sábado, 6 de setembro de 2008

Poema: “Quem sou eu?”

Quem sou eu?


Quem sou eu? Seguidamente me dizem

que deixo a minha cela

sereno, alegre e firme

qual dono que sai de seu castelo.


Quem sou eu? Seguidamente me dizem

que falo como os que me guardam

livre amável e com clareza

como se fosse eu a mandar.


Quem sou eu? Também me dizem

que suporto os dias do infortúnio

impassível, sorridente e altivo

como alguém acostumado a vencer.


Sou mesmo o que os outros dizem a meu respeito?

Ou sou apenas o que sei a respeito de mim mesmo?

Inquieto, saudoso, doente, como um pássaro na gaiola,

respirando com dificuldade, como se me apartassem a garganta,

faminto de cores, de flores, do canto dos pássaros,

sedento de palavras boas, de proximidade humana,

tremendo de ira por causa da arbitrariedade e ofensa mesquinha,

irrequieto à espera de grandes coisas,

sm angustia impotente pela sorte de amigos distantes,

cansado e vazio até para orar, para pensar, para criar,

desanimado e pronto para me despedir de tudo?


Quem sou eu? Este ou aquele?

Sou hoje este e amanhã um outro?

Sou ambos ao mesmo tempo? Diante das pessoas um hipócrita?

E diante de mim mesmo um covarde queixoso e desprezível?

Ou aquilo que ainda há em mim será como um exército derrotado,

que foge desordenado à vista da vitória já obtida?


Quem sou eu? O solitário perguntar zomba de mim.

Quem quer que eu seja, ó Deus, tu me conheces,

sou teu.


(Dietrich Bonhoeffer)

Um comentário:

Clóvis disse...

Christopher,

Tenho notado que você tem postado várias texto do Bonhoeffer. É um cristão que tenho interesse de conhecer mais. Você sabe se tem alguma obra dele em português?