu fim. Toma-os, são teus, e eu sou teu, agora e sempre.


Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Extraído de: The Valley of Vision:
A Collection of Puritan Prayers & Devotions,
editado por Arthur Bennett, p. 134.

A Grande Ocupação do Pastor...


Nos termos atuais ele seria chamado – O cara. Um dos maiores pregadores da Europa. A Escócia foi sacudida pelo breve tempo de ministério de Robert Murray.

McCheyne tem impactado a minha. Sou impelido a ler os seus sermões. Leiam este sermão. E se você é um pregador do evangelho, reflita e renove a sua pregação.


A Grande Ocupação do Pastor

Robert Murray McCheyne *


Esta ocupação é descrita de duas formas: primeiro, de modo geral – pregar a Palavra; segundo, entrando em detalhes – redargüir, repreender, exortar.

1. Pregar a Palavra.
A grande obra do pastor, na qual deve depositar as forças do seu corpo e mente, é a pregação. Por fraco, passível de menosprezo, ou louco (no mesmo sentido chamaram a Paulo de louco) que possa parecer, este é o grande instrumento que Deus tem em suas mãos e para que, por ele, pecadores sejam salvos e os santos sejam feitos aptos para a glória. Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar aos que crêem. Foi para isto que nosso bendito Senhor dedicou os poucos anos de seu próprio ministério. Ó, quanta honra deu Jesus à obra da pregação ao pregar nas sinagogas, no templo ou mesmo sobre as calmas águas do mar da Galiléia! Não fez Ele a este mundo o campo de sua pregação? Esta foi a grande obra de Paulo e de todos os apóstolos. Por isso Ele deu este mandamento: "Ide por todo mundo e pregai o evangelho". Ó irmãos, esta é nossa grande obra! Boa coisa é visitar os enfermos, ensinar às crianças e vestir aos que estão nus. Bom é também atender ao ministério do diaconato, escrever ou ler livros. Porém, a principal e maior missão é pregar a Palavra. "O púlpito – como disse George Herbert – é nosso gozo e trono". É nossa torre de alerta. Dela temos de avisar ao povo. A trombeta de prata nos tem sido concedida. O inimigo nos alcançará se não pregarmos o Evangelho.

O Tema. A Palavra.

Em vão pregamos se não pregarmos a Palavra, a verdade, tal como está em Cristo Jesus.

A) Não há outro tema a nos ocupar. "Vós sois minhas testemunhas". "Este (João Batista) veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz" (João 1:7). Não podemos falar de nada, senão só do que temos visto e ouvido de Deus. Não é obra do pastor aclarar temas da sabedoria humana ou expor suas próprias idéias ou teorias, mas só falar da glória e fatos do Evangelho. Devemos falar o que está contido na Palavra de Deus.

B) Pregar a Palavra, especialmente as partes mais importantes. Se você estivesse com um moribundo e soubesse que ele tinha apenas meia hora de vida, de que lhe falaria? Explicaria alguma curiosidade da Bíblia? Falaria das exigências dos mandamentos de Deus? Não lhe falaria daquilo que é mais importante: sobre sua condição de perdido em que se acha por natureza e do seu estado de inimizade com Deus, urgindo-o a arrepender-se? Não lhe contaria a respeito do amor e da morte do Senhor Jesus Cristo? Não lhe diria do poder do Espírito Santo? São estas as coisas vitais que o homem deve receber, e sem as quais perecerá. Estes são os grandes temas da pregação. Não devemos pregar tal como fez Jesus aos discípulos de Emaús, iniciando desde Moisés e passando pelos profetas, e das coisas relativas a Ele mesmo? "Haja muito de Cristo no vosso ministério", disse Eliot. Rowland Hill costumava dizer: "Olhe que não tenhas nenhum sermão sem os três R.: A Ruína da queda; a Justiça (righteousness, em inglês) em Cristo; e a Regeneração pelo Espírito". Temos de pregar a Cristo para despertar as almas, confortá-las, e santificá-las. "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gálatas 6:14).

C) Pregar exatamente o que há na palavra de Deus. Quero sugerir humildemente para consideração de todos os ministros que é nossa obrigação pregar a Palavra de Deus na forma em que se acha nas suas páginas sagradas. Não é a Palavra a espada do Espírito? Não deve ser nossa grande obra tomá-la da sua bainha, limpá-la de todo mofo que a cobre e aplicar seu penetrante fio nas consciências dos homens? Certamente nossos antepassados no ministério costumavam pregar desta maneira. Brow de Haddington costumava pregar como se ele não houvesse lido outro livro senão a Bíblia. A verdade de Deus em sua desnuda simplicidade é o que o Espírito desejará honrar e bendizer grandemente. "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade".

2. Redargüir, repreender, exortar.
A primeira obra do Espírito sobre o coração natural é redargüi-lo do pecado. Mesmo que seja o Espírito de amor e a pomba seu símbolo, mesmo que seja comparado ao doce vento e à suave brisa, apesar de tudo, sua primeira obra é convencer os homens dos seus pecados. Se os pastores estão cheios do mesmo Espírito realizarão esta obra da mesma maneira. É o método que normalmente é usado por Deus: despertar aos homens e levá-los a desesperar de sua própria justiça antes de revelar-lhes a Cristo. Assim foi com o carcereiro de Filipos. Aconteceu o mesmo a Paulo que ficou cego por três dias. Todo fiel ministro deve esforçar-se por isto. Colocar o arado sobre o terreno e não semear entre cardos e espinhos. Os homens devem ser humilhados pela Lei para ver sua culpa e miséria. Se não for assim toda nossa pregação é como "desferindo golpes no ar" (I Coríntios 9:26). Ó, irmãos! Tem sido este o nosso ministério? Cumprimos o ministério da Palavra sensível e claramente? Eu temo que a maioria de nossas congregações tenham membros seguindo um rumo equivocado, navegando a favor da corrente, estando a ponto de entrar na eternidade não convertidos e não nascidos de novo. Estes não nos agradecerão na eternidade pelo fato de termos falado só de coisas doces a seus ouvidos carnais.

Não, talvez possam pedir-nos que falemos assim, agora, mas nos amaldiçoarão com todo ódio na eternidade. Ó, por Cristo, que cada um de nós seja achado fiel na pregação.

Exortar.

A palavra original significa consolar, falar como faz o Consolador. Esta é a segunda parte da obra do Espírito Santo, guiar a alma a Cristo para falar-lhe das boas novas. Esta é a obra mais difícil, ou a parte mais difícil do ministério cristão. João Batista fez também esta obra: "Eis o Cordeiro de Deus". Isaías disse: "Consolai-os, consolai-os". Tal foi à ordem do nosso Senhor: "Ide e pregai o evangelho a toda criatura...". As boas novas fazem formosos os pés dos que anunciam coisas boas (Romanos 10:15). O pastor tem de pregar acerca de um Deus todo poderoso, completo e livre Salvador divino.

É aqui que há um defeito na pregação de minha amada Escócia de hoje. Muitos pastores estão acostumados a mostrar Jesus diante do povo. Expõem de forma clara e bela o Evangelho, porém não urgem aos homens para que entrem no reino. Mas Deus diz: Exorta! (roga aos homens); persuade-os! Não somente mostre a porta estreita aberta, mas insta-os a que entrem por ela. Ó, sejamos mais misericordiosos para com as almas, para que possamos por nossas mãos sobre os homens e os guiemos com suave a doce contato ao Senhor Jesus.


* Parte de uma mensagem de Robert Murray McCheyne quando pregou em uma cerimônia de ordenação de um ministro evangélico - Transcrito de Mensajes Bíblicos (The Banner of Truth Trust).

Nota sobre o Autor: Robert M. McCheyne nasceu em 21/05/1813, em Edimburgo, Escócia. Foi autorizado a pregar aos 22 anos, ordenado ao pastorado da Igreja de S. Pedro, em Dundee - Escócia, aos 23 anos e morreu 6 anos mais tarde. Ele raramente pregava fora da sua terra nativa. Também não escreveu livros e era extremamente frágil de saúde. Entretanto, o impacto do “profeta de Dundee” , como era conhecido, permanece até hoje. A História registra que toda a Escócia foi sacudida por ele, e com a sua morte, ela pranteou.

Lições que Tenho Aprendido...



por Ricardo Barbosa *




Um dos riscos que pastores, educadores e pais enfrentam sempre é o de achar que os outros é que precisam aprender, nunca eles. Os pastores estão sempre pregando para os outros, fazendo apelos para os que ainda não se converteram ou não se consagraram. É difícil ver um pastor fazendo apelo para si mesmo; os pais, da mesma forma. Estão sempre preocupados em disciplinar seus filhos, mas dificilmente sujeitam-se a qualquer disciplina. Dizem que os filhos precisam aprender a obedecer, mas quase nunca obedecem a ninguém. Os professores e educadores, em sua grande maioria, fazem o mesmo.

Este é um risco contra o qual luto sempre. Minha tendência é ler a Bíblia para os outros; pregar contra os erros e pecados dos outros; orar pela transformação dos que andam por caminhos falsos. Resisto em incluir-me entre aqueles contra os quais proclamo o Evangelho de Cristo. Contudo, sei que o que conta não é o que ensino, mas o que aprendo - a pessoa sempre precede aquilo que fala. É por isso que o apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, pede a ele que se lembre, não das coisas que aprendeu, mas de quem aprendeu. Para Paulo, o mestre era a lição.

Tenho aprendido que a única possibilidade de amar e seguir amando é quando reconheço e aceito o grande e incondicional amor de Deus por mim. A certeza de ser amado, aceito e reconhecido me dá a segurança de que preciso para entrar no mundo e amar os homens, mesmo sabendo que muitos me abandonarão e rejeitarão. Dá-me também a segurança de que posso servi-los sem esperar qualquer retribuição ou forma de compensação.

Tenho aprendido que só posso perdoar quando reconheço que o meu pecado e minha enorme dívida para com Deus e para com a humanidade foram completamente perdoados e esquecidos pela graça de Jesus Cristo. Somente quando o enorme fardo que pesa sobre mim é tomado pelo Senhor posso ver-me livre para ajudar meus irmãos a carregarem seus pesados fardos e oferecer a eles o mesmo perdão que recebi de Cristo. O perdão e o amor não são virtudes minhas; são minha resposta ao que Deus fez e tem feito por mim.

Tenho aprendido a olhar mais para minhas fraquezas do que para as próprias forças e competências. Não tem sido fácil, mas hoje sei que não haverá crescimento ou transformação pessoais se eu não for capaz de reconhecer minhas próprias feridas e fraquezas. Aprendi com o apóstolo Paulo que, quando sou fraco, aí é que sou forte, e de que são as minhas fraquezas que me levam sempre de volta à oração e à dependência de Deus. São elas que me despertam todos os dias para suplicar por uma força que não tenho - para clamar a Deus, mais uma vez, por misericórdia e compaixão.

Tenho aprendido a aceitar meus limites e minha humanidade. Já cansei de tentar ser o que não sou, de querer atender a demandas e expectativas dos outros. Quero viver como um homem, lutando contra minhas ambigüidades, enfrentando meus pecados; mas também amando e celebrando a vida, os amigos, a graça, o amor, a fé. É possível que isto leve alguns a se decepcionarem comigo, mas não pretendo abrir mão do que sou e deverei ainda ser diante de Deus e dos homens.

Tenho aprendido que a oração é uma amizade com Deus. Que não se trata de um recurso utilitário através do qual adquirimos bênçãos. É um convite para uma comunhão que nos traz a segurança do amor divino e, na medida em que ela se torna mais pessoal e íntima, mais nos transforma à imagem e semelhança de Cristo.

Tenho aprendido que a amizade é uma das poucas coisas que carregamos conosco por toda a vida. Ter um amigo - alguém que nos compreenda e com quem podemos compartilhar os segredos da alma, alguém que nos aceita e ama sem querer nos mudar, mas que também não se conforma com nossos erros e pecados - é coisa rara nos dias de hoje, é uma dádiva divina que temos que guardar como um tesouro.

Tenho aprendido a amar a Igreja. Não refiro-me aqui aos seus programas ou peso institucional, mas sim ao grupo de irmãos e irmãs com quem compartilho a fé e a vida, ao corpo de Cristo. Quanto mais me envolvo com ela e conheço suas alegrias e esperanças, dores e feridas, mais reconheço o quanto preciso dela para continuar crescendo diante de Deus e dos homens.

Tenho aprendido a dar valor às coisas pequenas, aos gestos simples, aos passos tímidos e vacilantes daqueles que lutam para andar e seguir adiante, e às descobertas que trazem nova luz à fé. Como diz o salmista, não ando à procura de grandes coisas, muito pelo contrário - tenho aprendido que as grandes coisas começam com uma suave brisa e que a vida não é feita apenas de grandes acontecimentos, experiências extraordinárias ou revelações bombásticas, mas de eventos comuns e rotineiros onde, através da oração, reconhecemos a presença de Deus, que não apenas dá sentido à nossa rotina, mas também abre os nossos olhos para contemplarmos sua graça e amor.

Tenho aprendido que o amor de minha esposa e filhos, vivido e provado nas rotinas ordinárias da nossa casa, são instrumentos da providência divina que preservam minha saúde espiritual e emocional. Tenho aprendido que a vida doméstica protege-me das ilusões e seduções criadas pela propaganda e me mantém atento ao que é real e verdadeiro.

Estas são algumas lições que tenho aprendido. Que Deus continue nos abençoando.




* Ricardo Barbosa é ministro da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília.

A foto da página...

Esta foto simplesmente revela o meu sonho. Ardentemente anseio um dia realizá-lo. A foto é uma parte do campus da Universidade de Oxford, Inglaterra. É um lugar que exala o aroma do bom conhecimento.

Tempo de mudança...


A mudança do blog é o reflexo da minha vida.
Nos últimos meses a minha vida mudou. A teologia mudou (sem perder a origem). A minha igreja mudou. Postulados mudaram. Visão de mundo mudou. A leitura sobre mim mesmo mudou.
Estava e estou precisando de uma mudança. Canso muito fácil das coisas. Canso de mim mesmo. Canso da minha piedade barata. Canso da minha fé que não é capaz de mudar a mim mesmo e o que está a minha volta. Canso da rotina. Canso de ler. Canso de buscar e não encontrar. Enfim, canso da minha vida que está cansada de mim.
Estou certo que nunca deixarei de mudar. Sempre serei uma metamorfose ambulante. Digo isto pelo simples fato de que existe somente um que é imutável – Deus. Ele não muda.
Não gosto da pergunta – quem é você? Não sei. Sou um milhão de coisas. Existem mil possibilidades em mim. Isto não é esquizofrenia. Sou apenas um ser humano normal. Não confundo o irreal com o real. Embora às vezes a vontade é trazer o mundo ideal para o real. Isto sim seria um problema filosófico.Chega de viagem. Somente relatei as mudanças que eu e todos estamos a passar.