sábado, 19 de dezembro de 2009

Rui Barbosa...

"Nasci, é verdade, na pobreza; e tal me honro; porque essa pobreza era a coroa de uma vida, que o amargor dos sacrifícios não deixou frutificar em prosperidade. Mas se disso me desvaneço, não é menor a honra, para mim, de sabido, com o suor de muitas agonias, transformar espinhos em frutos de bênção, fazendo do meu trabalho um manto de respeito para a memória de meu pai."

Rui Barbosa...

"Os governos do validismo e impunidade acabam fatalmente na política de alcova. Gasto nos homens o sentimento da dignidade e, substituídas as ambições da honra pelas do dinheiro, vai-se ter, por fim, a essa esqualidez d'alma, em que se não hesita em cunhar dinheiro com a família, vendendo o objeto das afeições mais santas no mercado da lascívia poderosa."

Rui Barbosa...

"Creio, e sempre acreditei que, em matéria de justiça e brio, não há categorias. Entendo, e sempre entendi que nos primeiros anos da vida é que se há de cultivar com mais mimo a flor da sensibilidade moral. Penso, e nunca deixei de pensar que de moço é que o homem se habitua, pelo exemplo dos seus mestres e superiores, a ser reto e zeloso da sua dignidade."

Rui Barbosa...

"À consciência de um homem de bem não é dado sondar o íntimo à primeira alusão desprezível, que lhe dirijam. Mas a reiteração da afronta, ainda quando se lhe não rasteie o sentido, o adverte de que alguma trama indigna se urde, no escuro, contra o seu nome, e o obriga, em qualquer tempo que ela se reproduza, a arrancar a máscara à calúnia. Esta reação nunca é tardia, nunca o pode ser, e, toda vez que se manifeste, o mais trivial instinto da dignidade humana impõe ao agressor o dever de descobrir as suas armas. E ao agredido assiste o direito de exigi-lo."

Rui Barbosa...

"Desde 1876 que eu escrevia e pregava contra o consórcio da Igreja com o Estado; mas nunca o fiz em nome da irreligião: sempre, em nome da liberdade. Ora, liberdade e religião são sócias, não inimigas. Não há religião sem liberdade. Não há liberdade sem religião."

Rui Barbosa...

"Felizmente a força e fulgor da religião católica não dependem dos erros e crimes de seus sacerdotes: o divino e eterno não dependem do humano e contigente. Embora qualificados de ateus, continuaremos a amar a religião em que nascemos: porque a consideramos a única verdadeira e divina, tanto mais quando tem resistido a ação deletéria de tantos vícios e crimes, praticados em seu nome e a sua sombra."

Rui Barbosa...

"O Estado não deve ensinar a religião, pelo mesmo motivo por que não pode ensinar a irreligião. São razões de moralidade, razões de governo, razões de direito, razões de competência natural as que se opõem a que ele abra escola profissional de incredulidade, ou assuma a cadeira de propaganda religiosa."

A Igreja Evangélica é legitimadora da corrupção...

por Henrique Moraes Ziller

A afirmação que se faz no título desse artigo fundamenta-se em cinco percepções acerca da presença da Igreja Evangélica na nação brasileira, relativamente a sua atuação.

Em primeiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não a denuncia. Não concebe que deva encarnar a função profética, relega ao segundo plano as questões sócio-políticas, e não se manifesta sobre aquela que é a maior manifestação do mal nas terras brasileiras: a corrupção. Não há denúncia.

Em segundo lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque sua ação social substitui a ação do Estado, não denuncia a situação e não exige que o Poder Público desempenhe suas obrigações. Se por um breve momento a Igreja Evangélica Brasileira deixasse de realizar suas ações de assistência social, o País se tornaria um caos, imediatamente. A distribuição da renda, consubstanciada na distribuição de cestas básicas e demais ações similares, a recuperação e inserção social, consubstanciadas nos trabalhos das inúmeras casas de recuperação, a promoção do ensino, por intermédio de milhares de escolas confessionais, o cuidado com a criança, realizado por creches e pela própria Escola Dominical, tudo isso, são funções do Estado negligente que não as realiza. Na medida em que a Igreja Evangélica faz tudo isso – e jamais deve deixar de fazer – sem a devida e obrigatória participação do Estado, e não denuncia a gravidade do fato, está sendo cúmplice de governantes e parlamentares criminosos, que utilizam em benefício próprio os recursos que deveriam ser destinados a essas atividades.

Em terceiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque se associa ao Poder Público sem a crítica adequada. Seus líderes sobem nos palanques políticos, impõem as mãos sobre as cabeças de gente cujo pensamento está voltado apenas para seus próprios interesses e para o crime, dá e recebe condecorações de e para gente sem a menor credencial ética para isso, cede os púlpitos a bandidos, enfim, associa-se a gente que deveria estar presa, mas que usufrui da liberdade que o seu poder lhes permite adquirir. Aqueles que deveriam ser alvo de denúncia e profetismo por parte da Igreja são seus grandes amigos e aliados.

Em quarto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não desenvolve ações consistentes de combate à corrupção. E nem poderia ser diferente, visto que ela nem mesmo a denuncia. Enfrentar esse mal é obrigação, mas nada faz a respeito.

Em quinto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque a pratica desavergonhadamente.

À denúncia acima pronunciada segue-se, necessariamente, a proposta de ação.

1. Para denunciar a corrupção nos púlpitos, e perante a nação, obrigação inadiável da Igreja Evangélica Brasileira, é necessário colocar ordem dentro de casa: transparência das contas. Igrejas precisam publicar seus balancetes e prestar contas do que fazem com os dinheiros de seus membros, se quiserem ter credibilidade e autoridade para profetizar contra o mau uso dos recursos pelo Poder Público. Os líderes de igreja não podem submeter-se apenas à prestação de contas – inevitável e certa – diante de Deus. Precisam entender o momento em que o País se encontra e dar o exemplo. Transparência, eis a exigência.

2. A Igreja não pode deixar de fazer ação social, mas tem que cobrar a ação do Governo, o emprego das verbas públicas nos programas sociais e as ações que promovam a distribuição de renda. Precisa-se, antes de mais nada, de informações acerca de todo o esforço que a Igreja Evangélica Brasileira está fazendo para amenizar a situação de dificuldade em que vive grande parte da nação. O Governo tem que conhecer a enorme dimensão dessas ações, e seu alcance. Trabalho que dá credibilidade para cobrar do Governo que faça a sua parte, em particular impedindo que o dinheiro público seja desviado para atender a interesses privados. A Igreja não pode substituir a ação do Estado, como ocorre hoje; esse esforço tem que ser complementar. O Estado tem a obrigação de zelar por seus cidadãos, a Igreja, de amar o próximo. O trabalho da Igreja não exime o Estado de sua responsabilidade. No entanto, a última coisa que se deve pleitear é a parceria na qual as igrejas recebam mais verbas públicas para a realização de ações de cunho social. Há generosidade e recursos suficientes para contribuir com as obras das Igrejas. Não se rejeitam parcerias com o Poder Público, mas elas só podem se estabelecer fundamentadas em sólidos sistemas de controle e transparência. Em parceria com o Poder Público, a Igreja tem demonstrado que é engolida pelo mesmo mal que assola a Nação.

3. Não há outra possibilidade, nesse momento, senão o rompimento radical com as práticas que a Igreja Evangélica Brasileira tem adotado em relação aos seus representantes no Poder Executivo e no Poder Legislativo. Se eles querem ir às igrejas, ou se mesmo já são membros, que se assentem nos bancos e ouçam, em silêncio. Se quiserem conversar com esse povo sobre política, que se marquem reuniões específicas para isso, e que nunca se tratem tais assuntos em cultos. Não se pode mais chamá-los aos púlpitos e impor sobre eles as mãos, manipulando a compreensão dos membros. Se querem oração que recebam-na nos gabinetes, pois o Deus que ouve em secreto em secreto os responderá. Pastores não devem receber condecorações das mãos de criminosos travestidos de prefeitos e parlamentares, há que se ter o mínimo de decência e discernimento.

4. A Igreja precisa adentrar o espaço público aberto a ela e a toda a comunidade. Participar dos Conselhos Municipais de Políticas Públicas criados por lei para exercer o controle das ações públicas em áreas como a educação, a saúde e a assistência social, entre outras. Pastores devem incentivar seus membros a participar, promover treinamento para eles, e facilitar-lhes o acesso a estas instâncias de participação política. Fazendo isso, a Igreja estará garantindo a merenda escolar para seus próprios filhos – e demais crianças de suas cidades, o salário adequado para os professores, os recursos para as entidades de assistência social, os programas de enfrentamento de moléstias, o dinheiro para a farmácia básica, entre tantas outras possibilidades. A legislação brasileira tem criado esses conselhos, dos quais devem fazer parte representantes da sociedade civil organizada. Espaço absolutamente adequado para a ação consistente da entidade que mais faz ação social nesse País, a Igreja Evangélica Brasileira.

5. Quanto à participação na corrupção desenfreada nesse País, já conhecida há tanto tempo, e vergonhosamente evidenciada, por exemplo, na CPMI dos Sanguessugas, é necessário, em arrependimento e quebrantamento, pedir perdão. Pedir perdão a Deus e à Nação, pois esperava-se muito mais da Igreja Evangélica Brasileira.

Sobre ela pesa duro juízo, por suas ações, por sua acomodação, por sua omissão cúmplice. Pois, ao invés de destruir as obras do diabo, tornou-se particípe delas.


* Henrique Moraes Ziller é membro da Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília – DF, é Audito Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União e Presidente do Instituto de Fiscalização e o controle.

Fonte: www.cristianismohoje.com.br

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Armas da liberdade...

por Olavo de Carvalho

A coisa mais óbvia, na análise da História e da sociedade, é que, quando a situação muda muito, você já não pode descrevê-la com os mesmos conceitos de antes: tem de criar novos ou aperfeiçoar criticamente os velhos, para dar conta de fatos inéditos, não enquadráveis nos gêneros conhecidos.

É patético observar como, já em plena fase de implantação do governo mundial, os analistas políticos, na universidade ou na mídia, continuam oferecendo ao público análises baseadas nos velhos conceitos de ´"Estado nacional", "poder nacional", "relações internacionais", "livre comércio", "democracia", "imperialismo", "luta de classes", "conflitos étnicos" etc., quando é claro que nada disso tem grande relação com os fatos do mundo atual.

Os acontecimentos mais básicos dos últimos cinqüenta anos são: primeiro, a ascensão de elites globalistas, desligadas de qualquer interesse nacional identificável e empenhadas na construção não somente de um Estado mundial mas de uma pseudocivilização planetária unificada, inteiramente artificial, concebida não como expressão da sociedade mas como instrumento de controle da sociedade pelo Estado; segundo, os progressos fabulosos das ciências humanas, que depositam nas mãos dessas elites meios de dominação social jamais sonhados pelos tiranos de outras épocas.

Várias décadas atrás, Ludwig von Bertalanffy (1901-1972), o criador da Teoria Geral dos Sistemas, ciente de que sua contribuição à ciência estava sendo usada para fins indevidos, já advertia: "O maior perigo dos sistemas totalitários modernos é talvez o fato de que estão terrivelmente avançados não somente no plano da técnica física ou biológica, mas também no da técnica psicológica. Os métodos de sugestionamento em massa, de liberação dos instintos da besta humana, de condicionamento ou controle do pensamento desenvolveram-se até alcançar uma eficicácia formidável: o totalitarismo moderno é tão terrivelmente científico que, perto dele, o absolutismo dos períodos anteriores aparece como um mal menor, diletante e comparativamente inofensivo."

Em L'Empire Écologique: La Subversion de l'Écologie par le Mondialisme (1998), Pascal Bernardin explicou em maiores detalhes como a Teoria Geral dos Sistemas vem servindo de base para a construção de um sistema totalitário mundial, que nos últimos dez anos, definitivamente, saiu do estado de projeto para o de uma realidade patente, que só não vê quem não quer. Mas von Bertalanffy não se referia somente à sua própria teoria. Ele fala de "métodos", no plural, e o cidadão comum das democracias nem pode fazer uma idéia da pletora de recursos hoje postos à disposição dos novos senhores do mundo pela psicologia, pela sociologia etc. Se von Bertalanffy tivesse de citar nomes, não omitiria o de Kurt Levin, talvez o maior psicólogo social de todos os tempos, cujo Instituto Tavistock, em Londres, foi constituído pela própria elite global em 1947 com a finalidade única de criar meios de controle social capazes de conciliar a permanência da democracia jurídica formal com a dominação completa do Estado sobre a sociedade.

Só para vocês fazerem uma idéia de até onde a coisa chega, os programas educacionais de quase todas as nações do mundo, em vigor desde há pelo menos vinte anos, são determinados por normas homogêneas diretamente impostas pela ONU e calculadas não para desenvolver a inteligência ou a consciência moral das crianças, mas para fazer delas criaturas dóceis, facilmente amoldáveis, sem caráter, prontas a aderir entusiasticamente, sem discussão, a qualquer nova palavra-de-ordem que a elite global julgue útil aos seus objetivos. Os meios usados para isso são técnicas de controle "não aversivas", concebidas para fazer com que a vítima, cedendo às imposições da autoridade, sinta fazê-lo por livre vontade e desenvolva uma reação imediata de defesa irracional à simples sugestão de examinar criticamente o assunto. Seria um eufemismo dizer que a aplicação em massa dessas técnicas "influencia" os programas de educação pública: elas são todo o conteúdo da educação escolar atual. Todas as disciplinas, incluindo matemática e ciências, foram remoldadas para servir a propósitos de manipulação psicológica. O próprio Pascal Bernardin descreveu meticulosamente o fenômeno em Machiavel Pédagogue (1995). Leia e descobrirá por que seu filho não consegue resolver uma equação de segundo grau ou completar uma frase sem três solecismos, mas volta da escola falando grosso como um comissário do povo, cobrando dos pais uma conduta "politicamente correta".

A rapidez com que mutações repentinas de mentalidade, muitas delas arbitrárias, grotescas e até absurdas, se impõem universalmente sem encontrar a menor resistência, como se emanassem de uma lógica irrefutável e não de um maquiavelismo desprezível, poderia ser explicada pelo simples adestramento escolar que prepara as crianças para aceitar as novas modas como mandamentos divinos.

Mas evidentemente a escola não é a única agência empenhada em produzir esse resultado. A grande mídia, hoje maciçamente concentrada nas mãos de mega-empresas globalistas, tem um papel fundamental na estupidificação das massas. Para isso, uma das técnicas de emprego mais generalizado hoje em dia é a dissonância cognitiva, descoberta do psicólogo Leon Festinger (1919-1989). Vejam como a coisa funciona. Se vocês lerem os jornais americanos de hoje, saberão que Tiger Woods, o campeão de golfe, um dos cidadãos americanos mais queridos dos últimos tempos, está agora sob bombardeio cerrado dos jornais e noticiários de TV porque descobriram que o coitado tinha umas amantes. Escândalo! Horror! A indignação geral ameaça cortar metade dos patrocínios do adúltero e excluí-lo do rol das "pessoas maravilhosas" que aparecem em anúncios de tênis, chicletes e dietas miraculosas. Mas há um detalhe: ao lado dos protestos contra a imoralidade do esportista aparecem ataques ferozes aos "extremistas de direita" que não aceitam o abortismo, o casamento gay ou a indução de crianças à deleitação sexual prematura. Os dois códigos morais, mutuamente contraditórios, são oferecidos em simultaneidade, como igualmente obrigantes e sacrossantos. Excitado e impelido a todos os desmandos sexuais, mas ao mesmo tempo ameaçado de character assassination caso venha a praticá-los mesmo em dose modesta, o cidadão angustiado reage por uma espécie de colapso intelectual, tornando-se um boboca servil que já não sabe orientar-se a si mesmo e implora por uma voz de comando. O comando pode ser oco e sem sentido, como por exemplo "Change!", mas, quando vem, soa sempre como um alívio.

Acusar os cientistas por esse estado de coisas é tão idiota quanto jogar nas armas a culpa dos homicídios. Homens como von Bertalanffy, Levin e Festinger criaram instrumentos que podem servir tanto para a construção da tirania quanto para a reconquista da liberdade. Nós é que temos a obrigação de tirar essas armas das mãos de seus detentores monopolísticos, e aprender a usá-las com signo invertido, libertando o nosso espírito em vez de permitir que o escravizem.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Por uma política de libertação...

por Antônio Carlos Costa


Fala-se muito sobre a chamada política de confronto do governo do estado do Rio de Janeiro. Após um ano e meio de muito confronto, marcado por baixas de civis inocentes e policiais, sem conseqüência significativa alguma para a diminuição do número de homicídios, que deve chegar em dezembro à marca de 21.000 em dois anos (se contarmos homicídio doloso, encontro de cadáver, auto de resistência, latrocínio, pessoas que foram assassinadas e que se encontram na categoria “desaparecidos” e policiais mortos), a população começa a perceber que seu apoio inicial ao confronto estava equivocado.

Um dos dramas da vida reside no fato de que em muitas ocasiões há um lado dialético na verdade. Os dois lados de uma mesma moeda que precisam ser levados em consideração. Uma sutileza que passa despercebida pelos que se recusam a pensar de modo duplo. C. S. Lewis, famoso autor das "Crônicas de Nárnia", costumava dizer que o erro vem aos pares. Extremos opostos que se nos apresentam, forçando-nos a fazer uma escolha entre ambos, quando na verdade a escolha de ambos os lados representará a opção pela meia verdade. Como diz o famoso médico e teólogo galês, Martin Lloyd-Jones: “Não há nada pior na busca pela verdade do que elevarmos à condição de verdade completa um aspecto da verdade”. Em suma, pessoas podem estar numa discussão apresentando pontos de vista diferentes sobre um determinado tema e ambas estarem erradas.

Só um completo desconhecedor da natureza humana para eliminar o confronto da política de segurança pública. Sendo o homem quem é o estado tem que se fazer valer do monopólio do uso da força. Nossa tendência ao mal tem que ser refreada ou pela força da persuasão racional ou pelo poder coercitivo do estado. A idéia de eliminarmos a responsabilidade humana em razão do histórico de miséria da vida do malfeitor, fará com que admitamos como normais crimes que nenhuma miséria é capaz de justificar. Contudo, a meta do combate à violência mediante o confronto pode ser alcançada de modos diferentes, adaptando os meios aos fins estabelecidos e às circunstâncias históricas.

A atual política de segurança do estado do Rio de Janeiro está equivocada por vários motivos. Os números da violência estão aí para mostrar que houve algum equivoco e que uma correção de rumo urgente precisa ser feita. Senão vejamos.

Há um erro estratégico, incompreensível mesmo para um leigo, de focar o combate ao tráfico e ao uso ilegal de armas na comunidade pobre e não no entorno da cidade do Rio de Janeiro. Sabe-se que essas drogas vêm pelas nossas estradas. Por que não há um investigação séria e eficaz nas vias de acesso da cidade? Por que transferir o trabalho de apreensão para as comunidades pobres apenas?

A idéia de que há um preço de vidas a ser pago pela população a fim de que a violência seja reduzida é moralmente incorreta e unilateral. Esse preço está sendo pago pelos pobres e não pela classe média. Quem tem morrido em troca de tiros entre policiais e traficantes é gente como a menina Fabiana da Mangueira e o menino Ramon de Guadalupe, e não as crianças do Novo Leblon e do Mandala na Barra da Tijuca. Não se combate a violência com o foco mais voltado para a morte do malfeitor do que a proteção da vítima. É imoral trocar tiro com armamento que fura parede de alvenaria sabendo que há criança dentro das casas que situam-se nas regiões onde ocorrem os conflitos.

A invasão sem a intenção de ocupar as áreas dominadas por narcotraficantes representa um desembarque da Normandia pela metade. A um custo altíssimo de vidas entra-se numa região, mata-se dezenas, traumatiza-se crianças, para no minuto seguinte voltar-se para batalhões e delegacias, deixando a mesmíssima área devastada totalmente desguarnecida. Um observador estrangeiro atento será levado a pensar que ou enlouquecemos, ou perdemos o senso de valor da vida humana, ou somos um povo atrasado sob todos os pontos de vista. Precisamos de uma política de libertação. O estado precisa fazer com a população pobre o que o exército colombiano fez com a ex-refém das Farc, Ingrid Betancourt: “Somos do exército da Colômbia, a senhora está livre”. A falta de uma perspectiva de ocupação tem levado os próprios integrantes das polícias à percepção frustrante de que estão “enxugando gelo”. Olha, eu vi gente graúda da nossa segurança pública expressando para mim essa semana essa terrível frustração.

A morte de garotos envolvidos com o tráfico sem a presença definitiva do estado em áreas dominadas pelo crime e a criação de condição para a chegada de políticas públicas nas comunidades pobres, é outro aspecto desse desperdício de tempo, recursos e vida. Sabe-se que para cada jovem morto há uma fila indiana de reservistas do crime prontos para substituir os que pereceram. Rapazes com uma demanda de auto-aceitação imensa. Sabedores do fato de que com um fuzil na mão vão poder levar as meninas para a cama, ter o destino de vidas humanas em suas mãos e comprar os bonés, tênis e roupas de grifes famosas. Tudo isso num contexto de ausência completa de uma referência paterna, colapso da experiência familiar, perda de valores, pobreza e evasão escolar. Sem o estado presente e oferecendo condições dignas de vida para esses jovens, nós vamos entrar para a história como cidadãos do estado que mais matou e menos realizou para a promoção da vida e paz.

Como esperamos vencer essa crise terrível, a maior que a minha geração enfrentou, com a condição de penúria em que se encontra a nossa polícia? Nossa polícia trabalha em circunstância desumana. Os policiais que tombaram na proteção dos moradores da Fonte da Saudade ganhavam menos do que o custo fixo de cada filho das famílias para as quais ofereciam segurança. Como pagar tão mal a homens que exercem função social de tamanha importância e que correm risco de vida tamanhos no exercício de sua profissão? Essa polícia carece de melhores salários. Soldo digno de atrair os melhores jovens da nossa sociedade para o exercício do ofício de policial. Essa polícia carece de ser melhor qualificada. Não se pode botar uma arma na mão de uma homem, dizer que ele tem o direito de usá-la com base em um pacto social que envolve o consentimento de milhões de seres humanos, e não prepará-lo para tarefa que envolve vida e morte. Essa polícia carece de homens que saibam comandar e inflamar seus comandados com altos ideais de serviço ao próximo.

Tudo isso depende de investimento. Essa semana soube através de gente importante da área da segurança pública do nosso estado que o Rio de Janeiro precisa de mais 10.000 policiais para um policiamento ostensivo à altura das demandas do estado. Sabe-se também, conforme acabei de mencionar, que o salário do policial deve ser aumentado. Perguntei: “Mas, porque esse investimento não é feito?” Em tom que me pareceu sincero e tomado de frustração ouvi meu interlocutor dizer: “O estado do Rio de Janeiro não tem dinheiro”. Pensei: “Meu Deus, essa gente tinha que vir a público e admitir isso. A população tem o direito de saber se o estado tem condição ou não de oferecer segurança para os seus cidadãos”. Porque das duas uma: ou vamos embora daqui por causa do medo, ou nos mobilizamos para salvar o Rio de Janeiro por causa do amor. Se é assim, o governo federal peca ao deixar o segundo estado em arrecadação da federação sob um massacre sistemático de vidas humanas, não oferecendo recursos para que os homens que estão à frente da secretaria de segurança pública possam trabalhar.

Sou um leigo sobre segurança pública. No início do ano passado eu não sabia a diferença entre Polícia Civil e Militar. Não sabia que a primeira é responsável pelo serviço investigativo (no Rio de Janeiro são elucidados menos de 2% da autoria de homicídio doloso) e a segunda pelo policiamento ostensivo. Mas, venho de dias nos quais entrevistei todo mundo. Falei com coronéis da PM, parente de vítima, jornalistas, pesquisadores, presidente do ISP, secretário de segurança e o próprio governador. Cheguei à essas conclusões. Gostaria de saber se estou errado, se sou alarmista ou ingênuo. Aguardo convencimento racional do meu possível erro de avaliação.

Nós só não podemos fazer o que é tão próprio do brasileiro, deixar para a amanhã o que devemos fazer hoje. Não há mais espaço para procrastinação. Não podemos decidir não decidir, permitir que a maldade dos perversos seja reforçada pela fraqueza dos virtuosos, tornando-nos assim cúmplices de um genocídio. A hora de agirmos com mais bom senso é agora, especialmente quando tomamos conhecimento do fato de que pode ser que um terceiro monstro esteja para nascer na nossa cidade, o pior de todos. Permitimos o narcotráfico e a milícia, e, agora, surge no cenário o envolvimento com o crime baseado em ideologia de libertação dos oprimidos dos centros urbanos. Imagine marginais treinados para infernizar a cidade e julgando com isso que estão salvando os pobres.

Ainda é tempo. Houve povos que enfrentaram problemas mais graves dos que os nossos e os superaram. Nossa geração pode vencer essa batalha da violência. Mas, para isso precisamos trocar a idéia de confronto pela idéia de libertação. E isso mediante a união de todos nós que amamos e nos orgulhamos do estado maravilhoso que Deus nos deu para habitar em paz.

A missão integral...

por Ed René Kivitz

A proposta da missão integral como agenda ministerial para a Igreja é mais do que evangelismo pessoal e assistência social; é convocação para rendição ao senhorio de Cristo, para perdão dos pecados e recebimento do dom do Espírito Santo

A Teologia Evangelical – Missão integral, a partir de seu lema “O Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”, definido no Congresso Internacional de Evangelização, realizado em 1974, em Lausanne, na Suíça, oferece uma lente através da qual lemos as Escrituras Sagradas em busca de referenciais para a presença do cristão e da comunidade cristã no mundo: “Assim como o Pai me enviou ao mundo, também eu vos envio” ( João 17.18; 20.21). Creio que são pelo menos os referenciais oferecidos pela teologia da missão integral: soteriologia, eclesiologia, missiologia, antropologia e kerigma.

A soteriologia da missão integral é o domínio de Deus, de direito e de fato, sobre todo o universo criado, através daqueles restaurados à imagem de Jesus Cristo – o primogênito dentre muitos irmãos. A salvação é o Reino de Deus em plenitude, onde a vontade do Senhor é realizada ou concretizada em perfeição. A redenção pessoal é apenas uma parcela do que o Novo Testamento chama salvação: o novo céu e a nova terra.

A eclesiologia da missão integral é o novo homem coletivo. Deus não está apenas salvando pessoas; está, principalmente, restaurando a raça humana. Estar em Cristo é não apenas ser nova criatura, mas também e principalmente ser nova humanidade – não mais descendência de Adão, mas de Cristo, o novo homem e homem novo. O caos do universo é fruto da rebeldia da raça humana em relação ao Deus criador; a redenção do universo – fazer convergir todas as coisas em Cristo – é resultado da reconciliação da raça humana com Deus. Deus estava em Cristo reconciliando consigo a humanidade. No cristianismo, a salvação é pessoal, a peregrinação espiritual é comunitária, e nada, absolutamente nada, é individual. A Igreja é a unidade dos redimidos que são transformados de glória em glória pelo Espírito Santo, até que todos cheguem juntos à estatura de ser humano perfeito.

A missiologia da missão integral é a sinalização histórica do Reino de Deus, que será consumado na eternidade. A Igreja, o corpo de Cristo, é o instrumento prioritário através do qual Jesus, o cabeça, exerce seu domínio sobre todas as coisas, no céu, na terra e debaixo da terra, não apenas neste século, mas também no vindouro. A missão da Igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além. O convite ao relacionamento pessoal com Deus é apenas uma parcela da missão. A missão integral implica a ação para que Cristo seja Senhor sobre tudo, todos, em todas as dimensões da existência humana.

A antropologia da missão integral é a unidade indivisível do pó da terra com o fôlego da vida; as dimensões física e espiritual do ser humano. “Corpo sem alma é defunto; alma sem corpo é fantasma”; “Cristo veio não só a alma do mal salvar, também o corpo ressuscitar”. A ação missiológica e pastoral da Igreja afeta a pessoa humana em todas as suas dimensões: biológica, psicológica, espiritual e social – a pessoa inteira em seu contexto, o homem e suas circunstâncias.

O kerigma, evangelização, na missão integral é a proclamação de que Jesus Cristo é o Senhor, seguida da convocação ao arrependimento e à fé, para acesso ao Reino de Deus. A oferta de perdão para os pecados pessoais é o início da peregrinação espiritual, porta de entrada para o relacionamento de submissão radical a Jesus Cristo, a partir do que a pessoa humana e tudo quanto ela produz passam a servir aos interesses do Reino de Deus, existindo e funcionando em alinhamento ao caráter perfeito do Senhor.

A proposta da missão integral como agenda ministerial para a Igreja é mais do que o mix evangelismo pessoal mais assistência social (geralmente como isca ou argumento evengelístico). O referencial da missão integral para a presença do cristão e da comunidade cristã no mundo é mais do que a construção ou multiplicação de igrejas locais, para onde os cristãos se retiram do mundo e passam a exercer funções que a viabilizam – ela, igreja, instituição religiosa – como um fim em si mesmo. A convocação da missão integral é para a rendição ao senhorio de Jesus Cristo, para perdão dos pecados e recebimento do dom do Espírito Santo, a partir do que se passa a integrar um corpo, o corpo de Cristo, ambiente para a experimentação coletiva dos benefícios da cruz. É este corpo o responsável por transbordar tais benefícios ao mundo, como anúncio profético do novo céu e da nova terra. O caminho missiológico e pastoral da missão integral é afetivo – relacional, em detrimento de metodológico –; operacional; comunitário, em detrimento de institucional; devocional, em detrimento de gerencial.

Sob o imperativo de levar o evangelho todo para o homem todo, para todos os homens, de acordo com o consenso de Lausanne, a Igreja é a comunidade da graça. Comunidade terapêutica; agência de transformação social; sinal histórico do Reino de Deus, instrumentalizada pelo Espírito Santo, enquanto serve incondicionalmente a Jesus Cristo, Rei dos reis, Senhor dos senhores, a quem seja glória eternamente, amém.


Fonte: http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=259

Missão integral da Igreja: Desafios para uma nova geração...

por Robinson Cavalcanti

Este tem sido um ano particularmente significativo para a Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL): tivemos Consulta Continental em El Salvador, Nacional em São Paulo e Regional em Alagoas, e uma série de encontros em outros países. Entre a teologia da libertação e o neofundamentalismo, uma nova geração de pastores e líderes opta pela teologia da missão integral da Igreja. Isso foi perceptível, inclusive, na última Consulta do programa “Fé, Ética e Economia” do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), em Buenos Aires, sob o tema “Globalizando a Vida Plena”. Esses fatos apontam para o caráter bíblico e histórico, e para a relevância dessa corrente de pensamento, dentro do espírito e do Pacto de Lausanne: evangelismo, comunhão, sã doutrina, ação social, inculturação, profetismo e assim por diante.

Gostaríamos, porém, de destacar alguns desafios para a nova geração de cristãos holísticos, nestes tempos de globalização e de pós-modernidade.

O desafio do resgate e da atualização da história

René Padilla, um dos principais pensadores da FTL, nos falava recentemente da sua alegria com a atual revitalização, e que a sua principal preocupação era com o desconhecimento histórico, tanto em relação ao legado reformado quanto à caminhada do próprio movimento. Resgatar o passado é recuperar um conteúdo (fatos, autores, idéias, temas) que permite a sua atualização e a sua aplicação ao presente.

Por outro lado, vale ressaltar que, até certo ponto, a década de 90 foi uma espécie de “década perdida” para a nossa corrente, com a maioria dos seus seguidores inerte pelo medo da patrulha, da censura e da discriminação por parte dos neofundamentalistas, paralisando o possível e necessário trabalho teológico, pastoral e profético. Medo do emprego analítico de ferramentas da filosofia e das ciências humanas. Medo de enfrentar, em suas agendas, temas agora abordados pela nova geração: a nova ordem geopolítica e geoeconômica internacional, gênero, raça, sexualidade, inculturação, profetismo, sanidade, ideologias, ecologia, ética, estética, ontologia etc.

Uma identidade evangélica deve nascer desse processo, em contraste com os desvios, exageros, teorias e radicalismos da nossa época.

O desafio das questões internas da Igreja

A questão central dos nossos tempos é de natureza eclesiológica. O que é a Igreja? Qual a sua natureza? Qual a sua organização? Qual a sua missão? Como a Igreja se entendeu a si mesma nestes dois mil anos? Como resistir, com fidelidade e criatividade, às ondas de novidades, particularmente as de origem estrangeira? É necessário discutir estas e outras questões, como o personalismo de estrelas, caciques e “apóstolos”; o escandaloso e freqüente divisionismo de denominações e “ministérios”; a domesticação aos sistemas seculares de poder; a “prosperidade” e a “batalha espiritual” como negação da Reforma Protestante; a Igreja como comunidade terapêutica ou como comunidade patogênica (sectarismo, individualismo, legalismo). Terá a Igreja algum impacto sobre o século 21?

O desafio das questões externas à Igreja

Há um desafio no campo das idéias e propostas em voga: a) o secularismo hedonista, com o seu consumismo e a busca frenética de bens materiais e status; b) a “religião civil”: reduzida aos ritos de passagem (batismo, casamento, enterro, inaugurações, colações de grau) e a “moral social”, descarnada de transcendência e de discipulado; c) o fanatismo dos fundamentalismos e dos misticismos, expressões doentias e perigosas da experiência religiosa.

Qual será a nossa contribuição para a civilização, com a crise dos paradigmas da modernidade: bondade natural, progresso, razão e utopias globais?

O desafio da nova (des)ordem internacional

O fim da Guerra Fria (EUA versus URSS) em 1989 nos trouxe um cenário semelhante ao fim das Guerras Púnicas (Roma versus Cartago): o monopólio geopolítico e militar, um novo e ameaçador império, sem oponentes, deixando todo o mundo fragilizado e vulnerável às novas “legiões”. A opção unilateral dos Estados Unidos implica a não assinatura de qualquer tratado internacional que o submeta a organismos multilaterais. A chamada “doutrina Bush” afirma: a) os interesses dos Estados Unidos sempre em primeiro lugar; b) a definição pelos Estados Unidos do que é o “bem” e o “mal”; c) o direito aos norte-americanos de realizarem “ataques preventivos”; d) O direito dos norte-americanos à eliminação de pessoas, instituições, regimes e Estados que lhes sejam obstáculos. Declinam a soberania nacional e a soberania popular. Os governantes são apenas “gerentes confiáveis”, inclusive em choque com a opinião pública. A vinculação do império com o fundamentalismo protestante procura legitimar uma “missão civilizadora” (fé e império), com ameaça tanto para os infiéis (islâmicos, por exemplo), quanto para os hereges (cristãos patriotas não-fundamentalistas).

O desafio das realidades nacionais

São vários os desafios pela frente: a resistência de diversos países em defesa de sua autodeterminação e de sua autonomia cultural (equivale dizer, de suas identidades); a situação dos oprimidos e dos excluídos; a perda de direitos sociais; o lugar dos países e dos blocos regionais na nova (des)ordem. No caso brasileiro, temos as limitações, os compromissos, os parceiros do novo governo federal e suas contradições, ambigüidades e reticências; a participação de novos aliados (ex-adversários), o “esquecimento” dos aliados históricos, a cooptação de quadros dirigentes, a despolitização do debate em torno de um projeto nacional, a desmobilização das bases, o tecnicismo, o “realismo”, o abandono de teses históricas e a repressão aos fiéis a essas teses. Aonde nos levará tudo isso? A um “salto de qualidade” ou a um novo capítulo da “circulação das elites” (Pareto)? E o que virá depois: populismo, ditadura ou “parceria com o império”?

Percebemos que o Senhor da História está levantando uma nova geração de convertidos comprometidos, disponibilizando-os com discernimento e poder, notificando-os dos riscos do martírio. Uma geração com maior liberdade epistemológica e maior abertura temática, crendo que “um mundo novo é possível” e que “uma Igreja nova é imprescindível”. Uma Igreja disposta a fazer história e devolver esperanças, marcada pela coragem e não pelo medo. Aberta ao que de bom vier de quaisquer correntes, mas disposta a denunciar e a se afastar do mal nelas contido.

À nova FTL, aos novos militantes da teologia da missão da igreja resta pela frente a única tarefa que cabe aos cristãos: “mudar o mundo” (Finney). Conseguirão? Permanece válido o pensamento: “É melhor se arriscar fazendo, do que não errar por não fazer”.

Missão Integral e Leitura da Bíblia...

por Júlio Paulo Tavares Zabatiero

1. A leitura da Bíblia: um monólogo edificante

A tradição de leitura bíblica no protestantismo é marcada pela individualidade. O estudo sério da Bíblia, supõe-se, é aquele que se faz sozinho, no escritório, após a oração, consultando a bibliografia necessária para superar os obstáculos que separam o leitor do texto bíblico – os obstáculos do tempo, do espaço, da cultura, das línguas bíblicas. Em nossa tradição, a leitura da Bíblia tem a ver com o uso correto do método correto (com o perdão pela redundância) - e supõe-se que haja apenas um método correto para se estudar seriamente a Bíblia. Os resultados desse tipo de leitura são, predominantemente, de tipo doutrinário ou existencial. Doutrinário, quando queremos confirmar as verdades da fé. Existencial, quando queremos aplicar essas verdades à vida das pessoas. Neste modelo de leitura, a missão da igreja não é prioritária. De fato, os conceitos de missão que se desenvolveram a partir deste modelo individualista de leitura da Bíblia também foi um projeto individualista: a missão tem a ver com a salvação das almas, ou das pessoas como já se avançou em tempos mais recentes. Salvação sim, em alguns casos, até se pode usar o termo salvação plena, mas sempre se dirige a indivíduos. O Evangelho é lido de forma redutiva e, assim, a missão é considerada de forma redutiva – um dos seus aspectos (a salvação de indivíduos) se torna praticamente o único ato missionário eclesiástico.

2. A leitura da Bíblia: um diálogo construtivo

Em vários círculos cristãos, católicos, protestantes e evangélicos, têm sido reconhecidos os limites do modelo predominante, e desde os anos oitenta do século passado um novo modelo de leitura está sendo construído, como, e.g., na leitura popular latino-americana, nas leituras contextualizadas na África e Ásia. E esse novo modelo, ainda em construção, só pode surgir porque a missão se tornou o critério da interpretação da Bíblia. É claro que os diferentes grupos cristãos acima mencionados têm noções distintas da missão. Em comum, porém, está a crença de que a igreja existe para a missão e que a missão que Deus confiou à igreja não se reduz à salvação de indivíduos, mas se concretiza na salvação de toda a criação, ou, como nos círculos da missão integral se costuma dizer: o Evangelho todo, para todas as pessoas, em todo o mundo, e para a pessoa como um todo – o que inclui a sociedade, a cultura, a economia, a política, o lazer, a educação, etc.
A partir da missão integral, portanto, podemos dizer que se está desenvolvendo um novo modo de ler a Bíblia, ao qual costumo chamar de modelo dialogal.Nesse novo modelo, ler a Bíblia visa construir consensos, ou seja, acordos fraternos sobre como praticar a vontade de Deus na atualidade, Consensos que sejam:
(a) eticamente válidos, pois nem todos os meios são justificados pelos fins – ou, nem tudo que funciona, ou que dá prazer, é justo, é bom, é santo;
(b) cognitivamente verdadeiros, pois nem todas as experiências, doutrinas e conceitos que defendemos passam pelo crivo da Sagrada Escritura; e
(c) pessoalmente verídicos, pois muitas vezes ocultamos a verdade pessoal e institucional atrás das máscaras do poder, do dinheiro, do prestígio ou do saber.

Ler a Bíblia em busca de consensos missionais depende de uma estratégia em que os sujeitos da leitura não sejam mais os indivíduos isolados, os especialistas da técnica, mas sejam todos os participantes da comunidade de fé. Depende de uma estratégia em que as diferentes contribuições de cada pessoa – tenha ela formação teológica ou não – possam ser:
(a) criticamente examinadas, ou seja, que a opinião de cada um seja demonstrada e provada e não apenas apoiada ou aceita por causa da autoridade acadêmica ou política ou espiritual de quem a formula;
(b) livremente apresentadas, ou seja, que cada membro da comunidade da fé possa falar, se expor, apresentar aos demais a sua visão da fé, da vida, da missão, da vontade de Deus conforme ele ou ela a vê na Escritura; e
(c) responsavelmente partilhadas, ou seja, que não se fale apenas por falar, que não se fale apenas a partir do achômetro de cada um, mas que cada participante do diálogo com a Bíblia e a partir da Bíblia, seja responsável em sua contribuição – tendo examinado bem o que leu e o que quer dizer – como os antigos judeus de Beréia que, ao ouvir a explanação da Bíblia pelos missionários cristãos, foram examinar cuidadosamente o valor e a validade da nova forma de ler a Bíblia que a fé cristã estava trazendo.

Traduzindo estas reflexões para a linguagem da prática cotidiana, precisamos aprender a ler a Bíblia com seriedade acadêmica (sem academicismo), ética (sem moralismo) e pessoal (sem individualismo). Ler a Bíblia sem o comodismo do hábito de achar na Bíblia aquilo que nós já sabemos ou sentimos; sem a atitude do especialista – da pessoa que vai aprender o jeito certo para, depois, dizer à igreja qual é a verdade que ela deve crer e praticar; ler a Bíblia sem a preguiça ou o medo de, ao invés de estudar a Bíblia, com todo o trabalho que a leitura exige, ler as leituras que outros fizeram da Bíblia e reproduzir as interpretações já feitas e presentes no comentários bíblicos, nos dicionários teológicos, nos sermões, nos artigos, etc... Nesse modelo, gastar tempo com o texto é muito mais importante do que ler sobre o texto. Nesse modelo, gastamos tempo com o texto na medida em que gastamos, também, nosso tempo com a ação missionária.

Precisamos aprender a ler a Bíblia como quem busca descobrir o tesouro que Deus colocou à disposição da humanidade e de toda a Sua criação, sabendo que aquele que encontrou um tesouro no campo vai, vende tudo o que tem, desfaz-se de seus antigos tesouros, e compra o campo a fim de – junto com todo o povo de Deus – garimpar e encontrar novos e mais preciosos tesouros que Deus tem para nos dar.


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Júlio Zabatiero é Doutor em Teologia e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana Independente da Coloninha. Além disso é professor da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (RS), presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana, setor Brasil, e professor visitante da Faculdade Teológica Sul Americana.

Humanitária, nunca humanista...

por Ariovaldo Ramos


A fé cristã é humanitária e não humanista. O humanismo acredita na bondade intrínseca do homem; já a fé cristã afirma que o homem é mau e constantemente mau o seu desígnio.

Quando a raça humana caiu, tudo o que permaneceu de bom nela é fruto do ato divino de emprestar, aos humanos, algo dos seus atributos comunicáveis.

Ao rompermos com Deus escolhemos ser o oposto dele, logo, escolhemos a maldade como estilo de vida.

Agora, como Deus é o lugar onde vivemos, nos movemos e existimos, ao rompermos com Deus, deveríamos ter deixado de existir, uma vez que fora de Deus nada existe ou pode existir.

Então, ao rompermos com Deus dois milagres aconteceram conosco: 1 – fomos mantidos na existência, logo, fomos mantidos em Deus; 2 – algo da bondade de Deus foi depositada em nós, de modo que, embora optando pela maldade, continuamos a saber e fazer o bem de várias maneiras.

Essa possibilidade do bem, em nós, não é mais intrínseca à humanidade, é fruto desse depósito de bondade de Deus em nós. Assim, na mesma medida em que não acreditamos que os seres humanos sejam capazes de, por si mesmos, fazer o bem, acreditamos que vale a pena investir na humanidade porque algo da bondade de Deus lhe foi emprestada. O que torna possível a pessoas que não amam a Deus amarem o próximo.

A fé cristã é humanitária, acredita que investir no bem da humanidade vale a pena, porque a bondade de Deus está atuando na humanidade e pela humanidade.

A fé cristã não se ilude com a humanidade, mas, ao mesmo tempo, não perde a esperança na humanidade.

A fé cristã luta pela humanidade porque sabe que essa é a luta de Deus.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SENTEM O CHEIRO DE SEIS MILHÕES DE CADÁVERES? É QUE ELE CHEGOU!


Nesta segunda, Luiz Inácio Lula da Silva cede o palco para o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, falar em nome de uma nova ordem mundial. Na entrevista concedida a William Waack, no Jornal da Globo, entre outras preciosidades, o iraniano afirmou que o capitalismo já provou a sua falência moral… É mesmo? E disse que o sistema se opõe a valores fundamentais do homem — ou algo assim. Eis alguém habilitado para falar em valores humanos…

Nós já sabemos, mas é preciso reafirmar:
— Ahmandinejad é financiador e fomentador do terrorismo no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque;
— Ahmadinejad é um negador do Holocausto;
— Ahmadinejad é um dos artífices de um programa nuclear secreto;
— Ahmadinejad é o homem que promete varrer Israel do mapa;
— Ahmadinejad é o homem que responde a bala a protestos por democracia;
— Ahmadinejad é o líder de um governo que manda para a cadeia e pode mandar para a morte homossexuais só por serem homossexuais e que reprime de modo brutal minorias religiosas;
— Ahmadinejad é o homem que foi reeleito num processo flagrantemente fraudado, o que os próprios aiatolás - menos aiatolula - reconheceram;
— Ahmadinejad é um dos líderes do Irã que satanizam os EUA e os acusam de responsáveis por todos os males que há no mundo.

Pois é este senhor que o Brasil está recebendo, com as honras devidas a um chefe de estado, transformando esse encontro em mais uma evidência do que pretendem vender como a “autonomia” do Brasil e exercício de uma política externa soberana. Trata-se de um acinte e de uma afronta às noções mais comezinhas de direitos humanos.

Ora, é evidente que o Brasil ou qualquer outro país não tem de ser amigo dos amigos dos EUA e inimigos de seus inimigos. A nossa soberania para receber quem quer que seja nunca esteve em causa. NÃO É POR ELES QUE DEVEMOS DIZER “NÃO” A AHMADINEJAD, É POR NÓS MESMOS!!! Um país, de fato, não precisa concordar com todos os pontos de vista de outro para receber seu mandatário. Mas é preciso, então, qualificar a discordância.

Estou entre aqueles que consideram, por exemplo, que não se deve punir ninguém por negar o Holocausto — por mais desprezível, cretina e desinformada que considere tal posição. As tolices de um indivíduo são diferentes dos crimes do governo e do estado. Que Ahmadinejad tivesse tal posição e a expressasse em tertúlias politicamente irrelevantes, bem, já seria desprezível, mas vá lá. Não!!! Tal opinião é expressão de uma política de estado: ele financia o Hezbollah no Líbano; ele financia o Hamas nos territórios palestinos e a Jihad Islâmica. Esses grupos anunciam seu igual propósito de “varrer Israel do mapa” e atuam com esse objetivo, com foguetes, seqüestros e atentados terroristas. O propósito de ter a bomba nuclear, está claríssimo, é impor-se como líder da região. E que líder é esse? O que ele quer?

Ora, podemos divergir sobre muitos assuntos, não é? As divergências podem ser as mais azedas e as mais inconciliáveis. Mas temos de estar de acordo sobre alguns princípios básicos que são essenciais à nossa civilização.

Ahmadinejad representa o atraso mais odioso; a truculência mais desprezível; a ignorância mais bastarda. Lula certamente aproveitará a passagem do presidente do Irã por aqui para falar em defesa da paz, do entendimento, da concórdia. Como se o outro fosse um bom interlocutor para isso. É uma espécie de Chamberlain da periferia pregando prudência a um fascistóide islâmico de chanchada — o que não quer dizer que não seja perigoso.

Na entrevista concedida a William Waack, vimos um Ahmadinejad um pouco mais cuidadoso, mas a dizer, essencialmente, os mesmos absurdos. E, espertamente, afirmou que os países não precisam concordar entre si para que possam dialogar. Depende! Por que um país democrático deve dialogar com outro que financia o terrorismo, por exemplo? Ou com um líder que não hesita em tripudiar de seis milhões de cadáveres? Ou que prega abertamente a extinção de um país? Não! Ninguém precisa desse diálogo.

Diálogo que é ainda mais estúpido e detestável se nos lembramos que, para o Itamaraty, ele é parte da construção de um novo concerto internacional. Novo concerto? Qual? Aquele em que ditadores e facínoras são admitidos como vozes válidas na mesa de negociação? É essa a utopia de um governo como nunca houve nestepaiz?

Antes que me esqueça: que Ahmadinejad vá para o inferno! Ou se é democrata ou se dialoga com o terror e com o anti-semitismo mais asqueroso. Não há conciliação possível.

Fiquemos atentos ao discurso de Lula enquanto este senhor estiver no Brasil e depois. Na última vez em que esteve com Ahmadinejad, em setembro, indagado se tinha conversado com o outro sobre a negação do Holocausto, o presidente brasileiro deu uma de suas luladas: “Não sou obrigado a não gostar de alguém porque outros não gostam. Isso não prejudica a relação do Estado brasileiro com o Irã porque isso não é um clube de amigos. Isso é uma relação do Estado brasileiro com o Estado iraniano”.

Escrevi então:
O Brasil não é o único país a fazer negócios com o Irã. Ninguém exige do governo Lula que rompa relações com os iranianos porque seu presidente bandido diz sandices. Há centenas de respostas possíveis que não ofendem a memória dos mortos e a dignidade dos vivos. Formulo uma: “O Irã sabe que o Brasil lastima essa opinião, mas entendemos que o isolamento daquele país é pior para o mundo”. Pronto! E Lula poderia fazer negócios com Irã - se é que haverá algum relevante.
A sua resposta, como veio, é indecorosa e me força a perguntar: a relação entre os dois estados é assunto sério demais para levar em consideração seis milhões de mortos? Um governo delirantemente anti-semita, como é o do Irã, não constrange de modo nenhum o Brasil?
Confrontado com a questão do Holocausto, Lula evoca uma questão de gosto. Ora, deve pensar este humanista, “os judeus não gostam de Ahmadinjad. O que é que eu tenho com isso? Não sou judeu!”

Vamos ver como se comporta Lula. Ahmadinejad não mudou e continua a afirmar as mesmas asneiras e a financiar a mesma indústria da morte. Haverá o decoro mínimo, desta vez, de deixar claro que o Brasil considera suas idéias, para ser muito manso, essencialmente erradas? Minha aposta: “Não!”


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sentem-o-cheiro-de-seis-milhoes-de-cadaveres-e-que-ele-chegou/

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Altos níveis de testosterona levam à avareza, diz estudo...

EWEN CALLAWAY
da New Scientist

Se você está em busca de pechinchas, fuja dos vendedores musculosos. O mesmo hormônio responsável pela força também pode reduzir a generosidade, indica um estudo.

"Nossa conclusão é a de que a testosterona faz com que homens sejam essencialmente pães-duros", diz Karen Redwine, neuroeconomista do Whittier College, na Califórnia, que apresentou o trabalho no encontro anual da Sociedade de Neurociência em Chicago, na semana passada.

Um estudo prévio com 17 negociantes em Londres apontou que níveis matinais de testosterona são correlatos a cada ganho e perda do dia --com a quantidade maior de hormônios associada ao lucro. Mas este estudo não estabeleceu a relação de causa e efeito entre testosterona e sagacidade mercantil.

Para resolver este caso, Redwine e seu colega Paul Zak, da Universidade Claremont, na Califórnia, deu um gel contendo testosterona a 25 estudantes universitários do sexo masculino, para então testar a sua generosidade. Todos os participantes também receberam um placebo sem testosterona, alguns dias antes ou depois do gel à base de testosterona. Nem pesquisadores, tampouco os participantes sabiam quais amostras eram verdadeiras e quais eram placebos até o final do estudo.

O creme de testosterona funcionou. No dia seguinte, a potência do hormônio sexual dobrada foi levada diretamente às veias dos voluntários, proporcionalmente.

Os voluntários jogaram, então, um jogo econômico simples por intermédio de um computador. Um dos voluntários tinha US$ 10 disponíveis, enquanto o outro tinha qualquer valor que desejasse. Cada um aceitava ou rejeitava a oferta conforme achasse justo ou não --neste caso, ninguém ganhava nenhum dinheiro. Os voluntários jogaram uma rodada em ambas as situações, isto é, com e sem o gel de testosterona.

No geral, o creme de testosterona causou uma redução de 27% na generosidade das ofertas, de US$ 2,15 para US$ 1,57.

Uma variedade mais potente da testosterona, a di-hidrotestosterona (DHT) exerceu uma influência ainda mais forte no comportamento. Homens com uma amostra maior de DHT no sangue ofereceram aos parceiros a reles quantia de US$ 0,55 dos US$ 10, enquanto os homens com menor nível de DHT ofertavam US$ 3,65, em média.

Hormônio egoísta

Há duas interpretações nos resultados, diz Redwine. Por um lado, a testosterona empurra o homem a buscar uma quantidade maior de dinheiro, caso ele esteja fazendo uma oferta ou decidindo aceitá-la ou rejeitá-la.

No entanto, ao rejeitar as ofertas injustas, voluntários abastecidos pela testosterona realmente cumprem a ordem social da divisão igualitária entre partes. "Pessoas são egoístas, mas altruístas também, e não está entendido por que esse comportamento ocorre."

Um fator biológico pode ser a dinâmica entre testosterona e outro hormônio chamado oxitocina. Às vezes chamado de "química do afago", a oxitocina também influencia na generosidade. Em um estudo de 2007, a equipe de Zak descobriu que a administração de oxitocina impulsionou a generosidade no mesmo jogo em 80%.

Redwine nota que a testosterona bloqueia a ação de oxitocina no cérebro. "É possível que a criação destes machos alfa realmente iniba a oxitocina", diz ela.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u643952.shtml

Contas da Igreja Universal movimentaram R$ 1,4 bilhão...


da Folha Online


O pedido de cooperação internacional feito pelo Ministério Público de São Paulo ao governo dos EUA para investigar as contas relacionadas ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, tem como alvo a movimentação financeira de seis empresas "offshores" ligadas a cinco doleiros brasileiros que movimentaram, somente nos EUA, ao menos US$ 862 milhões, ou R$ 1,47 bilhão, ao câmbio de ontem, informa reportagem de Rubens Valente e Mario Cesar Carvalho, publicada nesta terça-feira pela Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O valor foi obtido a partir dos arquivos da CPI do Banestado e de decisão tomada em 2005 pelo juiz federal do Paraná Sergio Moro, que acolheu denúncia contra operadores da casa de câmbio Diskline.

Segundo a reportagem, a agência, que tinha sede em São Paulo e filial carioca mas hoje está desativada, é investigada por suposto envio, fora do canal do Banco Central, de US$ 1,8 milhão para uma conta da Universal nos EUA, como a Folha revelou em setembro.

A devassa pedida pelos promotores atinge toda a movimentação das seis "offshores", sediadas em paraísos fiscais, mas nem todo o dinheiro está relacionado à Universal. Há indícios de que se tratavam de "contas-ônibus", que abrigam recursos de diferentes empresas e pessoas brasileiras.

Outro lado

O advogado da Igreja Universal, Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, afirma que seu cliente nunca fez remessas ilegais de dinheiro para o exterior.

Segundo o criminalista, o Ministério Público do Estado de São Paulo está usando fatos antigos, já investigados pela Polícia Federal e arquivados por falta de provas.

Leia a reportagem completa na Folha desta terça-feira, que já está nas bancas.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u653445.shtml

Um Deus pequeno...

Fico espantado com a capacidade de alguns cristãos terem uma visão tão pobre a respeito de Deus. Estas pessoas possuem uma longa caminhada cristã, mas desconhecem os pontos principais da fé que professam.

Percebo um reducionismo na crença da igreja contemporânea. O que Deus pode fazer? A busca pelo poder de Deus é somente para a cura do câncer, do tumor, dores de cabeça e problemas dos órgãos. Quanto à pergunta – Cristo nos salva do que? A resposta é a pior possível. O imaginário cristão tem Deus como um ser fantasmagórico. Deus se preocupa somente com a alma do homem. A questão fica complicada quando a pessoa é tricotomista – corpo, alma e espírito. O que Deus irá salvar? Não acreditam na ressurreição do corpo. São hereges e não sabem disso. Suas posições teológicas sempre foram combatidas ao longo da história cristã.

Deus é pequeno, porque estas pessoas não acreditam que ele tem o poder de restaurar todas as coisas. Defendem a aniquilação do universo sem conhecer o que pensam. Na ignorância professam um Deus impessoal – Ele não se relaciona com toda a sua criação. Na mentalidade da igreja atual somente o ser humano é a coroa da criação. É praticamente impossível tirar esta fantasia da cabeça das pessoas. Para elas o resto não tem valor algum.

Defendo a posição de uma mudança da cosmovisão da igreja contemporânea. É preciso fazer novas reformulações na forma de pensar sobre Deus e sua Palavra. Se Deus é pequeno a cosmovisão será pobre e vazia.

A esperança é que Deus irrompa na escuridão da mente e revele a sua imensa grandeza.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Discurso da Alta Comissária da ONU...

Missão da Alta Comissária ao Brasil – Navi Pillay - 7 a 13 de novembro de 2009

Texto da abertura da coletiva de imprensa – Brasília – 13 de novembro de 2009

Muito obrigada a todos por terem vindo. Hoje, chego ao fim da minha primeira visita ao Brasil como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos. E esta visita foi muito completa e fascinante. Gostaria de agradecer ao Governo do Brasil, tanto por ter me convidado como por ter feito meu tempo aqui tão produtivo.

Desde que cheguei sábado passado, tive uma série de francas e abertas discussões com o Presidente, ministros, membros do judiciário e muitos outros funcionários tanto em nível federal como estadual. Ao contrário dos funcionários em muitos outros países, os brasileiros não ocultaram ou minimizar os problemas da nação. Antes de tudo gostaria ressaltar algumas das importantes conquistas do Governo.

A democracia brasileira, depois de meros 21 anos, é forte e profundamente enraizada. Existe uma vasta lista de leis, programas e instituições - a começar pela própria Constituição - que formam uma impressionante fundação de proteção de direitos humanos que está alinhada com as obrigações internacionais do País.

O governo tem tomado uma série de importantes medidas, tanto em casa como no exterior: estas incluem a criação de Secretarias especiais de direitos humanos, de políticas da mulher e de igualdade racial, e a adoção de programas ambiciosos para reduzir a pobreza, aumentar o acesso à educação, eliminar a discriminação, e lutar contra a fome.

O Brasil tem mostrado liderança em muitas áreas. Ontem assinei um Memorando de Intenções com o Ministro das Relações Exteriores, que é documento muito progressista, voltado para compartilhar - em conjunto com o meu escritório - a experiência do Brasil em matéria de direitos humanos com outros países interessados em receber essa assistência.

Outro desenvolvimento significativo esta semana foi a aprovação pelo Congresso de uma emenda constitucional muito importante, destinada a prover educação universal gratuita a crianças entre 4 e 17 anos e a aumentar os recursos para a educação. Muitos dos maiores problemas do Brasil têm suas raízes na pobreza e na discriminação, e um sistema de ensino secundário verdadeiramente universal é essencial para que haja uma significativa melhoria nessas áreas.

A conferência nacional anual dos defensores dos direitos humanos brasileira me deu a oportunidade de aprender sobre os verdadeiros desafios que eles enfrentam, e apreciar a sua coragem e dedicação. Também tive reuniões muito úteis com uma ampla gama de representantes da sociedade civil em Salvador, Rio e Brasília. Defensores dos direitos humanos, e outros membros da sociedade civil com frequência formam a consciência de uma nação, e pelo que vi, creio que este também é o caso aqui no Brasil.

O Brasil é um país enorme, e enfrenta enormes desafios. Estou totalmente consciente de que apenas arranhei a superfície, fazendo curtas visitas a apenas dois dos 26 estados do Brasil, assim como Brasília.

Uma questão que foi incrivelmente invisível foi a situação dos povos indígenas. Entre todos os funcionários estaduais e federais que encontrei, acho que não tinha uma única pessoa indígena. Isto é muito indicativo de sua continua marginalização. Houve avanços importantes em termos de legislação para proteger os direitos dos povos indígenas, mas a implementação desses direitos particularmente em nível estadual parece estar demorando demais. A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país, e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras na armadilha do trabalho forçado.

Mesmo a grande população afro-brasileira está enfrentando problemas semelhantes em termos de implementação de programas socioeconômicos e discriminação que os impede de concorrer em igualdade de condições com outros brasileiros. Além do Ministro para a Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, vi poucos afro-brasileiros em altos cargos. Isso foi particularmente notável na Bahia, onde três quartos da população são afro-brasileiros, mas dificilmente qualquer um de seus principais administradores.

Milhões de afro-brasileiros e indígenas estão atolados na pobreza e não têm acesso a serviços básicos e a oportunidades de emprego. Até que isto mude, esta situação vai prejudicar o progresso do Brasil em muitas outras frentes. Pedi a funcionários em todos os níveis de Governo a centrar-se na plena aplicação das leis, planos e políticas para combater a discriminação, inclusive através da realização de pesquisas e avaliações. Mais uma vez, as medidas fundamentais existem, mas elas não estão sendo adequadamente aplicadas.

Uma consequência extremamente preocupante disto é a violência que assola não só as favelas, mas as cidades em geral. As principais vítimas desta violência são os afro-brasileiros, e - como praticamente todos os que eu conheci reconheceram - uma das principais causas de suas mortes é o uso excessivo da força por agentes policiais, milícias, assim como bandidos e traficantes de drogas.

Há um vínculo indissolúvel entre segurança pública e direitos humanos. Congratulo-me com as novas iniciativas em nível federal e estadual que dão prioridade ao trabalho em parceria com as comunidades afetadas pela violência. O empenho político e recursos financeiros que atualmente apóiam essas iniciativas precisam ser mantidos em longo prazo. Ao mesmo tempo, medidas eficazes são urgentemente necessárias para combater as execuções extrajudiciais, tortura e tratamento cruel, desumano ou degradante.

Reconheço perfeitamente as dificuldades enfrentadas pela polícia quando ela tenta manter a lei e a ordem. Eles também têm sofrido baixas demais - incluindo os três policiais que morreram recentemente, quando seu helicóptero foi abatido. Eles também estão deixando viúvas e órfãos, e estão sendo privados de seu direito humano mais fundamental, o direito à vida.

Mas a maneira de parar com a violência não é recorrendo à violência. Em vez disso, é necessário ganhar a confiança das comunidades onde a violência está acontecendo. Isso nunca vai acontecer na frente de uma arma. Um elemento-chave para ganhar a confiança é aplicar a justiça de forma justa. O governo precisa estabelecer uma política clara de combate à impunidade. Todas as alegações de violações de direitos humanos devem ser rápida e completamente investigadas por autoridades independentes e, se houver provas suficientes, os responsáveis devem ser processados - independente de serem bandidos ou policiais.

Também estou profundamente preocupada com os altos níveis de violência dirigidos às mulheres brasileiras. Visitei um projeto de cooperação policial impressionante que lida com a violência doméstica e espero que muito mais seja feito para ajudar as mulheres a se beneficiarem das leis e projetos que existem para protegê-las.

A extraordinária taxa de homicídios nas superlotadas prisões brasileiras e as alegações de tortura generalizada e condições desumanas são alarmantes e inaceitáveis. Igualmente preocupante é o fato de a grande maioria dos presos serem afro-brasileiros.

O Brasil é o único país da América do Sul que não tomou medidas para enfrentar os abusos cometidos durante o período do regime militar. Entendo que este é um tema extremamente sensível, mas há maneiras de fazer isso evitando reabrir feridas do passado e ajudar a curá-las. A tortura, no entanto, é uma exceção. O direito internacional é inequívoco: a tortura é um crime contra a humanidade e não pode ficar impune. O fato de que a tortura ocorrida no período militar ainda não foi discutida no Brasil significa que o desincentivo para parar com a tortura que ocorre agora e que vai ocorrer no futuro não está em vigor.

Na preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas o Brasil vai investir pesadamente em infra-estrutura. Isto pode ser feito em uma maneira que pode trazer benefícios duradouros para os habitantes urbanos mais pobres e marginalizados. O dinheiro pode ser gasto em locais para esportes ou centros culturais que aumentem as opções das crianças e dos jovens pobres. Pode ser gasto em sistemas de transporte público que ajudem os moradores de favelas a irem para seus locais de trabalho muito tempo depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Esta abordagem pode aumentar a esperança e reduzir a criminalidade e a violência. O que, por sua vez, poderia ajudar a reduzir a discriminação. É uma oportunidade para transformar um círculo vicioso num círculo virtuoso. Pode custar um pouco mais no início, mas em longo prazo, esse investimento poderia pagar dividendos imensos para o país como um todo.

Muito obrigada.


Fonte: http://palavraplena.typepad.com/accosta/

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O cântico dos oprimidos...

video


Em diversas manifestações esta música é cantada. Lábios se abrem sem compreender o que é santidade, amar somente a Deus e ser curado por sua graça.

A morte. Dor. Sofrimento. Miséria. Injustiça social. Guerras urbanas. Estes sentimentos e acontecimentos da contingência humana despertam a grande ânsia da alma humana pelo divino. É um tocar inesperado pelo transcendente. É o desejo de viver além das angustias que geram uma certa paralisia diante do que não se pode mudar. Por que as pessoas pedem por aquilo que desconhecem? É o eco das palavras de Santo Agostinho que perpassa o tempo e nos faz lembrar de que a alma humana só encontra descanso nos braços do grande Deus.

Quando as pessoas que sofrem aqui no Rio pedem para que Deus entre em sua vida e na sua casa, não se pode limitar somente a estas duas esferas – vida e casa. Estas pessoas desejam um Deus que entre na sua história de vida. Anseiam por um Deus que sofra com elas e que seja capaz de mudar esta realidade que se afirma com toda dureza e crueldade. Elas esperam por um Deus pessoal que faça parte do caminhar peregrinador da estrada do calvário diário que cada uma vive.

Tomo a liberdade de imaginar a linda história de Zaqueu. Neste encontro vemos o que se pode chamar de inversão. Um pecador sobe numa árvore para ver o Deus encarnado. Este homem por um momento está acima do Deus encarnado. Jesus o eleva ao mais alto padrão – reconhecimento e dignidade. A encarnação revela a posição de Cristo – servo. Não é o homem que pede para Jesus entrar na sua casa. Jesus abaixo do homem que está acima numa árvore pede para entrar na casa do pecador.

Deve-se pregar o Deus todo-poderoso. Majestoso e auto-suficiente. Mas deve-se pregar o Deus que de tal forma se rebaixa à condição humana e que deseja fazer parte do dia-a-dia das pessoas comuns. Deve-se pregar um Cristo que se sentiu fraco e, por isso, conhece e entende a fraqueza humana. A agonia das pessoas que não tem voz é a agonia do Cristo que padece por elas até hoje. O sofrimento de Cristo continua no sofrimento das mães que perdem os seus filhos por causa da violência urbana. O sofrimento de Cristo continua na dor da injustiça social quando pessoas dividem a sua moradia com ratos e fezes humanas. O sofrimento de Cristo continua quando o homem trancafiado numa sela é tratado a semelhança de um bicho imundo.

Estas pessoas sofrem e pedem para que Deus mexa com a sua estrutura. Isto não pode se limitar à estrutura espiritual. Deus precisa e quer mexer na estrutura como um todo – humana, social e universal. Este deve ser o verdadeiro clamor – Deus muda esta estrutura falida e podre que praticamente todo sistema se encontra.

Unamos o nosso clamor juntamente com aqueles que clamam, choram e gritam, porém, não são ouvidos. O Deus encarnado já está clamando juntamente com eles.

Assessora de Obama: "controlamos a mídia na campanha"



Kathleen Gilbert 06 Novembro 2009
Internacional - Estados Unidos

O comentarista político da Fox, Glenn Beck, fez seu próprio ataque contra Dunn na semana passada transmitindo cena filmada dela expressando admiração por Mao Tse Tung, o fundador da China comunista, considerado responsável pela morte de dezenas de milhões - com a ajuda de seu partido, que tomou todos os meios de comunicação chineses.No discurso de junho de 2009 para estudantes secundários, Dunn colocou Mao Tse Tung ao lado de Madre Teresa de Calcutá como "dois dos meus filósofos políticos favoritos".

WASHINGTON, D.C., EUA, 19 de outubro de 2009 (Notícias Pró-Família) - Depois do desafio bem público do governo de Obama para a rede de notícias Fox News na semana passada, a diretora de comunicações da Casa Branca Anita Dunn está de novo atraindo a atenção graças a uma recente cena filmada que a mostra revelando a própria ética jornalística da campanha de Obama - aprofundando a estonteante saga da luta de poder do governo de Obama com as elites dos meios de comunicação.

Numa conferência na República Dominicana em janeiro, Dunn - que fazia parte da equipe da campanha presidencial de Barack Obama, e é esposa do advogado pessoal de Obama Robert Bauer - debateu o "controle absoluto" que a campanha exerceu sobre a imagem de Obama nos principais meios de comunicação. A tática, diz ela, permitiu que a campanha usasse manobras que distanciaram a imagem pessoal do candidato de questionamentos da imprensa.
"Uma das razões por que fizemos tantos dos vídeos de David Plouffe não foi só para nossos apoiadores, mas também porque era um jeito de transmitirmos nossa mensagem sem ter de realmente falarmos com os jornalistas", disse Dunn, se referindo às filmagens preparadas para a imprensa feitas por David Plouffe, o diretor principal da campanha de Obama. "Tudo o que fazíamos era dar nossos vídeos à imprensa e fazê-los escrever o que Plouffe havia dito, mas não como se Plouffe estivesse fazendo uma entrevista com um repórter. Assim muitíssima coisa estava sob nosso controle, não sob o controle da imprensa", disse ela.

"Durante a eleição, muito raramente comunicávamos por meio da imprensa algo sobre o qual não tínhamos controle absoluto".

Dunn fez esses comentários numa conferência sobre a campanha de Barack Obama realizada pela Fundação Global Dominicana para a Democracia e Desenvolvimento.

De acordo com Dunn, a estratégia de imprensa da campanha era desencorajar críticas ao candidato como tal. "A realidade é que se era um vídeo de David Plouffe ou um discurso de Obama, uma imensa parte de nossa estratégia de imprensa focalizava em fazer os meios de comunicação cobrirem o que Obama estava realmente dizendo, não o motivo por que a campanha estava dizendo algo", disse ela.

Essa filmagem de Dunn acrescenta uma nova dimensão aos comentários dela feitos no começo deste mês na direitista Fox News, que ela afirmou era "mais uma facção do Partido Republicano" do que um serviço noticioso.

"Obviamente, o presidente irá para a Fox porque ele se envolve com oponentes ideológicos", Dunn disse na edição de 11 de outubro do programa Reliable Sources da CNN. "A Fox é amplamente vista como parte do Partido Republicano... e não há nada de errado nisso. Mas não vamos fingir que é uma organização noticiosa como a CNN".

A Fox News respondeu ao ataque num email para a CNN, observando que "o público normal de noticiário consegue certamente fazer a diferença entre a seção A do jornal e a página editorial, que é o que nossa programação representa".

O comentarista político da Fox, Glenn Beck, fez seu próprio ataque contra Dunn na semana passada transmitindo cena filmada dela expressando admiração por Mao Tse Tung, o fundador da China comunista, considerado responsável pela morte de dezenas de milhões - com a ajuda de seu partido, que tomou todos os meios de comunicação chineses.

No discurso de junho de 2009 para estudantes secundários, Dunn colocou Mao Tse Tung ao lado de Madre Teresa de Calcutá como "dois dos meus filósofos políticos favoritos". "Em 1947, quando Mao Tse Tung estava sendo desafiado dentro de seu próprio partido em seu plano de basicamente assumir o controle da China, Chiang Kai Shek... tinha tudo do seu lado. E as pessoas diziam: 'Como é que você conseguirá fazer isso?' E Mao Tse Tung disse: 'Lutem vocês a sua guerra, e eu lutarei a minha'", disse ela. "Você sabe o que é certo para você. Por isso, não permita que as definições dos outros definam seu conceito interno do que é certo e errado".

Alguns comentaristas, inclusive Dunn, criticaram o alvoroço posterior, dizendo que as pessoas haviam usado os comentários dela com seriedade exagerada.

Desde que o presidente Obama fez menção da Fox como "uma rede de televisão totalmente dedicada a atacar o meu governo" numa entrevista de junho com John Harwood, da CNBC, as autoridades da Casa Branca têm assumido uma postura cada vez mais agressiva contra a rede de televisão. O Chefe do Estado Maior Rahm Emanuel e o principal assessor de Obama David Axelrod adotaram medidas ofensivas a um novo nível ao estimular outros canais da imprensa a evitar a Fox.

Perguntado para comentar o que Dunn disse, o secretário de imprensa da Casa Branca Robert Gibbs divulgou uma insinuação mais sutil acerca do antagonismo do governo. "Assisti a muitas notícias nessa rede que não achei que eram verdadeiras", disse ele.

A complexa troca de palavras emerge do mal-estar que vem crescendo há muito tempo sobre o relacionamento da Casa Branca com a imprensa. Embora a guerra pública entre o governo e a Fox seja o aspecto mais dramático, os críticos dizem que uma predileção por desviar o debate em favor de atitudes sugerindo falsidades ou até mesmo desonestidade e crimes por parte dos oponentes se tornou em várias frentes parte da estratégia de comunicação do presidente e sua equipe de governo.

Um exemplo notável: no debate imenso acerca do aborto financiado pelo governo na reforma do sistema de saúde, o secretário de imprensa Gibbs sempre respondeu sugerindo que a controvérsia não tem fundamento graças à emenda Hyde, a qual impede abortos financiados pelo governo. Por sua vez, o Comitê Nacional do Direito à Vida condenou a resposta como deliberadamente enganadora - pois ignora o fato de que a emenda Hyde não tem relação com as torrentes de financiamentos criadas pela legislação de reforma da saúde.

Alguns analistas têm questionado se as posturas agressivas do governo são uma medida política infeliz.

O colunista do jornal New York Times David Carr deu a opinião de que a briga da Casa Branca com a imprensa "poderá apresentar um problema genuíno para o sr. Obama, que se esforçou muito durante a campanha para se pintar como sendo acima das rixas de superaquecidas brigas partidárias".

"Embora indubitavelmente muitos governantes tenham vontade de perseguir seus antagonistas, os casos de governos que tiveram êxito em tomar conta da imprensa e saíram vencedores são em número menor do que as poucas palavras desta sentença", Carr escreveu neste final de semana. "Até agora, o único vencedor nesta disputa mais recente parece ser a Fox News, cujos índices de audiência subiram 20 por cento neste ano".

Karl Rove, ex-chefe de estratégia política do ex-presidente George W. Bush, condenou a política truculenta estilo máfia por trás da tática da Casa Branca numa entrevista a Fox News no domingo. "O governo Obama está ficando muito arrogante e evasivo no modo como lida com as pessoas. E se você ousa se opor a eles, eles vão ser duros com você e vão cortar as suas pernas", disse Rove.

"A Casa Branca de Obama está criando sua própria versão de uma lista de inimigos na imprensa. E isso é inútil para o país e é indigno o presidente dos Estados Unidos fazer isso", continuou ele.


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Publicado com o título Autoridade da Casa Branca confessa que a campanha de Obama "controlou de forma absoluta" os meios de comunicação


Veja a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:

White House at Loggerheads with U.S. Bishops on Existence of Government-Funded Abortion in Health Bill
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/oct/09101310.html

Hiding Behind Hyde: More "Deception" and "Smokescreens" from the White House on Abortion
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/oct/09100808.html

Lawmakers Rip White House for "Orwellian" Blog Post on Health Care
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/aug/09080603.html

White House Caught Between Drudge and a Hard Place on Health Care Reform
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/aug/09080502.html


Tradução: Julio Severo
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/oct/09102002.html

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Uma lista cretina...

Pô, assim não dá! A revista Forbes fez a lista das pessoas mais poderosas do mundo — POderosas, não PUdorosas! E Lula, um homem como nunca antes houve nestepaiz, neste mundo, quem sabe no sistema solar, ficou só em 33º lugar. Vejam a lista:

1. Barack Obama
2. Hu Jintao
3. Vladimir Putin
4. Ben S. Bernanke
5. Sergey Brin e Larry Page
6. Carlos Slim Helu
7. Rupert Murdoch
8. Michael T. Duke
9. Abdul Aziz Al Saud
10. William Gates III
11. Papa Bento 16
12. Silvio Berlusconi
13. Jeffery R. Immelt
14. Warren Buffett
15. Angela Merkel
16. Laurence D. Fink
17. Hillary Clinton
18. Lloyd C. Blankfein
19. Li Changchun
20. Michael Bloomberg
21. Timothy Geithner
22. Rex W. Tillerson
23. Li Ka-shing
24. Kim Jong Il
25. Jean-Claude Trichet
26. Masaaki Shirakawa
27. Sheikh Ahmed bin Zayed al Nahyan
28. Akio Toyoda
29. Gordon Brown
30. James S. Dimon
31. Bill Clinton
32. William H. Gross
33. Luiz Inácio Lula da Silva
34. Lou Jiwei
35. Yukio Hatoyama
36. Manmohan Singh
37. Osama bin Laden
38. Syed Yousaf Raza Gilani
39. Tenzin Gyatso
40. Ali Hoseini-Khamenei
41. Joaquin Guzman
42. Igor Sechin
43. Dmitry Medvedev
44. Mukesh Ambani
45. Oprah Winfrey
46. Benjamin Netanyahu
47. Dominique Strauss-Kahn
48. Zhou Xiaochuan
49. John Roberts Jr.
50. Dawood Ibrahim Kaskar
51. William Keller
52. Bernard Arnault
53. Joseph S. Blatter
54. Wadah Khanfar
55. Lakshmi Mittal
56. Nicolas Sarkozy
57. Steve Jobs
58. Fujio Mitarai
59. Ratan Tata
60. Jacques Rogge
61. Li Rongrong
62. Blairo Maggi
63. Robert B. Zoellick
64. Antonio Guterres
65. Mark John Thompson
66. Klaus Schwab
67. Hugo Chavez


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/uma-lista-cretina/

EUA vão investigar integrantes da Igreja Universal...

Do Jornal Nacional:
Os Estados Unidos decidiram abrir investigação criminal contra Edir Macedo e mais nove representantes da Igreja Universal do Reino de Deus. Eles são suspeitos de estelionato, de desvio de recursos e de lavagem de dinheiro em território americano.

A investigação vai ser comandada por promotores de Nova York, com quem autoridades brasileiras fecharam um acordo de cooperação para este caso específico. O acordo estabelece a quebra de sigilo de contas bancárias ligadas à igreja.

Os promotores americanos decidiram fazer essa investigação a pedido do Ministério Público de São Paulo, que denunciou à Justiça o fundador da Universal, Edir Macedo, e outros integrantes da igreja, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

As investigações em Nova York serão feitas pela promotoria criminal, que funciona em um prédio, em Manhattan. O chefe da Divisão de Combate a Fraudes e a Crimes Financeiros é o promotor de Justiça Adam Kaufmann. Ele colaborou outras vezes com autoridades brasileiras.

Foi o promotor Kaufmann quem pediu, e conseguiu, que a Justiça americana decretasse a prisão do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, por desvio de dinheiro público e lavagem. E foi por meio da equipe de Kaufmann que as contas do banqueiro Daniel Dantas acabaram sendo bloqueadas.

O promotor americano também já apurou crimes envolvendo igrejas, como contou em entrevista no mês passado, quando esteve no Brasil. “Há casos de igrejas que arrecadam doações de fiéis e depois usam esse dinheiro para financiar TVs, carros, um estilo de vida pessoal que nada tem a ver com a caridade. Esse é um tipo de fraude bem conhecida e bem documentada nos Estados Unidos”, diz ele.

No caso da Igreja Universal do Reino de Deus, os americanos vão se concentrar em Edir Macedo, o fundador, e nos outros nove réus que respondem a processo no Brasil por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Os promotores vão conferir ainda as contas bancárias de cinco empresas ligadas à Universal: duas estão registradas em um prédio em São Paulo. Outra é a Rede Record de Televisão, que tem escritório também em Nova York. E as outras duas são a Investholding e a Cableinvest, elas foram abertas em paraísos fiscais, mas movimentam dinheiro nos Estados Unidos. Segundo o Ministério Público de São Paulo, elas fazem parte do esquema de desvio de doações da igreja.

A acusação sustenta que o dinheiro doado legalmente pelos fiéis da igreja é desviado para empresas brasileiras ligadas à Universal. Depois, é mandado para as contas da Investholding e da Cableinvest lá fora. Mais tarde, o dinheiro volta na forma de empréstimos para a compra de bens que nada têm a ver com a igreja e com obras sociais. De acordo com a promotoria, foi assim, escondendo a origem do dinheiro, que Edir Macedo comprou propriedades, inclusive empresas de comunicação. A conclusão é que o dinheiro da igreja serviu para enriquecimento pessoal.

O objetivo da quebra do sigilo de contas é saber exatamente de onde vêm e para onde vão os recursos que passam por bancos americanos, e juntar essas informações ao inquérito civil, ao procedimento investigatório e ao processo criminal em curso no Brasil.

A promotoria de Nova York também decidiu abrir investigação nos Estados Unidos contra Edir Macedo e outros representantes da Igreja Universal, por suspeita de estelionato, de desvio de dinheiro de entidade religiosa e de lavagem de dinheiro em território americano.

Logo no começo da apuração, 15 contas ligadas à igreja serão vasculhadas em Nova York, Miami e Jacksonville.

Na entrevista que concedeu há um mês, antes da decisão sobre essa investigação, o chefe dos promotores americanos disse que só aceita cooperar com outros países nos casos em que considera as provas consistentes. E completou: “Quando o dinheiro se move pelo mundo, há uma grande chance de que ele passe por Nova York. Os criminosos não respeitam fronteiras e buscam todos os meios para salvar o que mandaram para fora. Mas o dinheiro deixa pistas pelo caminho, e o fundamental é seguir esses rastros”.

O advogado Arthur Lavigne, que representa Edir Macedo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, e a própria igreja disse que não tem conhecimento da cooperação entre autoridades brasileiras e americanas. Ele afirmou ainda que está tranquilo diante das investigações nos Estados Unidos.


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eua-vao-investigar-integrantes-da-igreja-universal/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Darwin 'falou e disse': escrevi o Origem das Espécies por razões ideológicas...



Uns 10 anos após ter escrito o Origem das Espécies, Darwin admitiu francamente suas duas razões principais para escrevê-lo:

"Eu devo ser permitido dizer, como alguma desculpa, que eu tinha dois objetos distintos em vista; primeiramente, mostrar que as espécies não tinham sido criadas separadamente, e em segundo lugar, que a seleção natural tinha sido o principal agente de mudança... Alguns dos que admitem o princípio da evolução, mas rejeitam a seleção natural [DESTAQUE DO BLOGGER: Thomas Huxley, Charles Lyell, Joseph Hooker e St. George Jackson Mivart], parecem se esquecer, quando criticam meu livro, que eu tinha em vista os dois objetos acima; assim, se eu errei em atribuir à seleção natural grande poder, o que eu estou muito longe de admitir, ou em ter exagerado no seu poder, que em si mesmo é provável, tenho, pelo menos, como eu espero, ter feito um bom serviço em ajudar a derrubar o dogma das criações separadas". [1]


Uau! Caracas mano!! O homem que teve a maior ideia que a humanidade já teve não foi motivado por uma ideia científica, mas por uma ideologia: o naturalismo filosófico contra a visão criacionista daquela época.

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NOTA:

1. "I may be permitted to say, as some excuse, that I had two distinct objects in view; firstly, to show that species had not been separately created, and secondly, that natural selection had been the chief agent of change... Some of those who admit the principle of evolution, but reject natural selection, seem to forget, when criticizing my book, that I had the above two objects in view; hence if I have erred in giving to natural selection great power, which I am very far from admitting, or in having exaggerated its power, which is in itself probable, I have at least, as I hope, done good service in aiding to overthrow the dogma of separate creations" (The Descent of Man, 1871, p. 92).


Fonte: http://pos-darwinista.blogspot.com/

Terra absorve mais gás carbônico do que se pensava...



Novos dados indicam que os ecossistemas e oceanos da Terra têm capacidade muito maior de absorver gás carbônico do que demonstravam os estudos científicos feitos até então. A pesquisa, feita na Universidade de Bristol, na Inglaterra, mostra que o equilíbrio entre a quantidade do gás em suspensão na atmosfera e a que é absorvida se manteve praticamente constante desde 1850, apesar das emissões causadas pelo homem. No mesmo período, as chamadas emissões antropogênicas saltaram de 2 bilhões de toneladas anuais em 1850, para 35 bilhões de toneladas anuais atualmente. Ou seja, a natureza teria absorvido virtualmente todo o excesso de gás carbônico emitido pelo homem.

Ao contrário da maioria dos estudos climáticos sobre o tema, sobretudo os que balizam as decisões do IPCC, este não se baseou em modelos de clima computadorizados [que dependem da correta alimentação de dados], mas em dados de medições históricos reais, coletados diretamente, e em estatísticas.

O estudo não é o primeiro a desafiar as conclusões do IPCC – veja, por exemplo, Métodos de monitoramento do CO2 são inadequados para um tratado internacional do clima e Novos dados exigirão alterações nos modelos climáticos do IPCC.

Até agora, os cientistas consideravam que a capacidade dos ecossistemas e oceanos em absorver o dióxido de carbono cairia conforme as emissões aumentassem, fazendo disparar o nível de gases causadores do efeito estufa na atmosfera. O novo estudo contesta esta teoria, mostrando que a Terra, até o momento, absorveu quase a totalidade dos gases de efeito estufa emitidos pelo homem.

Os pesquisadores descobriram que a taxa de aumento dos gases em suspensão na atmosfera tem oscilado entre 0,7% e 1,4% a cada década, desde 1850. Segundo o Dr. Wolfgang Knorr, coordenador do estudo, “isso é essencialmente zero”.

Para os cientistas, o trabalho é extremamente importante no debate de políticas para o controle das mudanças climáticas, já que as metas de emissão que devem ser negociadas em Copenhague, em dezembro, baseiam-se em projeções que consideram que a capacidade de absorção da Terra já se teria esgotado.

Seria então esta uma boa notícia para os líderes mundiais que deverão se reunir em Copenhague? “Não necessariamente”, responde o Dr. Knorr. “Como em todos os estudos desse tipo, há incertezas nos dados”, admitiu. “Portanto, em vez de confiar que a natureza vai nos oferecer o serviço de graça, absorvendo nosso gás carbônico, precisamos nos certificar dos motivos pelos quais a parcela absorvida não mudou”, defende ele.

Outro resultado do estudo é que as emissões resultantes do desmatamento florestal podem ter sido superestimadas em valores que variam de 18% a 75%. Esse resultado coincide com as conclusões de outro estudo que está sendo publicado na revista Nature Geoscience, no qual a equipe do Dr. Guido van der Werf, da Universidade de Amsterdam, na Holanda, concluiu que as emissões geradas pelas queimadas estão superestimadas, em alguns casos sendo calculadas como se fossem o dobro do que os dados indicam.

Recentemente, o professor Gilberto Câmara, diretor do INPE, chamou a atenção para um problema relacionado, afirmando que os dados sobre emissão de CO2 pelo desmatamento são chutados.

(Inovação Tecnológica)

Nota: Esse estudo tem aparentemente duas implicações interessantes: (1) mostra que os dados da ONU com respeito às emissões antropogênicas estão sendo usados com fins políticos, sem unanimidade científica (leia sobre ECOmenismo aqui); e que (2) a grande capacidade de absorção de carbono pela Terra e pelos oceanos poderia tornar a datação pelo método do carbono 14 um tanto falha, uma vez que as amostras podem conter muito mais carbono 12, conferindo-lhes “aparência de antiga”.[MB]


Fonte: http://criacionista.blogspot.com/